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Betydningen av alder ved innvandringstidspunktet

Para apreender traços da relação dos alunos com o conhecimento e elementos de sua trajetória escolar desqualificada, foi preciso não apenas buscar compreender como tais alunos se situam no campo escolar, mas a posição desses sujeitos no espaço social, indicadores de seu capital cultural, econômico e social, assim como o conjunto de valores estabelecidos em seu

grupo social de origem, terreno onde é configurado seu habitus, que orienta suas estratégias e posições no campo.

Como esperado, três entrevistados possuem a mesma idade: F, G e K, 17 anos em 2014; somente T tem mais idade, 25 anos, pois foi localizada na suplência. O tempo de vida e, portanto, trajetória mais extensa, relaciona-se com a diferença apreendida no posicionamento de T frente aos assuntos abordados, analisando-os já com a distância de uma espectadora, como se verá mais adiante.

Os quatro sujeitos nasceram no estado de São Paulo. Todos classificam sua classe social na infância com a mesma nomenclatura que atualmente; os padrões de consumo também não se alteraram. Pelo fato de F, G e K serem adolescentes, estão temporalmente muito próximos da infância, não houve mudanças consideráveis nesse sentido. T, mesmo que passado mais tempo para ela, acredita que se mantêm inalterados esses aspectos também. Entretanto, é possível afirmar que, na infância, T não estava localizada no espaço social tão próximo dos demais entrevistados, pois suas condições de vida eram precárias.

Os quatro moram em bairros e nunca residiram no centro. F, G e K não foram acometidos de grandes deslocamentos no espaço social. T se mudou com frequência na infância, da cidade onde reside para outra também no interior, a, aproximadamente, 700 km de distância. Apenas T mora em uma casa que não é de propriedade de sua família. Nenhum deles é oriundo de família organizada de modo tradicional. Suas famílias eram numerosas na infância: nenhum dos entrevistados viveu em famílias com até quatro pessoas. Mas as casas de três entrevistados, F, G e K, eram, na infância, e são, atualmente, relativamente espaçosas; T residia conforme a disponibilidade de quem auxiliava sua família. Agora, a quantidade de pessoas na família de alguns entrevistados diminuiu: G mora com apenas uma pessoa e K mora com duas pessoas.

Mesmo considerando as diferentes trajetórias de cada um dos sujeitos da pesquisa, constatou-se que todos expressam um mesmo padrão. Como esperado, pertencem a um mesmo grupo social, estão próximos no espaço social, o que, grosso modo, vai definir sua relação e a de sua família com a escola. F, T e K têm capital cultural, social e econômico muito próximo, inexpressivo. Sua circulação social é restrita; não se presenciam indicadores de que haja trânsito em grupos nos quais as relações se revertam em capital social. As viagens, instrumento de circulação social e investimento cultural, são restritas, inexpressivas ou inexistentes. K pode ser citada como uma exceção no que refere ao capital cultural, já que, segundo seu relato, seus pais

possuem nível universitário. T não se declara pertencente à família leitora e F, embora manifeste que haja a prática da leitura em casa, não conseguiu sustentar sua fala – a ausência dessa prática é traço indicativo de baixo capital cultural. G manifesta a leitura presente na infância por meio do interesse do pai por um assunto específico, o nazismo. Daí se infere uma explicação para a disposição de G para frequentar a biblioteca: não sabe ler, mas foi familiarizado com o acesso pelo pai; embora não vivesse com ele, os dois conviviam. Ele se diferencia nos hábitos culturais, suas preferências não estão vinculadas ao apelo pelo popular, são distintivas.

F, G e K manifestam terem relações satisfatórias com os pares na escola. F e K afirmam terem muitos amigos, ao passo que G fica mais recluso, mas não cita nenhuma espécie de interação conflituosa. Sua reclusão passa pela postura de indiferença ao que circunda a escola, inclusive seus colegas. As relações que valoriza estão para além da escola.

Tentou-se, sem êxito, abstrair dos quatro entrevistados o nível cultural dos ascendentes da família do pai e da mãe, bem como a origem das condições de vida, focalizando condições de vida e escolaridade, com exceção de K que precisou algumas informações. O intuito era que se conseguisse, na perspectiva de Bourdieu, obter indicadores que permitissem situar o nível cultural de cada família e analisar suas condições de vida a partir dos avós. Nenhum deles soube dar as informações necessárias.

