6. THE THREE ACTORS CLIMATE CHANGE STRATEGIES IN THE PERIOD 2006-
6.2. A NALYSIS OF NBIM – HOW IS CLIMATE CHANGE ON THE AGENDA ?
6.2.2. Corporate governance and climate change - NBIM’s Investor Expectations document
Humberto Nogueira de Queiroz* é natural de Quixadá, descendente de família ilustre, primo da renomada escritora cearense Raquel de Queiroz. O qual, conforme estudos de Peixoto (2013, p. 207), Humberto é o oitavo e último filho de Maria Felismina, “Sinhoamina”, que casara com seu cunhado viúvo, Capitão João Nogueira de Queiroz. Humberto nasceu em 07 de abril de 1905 e foi criado por seus avós Coronel João Inácio de Queiroz e Felismina Cândida de Queiroz, na fazenda Magé, em Quixadá, estado do Ceará. Sua formação educacional iniciou na escola pública de Quixadá, em seguida, estudou no colégio São Luiz, em Fortaleza, no Liceu do Ceará e na Faculdade de Farmácia e Odontologia do Ceará, tendo concluído o curso superior em 1925. Com esses atributos, consideramos Humberto homem letrado e moderno para os padrões culturais da época, um portador de prestígio social.
* Humberto Nogueira de Queiroz – Intendente Municipal de Pereiro de 1936 a 1945. Prefeito da gestão 1951-1954.
Humberto Nogueira de Queiroz “Chegou à cidade de Pereiro na tarde do dia 05 de fevereiro de 1927, onde exerceu a função de Farmacêutico e na falta de médico,
mantinha Clínica Geral, inclusive realizando parto, de onde nasceu sua popularidade” (PEIXOTO, 2013, p. 207-208). Veio a convite de Manuel Maia, Coletor Estadual, proprietário de uma drogaria na época. O qual, segundo relatos de nossos entrevistados, sendo pessoa inteligente e competente na área em que se especializou, logo começou a receber a credibilidade do povo que o procurava para sanar suas necessidades. Tornou- se um profissional polivalente: era parteiro, dentista, fazia pequenas cirurgias, psicólogo nos momentos da necessidade, enfim, amigo do povo. Conhecia um por um, sabia sua origem e de onde vinham os males que as acometiam, segundo os entrevistados.
Pertencendo à família influente, com prestígio na capital do estado, com trabalho social na área de saúde, já reconhecido no município de Pereiro, logo ascendeu na política local. O mesmo
No final de 1930 foi candidato único a prefeito, sendo eleito com 609 votos, no entanto, em virtude do movimento revolucionário de 1930, não pôde ser empossado. Foi substituído pelo Interventor Alberto Leite de Morais, em janeiro de 1931. (SILVA, 2004, p. 53).
Em seguida, constituiu sua própria Farmácia, onde manipulava medicamentos com preço acessível à população, atendendo-a gratuitamente dia e noite, se tornando conhecido na região da serra e no sertão. O Humberto Queiroz conforme entrevistado, “era um homem de visão larga, lia muito e com a aceitação que teve, entrou na política, onde se elegeu mais de uma vez, tendo governado por quinze anos Pereiro”. (Entrevista nº 17, 2013, p. 01).
O trabalho social na área da saúde no município foi o trampolim para o reconhecimento pessoal e ascensão da sua liderança política e conquista do crédito dos munícipes. A seguinte descrição de entrevistado sintetiza o que outros disseram acerca do trabalho do Humberto Queiroz no município.
O seu Humberto era Farmacêutico, passava remédio, fazia pequenas cirurgias, fazia partos, fazia de tudo; aplicava injeção, receitava os doentes. O Humberto subia as serras a cavalo logo quando chegou em Pereiro, começou a fazer partos, consultava os doentes, ele era considerado um médico, e continuou por muitos anos, por isso o povo
lhe chamava de doutor Humberto Queiroz porque ele fazia de tudo em situação de doença. (Entrevista nº 17, 2013, p. 01).
Passado pequeno intervalo de tempo, no final da interventoria municipal de Manuel Mourão Maia, 1935 a 1936, Humberto Queiroz reingressou na política quando nomeado Interventor do município de Pereiro pelo interventor estadual Francisco Menezes Pimentel, do Partido Democrático Social (PDS), interventor do Ceará no governo do Presidente Getúlio Vargas.
