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B.3 Scattering by ice crystals

C.2.2 CALIPSO data

No conjunto do resgate de algumas teorias e abordagens de administração buscamos enfatizar e situar a importância da abordagem sistêmica nos modelos de gestão das IESs. Quando nos referimos a modelo de gestão, nosso objetivo é tão somente o de introduzir o tema para que possamos apontar as relações da abordagem sistêmica com os possíveis modelos de gestão das IESs e as suas perspectivas para com a Gestão de Pessoas. O uso do termo gestão pode, por vezes, fazer referência ou está se referindo a “modelos de gestão”. Modelos que são, por natureza, plurais e diversificados. A estruturação destes modelos é

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perpassada pela visão estruturada dos padrões de modernidade e de exigência social, fazendo com que também a gestão educacional se organize, buscando modelos mais flexíveis e dinâmicos (LIMA, 1999).

Os modelos de gestão das organizações tendem, atualmente, a pautar-se em valores, e não em regras e papéis, enfatizando o aprendizado e o aperfeiçoamento contínuo (TACHIZAWA, FERREIRA & FORTUNA 2004). O modelo de gestão é definido normalmente como uma forma ideal de estruturação, um conjunto articulado de preceitos legais, uma hierarquia, um conjunto estruturado de princípios e regras, um jeito de alcançar a eficácia e a maximização dos recursos (LIMA, 1999).

Percebe-se que os modelos de gestão são definidos na maioria das vezes como uma receita ideal de se gerir os recursos e as pessoas. No texto de Lima (1999), ele aborda dois tipos de modelos de gestão, que é a gestão singular e a gestão plural. A gestão singular é aquela que parte de uma definição formal, o que está oficialmente definido, especialmente quanto à legislação em vigor. A gestão plural parte da ação, prática, efetiva, considera e focaliza a organização, ou seja, os atores envolvidos. Reconhece que a gestão é marcada por uma pluralidade de teorias, de orientações e de práticas que dificilmente se esgotam em meio às disposições legais e formais.

Pacheco (2001) já apresenta outros tipos de modelos de gestão como: a administração japonesa; a administração participativa; a administração empreendedora; a administração holística e a corporação virtual, o que nos aponta a possibilidade para desenharmos diversos modelos de gestão para as IESs. O mais importante é que a opção por determinado modelo de gestão seja flexível e que permita avaliar o seu processo de gestão, criticá-lo, corrigi-lo e seguir em frente, pois qualquer modelo de gestão tende a ficar obsoleto rapidamente.

A gestão com enfoque sistêmico nasceu da percepção de cientistas de que certos princípios e conclusões eram válidos e aplicáveis a diferentes ramos da Ciência. Imbuído deste princípio o biólogo austríaco Ludwig Von Bertalanffy lançou, em 1937, as bases da Teoria Geral dos Sistemas. Bertalanffy defendia a idéia de que não somente os aspectos gerais das diferentes ciências são iguais, como as próprias leis específicas de cada uma delas podem ser utilizadas de forma sinérgica pelas outras (PESSOA, 200?).

Nos anos 60, ganha força a abordagem sistêmica no âmbito da gestão das organizações, apontando que nenhuma organização surge do vácuo ou é autônoma

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e livre em seu funcionamento. Pelo contrário, cada organização vive em um ambiente do qual recebe insumos e entradas (como materiais, energia, informações) e no qual coloca seus produtos ou saídas (como produtos, serviços, informações) (CHIAVENATO, 1999).

O mesmo autor define sistema como um conjunto integrado de partes, íntima e dinamicamente relacionadas, que desenvolve uma atividade ou função e é destinado a atingir um objetivo específico.Todo sistema faz parte de um sistema maior e é constituído de sistemas menores. As organizações, como um todo, são visualizadas como um sistema, constituído de subsistemas, que são suas gerências, divisões, seções e equipes. Para além disso, elas são sistemas abertos em constante interação com seu ambiente externo (como mercado, outras organizações, clientes etc).

Segundo o mesmo autor, a abordagem sistêmica analisa as organizações como conjuntos de partes interdependentes que integram um todo. A partir desta abordagem as organizações passaram a ser visualizadas com base entre as duas características sistêmicas: 1) totalidade: a visão do conjunto deve prevalecer sobre a visão analítica (exemplo: ver a floresta e não cada uma de suas árvores separadamente) e 2) propósito: toda organização, como todo sistema, tem um propósito ou objetivo a alcançar, indicando a visão e ou a função da organização. Com a abordagem sistêmica consolidaram-se os conceitos de eficácia, eficiência e a preocupação com a construção de modelos abertos de organizações.