Como afirma Bourdieu (1998), a influência do capital cultural se deixa apreender sob a forma da relação, muitas vezes contestada, entre o nível cultural global da família e o êxito escolar da criança. O avô materno de K é policial aposentado, o que indica que tenha cursado até o processo de escolarização que, atualmente, se denomina Ensino Médio; a avó materna é do lar, não sabe precisar até que série estudou. Percebe-se, ainda assim, que as informações obtidas não são suficientes para situar, especificamente, o capital cultural nem mesmo da família de K. Os quatro entrevistados, assim, apresentam um desconhecimento em relação à sua trajetória.

A ação do pai de G, ao tirá-lo da escola por quatro anos, logo nos anos iniciais do processo de escolarização, ainda que se considere que pode não ter sido pelas causas apontadas por G, indica a dimensão que o conhecimento escolar ocupa na concepção de sua família e a maneira como essa relação pode influenciar no trato de G para com sua vivência na escola. Indicativo válido também para a relação construída entre T e a escola segundo as ações da família, que tinha outras prioridades que não a escola, as quais resultavam no constante deslocamento e consequente troca de instituição. A família de F – percebe-se que pela forma de

lidar com a escola atual e que será evidenciada mais a frente – trava uma relação de passividade aos processos desenvolvidos pela escola, não possui condições de criticá-la e certamente assim tenha sido durante todo o percurso. A mãe, que tem um sonho de cursar universidade e apenas conseguiu concluir o chamado, à época, ensino primário, valida como importante seu filho ao menos conseguir manter-se na escola. Da parte de K, não foi possível extrair elementos que indiquem precisamente a relação de sua família com a escola.

A caracterização da classe social de pertencimento dos agentes não pôde ser feita de forma muito precisa. Traçou-se apenas certos aspectos que indicam enquadramento no espaço social próximo. Há outros elementos considerados para aproximá-los no espaço social: a baixa ou nula frequência a shoppings, restaurantes, espaços públicos de lazer, teatros, cinemas e shows. Buscou-se, ainda, o contato com alguns elementos vinculados aos gostos e preferências dos agentes a fim de apreender suas práticas culturais e como estas podem repercutir na relação dos sujeitos com o conhecimento, ou na posição que ocupa no jogo escolar.

Com exceção de G, todos os demais entrevistados evidenciaram a prática religiosa em seu discurso, uma importante composição do conjunto de valores que orienta os alunos e suas famílias. F e K demonstram proeminência de frequência em cultos religiosos, o que se fundamenta como marca mais evidente de oportunidade de extensão de convívio com outros grupos sociais, já que foi o único indicador apontado como veículo de frequência para além do ambiente familiar e escolar. G, entretanto, se não apresenta relações possíveis manifestas em decorrência da prática religiosa e denota uma circulação por outros grupos sociais, já que aponta que seus amigos não são da escola, tem amigos de outras localidades do Estado e também uma rede de relações, via internet com pessoas de outros países.

A TV apresenta-se como parte constitutiva da rotina dos quatro entrevistados. A escolha no que se refere a programas de TV, as músicas são condicionantes relevantes para caracterizar o gostos dos agentes. O gosto é tomado aqui com base em Bourdieu (2007), que o compreende como uma construção social e não uma qualidade inata do indivíduo. Assim, gostos e preferências se aprendem e correspondem à posição no espaço social. Todas as práticas culturais e sociais de F, T e K enquadram-se no dito “popular”, o que se explica pela coerência de seu habitus de classe. Já os gostos e preferências de G não expressam correspondência a um mesmo padrão, revelam uma mobilização efetiva para se distinguir, como dito, para imprimir a si próprio uma marca de autenticidade.

O conjunto dos hábitos, preferências e escolhas traçados até aqui pela apresentação de cada sujeito fornece dimensões da dinâmica familiar e da vida em amplo contexto dos sujeitos, que indicam certas condições de correlações que podem permitir compreender certos aspectos de sua relação com o saber escolar. Além disso, nesta perspectiva teórica, a relação do agente com a escola possui ligação com sua trajetória social.

Tentando responder à terceira pergunta enunciada, foram fornecidos alguns dados para conhecer quem são esses alunos, resultando em importantes informações para o encaminhamento aos próximos capítulos que adentram os dados específicos do estudo permitindo a sua compreensão.