institucionais apontados por Scott (2008), mas também da própria Teoria Institucional, dois elementos se destacam: (1) a legitimidade, tão fundamental para institucionalização e que é fornecida por cada um dos pilares institucionais e (2) o isomorfismo, inerente ao conceito de institucionalização e que fornece três tipos de mecanismos diferentes que se adequam a cada um dos três pilares institucionais.
2.4.2.5.4.1 Legitimidade
As organizações não precisam apenas de recursos e informações, mas de aceitação social e credibilidade. “Legitimidade é uma percepção generalizada ou suposição de que as ações de uma entidade são desejáveis, apropriadas e oportunas dentro de um sistema socialmente construído de normas, valores, crenças e definições” (SUCHMAN, 1995, p. 574, tradução nossa).
Cada um dos três pilares, segundo Scott (2008) fornece uma base para a legitimidade, ainda que de forma diferente e, ainda segundo o autor, a legitimidade corresponde a um valor simbólico, enquanto que, para Berger e Luckmann (1996), evoca uma segunda ordem do significado.
O foco do pilar regulatório está na conformidade às regras, já que as organizações legitimadas são aquelas estabelecidas e operando de acordo com requerimentos legais. Já a ênfase do pilar normativo está na base moral de acesso à legitimidade, na medida em que controles normativos são muito mais passíveis de internalização do que controles regulativos e que as recompensas no pilar normativo envolve recompensas internas e externas. Por fim, o pilar cultural-cognitivo busca a legitimidade que vem da consistência cognitiva e se baseia em entendimentos preconcebidos e tidos como garantidos (SCOTT, 2008).
Parsons (1960) enfatiza que a correspondência de valores buscados pelas organizações devem ser congruentes com valores sociais mais amplos para que a organização possa receber legitimação e, portanto, ter uma reinvindicação reconhecida sobre os recursos sociais. Ainda segundo o autor, a legitimidade tem sido interpretada como pertencente a avaliações sociais de objetivos organizacionais.
A interação entre o espaço comum e o não comum promove o desenvolvimento da capacidade cognitiva e a ação é considerada legitimada apenas quando começa a ser feita de forma praticamente automática, sem reflexão (QUINELLO, 2007).
2.4.2.5.4.2 Isomorfismo
A organização é estruturada por algum fenômeno em seu meio ambiente e tende a se tornar isomórfico a este meio ambiente, em função de organizações formais se misturarem com seu meio ambiente através de trocas e interdependências técnicas (MEYER; BROWN, 1991).
O processo que melhor captura a homogeneização é chamado de isomorfismo. Isomorfismo é um processo restritivo que força uma unidade em uma população a parecer com outras unidades que enfrentam o mesmo conjunto de condições ambientais (DIMAGGIO; POWELL,1991).
O isomorfismo nas instituições tem as seguintes consequências para as organizações: (1) incorpora elementos que são legitimados externamente, mais do que em termos de eficiência; (2) emprega critérios externos de avaliação para definir o valor de elementos estruturais e (3) a dependência de instituições externas reduz a turbulência e mantém a estabilidade. Assim, o isomorfismo promove o sucesso e a sobrevivência das organizações (MEYER; BROWN, 1991).
Há três mecanismos de isomorfismo institucional, quais sejam: (1) coercitivo; (2) mimético e (3) normativo.
(a) Mecanismo Coercitivo
O isomorfismo coercitivo resulta tanto das pressões formais quanto informais exercidas nas organizações por outras organizações das quais as primeiras são dependentes e por expectativas culturais na sociedade na qual as organizações atuam. Estas pressões podem ser sentidas como força ou persuasão e podem ser impostas por órgãos reguladores ou governamentais (DIMAGGIO; POWELL, 1991).
A existência de um ambiente legal, conforme DiMaggio e Powell (1991), afeta muitos aspectos do comportamento e estrutura organizacionais. Um exemplo dado pelos autores é o de que contratos legais exercem profundo impacto na organização, requerendo controles organizacionais necessários ao cumprimento das obrigações legais.
