5. Analyse og drøfting
5.3 Gjennom eigne opptak
5.3.7 Blir gløymd til slutt
O aluno ao alterar a ordem das orações colocando, na reescritura, a segunda oração no lugar da primeira, conseguiu uma melhor elaboração, obtendo com isso um efeito de sentido mais satisfatório, visto que a partir do deslocamento, foi substituído o sintagma nominal “da minha mãe” pelo possessivo “dela”.
Versão 01/ Versão 02:
Exemplo 54:
Textos Linhas Ocorrências
4 a 2; 3; 4 o nome da minha mãe é Rejane eu noro com A minha mãe 4 b 3; 4 noro com minha mãe o nome dela é Rejane
Quadro 5: As Operações de Reescritura
TEXTO OPERAÇÕES DE REESCRITURA TOTAL
Substituição Acréscimo Supressão Deslocamento
TEXTO 01 02 01 01 - 04 TEXTO 02 02 03 02 - 07 TEXTO 03 02 01 01 - 04 TEXTO 04 - 04 - 02 06 TEXTO 05 01 03 01 - 05 TEXTO 06 03 01 01 - 05 TEXTO 07 02 01 01 - 04 TEXTO 08 03 03 01 - 07 TEXTO 09 - 02 - 01 03 TEXTO 10 03 01 05 - 09 TOTAL 18 20 13 03 54
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para concluirmos a nossa pesquisa, retomamos os questionamentos que a motivaram e procuramos nos colocar no lugar do leitor crítico do próprio trabalho para realizarmos um julgamento do que foi idealizado, praticado e alcançado.
O nosso trabalho situou-se na perspectiva da Análise Textual dos Discursos e buscou considerar as propostas observadas pela Crítica Genética quando entende a escrita como um processo a ser sempre construído a partir de diversas operações.
Dessa forma, com base em textos reescritos e através de lista de controle juntamente com a SD, buscamos entender o quanto a Crítica Genética é uma forte aliada na sala de aula.
Partimos do princípio de que no processo de criação o texto passa por transformações que são parte do processo de escritura. Nosso trabalho possibilitou- nos a constatação do quanto expandir a Crítica Genética às salas de aula é de fato um motivador para um aperfeiçoamento na construção da escrita. Isso porque ao aluno foi dada a liberdade de movimentar seu texto fazendo mudanças importantes para melhor expressar suas ideias.
Constatamos, através das análises realizadas, que as nossas intervenções relacionadas ao gênero discursivo e à SD geraram uma relevante ferramenta metodológica para que pudéssemos construir o nosso corpus. Como as nossas ações ocorreram no (re)conhecimento da construção dos textos, em seus experimentos e nas rasuras, os alunos compreenderam o que estávamos propondo e, consequentemente, tiveram consciência do quanto é possível (re)educar o olhar para rever e refletir sobre aquilo que antes julgava estático.
Ainda sobre a nossa prática, vimos que as atividades propostas foram realizadas por quase todos os alunos que, além de envolver-se, apontando sugestões aos próprios textos, também auxiliaram na escrita dos colegas. Essa prática torna evidente que as aulas de Língua Portuguesa e as atividades propostas aos alunos cumpriram com a metodologia adotada para a reescritura dos textos, o que também foi configurado nos textos analisados.
Assim, uma vez que entendemos que o sentido dos textos não deve ser julgado como algo determinado, afirmamos que os resultados referentes a esta
pesquisa comprovam o que defendemos em nossa discussão teórica acerca da escrita reflexiva, na qual pensamos em um sujeito/autor/leitor que reflete sobre o seu texto, escolhendo quais operações linguísticas são melhores para a sua produção, visto que ela vai se desenvolvendo no decorrer de complexas operações.
Portanto, intervenções como a que realizamos favoreceram o envolvimento entre a professora da turma e os alunos, visto que os diálogos com a professora, com os colegas de sala ou consigo mesmo auxiliaram na reescritura. Todavia, vale destacar que esse comprometimento precisou ser orientado pelas informações presentes no que foi ensinado durante a SD.
As mudanças observadas no momento em que os alunos retomam o que foi dito, concordando ou refutando, através da substituição, do acréscimo, da supressão e do deslocamento para que o texto se tornasse mais eficaz, do ponto de vista do gênero estudado, demonstraram que a operação de acréscimo foi a mais aplicada, seguida da substituição e da supressão. Já a operação de deslocamento foi pouco representada.
Para a operação de acréscimo, foram propostas duas subcategorias: acréscimo para inclusão e para especificação. Assim, o aluno pôde acrescentar uma informação não mostrada na primeira versão do texto ou adicionar uma informação a partir de outra presente na primeira versão.
Para a operação de substituição quatro subcategorias (substituição com mudança de orientação, substituição sem mudança de orientação, substituição com apagamento do enunciador, substituição com adequação à norma) foram definidas. Constatamos que os alunos, na reescritura, não só reiteraram o sentido na versão anterior, como também modificaram o sentido expresso na primeira versão e puderam adequar a variedade linguística ao gênero e ao contexto de produção.