Na presente abordagem, a Gestão de Pessoas preconizou que nenhuma organização surge do vácuo ou é completamente autônoma e livre. No contexto em que ela existe, estabelece relações com pessoas e com o mercado, e interage com outras organizações das quais é dependente. Assim, a organização é vista como um sistema operando em um determinado meio ambiente (CHIAVENATO, 1999):

“Embora confortável e previsível, a antiga vida organizacional está desaparecendo rapidamente. A nova lógica não é como os modismos que permearam a administração durante as últimas décadas. Ao contrário, representam uma mudança fundamental na forma como as organizações atuarão no futuro. As pessoas capazes de desenvolver as habilidades organizacionais que seguem a nova lógica, sobreviverão. Os que não desenvolverem essas habilidades, se tornarão tão obsoletos quanto operários desqualificados em uma indústria de alta tecnologia.” (Edward Lawler, apud Crainer, 2000, p. 17)

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O mundo de hoje impõe uma visão sistêmica da vida, dos processos e das relações, onde tudo está interligado como uma rede. A sociedade, as comunidades, as organizações e as pessoas estão se estruturando, definindo novas formas de pensamento que se ajustam de acordo com os novos valores. Uma nova forma de entender e perceber a vida está sendo criada (CAPRA, 1982).

No processo de gestão das IESs não é diferente. Um dos grandes problemas com que se defrontam as IESs é a visão segmentada e setorizada, que leva a conflitos e divergências operacionais que minimizam o resultado dos esforços. Diante deste fato, os gestores precisam enxergar as IESs como parte de um sistema complexo e diversificado, adotando uma visão global, abrangente e holística, que lhes possibilitem perceber as relações de causa e efeito, início, meio e fim e as inter- relações entre recursos e valores. Precisam desenvolver novas formas de pensamento, formulação de conceitos e modelos interligados, pois nenhum processo é mais importante do que qualquer outro, todos devem se comunicar e cooperar entre si. As relações entre as diversas dinâmicas e processos organizacionais precisam ser mais enfatizados do que as entidades isoladas.

A gestão com enfoque sistêmico permite que as IESs analisem o meio ambiente e definam os cenários prováveis, de longo prazo, a partir dos quais se delineiam os objetivos institucionais e as estratégias para atingi-los. Em seguida, são identificados os processos-chaves indispensáveis para dar suporte à gestão. Com isso, a configuração organizacional, os Recursos Humanos, as tecnologias da informação, os sistemas/ software, programas de alocação de recursos, precisam passar por um processo de revisão, reestruturação e realinhamento (TACHIZAWA, & ANDRADE 2002).

O enfoque sistêmico centra a atenção no todo, priorizando-o em relação às partes e suas múltiplas interações, assim, para se estabelecer uma “gestão sistêmica” os gestores das IESs precisam convocar as pessoas para uma caminhada de parceria, onde o cuidado de uma com a outra seja estabelecido. Sem o estímulo e a revitalização das pessoas, as IESs terão dificuldades em alcançar melhorias no desempenho de seus negócios. Há uma crescente necessidade de mudar a forma de perceber as pessoas no contexto organizacional, pois elas estão presentes em todas as partes (no todo), e não em um único setor ou dimensão da organização. As pessoas perpassam todos os subsistemas de uma IES, conforme buscamos demonstrar na figura abaixo:

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QUADRO 3 - Enfoque sistêmico na IES a partir da Gestão de Pessoas

Competitividade Processos e Tarefas Estrutura Meio Ambiente Tecnologias da Informação Gestão Estratégica

PESSOAS

Adaptado de Tachizawa & Andrade, 2002, p. 56, e Chiavenato, 1993 apud Pessoa, 1995

A tendência nas organizações é que cada pessoa seja tratada como um ser único, complexo, que exige uma forma de administração também única, voltada para todas as pessoas, mudando as relações no ambiente de trabalho. O sucesso das IESs está atrelado à sua capacidade de focar e engajar as pessoas a trabalharem pelos resultados. O maior patrimônio de qualquer organização são suas pessoas. É delas a responsabilidade de fazer o trabalho, de transformar metas para agregar valores (MARRAS, 2000).

A prática da gestão de pessoas com enfoque sistêmico demanda uma necessária e sólida base de princípios, crenças e valores institucionais, que permitem melhor orientar os esforços e os talentos das pessoas e da equipe, para o cumprimento das metas estratégicas da organização. Nesse processo, fica claro a importância e a influência da filosofia institucional, calcada na missão, crenças e valores. Quanto mais esta filosofia for compartilhada no ambiente interno, menor será a exigência de formalização das regras de gestão, das normas, das políticas e dos procedimentos organizacionais (TACHIZAWA & ANDRADE, 2002).

O ambiente externo e o mercado são fatores contingenciais para o estabelecimento de parâmetros, limites, propostas e desafios a serem interpretados

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de acordo com os valores da instituição. Desta feita decorre a percepção de que a interpretação da realidade organizacional é um fator chave para a sobrevivência da IES em permanente interação com o meio ambiente.

A gestão com enfoque sistêmico de uma IES desenvolve alternativas que estimulam o pensamento e o agir, equilibra as relações das distintas variáveis de uma IES: pessoas, estrutura, ambiente, tecnologia, competitividade, tarefas, clientes e até o processo ensino-aprendizagem. Propicia uma visão macroscópica da IES, que é o ponto de partida para a gestão, possibilitando-lhe responder eficazmente à nova realidade de concorrência acirrada e de mudanças nas expectativas dos clientes (TACHIZAWA & ANDRADE, 2002).

Sintetizando, reiteramos que, para praticarmos uma gestão com enfoque sistêmico, as pessoas são de extrema importância e precisam ser bem inseridas no processo. Por isso o clima organizacional deve ser favorável e a IES deve contar com uma gestão de pessoas envolvidas e comprometidas com a organização.