7 ANALYSEN – SMÅBRUKSAVVIKLING OG ENDRING AV
7.3 ARBEID OG ATTER ARBEID
7.3.3 Avvik og mytedannelse
Norrick (1981) desenvolve princípios semânticos que demonstram a motivação nas relações conteúdo-expressão e argumenta que esses princípios fazem parte da teoria semântica. Esses princípios mostram, por exemplo, transferências e extensões de significados nas leituras figuradas e nas expressões idiomáticas, que seriam motivadas e ocorreriam por meio do que o autor denomina de via-rules.
O autor retira o termo “motivação” de Eco (1976), que define “‘motivação’
como uma propriedade possuída por uma expressão de um signo exibindo uma relação
não arbitrária com seu conteúdo”78
(ECO, 1976 apud Norrick , 1981, p. 22). Partindo dos trabalhos de análise semiótica de Eco (1972, 1976) e do trabalho de Peirce (1931- 1961), Norrick apresenta os princípios da motivação icônica e os princípios da motivação indexal.
Em relação aos princípios de motivação icônica, o autor nos apresenta duas classes gerais: i) o modelo e o objeto e ii) classes, membros das classes e traços, como se pode ver a seguir.
a) Código icônico
Classe geral: modelo e o objeto.
Princípio:
Modelo-objeto: diferem-se por um único traço, apagado de um deles
por uma transformação. Por exemplo: o desenho de um prédio e o prédio.
Classe geral: classes, membros da classe e traços.
Princípios:
Genérico-específico: um membro da classe e sua classe são vistos de
forma extensional, por exemplo, o cão e todos os cães.
Caso-geral: membros da classe e sua classe são vistos
intencionalmente, por exemplo, o cão e os traços que definem um cão.
Objeto-traço: membros da classe e um traço que distingue sua classe
x de outra classe y que contém x, ou qualquer classe z incompatível
com x e que contém y, por exemplo, o peixe e o traço de aquático.
Membros da classe x e membro y: existe um defeito em relação ao
critério de validade inferencial, por exemplo, qualquer peixe e qualquer outro peixe.
78“’(...)motivation’ as the property possessed by a sign expression exhibiting a non-arbitrary relation with
Seguindo as definições de Eco (1976), Norrick (1981, p. 31) declara que nossa percepção de que existe uma similaridade ou analogia entre as expressões e seus conteúdos é porque reconhecemos as relações estabelecidas pelas transformações codificadas. De acordo com o autor, “estas transformações conectam (nossas percepções de que) objetos compartilham um conjunto único de traços que estão manifestados de
diferentes modos”79
(NORRICK, 1981, p. 31). Por exemplo, podemos reconhecer uma pequena imitação de madeira como o modelo de um edifício grande de concreto e aço, se certas formas e proporções são comuns aos dois.
Quanto ao princípio de motivação indexal, o autor apresenta seis classes gerais: i) causa e efeito, ii) o ator e os principais participantes, iii) a parte e o todo, iv) o contêiner e o conteúdo, v) a experiência e a convenção e vi) o possuidor e o possuído. Esses estão definidos e exemplificados a seguir (NORRICK, 1981, p. 28-29).
b) Código indexal
Classe geral: causa e efeito.
Princípios:
Causa-efeito: fogo e calor; Produtor-artefato: autor e livro;
Inato e o produto da fonte natural: galinha e ovo;
Instrumento-produto: faca de escultura e a escultura de madeira. Classe geral: ato e principais participantes.
Princípios:
Objeto-ato: prego e martelar; Instrumento-ato: caneta e escrever; Agente-ato: padeiro e assar;
Agente-instrumento: dirigir e carro.
79 “These transformations connect (our perceptions of) objects sharing a single set of features but
Classe geral: parte e todo.
Princípios:
Parte-todo: vela e navio;
Ato-complexo e ato: cozinhar e suas subpartes (lavar, fatiar,
aquecer, colocar em um container na água, adicionar um alimento, esperar, etc.);
Fator central e instituição: palco e teatro. Classe geral: conteúdo e contêiner.
Princípios:
Contêiner -conteúdo: caneca de cerveja e cerveja; Localidade-ocupante: cidade e seus residentes;
Traje-usuário: uniforme do exército e o soldado do exército. Classe geral: experiência e convenção.
Princípios:
Experiência-convenção: sensação de frio e a leitura da baixa
temperatura;
Manifestação-definição: o carro se movendo rápido e o carro
normalmente ser considerado uma veículo de alta velocidade.
Classe geral: possuidor e possuído.