Os autores apontam ainda para o fato de que as subsidiárias são compelidas a adotar práticas contábeis, avaliações de desempenho e planos orçamentários compatíveis com as políticas da controladora e a homogeneização de modelos organizacionais é apoiada através da autoridade direta dos relacionamentos.
(b) Mecanismo Mimético
A incompreensão de tecnologias, a ambiguidade de objetivos e a incerteza simbólica criada pelo meio ambiente pode fazer com que a organização se modele de acordo com outras organizações. Modelos podem ser difundidos de forma não intencional, indiretamente, através da transferência ou demissão de empregados ou, explicitamente, através de organizações como empresas de consultoria e associações. As organizações também podem adotar certos modelos ou inovações para aprimorar sua legitimidade e demonstrar seu esforço em tentar melhorar as condições de trabalho. A homogeneidade reside no fato de que, apesar da busca por diversidade há relativamente poucas variações a serem selecionadas. Além disso, a homogeneidade é creditada a processos miméticos, ao invés de qualquer evidencia concreta de que a adoção de novos modelos melhorem a eficiência (DIMAGGIO; POWELL, 1991).
O mecanismo mimético consiste na imitação de padrões e processos de outras organizações, em função da incerteza (DIMAGGIO; POWELL, 1983). Assim, a premissa, segundo Frezatti
et al. (2009, p. 234) é a de que “os artefatos contábeis são adotados em uma organização simplesmente porque outras adotam.”
(c) Mecanismo Normativo
Diz respeito a profissionalização, que traz dois importantes formas de ismorfismo: uma está baseada na educação formal e na legitimação, produzida, cognitivamente por especialistas das universidades e a outra consiste no crescimento e elaboração de redes profissionais que se espalham nas organizações e através das quais novos modelos são difundidos rapidamente. Na medida em que os profissionais (gerentes, por exemplo) são selecionados das mesmas universidades e possuem um conjunto de atributos semelhantes, eles tendem a ver os problemas de forma similar, vêem as mesmas políticas, procedimentos e estruturas como sancionadas normativamente e legitimadas, e abordam as decisões também da mesma forma (DIMAGGIO; POWELL, 1991).
Ser “accountable” em uma atividade implica tanto explicar as razões para tal atividade quanto fornecer a base normativa na qual tal atividade pode ser justificada. Componentes normativos de interação sempre se centram em relações entre direitos e obrigações esperadas dos participantes nos diversos contextos de interação. Condutas formais expressam uma certa simetria entre direitos e obrigações, onde um termina sendo a justificativa do outro (GIDDENS,1984).
Dois pontos são importantes de serem ressaltados. Um diz respeito ao grau no qual obrigações normativas são internalizadas pelos membros da sociedade (GIDDENS,1984) e o outro diz respeito à troca de informações entre profissionais, que ajuda a reconhecer uma hierarquia, que, por sua vez, ajuda a fluir a informação e a movimentação de pessoas ao longo da organização (DIMAGGIO; POWELL,1991).
As organizações são recompensadas pela similaridade com outras organizações do mesmo campo. Esta similaridade torna mais fácil para as organizações transacionarem com outras organizações, atraírem pessoas para seguir carreira na empresa, serem reconhecidas como legítimas e com boa reputação e serem elegíveis para contratos e concessões públicas e privadas (DIMAGGIO; POWELL, 1991).
3 METODOLOGIA
Esta tese adota uma abordagem interpretativa,com raízes em Max Weber e aperfeiçoada por
Mead, Goffman e outros (CROTTY, 1998), para estudar como o controle gerencial é utilizado para gerenciar a terceirização de atividades em uma empresa brasileira distribuidora de energia elétrica. Como consequência da abordagem adotada, uma pesquisa qualitativa será conduzida baseada em um único estudo de caso.
Assim, este capítulo é dividido em duas partes: (1) na primeira parte são apresentadas as abordagens mais utilizadas na pesquisa em contabilidade gerencial, analisando as diferenças entre a abordagem tradicional e as abordagens alternativas e (2) na segunda parte são discutidas a metodologia de pesquisa e os métodos usados na coleta e análise dos dados.