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A palavra niilismo começou a ser utilizada no debate filosófico do fim do século XVIII, associada a polêmicas, designando doutrinas que negam ou se recusam a reconhecer realidades ou valores metafísicos, morais, ou políticos, cuja admissão é considerada importante pela tradição. O primeiro a empregá-la teria sido Friedrich Lebrecht Goetzius, no tratado De nonismo et nihilismo in theologia (1733), obra relativamente desconhecida e que aparentemente não influenciou a história do conceito e do problema78.

O primeiro uso mais generalizado desse vocábulo aconteceu durante a Revolução Francesa, com destaque para Jean-Baptiste du Val-de-Grâce, barão de Cloots, prussiano naturalizado francês. Autodenominado Anacharsis Cloots, ele ficou conhecido como embaixador do gênero humano, orador da humanidade e inimigo pessoal de Deus, por seu belicismo e republicanismo ateísta. Em um discurso de 1793, para reiterar sua posição antirreligiosa e anticlerical, ele recorreu a uma nova terminologia:

Volumes foram escritos para saber se uma República de ateus pode existir. Eu defendo que todas as outras Repúblicas não passam de um sonho. Permitir um rei no céu é o mesmo que trazer um cavalo de Tróia para dentro dos muros, venerando-o durante o dia e deixando-se devorar durante a noite. [...] A República dos Direitos do Homem, propriamente falando, não é nem teísta nem ateísta; é niilista. A invocação de um fantasma supremo é um ponto de partida absurdo para a legislatura79.

Cloots esperava que o progresso político da razão conduzisse à descrença e abrisse as portas para um mundo liberado da referência a Deus. Engajado nesse princípio, ele aderiu à Revolução Francesa em seus primeiros dias, tomando parte da Assembleia Constituinte. Porém, Robespierre, a quem ele chamou de um novo Maomé, recusou a sua defesa de uma república soberana desprovida de todo theos, tachando-a de estúpida e perversa. Cloots acabou preso e foi guilhotinado em 179480.

Dois anos após a morte de Cloots, o termo niilismo apareceu como um termo técnico no contexto da recepção imediata da filosofia crítica alemã. O pioneiro foi o teólogo luterano Daniel Jenisch, na obra Sobre o fundamento e o valor das descobertas do Senhor Professor Kant na metafísica, na moral e na estética (1796), que interpreta o idealismo

78 Cf. NIILISMO. In: ABBAGNANO. Dicionário de Filosofia, p. 712; VOLPI. O niilismo, p. 15-16. 79 CLOOTS. 6 Nivose Year II (26 December, 1793), s. p. Grifo meu.

kantiano em sentido crítico, como um idealismo transcendental81. Vale notar a caracterização dos idealistas da época como niilistas, por entender que eles negam a realidade das coisas, reduzindo o real a nada: “O pensamento do niilismo idealista acerca do conhecimento humano, relacionado a essa última representação, é para mim quase tão terrível quanto o pensamento do aniquilamento eterno da minha própria existência”82.

Quem também caracterizou o idealismo alemão como uma forma de niilismo foi Friedrich Heinrich Jacobi, em sua carta a Fichte de 21 de março de 1799. O idealismo fichtiano, conforme Jacobi, ao reduzir tudo à atividade do eu, reduz a realidade a nada e transforma Deus em uma mera criação da imaginação, o que levaria inevitavelmente ao niilismo e ao ateísmo: “Na verdade, meu caro Fichte, não deveria me aborrecer se o senhor, ou quem quer que seja, quiser denominar quimerismo aquilo que eu contrapus ao idealismo, que deploro como niilismo”83.

