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Basic Work Supporter Design

4 The FLUIDE-D Language

4.6 Basic Work Supporter Design

Esta pesquisa iniciou-se quando me deparei com a população de jovens e adultos analfabetos. Após percorrer alguns caminhos, infrutíferos, para alfabetizá-los, encontrei na literatura, na afetividade, no diálogo e no lúdico o tempero essencial para atingir satisfatoriamente a construção do conhecimento.

Selecionei Raimundo, como sujeito desta pesquisa, com a finalidade de acompanhar o seu processo de alfabetização e letramento e confirmar a eficácia dos recursos utilizados nesse processo. Após ter anotado no meu diário de bordo várias observações feitas por Raimundo, antes, durante e depois das atividades realizadas em sala de aula, selecionei alguns registros que considerei pertinentes para melhor compreensão do objetivo desta pesquisa. Uma entrevista com a finalidade de conhecer sua história de vida, ampliou a compreensão dos motivos que o levaram a iniciar o seu processo de escolarização aos 55 anos de idade, bem como os sentimentos vivenciados tanto para a procura da escola como para permanecer nela.

Com a “finalização” da pesquisa vou relatar, brevemente, as suas contribuições para a prática profissional e acadêmica.

A contribuição para a prática educacional é o recurso da literatura para mediar a relação de ensino e aprendizagem entre educador e educando. Essa

foi uma escolha afetiva por que as histórias me afetam de uma forma muito positiva e julguei que o mesmo poderia acontecer não só com crianças, mas com educandos adultos. A história é tão antiga quanto o homem, é atemporal, lúdica, é significativa e expõe as condições existenciais humanas. Portanto, cria um clima intimista, afetando o educando e educador, propiciando um espaço para o diálogo entre ambos. Esse diálogo é um campo fértil para o educador colher informações pertinentes, que poderão nortear os conteúdos programáticos e propiciar um aprendizado significativo em sala de aula, evitando a evasão escolar.

Muitos outros recursos poderiam ser utilizados para integração cognitiva e afetiva, além da literatura, como o desenho, a música, ou seja, a arte em geral.

A contribuição desta pesquisa para área acadêmica é a constatação da possibilidade de se produzir pesquisa na área de alfabetização e letramento com o recorte da afetividade, o que é extremamente importante, uma vez que as taxas de analfabetismo de crianças, jovens e adultos são expressivas no Brasil.

Para realizar esta pesquisa foi necessário construir um olhar Walloniano. Um novo olhar para a realidade - um olhar Walloniano não se constrói da noite para o dia, é como uma fruta que vai amadurecendo ao sabor do tempo. Não tive tanto tempo assim! Quando ficou decidido que seria Wallon meu referencial teórico desta pesquisa, realizei muitas leituras, assisti às aulas, busquei na minha prática profissional e na minha vida pessoal encontrar os princípios

Wallonianos, e de fato encontrei. Realizei a minha dissertação tendo como foco a psicogenética de Wallon. Foi um caminho árduo, mas prazeroso, pois adquiri muitos conhecimentos novos e aprimorei outros que ao longo da vida acumulei. Finalizo esta pesquisa na certeza de que é um ponto de partida, com uma frase:

Na incompletude do meu ser, Wallon ofereceu-me elementos para compreender melhor a realidade, a prática profissional e a mim mesma!

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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APÊNDICE .

Quadro 1. Caracterização dos alunos da 1ª etapa de EJA Nome do

aluno

Data/nasc UF Est. civil Emprego Atual

Já frequentou a escola?

Arnaldo 17/07/67 Bahia casado Feirante Não

Cleber 27/07/79 São Paulo casada Construtor Não

Daiane 29/03/92 Bahia casada Aux.

limpeza

Sim

Francisco 28/04/61 Ceará casado Comércio Sim

Ionice 20/03/68 Bahia separada Doméstica Não

Isaura 01/07/55 Bahia casada Doméstica Não

Ivoneide 06/03/79 Piauí casada A.Produção Sim Isidorio O2/11/86 Bahia solteiro Pedreiro Sim/1 ano Marcilene 24/10/77 Minas

Gerais

casada Do lar Sim quando

criança M. Edneide 28/04/84 Pernambuco separada A. produção Sim quando criança M. José 04/11/58 Bahia solteira Doméstica Não

