Del III Utvikling i samfunnsmessige
7.5 Barnefamiliers inntektsfordeling
A investigação social diz respeito, tal como refere Moreira (2007), ao conhecimento do universo humano. Conhecer implica falar-se em ciência. Enquanto que para uns ciência é tão-somente uma actividade meritória e prestigiante; para alguns significa uma forma de conhecer a realidade através dum conjunto de premissas que a organiza, dando origem a um conhecimento sobretudo construído, cujo pensamento científico é crítico, tentativo e sujeito a modificação; para outros ainda, ciência significa uma forma de investigar (Moreira, 2007, p.13).
Assim sendo, com base no mesmo autor, pode afirmar-se que o conceito de ciência se refere a uma metodologia específica e não tanto a um corpo geral ou particular de conhecimentos. A metodologia, ou seja, um sistema de regras explícitas e procedimentos em que a pesquisa se baseia, definem as «regras do jogo», as normas científicas que devem ser seguidas na investigação.
A pesquisa é um processo de recolha, análise e interpretação de dados cujo objectivo é entender um fenómeno (Leedy & Ormrod, 2001 cit. in Williams, 2007).
O processo de pesquisa é sistemático em que a definição do objectivo, o tratamento de dados e a comunicação dos resultados ocorrem dentro de quadros estabelecidos e em conformidade com as orientações existentes. Estas orientações guiam os investigadores sobre o que incluir na pesquisa, como realizá-la e quais os tipos de inferências prováveis, tendo em conta a recolha de dados (Williams, 2007).
O design de um estudo constitui a estrutura do estudo, aquilo que une as partes principais do projecto de investigação, ou seja, a amostra, as técnicas de recolha dos dados, as técnicas de análise dos dados, o procedimento, com o intuito de ir ao encontro do objectivo da investigação (Trochim & Land, 1982).
Esta investigação tem como objectivo conhecer e avaliar o impacto da implementação do Programa “Empreendedorismo para a Reinserção Social de Reclusos/as”, no que respeita o processo de transição dos ex-reclusos para a vida activa e reinserção social.
Este estudo contribuirá igualmente para a averiguação dos objectivos do PERSR, fornecendo dados que permitam verificar se os mesmos foram atingidos, nomeadamente se
os ex-reclusos: 1) prosseguiram os estudos e retomaram a frequência escolar ou a formação profissional; 2) começaram a trabalhar por conta própria e implementaram o seu plano de negócios; e 3) obtiveram trabalho por conta de outrem, prevenindo-se acima de tudo, a reincidência.
A fim de alcançar o objectivo do presente estudo utilizámos o design qualitativo. Este design revelou-se o mais adequado, quando o estado actual da literatura não se encontra suficientemente desenvolvido (Creswell, 2003).
De facto, o estado da arte sobre a implementação e avaliação de Programas de formação profissional ministrados nos estabelecimentos prisionais portugueses carece ainda de maior exploração e sustentação. Podemos afirmar que, de uma maneira geral, os estudos no âmbito da formação profissional nos EP são escassos, sendo pontuais os trabalhos que se debruçam sobre os resultados dos projectos implementados e sobre o seu verdadeiro impacto na vida dos ex-reclusos.
Os estudos tendem a avaliar a formação durante o processo de implementação e os resultados obtidos, mas esta avaliação feita logo após a formação dá-nos apenas uma parte da realidade, pois não se sabe qual o verdadeiro impacto na vida pós-reclusão dos sujeitos. Exemplo deste facto é a primeira avaliação do PERSR, cujos resultados apontam para altos níveis de satisfação nas questões colocadas aos reclusos.
Contudo, qual foi o efeito desta formação na vida activa dos sujeitos, quando deixaram o EP para trás? Será que atingiram os objectivos propostos pelo PERSR?
Desta forma, foi nossa preocupação partir do pressuposto que a inclusão social dos sujeitos, que passaram por uma situação de reclusão em estabelecimento prisional, está directamente relacionada com a sua integração a nível laboral, e que a mesma pode depender de diferentes factores, entre eles a formação escolar que detêm, ou a formação profissional que receberam durante o cumprimento de pena prisional.
O design qualitativo mostrou-se o mais adequado para o presente estudo pois, é uma abordagem holística que envolve a descoberta, sendo que a pesquisa qualitativa permite também ao pesquisador envolver-se nas experiências reais. Aquilo que identifica igualmente uma pesquisa qualitativa é o fenómeno social a ser investigado, que se baseia nos pontos de vista dos participantes (Creswell, 1994, cit. in Williams, 2007).
Assim, este estudo é de carácter qualitativo e exploratório. Exploratório porque tem como objectivo recolher informação que lhe permita formular futuramente hipóteses (Ribeiro, 2007), pois vai permitir obter um maior conhecimento acerca desta temática e ajudar a identificar, a desenvolver e a esclarecer a importância e o impacto que o PERSR
teve na vida dos ex-reclusos, baseando-se nos seus testemunhos através da recolha de dados utilizando a entrevista semi-estruturada. De acordo com Ribeiro (2007), em estudos exploratórios qualquer resultado é considerado um bom resultado que poderá ser discutido com o mesmo mérito.