Jacobi, filósofo cristão, pietista e proselitista, “considera o idealismo a forma mais coerente do filosofar, mas entende que suas conclusões são inteiramente perversas, tanto do ponto de vista teórico quanto do ponto de vista prático”84. Toda filosofia racionalista seria necessariamente niilista, o que para ele significa ser incapaz de apreender o ser, de desvelar a existência e revelá-la. A única solução, para Jacobi, seria renunciar à filosofia e à razão, se libertar do intelecto e alcançar a fé. Assim, Jacobi inverte o uso positivo que Cloots fez do termo, não se tratando mais de explorar um mundo liberado da referência a Deus, mas sim de depreciar uma tal liberação como destruidora, produtora de nada. Os idealistas seriam ateístas dissimulados, a quem caberia desmistificar85.

O problema é que, como será visto na seção sobre a morte de Deus, as sociedades ocidentais modernas substituíram a religião e a fé, antigos ancoradouros das tradições e visões de mundo, pela crença no progresso, na ciência, na revolução, na literatura e na arte, isto é, num sistema secular de significação que se revelou uma ilusão:

O real problema da modernidade é o problema da crença. Para usar um termo fora de moda, é uma crise espiritual, desde que os novos ancoradouros se provaram ilusórios e os antigos submergiram. É uma situação que nos leva de volta ao niilismo; carecendo de passado ou futuro, existe apenas um vazio. Niilismo foi um dia uma filosofia estonteante, como foi para Bazarov,

81 “Chamo transcendental a todo o conhecimento que em geral se ocupa menos dos objetos, que do nosso modo

de os conhecer, na medida em que este deve ser possível a priori”. KANT. Crítica da Razão Pura, p. 79.

82 JENISCH. Ueber Grund und Werth der Entdeckungen des Herrn Professor Kant in der Metaphysik, Moral

und Asthetik, p. 273.

83 JACOBI. Jacobi an Fichte, p. 215. Grifo original.

84 LOPES. Ceticismo e vida contemplativa em Nietzsche, p. 556. 85 Cf. PELBART. O avesso do niilismo, p. 135.

quando havia algo para destruir e algo para colocar no lugar. Porém, o que resta hoje do passado para destruir, e quem tem esperança pelo futuro?86 “Há ainda um lugar para a esperança”87, responde o cronista de “A Semana”. A esperança decorre do fato de que ao mesmo tempo em que há uma perda do sentido dos valores estabelecidos, apresenta-se a oportunidade de abertura a um novo horizonte de valores. Assim, surge a seguinte questão: o processo de autodestruição niilista continuará ou há um contramovimento? Mais adiante será verificado que, para Machado, a galhofa e a arte são formas de resistência ao niilismo. Nietzsche também responde positivamente, propondo uma ciência alegre que afirme a vida:

“Gaia Ciência”: ou seja, as saturnais de um espírito que pacientemente resistiu a uma longa, terrível pressão – pacientemente, severa e friamente, sem sujeitar-se, mas sem ter esperança –, e que repentinamente é acometido pela esperança, pela esperança de saúde, pela embriaguez da convalescença. [...] Todo este livro não é senão divertimento após demorada privação e impotência, o júbilo da força que retorna, da renascida fé num amanhã e no depois de manhã, do repentino sentimento e pressentimento de um futuro, de aventuras próximas, de mares novamente abertos, de metas novamente admitidas, novamente acreditadas [...] incipit parodia, não há dúvida...88. Olímpio Pimenta avalia que a atitude filosófica e existencial de Nietzsche é mesmo alimentada, antes de tudo, pela alegria. A perspectiva programática geral da obra do filósofo, testemunha de um percurso coerente, tem como fio de Ariadne “a superação de toda sensibilidade mórbida, negadora de nossa condição terrena, em direção à afirmação da existência”89.