Marizete 05/06/71 Bahia casada Do lar Sim quando

criança

Neilza 28/07/74 Bahia solteira Doméstica Não

Otávia 04/03/67 Bahia casada Cuidadora 6 m/SESI

Quadro 2. Depoimento de Raimundo, com a explicitação dos significados

Depoimento Explicitação de significados Apoio da teoria

1. Sr. Raimundo, me conte a sua história de vida, suas alegrias e tristezas.

Eu nasci em Brumado (Bahia) na cidade. Então minha mãe era nova, meu pai já era de idade. Com seis anos de idade nós fomos para a roça. Foi fazer o quê na roça? Minha mãe foi trabalhar na roça de algodão e eu acompanhei a minha mãe no trabalho. Meu pai já estava meio adoentado e faleceu. Quando eu peguei a idade de sete para oito anos minha mãe começou a namorar de novo. Minha mãe veio pra São Paulo com o namorado, ela chamou a gente pra ir eu e minhas 4 irmãs, nois não quis, fiquemos com nossa vó na fazenda. Nesta temporada eu fiquei na lavoura de arroz. O que o senhor fazia nesta lavoura de arroz? Então eu ficava cuidando para os passarinhos não comer o arroiz. Como era esse cuidar? Cuidar era o seguinte. Nóis pegava o boneco vestia, parece boneco de Olinda, e colocava no meio da plantação. O senhor ficava lá? Ficava o dia inteiro gritando com os passarinhos e jogava pedra para eles avoarem. A colheita que era duro. Tinha que cortar o arroz e não aguentava carregar muito, eu pegava aos poucos. Eu cortava ele, pra tirar das folhas tinha que levar para a máquina limpar tirar a casca do arroz, eu ganhava um dinheirinho aquele tempo,

 Nasceu numa cidade da Bahia. Com seis anos foi morar na roça porque o pai faleceu. De sete para oito anos foi morar na roça com a avó (ele e quatro irmãs) porque a mãe veio para São Paulo com o namorado. Seu primeiro trabalho foi cuidar de uma lavoura de arroz, afugentando os passarinhos. Em seguida passou a colher o arroz; era um trabalho duro para criança: não aguentava carregar muito, tinha que pegar aos poucos.

era que nem escravidão. A gente não sabia o que era escola. Não tinha escola não tinha nada era só roça (neste momento ele cita um livro que não entendo). O que o senhor falou do livro? Ah o livro era do Pelé. O titulo do livro o Pele é da bola. E como o senhor sabia que estava escrito isso? Porque apareceu uma professora para vir dar aula num pé de árvore, mas ela não quis desistiu; foi ela que trouxe o livro e falou o nome dele. Ela veio de muito longe 30 km. Eu não aprendi a ler e escrever mas aprendi a nadar com meu amigo. E como era esse livro? Dentro do livro tinha uns desenho do Pelé e a bola. Tinha um ziguezague .Nois era tudo interessado no livro mas não tinha quem ensinava nois pra lê. No livro tinha desenho ou tinha palavra também? No livro tinha palavra e desenho também. Com dez anos saí da casa da minha vó e fui morar com outra família. Neste tempo eu fiquei de dez anos até dezoito anos. O que o senhor fez neste tempo? Este tempo ai não sei como se fala aqui. Lá eu tirava leite na fazenda. Eu era o vaqueiro da fazenda com treze anos, aí eu já guentava tirar leite, tem que ter força pra tirar eu tenho até olho-de-peixe daquela época, (mostrou o polegar com a cicatriz). Então neste período o senhor só fazia isso? Tirava leite e dava ração pros animais. O senhor ganhava quanto pra isso? Trabalhava por troco da comida, roupa, sapato, bota pra trabalhar. O senhor dormia lá? Dormia porque era longe a casa da minha vó. Depois desta fase

 Fala de um livro que a professora que veio uma vez e não veio mais devido à distância (porque a roça ficava a 30 km da cidade) e trouxe para eles. Falou o nome do livro: Pelé e a Bola. Todos ficaram interessados pelo livro, mas não tinha ninguém para ler pra eles e ensiná-los a ler!

 Com dez anos saiu da casa da avó e foi morar com outra família na fazenda e ser vaqueiro, porque já tinha força para tirar o leite. Trabalhava por conta de comida, roupa, sapato e bota pra trabalhar.

