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Contaminant–climate change interactions

In document Fram Forum (sider 62-69)

A análise de dados tem sido considerada como o mais difícil e desafiadora etapa ao conduzir um estudo de caso (YIN, 2010). O processo de coleta e análise de dados nesta pesquisa estiveram sempre interligados, na medida em que a análise dos dados era sempre seguida à coleta dos mesmos e que os conceitos e a interpretação dos dados eram sempre discutidos imediatamente após as visitas e entrevistas realizadas em campo.

Após cada entrevista e visita feita em campo foi elaborado um resumo com as principais características do entrevistado, com os dados obtidos na entrevista, com as sugestões dadas pelos entrevistados de novos contatos ou áreas a visitar e com as lacunas que demandam

novos esclarecimentos e necessidade de novas informações. Além disso, todas as entrevistas foram transcritas e, durante a própria transcrição, foram feitas reflexões e observações acerca dos dados obtidos. As entrevistas foram planejadas e agendadas à medida que as informações foram trazendo os conhecimentos necessários. À medida que as respostas proporcionaram convergência e, ao mesmo tempo, abrangência para a sua necessidade, ficou evidente que já eram suficientes (CARTER, 2008).

Na análise de dados foram observadas as similaridades e as dissimilaridades de opiniões e informações fornecidas pelos diferentes entrevistados. Além disso, um ponto importante da pesquisa interpretativa diz respeito à capacidade do pesquisador procurar por diferentes perspectivas que, conforme Yin (2010, p. 219) “podem ser encontradas nas visões culturais alternativas, nas diferentes teorias, nas variações entre as partes interessadas ou nos tomadores de decisão que são parte do estudo de caso, ou em alguns contrastes similares.”

Embora haja softwares, como por exemplo, o ATLAS TI, que possam auxiliar nas análises de pesquisas qualitativas, não foi utilizado nenhum software nem no armazenamento, nem na análise de dados. Isto ocorreu porque se julgou que a utilização de softwares seria mais útil em pesquisas qualitativas que demandassem procedimentos como localização e contagem de palavras, identificação de expressões e vícios de linguagem, análise de símbolos, dentre outras.

No entanto, na pesquisa aqui realizada, a análise de dados demandou interpretação da pesquisadora e discussão, junto aos demais atores do campo, das similaridades e inconsistências encontradas. Isto porque a análise de dados na pesquisa qualitativa, como mostra Ahrens e Chapman (2007), consiste em um processo criativo, desordenado e interativo. Portanto, nesta pesquisa a análise de dados foi realizada através de um trabalho subjetivo que não poderia ser executado de forma automatizada com a ajuda de softwares. Além disso, na análise dos dados foi utilizada a Análise do Discurso, discutida na revisão bibliográfica, no item 2.5 desta tese.

Além do cuidado com a análise e interpretação dos dados, a pesquisadora buscou observar também questões como confiabilidade e validade. O conceito de validade está mais relacionado com a interpretação das observações, enquanto o conceito da confiabilidade está mais ligado à coleta de dados. Como afirma Martins (2008, p. 90) “a confiabilidade de uma

pesquisa é a confiança que a mesma inspira”, enquanto a validade, segundo Crescitelli et al.

(2006) diz respeito à coerência entre os dados levantados e o problema que se busca solucionar.

Pesquisas interpretativas sofrem de crise de validade tendo em vista que há certo consenso entre os pesquisadores de que a pesquisa interpretativa não pode ser validada com métodos tradicionais de validação e ainda não está claro como a pesquisa interpretativa deve ser validada (LUKKA; MODELL, 2010).

Ahrens (2008) aponta como critérios de confiabilidade e validade: (a) a autenticidade a familiaridade com o campo; (b) plausibilidade, ou seja, a apresentação de uma pesquisa real; (c) criticidade em todas as etapas da pesquisa; (d) múltiplas vozes no campo; (e) escrita e vivência no campo. A presente pesquisa atende a todos os critérios apontados por Ahrens (2008), na medida em que a pesquisadora: (a) colheu dados autênticos no campo e se familiarizou com as informações e os atores do campo, (b) apresentou uma pesquisa real, tendo de fato ido a campo, (c) atentou para informações divergentes e depoimentos conflitantes, (d) observou múltiplas vozes e recursos no campo (realizou observações em campo e análise de documentos, bem como entrevistas com diferentes atores do campo) e (e) realizou transcrições das entrevistas analisadas, bem como várias anotações acerca dos dados obtidos e observações feitas em campo.

Durante esta pesquisa foram tomadas diversas medidas no sentido de proporcionar confiabilidade e validade à investigação. No estágio inicial da pesquisa de campo foi elaborado um protocolo de estudo foi elaborado para guiar a coleta de dados (YIN, 2010), como dito no capítulo 3. Um roteiro de entrevista foi elaborado durante o estágio exploratório da pesquisa (SILVERMAN, 2006). Vale ressaltar que nesta pesquisa foram elaborados diferentes roteiros, constantes do Apêndice 2, de acordo com as áreas e o nível hierárquico dos entrevistados. Além disso, os roteiros eram aplicados de forma flexível, com o intuito de manter a entrevista aberta e capturar novas perspectivas ou informações importantes que pudessem surgir durante a entrevista.

Durante o processo de coleta, os dados foram coletados sistematicamente, as entrevistas foram gravadas, sempre que possível, e transcritas cuidadosamente, também foram feitas anotações sistematicamente para melhorar a confiabilidade da pesquisa (SILVERMAN,

2006). Foram observados não apenas as informações gravadas fornecidas nas entrevistas, mas também conversas informais e o comportamento dos membros da organização.

Durante a pesquisa, múltiplos recursos de dados foram utilizados, não apenas com a intenção de alcançar validade, como sugere Yin (2010), mas também para melhor combinar e entender os dados. Como afirma Silverman (2006), o uso de diferentes dados força o pesquisador a considerar de que forma múltiplos e diferentes medidas qualitativas podem ser simultaneamente verdadeiras. A pesquisadora não tratou nenhuma fonte de dado, em particular, como sendo superior e, quando encontrados conflitos entre as fontes de evidência, eram feitas novas investigações para descobrir a causa dos conflitos. Os chefes do Departamento de Contabilidade e do Departamento de Gestão de Contratos eram as principais fontes de confirmação de dados, já que com eles foram realizadas diversas conversas informais.

Uma das críticas com relação à validade de pesquisas interpretavistas consiste no fato de que estudos de caso, especialmente, estudos de um único caso, não permitem a generalização dos resultados e conclusões obtidos. No entanto, na visão de Ryan et al. (2002), o estudo de caso é importante exatamente porque as coisas são apresentadas como sendo heterogêneas, relacionais e performativas e a generalização é apenas uma das formas de gerar conhecimento.

Assim, o presente estudo está mais preocupado com os achados empíricos desta pesquisa que poderão adicionar conhecimento ao campo de estudo, não tendo como objetivo a generalização deste conhecimento para uma população mais ampla.

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