Nietzsche, interessado em tornar-se médico da civilização, preparando terreno para a instauração de novas maneiras de avaliar, escreveu narrativas globais sobre a emergência e a crise dos valores centrais da cultura ocidental, com destaque para as problemáticas do niilismo e da morte de Deus. Se o niilismo acarreta a impossibilidade de fundamentar os valores que sustentam a vida em sociedade, o filósofo argumenta que a estratégia para superar o niilismo é reavaliar os valores que negam a vida:

O niilismo aparece agora não porque o desprazer na existência fosse maior do que antes, senão porque, em geral, nos tornamos desconfiados de um “sentido” no mal, sim, na existência. Uma interpretação soçobrou: porém, porque ela valia como a interpretação, parece como se não houvesse

86 BELL. The cultural contradictions of capitalism, p. 28-29. Grifo do original. 87 ASSIS. A Semana, p. 1282.

88 NIETZSCHE. A Gaia Ciência, prólogo, §1, p. 9-10. Grifo original. 89 PIMENTA. Existem espíritos livres entre nós?, p. 170. Grifo do original.

absolutamente nenhum sentido na existência, como se tudo fosse em vão. Fica por demonstrar que esse “em vão” é o caráter de nosso niilismo atual90. Esse “em vão” constitui um procedimento de desmonte de premissas e valores preestabelecidos, negando-os no geral, sem propor nada para substituí-los, o que torna o niilismo radicalmente distinto da utopia, que nega valores instituídos a fim de afirmar outras perspectivas. Não é circunstancial que os niilistas desacreditem, diminuam e neguem precisamente a perspectiva utópica de povos e movimentos sociais, acusando-a de inútil quimera idealista de ignorantes91.

Adorno indica que os discursos niilistas, proferidos por aqueles que se recusam a entrar na herança ocidental da positividade e não subscrevem nenhum sentido para o existente, são apropriados para suscitar o ódio, demolindo um espantalho que eles mesmos haviam criado, pois a sentença segundo a qual “tudo é nada” é vazia, mera niilidade abstrata:

O fato de os homens quererem o nada, como Nietzsche vez por outra sugere, seria uma hybris ridícula para toda vontade individual determinada, até mesmo se a sociedade organizada conseguisse tornar a terra inabitável ou a lançasse pelos ares. Acreditar no nada – é difícil pensar com essa proposição mais do que com o próprio nada; o algo que, de maneira legítima ou não, é visado pela palavra “crença” não é, segundo a própria significação da palavra, um nada. Assim, a crença no nada seria tão insípida quanto a crença no ser, quietivo do espírito que orgulhosamente encontra sua satisfação sem se aperceber do engodo92.

Essa postura niilista, que Adorno identifica com os atentados anarquistas que ocorriam na Rússia oitocentista, foi analisada por Nietzsche com uma ironia para a qual os ouvidos de hoje se tornaram entrementes surdos demais. Ele a utilizou para denunciar o contrário daquilo que a palavra designava na prática dos anarquistas russos, isto é, o cristianismo enquanto negação institucionalizada da vontade de vida.

Conforme Nietzsche, a condição niilista surge com a experiência histórica da ausência de fundamento, quando o homem moderno passa a depreciar os valores tradicionais e a dissolver os princípios e critérios absolutos basilares da vida em sociedade, lançando-os na nulidade e na inutilidade, gerando a degradação dos vínculos sociais: “Niilismo: falta o fim; falta a resposta ao ‘porquê’. Que significa niilismo? – Que os valores supremos desvalorizam- se”93.

90 NIETZSCHE. O niilismo europeu, p. 56-57. Grifos originais. 91 Cf. SOARES. Cinismo, niilismo e utopia.

92 ADORNO. Dialética Negativa, p. 315. Grifos originais. 93 NIETZSCHE. Nachgelassene Fragmente 1885-1887, p. 350.

Nietzsche define o homem niilista como aquele que, arrebatado pelo sentimento de que tudo é em vão, experimenta o fastio da vida e aceita a dor como mais real que o prazer e a pulsão de aniquilação da vida como mais forte que a de afirmação: “Se um filósofo pudesse ser niilista, ele o seria porque encontra o nada por trás de todos os ideais do ser humano. Ou nem sequer o nada – mas apenas o que nada vale, o que é absurdo, doentio, covarde, cansado, toda espécie de borra da taça esvaziada de sua vida...”94.