Princípios:
Possuidor-possuído: uma pessoa rica e a riqueza;
Escritório e dono-escritório: uma pessoa atuando como presidente
e o escritório do presidente da instituição.
Norrick (1981, p. 72) defende que a competência semiótica é anterior à competência linguística e, por essa razão, pode-se dizer que a competência linguística está encaixada na competência semiótica. Uma evidência desse encaixamento é o fato de que, em uma comunicação face a face normal, os atos linguísticos são acompanhados de um comportamento significante. Normalmente, declarações de amor são acompanhadas por expressões faciais e contatos corporais adequados. Além disso, quando há uma contradição entre a informação corporal e a linguística, nós presumimos
que a informação corporal é a correta e que a informação linguística foi usada com a intenção de enganar. Isso mostra que a competência linguística e nosso comportamento estão encaixados e são dependentes de formas gerais de significação.
Dessa forma, o autor propõe que os princípios relacionais semânticos regulares são casos especiais dos princípios semióticos de motivação. Em primeiro lugar, há que se observar que os princípios relacionais semânticos possuem todas as características principais dos princípios de motivação destacados anteriormente, visto que ambos descrevem a relação entre signos. No entanto, segundo Norrick (1981, p. 76), “os princípios relacionais semânticos descrevem relações entre as representações semânticas, que tomam forma nas leituras lexicais das entradas lexicais de palavras e
unidades estocadas maiores, e (porções de) interpretações de sentenças”80 .
Ambos os princípios são produtivos e sistematizáveis e podem ser divididos nas relações de similaridade e contiguidade. Contudo, como as relações semânticas tradicionalmente são divididas em relações metafóricas e metonímicas, Norrick defende uma equivalência entre os princípios metafóricos e os icônicos e entre os princípios metonímicos e os indexais.
Para exemplificar o princípio metafórico 1, Norrick (1981) declara que o verbo
“rir” é um predicado, que descreve uma ação e recebe o traço (humano). Para uma
sentença como A cachoeira riu é necessário retirar o traço (humano) do verbo “rir”.
Para esses casos, seria aplicado o princípio metafórico 1, em que “um processo regular
de extensão de significado envolve aplicar uma palavra como um predicado quando um de seus traços significantes não se ligam ao contexto” (NORRICK, 1981, p. 81).
No caso do princípio metonímico 1, em que dois itens estão associados por uma relação de causa-efeito, Norrick cita alguns pares de palavras morfologicamente relacionadas, como negro-denegrir, quebrado-quebrar, desagrado-desagradar que estariam associados a esse princípio. Esse princípio também se aplicaria a expressões idiomáticas, como dispatch to Hades, significando matar ou take pen in hand, significando escrever.
Para conectar os princípios relacionais regulares às entradas lexicais no léxico, Norrick propõe via-rules. Por exemplo, o verbo “wax” está relacionado a “cobrir x com
80“(...) semantic relational principles describe relations between semantic representations, which take the
form of lexical readings in the lexical entries for words and larger stored units, and (portions of ) sentence
cera” por meio de uma via-rule que associa esses dois itens ao princípio metonímico 6
(instrumento-ato), da seguinte forma:
Via-rule 2: relacionada ao substantivo cera ‘substância produzida pelas
abelhas’ via Princípio Metonímico 6 (instrumento-ato). (NORRICK, 1981, p.
164)81
Assim, a leitura do verbo é derivada pelo Princípio Metonímico 6 da leitura do substantivo. Dessa forma, depois que o verbo é lexicalizado, a via-rule 2 gravaria a história dessa derivação e não seria necessário derivar uma nova forma sempre que isso ocorresse.
O trabalho de Norrick é importante, porque, assim como Goldberg (1995) e Lakoff (1987), ele também defende que a motivação é um dos mecanismos linguísticos responsáveis por gerar extensões de sentido. Além disso, ele argumenta que, além dos princípios metafóricos, os princípios metonímicos estariam envolvidos nas relações semânticas regulares. Como se verá no capítulo 4, será proposto que as CSVL’s se
relacionam às CSVPsico’s por meio de links de extensão metonímica, que é um link que
não está na proposta de Goldberg.
Na próxima seção, comparar-se-ão a teoria sobre as relações semânticas regulares apresentada por Norrick (1981), o trabalho de Lakoff (1987) e a teoria das relações de herança, desenvolvida por Goldberg (1995). Além disso, será apresentada uma proposta de análise das relações de herança, tomando como base esses autores, o trabalho de Bybee (2006, 2010) e os estudos de Madureira (2000, 2002).
2.3 Relações de herança: proposta de análise a partir dos trabalhos de Goldberg