 Afetividade: tonalidades

agradáveis (o livro); tonalidades desagradáveis (não poder ler)

 Integração organismo-meio

o que aconteceu? Vim bora pra São Paulo. Se não acredita, vim por causa de uma mulher. Uma moça que me falou que você pode ir pra São Paulo que você vai se dar bem, vai ganhar dinheiro. Eu me invoquei, fiquei nervoso porque eu ajudava a ganhar dinheiro e eu não ganhava fui lá e falei vou embora foi coisa de momento coisa rápida, não quero viver mais na fazenda porque não ganhava nada, era uma escravidão, aí eles me deram o dinheiro da passagem. Só o dinheiro da passagem? Só. Eu tinha juntado umas moedas com outras coisas que fazia. Eu comprava pinga, fiado, na cidade e levava pra fazenda e vendia umas dose pro pessoal que gostava de beber e ganhava dinheiro. Ai eu vim, vim com dezoito anos (São Paulo). E o senhor ficou onde aqui? Eu cheguei na rodoviária na Estação da Luz, conforme esta moça falou pra mim, eu vim de quase emprego arrumado, e ai, naquela época tinha muito emprego, num mês eu trabalhei em três firma. O que o senhor fez nesta firma? A primeira empresa que trabalhei foi de ajudante geral na Transife, firma de transporte. Depois passei a ser embalador, embalava lata de feijoada na Bordon e ganhava 17,00 cruzeiro na época ai eu sai pra outra pra ganhar 17,50. Hum e a outra? A outra como eu era fraquinho eu trabalhei entregando marmita, aqui no Jaguaré na linha do trem, lá eu ganhava 18,00 cruzeiros. Como assim? Os caras trabalhavam no trecho de trem arrumando os trilhos, eu chegava com a kombi e entregava

 Aos dezoito anos veio pra São Paulo, e trabalhou em várias empresas como: Ajudante Geral na Transife – firma de transporte, embalador na Bordon, entregador de marmita na linha do trem, metalúrgico, na Delta

cromeação. Na última empresa ficou doze anos e depois foi trabalhar como feirante, onde está até hoje.

 O papel do outro nas escolhas.

marmita pros cara! Depois eles me transferiram para Bauru eu tenho a carteira assinada pela ferrovia eu era bom de trabalhar. E ai o que aconteceu? Fui transferido para Cubatão para trabalhar na linha do trem entregado marmita também. E depois? Depois eu sai porque eles queriam me mandar para Mato Grosso. O senhor não quis? Não porque era muito perigoso, eu ia trabalhar na mata, perto de Serra Pelada e tinha muita gente morrendo ali. Voltei pra São Paulo fui morar em uma pensão no Anastácio. Fiz teste na Delta e fui bem e virei metalúrgico. Como era fácil emprego naquela época! Que empresa que era? Delta cromeação! Minha profissão foi cromador, aprendi até profissão. Nesta empresa fiquei doze anos nela. Neste período o senhor não procurou a escola? Procurei mas o acesso era muito difícil era tudo muito longe puxado. Eu morava no Parque Novo Mundo e trabalhava no Anastácio. E não dava tempo pra escola? Não entrava as sete da manhã e saia as cinco e meia da tarde. Não tinha como o cara aprender. O senhor ficou doze anos nesta empresa e depois? Ai sai e fui trabalhar por conta! No quê? Ponta de feira. Então o senhor é feirante?É! Nessa época o senhor vendia o quê? Mandioca, limão, coisa básica. Quanto tempo o senhor trabalha na feira? Uns quinze anos ou mais. O que te levou a procurar a escola? Eu fui no Eisnten (hospital) levar meu filho (ele juntou dinheiro durante meses pra pagar a consulta) pra uma consulta pra sinusite, meu filho tava muito mau

 Levou o filho ao Einstein para uma consulta (o filho juntou dinheiro por vários meses para essa consulta). Ao

 Autonomia adquirida; recusou-se a ir pra Mato Grosso.