As referências do filósofo ao cansaço e à doença não devem ser lidas como meras metáforas, pois em sua obra o niilismo foi pensado não só como um problema histórico, mas também enquanto condição fisiológica. E é possível distinguir pelo menos três usos do termo fisiologia na obra de Nietzsche: o primeiro, é aquele utilizado pelas ciências do século XIX, com o qual filósofo estava familiarizado; o segundo, quando o fisiológico é “o que determina de modo somático (e por isso fundamental) os homens”; o terceiro, mais propriamente filosófico, reúne fisiologia e interpretação, na medida em que os processos fisiológicos são considerados como a “luta dos quanta de potência que ‘interpretam”95. É preciso estar atento a esta trindade, quando se leem as considerações dispersas de Nietzsche sobre o niilismo como condição fisiológica, psicológica ou fisiopsicológica.

Vê-se, aqui, um Nietzsche que preconiza a importância da racionalidade e do conhecimento científico; um leitor do debate científico da época, atento às dimensões psicológica e fisiológica da experiência individual e cultural; um filósofo que naturaliza a psicologia, fundindo-a com a fisiologia. Essa fisiopsicologia, anunciada em Além do bem e do mal, pensa que tanto o corpo quanto a cultura sofrem os mesmos processos por serem resultado de uma hierarquia de impulsos, dissolvendo os limites entre cultura e fisiologia. Nesse sentido, em sua obra, as instâncias sócio-histórico-culturais e fisiopsicológicas são consideradas em conjunto, como as duas faces de uma moeda, porque os macroprocessos sociais também determinar-se-iam fisiopsicologicamente96. É nesse sentido que Nietzsche apresenta o diagnóstico de que “a Europa está doente”97. E essa doença, o niilismo, cuja origem se encontra na filosofia platônica e na moral cristã, se agrava e apresenta seus sintomas mais perceptíveis no século XIX, que foi descrito pelo cronista de “A Semana” nos seguintes termos:

94 NIETZSCHE. Crepúsculo dos ídolos, IX, §32, p. 81. Grifo original.

95 MÜLLER-LAUTER. Décadence artística enquanto décadence fisiológica, p. 21-22.

96Cf. NIETZSCHE. Além do bem e do mal, §§15-23. Ver também: FREZZATTI JR. A superação da dualidade

cultura/biologia na filosofia de Nietzsche.

Antes de cochilar, podia fazer um exame de consciência e uma confissão pública, à maneira de Sarah Bernhardt ou de santo Agostinho. Oh! perdoa- me, santo da minha devoção, perdoa esta união do teu nome com o da ilustre trágica; mas este século acabou por deitar todos os nomes no mesmo cesto, misturá-los, tirá-los sem ordem e cosê-los sem escolha. É um século fatigado. As forças que despendeu, desde o princípio, em aplaudir e odiar, foram enormes. Junta a isso as revoluções, as anexações, as dissoluções e as invenções de toda casta, políticas e filosóficas, artísticas e literárias, até as acrobáticas e farmacêuticas, e compreenderás que é um século esfalfado. Vive unicamente para não desmentir os almanaques. Todos os séculos têm cem anos; este não quer sair da velha regra, nem ser menos constante que o nosso robusto Barbacena, seu grande rival. Em lhe batendo a hora, irá com facilidade para onde foram os séculos de Péricles e de Augusto98.

Nessa última crônica de “A Semana”, publicada em 28 de fevereiro de 1897, o cronista adianta uma retrospectiva do século que chegava ao fim. Os adjetivos escolhidos para qualificar o Oitocentos, “fatigado” e “esfalfado”, ao indicarem uma sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico ou doença, coincidem com o diagnóstico de Nietzsche sobre o período, segundo o qual o resultado geral do século XIX é “um caos, um suspirar niilista, um não-saber-para-onde, um instinto de cansaço”99.

