7. Research and findings from Norway
7.6 Channels of information
Dois casos foram analisados nesta pesquisa. O primeiro foi o de um professor do ensino básico na rede pública, observado em interação com um grupo de professores no decorrer de um processo de formação continuada. O segundo caso foi o de uma professora do ensino básico na rede privada, observada no mesmo tipo de interação. Ambos eram participantes do grupo PEA-MAT na PUC-SP. Os nomes utilizados para designar os sujeitos da pesquisa são fictícios.
Caso 1: Almir, professor do ensino básico municipal na cidade de São Paulo há 14 anos, frequenta o grupo de formação continuada na PUC-SP há nove anos, período em que foram desenvolvidos diversos temas de Matemática da escola básica. Os dados sobre a atuação desse professor foram coletados em observações feitas durante encontros presenciais do projeto e em observações de sua prática com os alunos durante aplicação de sequência didática preparada no projeto.
Caso 2: Vitória, professora aposentada na rede pública, atualmente leciona em um colégio particular de São Paulo. Concluiu a dissertação de Mestrado acadêmico na PUC-SP e permaneceu no grupo de pesquisa como observadora. Os dados sobre a atuação dessa professora foram coletados em observações feitas nos encontros presenciais do projeto e em entrevista sobre sua prática.
Essa formação continuada ocorreu no período de 2008 a 2010, fornecendo o cenário analisado nos casos 1 e 2, em cinco etapas (Quadro 2).
Quadro 2. Cronograma das atividades do projeto PEA-ESTAT do grupo PEA-MAT. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Período Etapas do projeto
3/2008 a 12/2008 1.ª: Formação no tema ‗Estatística‘, em análise do conteúdo específico e análise didática geral e de conteúdo.
3/2009 a 6/2009 2.ª: Preparação das atividades a serem aplicadas em sala de aula.
8/2009 a 12/2009 3.ª: Acompanhamento do professor na sala de aula quando da aplicação da atividade preparada na segunda etapa.
3/20010 a 6/2010 4.ª: Estudo de tecnologias com utilização de softwares aplicados ao ensino de Estatística.
8/2010 a 12/2010 5.ª: Retorno e acompanhamento do desenvolvimento desse trabalho em sala de aula.
A primeira fase do projeto do grupo PEA-MAT contou com a participação de 17 professores e incluiu o estudo dos protocolos dos encontros presenciais, que forneceram elementos para a construção das fases seguintes, especialmente na identificação de variáveis didáticas a serem consideradas na elaboração de atividades aplicadas na terceira e quinta etapas.
Nessa primeira fase do projeto, os professores integrantes receberam formação para suprirem suas carências nos conhecimentos de Estatística Descritiva. Nossas observações focaram concepções sobre conhecimentos específicos de Estatística. Assim, algumas concepções sobre variação já puderam ser observadas nessa fase, e o estudo detalhado dos protocolos construídos a partir da análise dos casos da presente pesquisa permitiram confirmar ou não sua mobilização estável.
Após esse período, os professores analisaram um semestre escolar, definindo a melhor forma de levar à sala de aula os conhecimentos construídos. A questão que mobilizou o semestre foi portanto: Como conduzir os alunos na construção dos conhecimentos estatísticos? As escolhas foram realizadas com base nos conhecimentos adquiridos, no ano de formação, em pesquisas da área de Educação Estatística, bem como no que consta nos documentos oficiais sobre esse tema.
Como previsto no início do projeto, alguns professores voluntários aplicariam em sala de aula as sequências didáticas preparadas nos encontros do grupo, outros seriam observadores desse trabalho e tudo seria discutido nos encontros na universidade. No segundo semestre de 2009, o professor Almir optou por ser observado em sua sala de aula e obteve para isso permissão da direção da escola pública em que leciona.
A partir do momento em que o professor Almir se apresentou como voluntário para aplicar as atividades em sua sala de aula, concordou-se que ele seria um dos sujeitos de nossa pesquisa. Passamos a observar com maior profundidade sua atuação, inicialmente na preparação da atividade a ser trabalhada com seus alunos e, em seguida, em sua atuação em sala de aula e nas discussões sobre essa atuação nos encontros na universidade.
Em uma sala de aula de 6.º ano do Ensino Fundamental da escola em que leciona, o professor Almir aplicou atividades que haviam sido preparadas nos
encontros semanais do projeto, envolvendo os conceitos de variável estatística, representação gráfica e tabular e medidas de posição e variação.
A professora Vitória participou como observadora durante as três primeiras etapas da formação. Na quarta etapa, destinada à formação em tecnologias, optou por participar como professora em formação. Por lecionar em um colégio particular, não pedimos permissão para acompanhar sua prática na sala de aula. Dispôs-se a aplicar as atividades com seus alunos do 9.º ano e trazer ao grupo o relato de como se desenvolveria a atividade e sobre a produção dos alunos.
Estudamos as concepções dos professores citados nos dois casos – as quais não podem ser observadas fora do contexto em que ocorrem –, buscando compreendê-las mais profundamente. Dessa forma, nosso estudo não consiste em uma análise de casos isolados, mas de dois casos que ocorrem em contexto, com grupos específicos de professores, formando unidades de análise. Assim, consideramos ser possível encontrar similaridades entre situações e estabelecer proposições teóricas. Estudos empíricos com forte respaldo em modelos estatísticos poderão ser desenvolvidos buscando indicar o grau de generalização possível para uma população com casos semelhantes. Tal tipo de estudo, porém, não é foco da presente pesquisa, embora possa ser uma de suas consequências.