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4.2 Learners´ beliefs

4.2.2 Improvements of text writing skills due to feedback

4.2.2.1 Correcting the mistakes

O silêncio que reinava naquele sítio era grande, mas havia nas proximidades da casa rouxinóis que sempre soltavam cantos quando se ouvíamos aqueles cantos percebíamos que estávamos nos aproximando da casa, que era cercada por plantações de café (Coffea arabica L.), laranja (Citrus sinensis), abacate (Persea americana), laranja-lima (Citrus sinensis (L.)), pupunha (Bactris gasipaes), biribá (Rhollinea Orthopetala), cacau (Theobroma cacao), abio (Pouteria caimito), açaí (Euterpea oleracea Mart.). A casa ficava dentro do mato e logo se chegava à beira do rio ou ao campo. As margens do rio eram cercadas de um “pasto”141 de açaí, motivo de algumas pessoas passarem o dia nessa casa para tomar o fruto no período da seca, o verão marajoara. No verão, o açaí só frutifica nas margens dos rios, enquanto no período chuvoso é quando ocorre a safra das áreas centrais da Ilha.

Essas terras de seu Romero, localizadas nas margens do médio rio Atuá, no município de Muaná, foram adquiridas por herança que seus pais deixaram, os quais morreram logo e o deixaram órfão, tendo sido criado pela irmã mais velha. Essa irmã quase não morou naquelas terras após o casamento, porque o esposo era feitor de fazenda e eles moravam nas fazendas que o marido administrava. Assim, ela só passou a morar com o irmão quando ficou viúva, ocasião em que os filhos construíram uma casa no terreno, próxima à casa de seu Romero.

Seu Romero, dono da propriedade, havia ficado viúvo e criado todos os filhos. Para o sustento da família, tinha a produção de frutas, como laranja, café, pupunha e também a roça de mandioca como cultura temporária. O sustento da família era completado com a criação de porcos e a pesca nos lagos e troca de dias de trabalho com outras pessoas da redondeza, como aqueles que produziam farinha de mandioca. A produção do sítio, na maioria das vezes, era o suficiente para manter a família.

Por causa desse fenômeno é que as pessoas “dos campos” vêm visitar os amigos da beira do rio e aproveitam para consumir o açaí. Nos anos passados, quando seu

Romero ainda era vivo, o açaí não havia sofrido o reflorestamento, por isso essa demarcação do período das safras era tão definida.

As filhas migraram para a capital; primeiramente as duas mais velhas; depois, com o casamento de uma das filhas, as mais novas vieram também. No total tinha cinco filhas, dois filhos e um neto, adotado como filho, filho da filha mais velha. Essa, como mãe solteira saiu de casa deixando o filho para o pai criar e veio para a capital, mas logo retornou, casando com uma pessoa das proximidades e teve outros filhos. Depois ficou viúva e mais outra vez casou e teve mais filhos.

O filho mais velho de seu Romero, o terceiro na ordem de idade, casou e foi morar na casa com seu Romero, montou um comercio, passando a comercializar gêneros alimentícios e tudo que fosse necessário ao abastecimento dos moradores das fazendas, principalmente dos empregados. Esses trabalhadores traziam como forma de pagamento queijos, doce de leite, porcos, galinha, peru, carne de capivara. Em troca levavam café, açúcar, corda para usar nos animais, rede de dormir, lamparina, panela e outros produtos.

As pessoas costumavam visitá-lo e traziam alguma coisa como regalo. Isso não significava que fosse uma troca simbólica como no “kula”, pois para ele tudo que possuía da produção era para comercializar. Apenas algumas pessoas recebiam uma cesta com açaí, algumas dúzias de laranjas, um cacho de pupunha. Havia uma família que era muito querida por ele, sempre que podia ia visitá-los, ou a família o visitava, contando que ambos trocavam presentes e segundo a população da vizinhança os presentes eram generosos. Por outro lado, também a dádiva era compensadora.

As trocas que eram mais constantes eram com os feitores de fazendas, pois o produto que traziam em forma de regalo seu Romero não possuía, porque ele era um lavrador, criava alguns porcos, mas não era o carro-chefe de sua base econômica. Então a relação que costumava manter com essas pessoas lhe rendia essas dádivas e também outras, pois muitos homens iam até sua casa para cortejar as filhas do viúvo.

Seu Romero era conhecido pelos vizinhos como “sovina”, não dava nada para os parentes, somente para aquelas pessoas que ele queria agradar. Para um membro presentear alguém da família com frutas de uma de suas árvores tinha que ter seu consentimento, ou dava escondido, porque ele não aceitava.

Na plantação havia uma “doação” de árvores; ele plantava árvores para cada filho e filha e para os netos. Segundo ele, a produção era boa dependendo da sorte de cada um. Também exigia que todos fizessem sua própria plantação. Mesmo que a

árvore daquele não estivesse frutífera e esse se aventurasse em coletar da árvore que não era dele, logo recebia repreensão.

Essa terra foi alternada entre os filhos. Vivem no local do sítio, como moradores, uma neta, que possui a casa mais para o lazer, morando na cidade de Muaná; um neto que possui atividade de plantio, um pequeno comércio e presta serviços esporádicos em fazendas e propriedades nas proximidades. Já trabalhou em locais de criação de gado e por isso é sempre requisitado para ajudar na vacinação, ferra, conserto de cercas, currais. Por essa experiência dele, o local virou um ponto de aplicação de vacina para aqueles que não possuem curral ou não o adequaram e também não têm e não sabem aplicá-la.