O niilismo enquanto doença deve ser pensado no âmbito de uma análise da décadence, questão sobre a qual Nietzsche refletiu desde cedo, mas só veio a ser um conceito- chave em 1888, seu último ano de atividade intelectual, quando pareceu subordinar o conceito de niilismo à noção de décadence: “o niilismo não é a causa, mas sim a lógica da décadence”100.

A decadência (ou décadence), segundo João Constâncio, consiste em uma alteração das avaliações pulsionais e afetivas, em virtude da qual se alteram, ao mesmo tempo, os valores e a concepção do mundo, conduzindo a uma degeneração do instinto natural para a expansão, fortalecimento e cultivo de si num instinto autodestrutivo, ou pulsão fisiológica para a autodesintegração, gerando a vontade de nada, o niilismo101.

O termo décadence designa a expressão fisiopsicológica do niilismo, o homem cansado do homem, “o grande nojo ao homem”102, “o desregramento confesso dos instintos”103, “um sintoma da vida que declina”104, “o interesse vital em tornar doente a

98 ASSIS. A Semana, p. 1375. Grifos meus.

99 NIETZSCHE. Crepúsculo dos ídolos, IX, §50, p. 99.

100 NIETZSCHE. Nachgelassene Fragmente 1887-1889, p. 265. Foge ao escopo desta tese uma análise mais

aprofundada do conceito de décadence, o que demanda um estudo da obra Essais de Psychologie Contemporaine (1883), de Paul Bourget, assim como do estilo de Richard Wagner.

101 Cf. CONSTÂNCIO. “A última vontade do homem, a sua vontade do nada”, p. 54-56. 102 NIETZSCHE. Genealogia da moral, III, §14, p. 111. Grifo original.

103 NIETZSCHE. Crepúsculo dos ídolos, II, §4, p. 19.

humanidade”105, o “penetrante sentimento do nada”106, o ressentimento contra si próprio e contra a própria existência a partir do qual se nega a vida: “A visão do homem agora cansa – o que é hoje o niilismo, se não isto?... Estamos cansados do homem...”107.

Por que o homem cansou do homem? Por que o niilismo e a décadence ganham destaque no século XIX? De onde provém a fadiga e o esfalfamento oitocentista? Uma crônica da série “Histórias de Quinze Dias”, publicada em 15 de março de 1877, oferece uma pista. O cronista Manassés aproveita um fait diver, a inauguração do bonde de Santa Tereza, para pensar as transformações socioculturais que os avanços revolucionários das novas tecnologias provocavam e o aspecto niilista decorrente da obsolescência programada:

Escusado é dizer que as diligências viram esta inauguração com um olhar extremamente melancólico. Alguns burros, afeitos à subida e descida do outeiro, estavam ontem lastimando este novo passo do progresso. Um deles, filósofo, humanitário e ambicioso, murmurava:

– Dizem: les dieux s’en vont. Que ironia! Não; não são os deuses, somos nós. Les ânes s’en vont, meus colegas, les ânes s’en vont.

E esse interessante quadrúpede olhava para o bonde com um olhar cheio de saudade e humilhação. Talvez rememorava a queda lenta do burro, expelido de toda a parte pelo vapor, como o vapor o há de ser pelo balão, e o balão pela eletricidade, a eletricidade por uma força nova, que levará de vez este grande trem do mundo até à estação terminal108.

Com a pena da galhofa, o cronista Manassés e o burro filósofo ponderam acerca da estação terminal, ou abismo niilista, ao qual o progresso rumo ao nada de tantas das aventuras modernas conduzem. As consequências são incerteza, ressentimento, regressão, declínio, desnorteamento, ruína dos valores tradicionais e incapacidade de criação de novos valores.

105 NIETZSCHE. O Anticristo, §24, p. 30. Grifo original 106 NIETZSCHE. Nachgelassene Fragmente 1887-1889, p. 89. 107 NIETZSCHE. Genealogia da moral, I, p. 35. Grifos originais. 108ASSIS. História de Quinze Dias, p. 353.