Com o fracasso da Intentona Comunista de 1935, o governo Vargas21 se fortaleceu com o apoio dos integralistas, passando a perseguir os seus críticos, acusando-os de comunistas. Assim, sob o pretexto de preservar a democracia, Vargas limita o espaço democrático. Em 1937, com apoio do Exército Brasileiro, estabelecia o Estado Novo, ou Ditadura Vargas, com vigência de 1937 a 1945.
O Estado Novo, além das mudanças impostas mencionadas a pouco,
procurou também alterar as bases tradicionais do Estado brasileiro através de uma forma do serviço público baseada no universalismo de procedimentos. O novo regime criou, ainda, um corpo técnico, isolado das disputas políticas, para assessorá-lo na formulação de políticas. (NUNES, 1997, p. 18).
Diante desse contexto político, analisamos que a nomeação de Humberto Queiroz ocorreu, possivelmente, por conta do reconhecimento e prestígio social que o mesmo adquiriu no município através do trabalho social realizado na área da saúde. Além disso, representaria uma das famílias tradicionais do município: Nogueira de Queiroz. Também por sua condição de elite esclarecida e sua ligação política com o Interventor do estado, Menezes Pimentel.
21 Em 1937, criou o pretexto de que haveria um plano comunista para tomar o poder, o Plano Cohen,
quando, na realidade, não passava de uma farsa do governo para buscar apoio de maioria da sociedade brasileira que, sentindo-se ameaçada pelo comunismo internacional, apoiou o golpe de Estado de Vargas e do Exército, deflagrado em 10 de novembro de 1937, cancelando as eleições, fechando o Congresso e impondo nova Constituição. Nascia o Estado Novo (1937 a 1945). Vargas manteve a República Federativa Presidencialista, no entanto, concentrou todos os poderes nas mãos do Presidente, tornando-o autoridade suprema do Estado, mantendo a divisão dos poderes Executivo e Judiciário, abolindo Legislativo e extinguiu os partidos políticos. Aboliu a liberdade de imprensa e instituiu a censura prévia, ao passo que Interventores passaram a governar os estados e municípios.
Anos depois, Humberto Queiroz casa-se com Cleonice22 Freire de Queiroz, descendente de família tradicional de Pereiro, cujos integrantes fazendeiros e outros graduados habitavam o distrito de Ererê. O casamento ampliou seu apoio político. Com Cleonice Freire teve quatro filhos, dois homens e duas mulheres. A partir de 1936, já prefeito interventor, passou a representar o município com o apoio de chefes políticos da família Freire, família Nogueira de Queiroz e outros chefes político de famílias menos influentes. Além desses motivos, as disputas políticas local haviam desaparecido, haja vista que os partidos políticos foram extintos, assim, os grupos oposicionistas não podiam atuar, já que viviam em regime de ditadura.
A respeito das características políticas de Humberto, há relatos de que o Humberto na época de Interventor era muito rigoroso. Conforme entrevistado,
O Humberto já pegou duas ditaduras. Na segunda ele já não era mais uma liderança de muita expressão, mas lá atrás na ditadura Vargas ele foi interventor no município de Pereiro, aí dava as cartas com a força que lhe convinha. (Entrevista nº 01, 2011, p. 01-02).
O mesmo complementa seu comentário afirmando que
Ele era de Quixadá, veio como Interventor de Getúlio Vargas em Pereiro, teve ligação e fez política com os Nogueira e Queiroz aqui, depois se apartaram, foi quando surgiu a liderança de Chico Nogueira de Queiroz. [...] Fez política com Dr. Nogueira Diógenes, sempre foi situação com Dr. Nogueira, PSD, aquela coisa. Mas não tinham nada a ver com os Queiroz de Pereiro. Humberto era dos Queiroz de Quixadá, inclusive primo da escritora Rachel de Queiroz. Os Queiroz de Pereiro teriam vindo de Pernambuco”. (Entrevista nº 01, 2011, p. 02).
22 Cleonice Freire de Queiroz, filha única, pertencente à família influente do município, educadora das
primeiras letras no município, com a influência do esposo prefeito, “ela foi nomeada escrivã da Coletoria Estadual de Pereiro”. (NEIDSON, s.d., p. 02). Foi Presidenta do Apostolado da Oração, da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo e prestava qualquer ajuda que fosse preciso à Paróquia de Santos Cosme e Damião, de quem era devota ardorosa. “Com o passar do tempo, foi nomeada Coletora do Estado”. (IDEM, p. 03).