Constatamos também que a substituição com apagamento do enunciador, bem como a supressão com apagamento do enunciador não foram identificadas porque é característica do gênero relato pessoal apresentar o enunciador de 1ª pessoa.
Quanto à operação de supressão três subcategorias foram analisadas ( supressão com apagamento do enunciador; supressão com apagamento do ponto de vista e supressão com adequação à norma). As duas subcategorias encontradas na reescritura demonstraram que os alunos, em vários momentos, suprimiram as informações presentes na primeira versão para evitar algum comprometimento com
as suas próprias palavras, bem como puderam suprimir alguns termos para obter mais clareza e adequar a escrita à norma.
Um aspecto específico em que quase todos os alunos não avançaram foi o relativo à operação de deslocamento. Nesta operação, analisamos a partir de duas subcategorias: o deslocamento sem mudança de orientação e o deslocamento com adequação à norma. Atribuímos os poucos casos de deslocamento a pouca desenvoltura do aluno para deslocar e não prejudicar o sentido do seu texto.
Os resultados apresentados ao final da análise nos permitem concluir que os alunos ao reescreverem os seus textos perceberam ser possível fazer alterações e que essas alterações tornaram os textos ainda mais valiosos. Isso porque as mudanças ocorriam juntamente com a certeza de que há um processo para produzir, ou seja, de que os textos não nascem prontos.
Sendo assim, constatamos que ao adotarmos, na reescritura, um posicionamento da Crítica Genética quanto aos operadores linguístico-discursivos, é possível haver evolução na escrita.
Sabemos o quanto é importante construir ações metodológicas que contribuam com o professor em sala de aula e o quanto é imprescindível a realização de pesquisas nessa área para que surjam novas ou semelhantes constatações, caso a concepção de linguagem seja diferente ou a mesma.
Entendemos também o quão importante é o fato dessas informações chegarem aos professores do Ensino Fundamental, visto que esta pesquisa foi realizada em uma instituição escolar e apresenta resultados reais.
REFERÊNCIAS
ADAM, J. M. A. Linguística textual: introdução à análise textual dos discursos. Tradução de Maria das Graças Soares Rodrigues, Luís Passeggi e João Gomes da Silva Neto (Org.). São Paulo: Cortez, 2011. p. 29-73.
______. Análises textuais e discursivas: metodologias e aplicações/Jean-Michel Adam, Ute Heidmann, Dominique Maingueneau; Maria das Graças Soares Rodrigues, João Gomes da Silva Neto, Luís Passegi (Org.). São Paulo: Cortez, 2010. p.15-43.
ANTUNES, I. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.
AUTHIER-REVUZ, Jacqueline. Heterogeidade(s) enunciativa(s). Cad. Est.Ling., Campinas, (19): p. 25-42, jul./dez. 1990.
BAKHTIN, Mikhail Mjkhailovitch. Estética da criação verbal. Tradução do francês por Maria Emsantina Galvão G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1997. (Coleção Ensino Superior)
BARROS, Manoel de. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Planeta, 2003. p. 187.
BARROS, Marcilene Gaspar; SOARES, Maria Elias. (Re) Escrita da seção justificativa do projeto de pesquisa por escritores iniciantes. Cadernos do IL, Porto Alegre, n. 46, p.107-128, jun. 2013.
BENVENISTE, É. Problemas de linguística geral. Campinas-SP: Pontes/UNICAMP, 1995.
BEZERRA, Benedito Gomes; RODRIGUES, Bernadete Biase; CAVALCANTE, Mônica Magalhães (Org.). Gêneros e seqüências textuais. Recife:Edupe, 2009. p. 115-131.
BEZERRA, Lidiane de Morais Diógenes. O uso de operações linguístico- discursivas da crítica genética na reescritura de textos. 2013. 115f. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2013.
BIASI, Pierre-Marc. A genética dos textos / Pierre-Marc de Biasi; trad. Marie- Hélène Paret Passos. – Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010. 176p. – (Coleção DELFOS; 2).
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: língua portuguesa: terceiro e quarto ciclo do ensino Fundamental: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1998.
BRASILIENSE, Leonardo. Adeus conto de fadas.7 Letras, 2006. P.23.
CALIL, Eduardo. LIMA, Maria Hozanete Alves de. Nomes próprios em histórias inventadas: odores de um encadeamento. In: CALIL, Eduardo (Org.). Trilhas da escrita: autoria, leitura e ensino. São Paulo: Cortez, 2007. p. 111-131.
CALIL, Eduardo. Escutar o invisível: escritura & poesia na sala de aula. São Paulo: Editora UNESP; Rio de Janeiro: FUNARTE, 2008.
______. Autoria: a criança e a escrita de histórias inventadas/Eduardo Calil. 2. ed. Londrina: Eduel, 2009.
CARVALHO, Guido de O. Revisão colaborativa de textos escritos em língua inglesa por alunos iniciantes do curso de Letras. 2002. 168f. Dissertação (Mestrado em Letras e Linguística) – Universidade Federal de Goiânia, Goiânia, 2002.
COSTA, Sérgio Roberto. Dicionário de gêneros textuais. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2008.
