METODER OG TEORIGRUNNLAG 3. Metoder for innsamling av data
3.1 Casestudier som forskningstilnærming
Finalizamos a exposição das teorias sobre as quais nos apoiaremos com o entendimento do ato de linguagem da Teoria Semiolinguística. Para nós essa concepção teórica e analítica nos parece coadunar, em um instrumental teórico e metodológico, às perspectivas de argumentação discursiva de Ruth Amossy, as quais, por sua vez, se relacionam a visão de Michel Meyer quanto à presença da Retórica em toda interação verbal e à integração dos elementos retóricos. A partir da interseção entre essas teorias, consideramos importante traçamos algumas linhas sobre o ethos e o motivo pelo qual o enfatizamos da tríade retórica para mensurar a dimensão argumentativa das narrativas.
Para Charaudeau (2010), comunicar é um fenômeno complexo que procede de uma encenação criada pelo sujeito falante ou escritor, a partir de um público imaginado
e os saberes que se atribui a ele, para produzir um “efeito de sentido” com o propósito
de influenciar o interlocutor. Portanto, o ato de linguagem se inicia à medida que um sujeito toma a palavra e constrói para si uma imagem, conforme corrobora Amossy:
Todo ato de tomar a palavra implica a construção de uma imagem de si. Para tanto, não é necessário que o locutor faça seu autorretrato, detalhe suas qualidades nem mesmo que fale explicitamente de si. Seu estilo, suas competências linguísticas e enciclopédicas, suas crenças implícitas são suficientes para construir uma representação de sua pessoa. Assim deliberadamente, ou não, o locutor efetua em seu discurso uma apresentação de si. Que a maneira de dizer induz a uma imagem que facilita, ou mesmo condiciona a boa realização do
22 Quanto ao modo de organização argumentativo que visa explicar uma verdade e com ela influenciar o interlocutor, ressaltamos que em nossa perspectiva de trabalho que visa analisar a dimensão argumentativa em narrativas, a partir da perspectiva de argumentação de Amossy (2011a), para quem todo discurso busca persuadir um auditório, não o abordaremos em nosso trabalho, pois, a nosso ver, o modo argumentativo se restringiria aos discursos cuja visada é intencionalmente argumentativa.
projeto, é algo que ninguém pode ignorar sem arcar com as consequências (AMOSSY, 2011c, p. 9).
Neste sentido, optamos enfatizar o ethos em nossa análise, insistindo no fato de que a maneira de dizer reflete a maneira de ser do sujeito enunciador, amparada em supostos saberes compartilhados - doxa - pelo interlocutor,
Cabe ainda ressaltar que, em consonância com Maingueneau (2006), Amossy distingue dois tipos de ethos, o ethos pré-discursivo e o ethos discursivo, sendo que o primeiro refere-se à imagem que o auditório possa ter do locutor antes mesmo que este tome a palavra; e o segundo, a imagem que o ouvinte/leitor constrói do enunciador no decorrer do seu discurso. Não obstante nos referenciarmos ao ethos pré-discursivo, ou
ethos prévio, nos termos de Maingueneau (2006), na análise do paratexto, e a retratar a
identidade social dos sujeitos comunicantes, nosso trabalho priorizará o ethos discursivo no que tange a sua relevância para maior ou menor efeito persuasivo, a partir da identificação do leitor com sujeitos enunciadores ficcionais23.
Para encerrar este capítulo, cabe aqui mais um apontamento quanto ao termo
doxa. Este termo, retomado da retórica clássica por Amossy (2010), será privilegiado no
decorrer do trabalho. No entanto, em alguns momentos, recorreremos a outros termos, tais como, representações sociais, valores, saberes comuns, crenças e imaginários por acreditarmos que podem ser atribuído ao sentido global de doxa. No que tange,
especialmente, ao termo “imaginários”, que pode ser associado à concepção de “imaginários sociodiscursivos” da teoria Semiolinguística24, não nos deteremos em traçar distinções entre saberes de crença e de conhecimentos como distingue o analista do discurso, e, sim, averiguar sobre qual doxa - saberes compartilhados - se pautam as narrativas e, em que medida, elas influenciam a construção de uma dimensão argumentativa, tendo em vista como sujeito-interpretante um leitor jovem.
23 Retomaremos essa identificação do leitor com os sujeitos enunciadores na seção final do capítulo 3,
quando buscaremos traçar o ethos dos enunciadores.
24 O conceito de imaginários sociodiscursivos de Charaudeau (2007, 2008) parte da ideia de imaginário
social de Castoriadis, para quem a ideia de significação é construída de modo institucionalizado. Para Charaudeau (2008), a representação institucionalizada é apenas a parte visível, pois um grupo social é formado também pela soma das relações entre os indivíduos que fomentam a construção de um universo de valores, isto é, os imaginários comuns. Esses imaginários sociais se materializam de diversas maneiras na sociedade, mas, para isso, é preciso que sejam racionalizados discursivamente, o que resulta na denominação de imaginários sociodiscursivos. Estes, segundo Charaudeau (2008), se formam a partir de diversos saberes da humanidade que se dividem em dois tipos: os saberes de conhecimento, que são aqueles provados ou experimentados; e os saberes de crença, que são explicações sobre o mundo associadas aos julgamentos e valores de um grupo, sendo representações sociais que inevitavelmente perpassam a interseção da interdiscursividade.
Portanto, considerando que a imagem do locutor procura se identificar com a do interlocutor previsto, buscaremos a partir da análise dos critérios situacionais, discursivos e linguísticos, bem como a doxa que os perpassa, delinear o ethos dos enunciadores com vista a tentar mensurar em que medida ele pode ser identificado pelo
sujeito-interpretante previsto nesta pesquisa. Sendo assim, avançamos para o próximo
capítulo no qual abordaremos a situação de comunicação na qual as obras A mocinha do
Mercado Central (Rezende, 2011) e Fazendo meu filme 1 (Pimenta, 2014) foram