Ao levantarmos o histórico das práticas políticas do prefeito Humberto Queiroz, um ex-vereador do município disse que, “Quem era correligionário era correligionário, e quem era adversário era adversário, não tinha vez nessa época; aos amigos tudo, aos adversários nada”. (Entrevista nº 03, 2011, p. 03). Mas quando pergunto se o mesmo fazia uso da violência, o entrevistado revelou o seguinte:
Não, não. [...] O Humberto Queiroz era do Partido Social Democrático, PSD, e o Chico Nogueira era da União Democrática Nacional UDN, e quando os correligionários se digladiavam, eles mesmos apartavam a briga deles. (Entrevista nº 03, 2011, p. 03).
Outro ex-vereador de sua época disse que “Não. Ele tinha aquelas besteiras, o povo velho tinha medo, mas eu nunca tive medo, quando precisava dizer, eu dizia. Mas o povo era assombrado nesse tempo da ditadura, sempre tinha medo de dizer”. (Entrevista nº 05, 2011, p. 03). O mesmo entrevistado ainda revelou que Humberto dominou Pereiro por nove anos só como interventor municipal, depois foi eleito prefeito, mas nunca se entendeu muito bem com ele. Entretanto, durante algum tempo sua família o apoiou, inclusive ele próprio deu apoio político ao prefeito Humberto Queiroz. Fato que demonstra contradição, pois mesmo não se entendendo muito bem, o legitimava no poder.
Outros entrevistados afirmam que Humberto não fazia uso de violência nem dentro e sequer fora da política. Além de relatarem casos curiosos.
Nunca, nunca eu ouvi dizer que seu Humberto fizesse uso de violência. De forma nenhuma, Humberto Queiroz não. [...] Ele não tinha rancor [...]. Conta-se outra história do Humberto, de que uma pessoa, um pistoleiro, veio matar ele aqui em Pereiro, até por desavenças políticas, aí o pistoleiro estava esperando ele, ele ia no Jipe 1954, e ele tinha uma fazenda no município de Jaguaribe e outra em Icó, Massapê e Porta Alegre, e toda terça-feira ele ia pra fazenda e o cara tava esperando ele em determinado canto que era para executá- lo, e ele parou o jipe, ofereceu carona ao pistoleiro, o cara sentou do lado dele, foi conversando com ele, só sei que quando chegou em determinado ponto ele pediu para parar, ele parou, aí o cara agradeceu e revelou que tinha ido o esperar para matar, mas um homem como ele não se matava, quer dizer, não foi consumado o fato. Contam outras
histórias até de pessoas que o conheceram. (Entrevista nº 14A, 2013, p. 02-03).
Na concepção de outro entrevistado, o “Humberto só tinha sabedoria, inteligência, era um médico (era farmacêutico e não médico) que fazia de tudo, até parto ele fazia, era conhecido na região”. (Entrevista nº 06, 2011, p. 02-03). Entretanto não acumulou bens materiais de grande porte para empregar nas disputas eleitorais. Isto seria um erro, segundo o entrevistado, pois política exige dinheiro para ajudar nas disputas eleitorais.
A respeito de realizações político-administrativas do prefeito Humberto Queiroz, um dos ex-vereadores entrevistado nos relatou que:
Lembro, nessa época, a cidadezinha de Pereiro era abastecida por água de cacimbões, construídos na época pelo senhor Humberto Queiroz. As primeiras estradas de Pereiro foram construídas na época do senhor Humberto Queiroz. A primeira Caixa D`água de Pereiro também foi construída na época do seu Humberto Queiroz e muitas outras coisas que eu não me recordo agora. E que nessa época não existia Fundo de Participação, ou melhor, não existia a Cota como a gente chamava. Vereador não ganhava dinheiro, prefeito não tinha verba [havia], o município vivia da sua arrecadação. Por exemplo, em 1955 eu já era fiscal, então eu recolhia aquele Imposto de Indústria e Profissão, porque no talãozinho tinha Indústria e Profissão. Aí aqueles tropeiros que passavam com tropas de animais carregados de rapadura, carregados de farinha, de algodão eu cobrava aquele impostinho. Isso no município de Pereiro. (Entrevista nº 03, 2012, p. 03).