COSTA VAL, Maria G. Avaliar redações: uma questão mais ampla do que parece. Dois pontos, p. 82-84, jul/ago 1997.
______. Redação e textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
______. Avaliação do texto escolar: professor-leitor/Aluno-autor. Belo Horizonte: Autêntica, Ceale, 2009. (Coleção Alfabetização e Letramento na sala de aula).
DOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michèle; SCHNEUWLY, Bernard. Seqüências didáticas para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In:DOLZ, Joaquim;SCHNEUWLY, Bernard (Org.). Gêneros orais e escritos na escola.Campinas: Mercado de Letras, 2004.
FABRE, Claudine. Des variantes du brouillon au cours préparatoire. Revista Études de Linguistique Appliquée (E.L.A), n. 62, p. 59-79, 1986. Tradução Cristina Felipeto, Eduardo Calil, Eudes Santos, Kall Anne Amorim. Debates em Educação - ISSN 2175-6600 Maceió, Vol. 5, n. 10, Jul./Dez. 2013.
FARACO, Carlos Alberto. Norma culta brasileira: desatando alguns nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
FÁVERO, Leonor Lopes; KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. Linguística textual: introdução. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2012.
FELIPETO, Cristina. Rasura e equívoco: no processo de escritura em sala de aula. Londrina: EDUEL, 2008. 168p.
______. Erro imprevisível: possibilidade esquecida da língua. In: CALIL, Eduardo (Org.). Trilhas da escrita: autoria, leitura e ensino. São Paulo: Cortez, 2007. p.100- 110.
FRANCHI, C. Criatividade e gramática. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, n. 9, p. 5-55, 1987.
GERALDI, J. W. O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 2006.
GRÉSILLON, Almuth. Elementos de crítica genética: ler os manuscritos modernos. Trad. Cristina de Campos Velho Birck et al. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2007. ______. Devagar: obras. In: ZULAR, Roberto (Org.). Criação em processo: ensaios de crítica genética. São Paulo: Iluminuras, 2008.
HAY, L. “O texto não existe” – Reflexões sobre a crítica genética. Tradução: Carlos Eduardo Galvão Braga, Jacira do Nascimento Silva e Wylka Carlos Lima Vidal. In: ZULAR, R. (org.) Criação em processo – ensaios de crítica genética. São Paulo: Editora Iluminuras, 2002. p. 29-44.
HAYES J. R. et al. Cognitive processes in revision. In: ROSENBERG, Sheldon (Org.). Advances in Applied Psycholinguistics: reading, writing and language learning. Cambridge: Cambridge University Press, 1987. p. 176-240. v. 2.
HAYES, J. R. New directions in writing theory. In: MACARTHUR, C. A.; GRAHAM, S.; FITZGERALD, J. (Org.). Handbook of writing research. New York: Guilford Publications, 2006.
KATO, Mary A., No mundo da escrita: Uma perspectiva psicolingüística. SP: Editora Ática, 5ª edição, 1986
LEBRAVE, J. L.; GRÉSILLON, A. Linguistique et génétique des textes: um décalogue. Tradução de Dayana Bernardo. Paris, 2009. Disponível em: <http://www.item.ens.fr/index.php?id=434571>. Acesso em: 18 out. 2012
MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2001.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. In: DIONÍSIO, Angela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (Org.). Gêneros textuais e ensino. 4. ed. Rio de Janeiro: Lucerna , 2005.
______. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
NETO, João Gomes da Silva. Metodolologia do trabalho científico. Curso de Especialização em Língua Portuguesa: Leitura e Produção de Textos. 2009/2010. (Material impresso)
POSSENTI, S. Aprender a escrever (re)escrevendo. São Paulo: Cefiel/IEL/Unicamp e MEC, 2005. 61p.
SALEH, Pascoalina Bailon de Oliveira. Narrativas Infantis e efeitos de linguagem. Letras de Hoje. Porto Alegre. V. 36, nº 3, p. 521-527. Setembro , 2001.
______. Afinal, quem narra na narrativa da criança? (Universidade Estadual de Ponta Grossa Grupo de Pesquisa em Aquisição da Linguagem) in: Cad.Est.Ling., Campinas, 47(1) e (2):175-185, 2005.
SALLES, Cecília Almeida. Crítica genética: fundamentos dos estudos genéticos sobre o processo de criação artística. 3. ed. São Paulo: EDUC, 2008.
______. Gesto inacabado: processo de criação artística. 3. ed. São Paulo: FAPESP: Annablume, 2004.
SCHNEUWLY, B.; DOLZ, J. Gêneros orais e escritos na escola. Trad. Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. São Paulo: Mercado de Letras, 2004.
SOARES, Maria Vilani. A tarefa de reformulação de texto. 2003. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2003.
TRAVAGLIA, Neuza Gonçalves. Tradução Retextualização: a tradução numa perspectiva textual. São Paulo: Editora da Universidade Federal de Uberlândia, 2003, p. 239.
WILLEMART, Philippe – Crítica Genética e Psicanálise – São Paulo: Perspectiva; Brasília, DF : CAPES, 2005.