Para Moreira (2007) “talvez seja, portanto, a descoberta (captação e reconstrução) de significados aquilo que melhor define a abordagem qualitativa” (p.49). Com base neste autor, sintetizamos algumas das principais características da investigação qualitativa. Assim, a investigação qualitativa busca estar dentro do processo de construção social, reconstruindo os conceitos e acções estudadas para:
- descrever e compreender em detalhe os meios através dos quais os sujeitos empreendem acções significativas e criam um mundo seu (e dos demais);
- conhecer como se cria a estrutura básica da experiência, o seu significado, manutenção e participação através da linguagem e de outras construções simbólicas;
- recorrer a descrições em profundidade, reduzindo a análise a âmbitos limitados de experiência, através da imersão nos contextos em que decorre;
- deixar para segundo plano, ou mesmo de lado, as pesquisas comparativas estandardizadas, as experiências, dada a necessidade sentida pelo investigador de se tornar particularmente sensível ao facto de que “o sentido nunca pode dar-se por adquirido” e que “está ligado essencialmente a um contexto” (p. 49). (Moreira, 2007)
Existem diferentes tipos de estudos que utilizam técnicas de design qualitativo para enquadrar a abordagem da pesquisa. Como resultado, as diferentes técnicas dos designs qualitativos têm um efeito expressivo sobre as estratégias de investigação exploradas, o que envolve a intenção de descrever, explicar e interpretar os dados recolhidos (Williams, 2007).
Neste sentido, Williams (2007) refere que existem cinco áreas de pesquisa qualitativa: estudo de caso, estudos etnográficos, estudos fenomenológicos, grounded theory e análise de conteúdo. Estas cinco áreas são representativas da investigação qualitativa e servem dominantemente os tipos de investigação indutivos (Ribeiro, 2007; Williams, 2007).
1.1. Análise de conteúdo como procedimento de tratamento de dados em designs qualitativos
A investigação qualitativa tem como objectivo recolher dados que vão emergindo naturalmente ao estudar-se as pessoas nos seus contextos naturais e envolve proximidade com os sujeitos, permitindo assim, desenvolver uma ideia mais aprofundada da forma como os indivíduos pensam, sentem, interpretam e experimentam os acontecimentos em estudo (Ribeiro, 2007). Nesta medida, este autor defende que o grande objectivo desta metodologia é “compreender o significado do fenómeno em estudo, tomando a perspectiva única dos indivíduos estudados, e no contexto onde ocorrem os fenómenos, permitindo considerar a complexidade dos fenómenos em estudo” (p.66).
Sendo a análise de conteúdo o método escolhido para o tratamento de dados na presente investigação, parece importante defini-lo tendo em conta diversos autores. Assim, Leedy e Ormrod (2001, cit. in Williams, 2007) definem este método como "uma análise aprofundada e sistemática do conteúdo de um determinado conjunto de materiais com a finalidade de identificar padrões, temas ou tendências" (p. 155). O método tem como objectivo identificar características específicas do conteúdo da comunicação humana. O procedimento para o estudo de análise de conteúdo é concebido para alcançar a análise mais objectiva possível e envolve a identificação do corpo de material a ser estudado e que define as características ou qualidades para ser examinado (Williams, 2007).
Para Bowling (1998, cit. in Ribeiro, 2007), a análise de conteúdo refere-se à codificação dos dados que é uma fase decisiva na investigação qualitativa, processando-se basicamente nas seguintes fases: recolher dados, codificá-los por temas ou categorias, analisar e apresentar os dados.
Bardin (2004), define análise de conteúdo como “um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens” (p. 33). Esta abordagem tem como finalidade efectuar deduções lógicas e justificadas que se referem à origem das mensagens consideradas (emissor e seu contexto ou os efeitos dessas mensagens), tendo o investigador à sua disposição (ou cria) um conjunto de operações analíticas que adapta à natureza do material e à questão que procura resolver. O resultado da análise tem como objectivo fundamentar impressões e juízos intuitivos, que se processam através de operações conducentes a resultados de confiança (Bardin, 2004, p.37).
Segundo Bardin (2004), a análise de conteúdo procura conhecer o que está por trás das palavras sobre as quais se debruça e possui duas funções, podendo, ou não, dissociar-se na prática ou coexistir de forma complementar: 1) uma função heurística e 2) uma função de «administração da prova».
Em relação à primeira função, considera-se que a análise de conteúdo enriquece a tentativa exploratória e aumenta a propensão à descoberta, pretendendo-se «ver o que dá». Em relação à segunda função, o apelo ao método de análise sistemática é feito através de hipóteses, sob a forma de questões ou afirmações provisórias, a fim de serem verificadas no sentido de uma confirmação ou infirmação. É a análise de conteúdo «para servir de prova» (p.25).