Segundo relato de outro entrevistado, o prefeito Humberto Queiroz fez a estrada que liga o município de Pereiro a Jaguaribe, apesar da Prefeitura na época não ter recursos, pois “a Prefeitura não recebia recursos como o FPM, não recebia dinheiro do estado e nem da União e o açude do Caetano também foi obra dele. O restante da obra dele foi mais obras sociais”. (Entrevista nº 14A, 2013, p. 01-02). O mesmo entrevistado destacou sua polivalência profissional, e que
os motivos da sua liderança política é porque ele era farmacêutico, mas, fazia às vezes de parteiro, dentista, extraía dente; se um animal sofresse um acidente ele costurava, ele era polivalente. Conselheiro,
quando o povo ia para São Paulo, [...] então procurava o Humberto para pedir orientações. (IDEM).
Ao realizarmos levantamento junto a arquivos da prefeitura municipal de Pereiro referente ao período de intendência municipal de Humberto Nogueira de Queiroz no período 1936 a 1945, constatamos que em 1936 Grasiela Freire Nogueira foi nomeada para a função de Secretária do Tesouro Municipal, também foram nomeadas professoras para o sítio Flores e povoado de Bastiões e um Agente Fiscal do Distrito Ipiranga (Ererê). Em 1938 admite Lúcio Teixeira Lima Fiscal Geral de Pereiro: Em 1940 admite Zelador de Aguadas Públicas da povoação do Ipiranga e uma professora para o Sítio Cacimbas dos Aimorés. Em 1943, admissão Arimatéia de Souza Teixeira Fiscal de Tributos da Prefeitura e no ano de 1945 admite outra professora, dentre outras nomeações. Dessa forma observamos que as atividades do prefeito-interventor são direcionadas para nomeações de funcionários que irão prestar os serviços essências da época.
No que toca ao item recursos públicos do município de Pereiro (que os entrevistados estão sempre afirmando que eram poucos no período 1936-1970), se são poucos ou não, não sabemos informar, haja vista não fazermos comparações ou levantamento acerca das receitas referentes ao período mencionado, entretanto, podemos destacar o que fora orçado e fixado de Receita e Despesa para o exercício financeiro de: 1937 a quantia de 57.485$000, cruzeiros - 1940 a quantia de 53.944$700, - 1941 a quantia de 49.000$000, - 1944 a quanta de 45.000$000, - e 1945 a quantia de 38. 500, 000,. Dessa forma observamos que os recursos orçados são menores ao passar dos anos, assim dificultando a realização dos serviços. (PREFEITURA MUNICIPAL DE PEREIRO, Livro nº 2A, Pereiro-CE, s.d.).
No que toca aos feitos administrativos do interventor, e também prefeito, Humberto Queiroz, além do que já foi destacado, “realizou construções de açudes municipais, Caixa D’água (de quais obras foi pioneiro), construiu estradas, prédios públicos e muito se preocupou com a saúde pública. No setor de educação muito realizou”. (PEIXOTO, 2013, p.208). Também construiu a Estátua do Cristo Redentor, marco de cunho religioso e turístico, trouxe o primeiro rádio e o primeiro automóvel para Pereiro. Na época, o rádio e o automóvel eram símbolos de progresso e modernização para quem vivia em regiões isoladas de transporte e comunicação. Não
relacionamos os demais serviços por falta de registros históricos e documentos que nos proporcionasse uma melhor exploração.
Com o fim da ditadura Vargas e substituição do interventor estadual Francisco Menezes Pimentel, Humberto Queiroz também é substituído da interventoria municipal de Pereiro, entregando o cargo e Intendente em 23 de novembro de 194523. Seria o fim de um ciclo de poder antidemocrático, haja vista que não havia eleições para o Executivo Municipal e Legislativo, nem espaço para que o povo exercesse o seu poder de expressão e escolha do seu governante por meio do voto.
No ano de 1945, com a queda do governo do Presidente Getúlio Vargas, seu Interventor no Ceará, Francisco Menezes Pimentel, foi substituído pelo Intervento estadual Benedito Augusto Carvalho dos Santos24, ligado à União Democrática Nacional (UDN), que saíra vencedora nas eleições de 1945 (Mota, 2005), nomeou o ex- estudante de Medicina, agropecuarista e comerciante de algodão, Francisco Nogueira de Queiroz, a Interventor municipal de Pereiro.
1.4. Surgimento e ascensão de novo líder político em Pereiro: disputas pelo