 O papel do outro (filho)  Afetado fortemente pelas

de cabeça baixa e a moça me deu a ficha pra preencher e aí eu não sabia. Ela falou: o senhor que tem que preencher porque o paciente não consegue parece muito mal. Senti uma decepção parece que você tem mão, perna, braço e não tem utilidade nenhuma para fazer o que precisava. A ficha ficou tudo branco. Porque eu fiquei aéreo, não consegui fazer porque eu fiquei aéreo, não consegui fazer o que tinha que fazer pro meu filho que estava doente. Ai meu filho falou: deixa que eu faço pai. Eu me senti muito triste por não consegui fazer o que bem queria. A partir dai o que o senhor pensou? Pensei: vou estudar porque serviço não mata home e se Deus quiser eu vou conseguir. Consegui ler e escrever, nunca é tarde para aprender. Com toda a idade e a dificuldade que a gente tem é aprende o básico. O básico pra mim é oce pegar um papel e ler, pegar um papel escreve. Minha família são os que me dão motivação pra isso eles me dão a maior força. Temos muitos problemas financeiros, mas problema todo mundo tem.

Sr. Raimundo me conta como foi o seu primeiro dia na escola? O primeiro dia foi muito nervoso, no segundo um pouco tenso e o terceiro já me relaxei mais e dai pra frente tô gostando por isso que acompanho a escola tô sentindo outro mundo agora. Que mundo é esse que o senhor tá sentindo? Um mundo que tô enxergando mais aberto. Mais aberto como? Como? Ah porque eu já tô lendo. Outra como eu trabalho com frutas eu já

chegar lá, com o filho mal, a moça (recepcionista) deu uma ficha para preencher, e ele não conseguiu. O filho, mesmo mal, acabou

preenchendo.

 Sentiu-se totalmente incapacitado por não preencher a ficha.

 Teve um ímpeto para voltar à escola e aprender a ler e escrever.

 A família é um motivador para voltar aos estudos.

 O primeiro dia apresentou nervosismo, mas aos poucos foi relaxando e agora já está acostumado.

 Está enxergando um mundo mais aberto porque está lendo e escrevendo.

 Afetividade: sentimento de incapacidade, inutilidade. A emoção obnubilando a razão.

 Procura de novos meios a escola.

sei escrever o que estou vendendo. E como que o senhor se sente? Eu me sinto muito alegre. É um prazer você pegar uma coisa e fazer e sentir que esta dando certo. O senhor começou na sala de quem mesmo? Da Cinira. O que o senhor achou daquela sala? Achei legal. Mas na sala dela os outros já sabiam mais do que eu. Eu não tava acompanhando, os outros tinham mais tempo de escola que eu ai eu comecei a faltar. O ensinado dela é diferente do seu, aqui na sala de reforço você deu aquele tempero o que você fez nos crescer foi diferente pra nós. Lá a gente copia, copia, só copia não adianta tem que saber o que tá copiando se não não dá. Você pega mais legal o jeito seu pra trabalhar ajuda a gente. A ensinação, o trabalho seu é mais esforçado. Na sala de reforço eu me senti bem porque eu achei que ia me apertar mais um pouco e ia ser melhor. A cruzadinha, caça palavra, lê as frutas, as palavras, as histórias que você conta os versos era legal porque a gente não sabia o que era verso. A história que me marcou foi da índia (lenda da Iara) As vezes a história cola a gente é uma lembrança que a gente tem pra sempre é igual a uma tatuagem. Tem algum passado que entra no meio daquela história ai lembrei da Eva a primeira namorada lá no interior, eu tinha 14 anos. Um amor que a gente teve, gostei um bocado você vê que a gente não esquece. Ela tá lá no interior até hoje tá com dez filhos, tá bem magrinha bem velhinha porque trabalha direto na roça. E agora como que você

 A sala da primeira etapa de alfabetização é legal, mas ele não conseguiu acompanhar os colegas que estavam mais adiantados e começou a faltar.

 O jeito de ensinar da professora (Cinira) é diferente da (professora da sala de reforço). A professora do reforço deu aquele tempero e fez os alunos crescerem (aprender ler e escrever). Na outra sala o grupo só copiava e não sabia o que estavam copiando. O jeito de ensinar na sala de reforço é diferente.

 A diferença entre a sala normal e a sala de reforço está nas atividades desenvolvidas.

 A história que mais marcou o sujeito foi a lenda da Iara. Ele se lembrou de um amor de infância.

 No presente, seu amor de infância está bem velhinha, devido ao trabalho

 A leitura da palavra leva à leitura do mundo.

 Processo de alfabetização na sala de reforço: Proposta Paulo Freire.  Respeito à realidade do educando.  Atividade diferenciada com

palavras retiradas no universo do educando.

está se sentindo com um ano na escola? Estou me sentindo