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En aldersheim med mange liv, der Wanda trives og Hans sturer

6 EMPIRIEN - FORTELLINGER FRA ET KVINNELIV

6.4 WANDA, - PRINSESSEN SOM INGEN KUNNE VINNE

6.4.7 En aldersheim med mange liv, der Wanda trives og Hans sturer

“Industrializar a construção com a melhoria contínua em sua eficiência, segurança e respeito ao meio ambiente” é o lema da política de qualidade da empresa. Em 1963 a Empresa 1 funda sua fábrica de elementos construtivos de concreto protendido para fundações, em 1970 explora seu potencial de produção com a fabricação de materiais de construção e em 1980 dá início à produção de estruturas pré-fabricadas para galpões, edifícios e pontes. Já em 1996 começa os estudos de sistemas industrializados para habitações, em vista da constatação do aumento da faixa etária da população brasileira e seu consequente crescimento demográfico. Com isso, a empresa busca soluções construtivas para habitações multifamilares e identifica as classes econômicas como um potencial mercado.

No entanto, só em 2011 é que a Empresa 1 lança seu primeiro empreendimento de habitações multifamiliares, o Economy, em Pedro Leopoldo, com o sistema construtivo conhecido como Solução Habitacional da Empresa 1 (SHE1). Após 15 anos de

estudos em sistemas diversos, como paredes autoportantes e estruturas metálicas, é que se consegue com a SHE1 o objetivo de “padronização de projetos em uma única planta que atendesse os códigos de obras das variadas cidades, possibilitando, assim, a produção em série e ganho de escala” (Empresa 1, 2014, p.2).

A Empresa 1 atualmente tem dezesseis empreendimentos habitacionais voltados, exclusivamente, para a Faixa 2 do PMCMV, conhecidos como Linha Economy e localizados nas cidades de Belo Horizonte, Betim, Lagoa Santa, Pedro Leopoldo, Sete Lagoas e Vespasiano (FIG.11)54. Ao todo são 2.230 unidades habitacionais, de

aproximadamente 47m², conformadas em torres de oito pavimentos, no padrão de planta “H”, com quatro unidades habitacionais por pavimento, uma tipologia facilmente identificada em outros empreendimentos do PMCMV55. A reprodução das tipologias-

padrão determina uma família-tipo e engessa as possibilidades de ocupação do espaço. Além disso, a implantação desses empreendimentos quase sempre segue a lógica da tábula-rasa, em que se desconsidera a topografia natural e as particularidades do terreno e movimentam-se quantidades absurdas de terra para conformar platôs. Tal implantação tem impactos ambientais significativos no ciclo hidrológico, já que impede o retorno das águas pluviais aos lençóis freáticos e ao seu abrigo natural, uma disfunção da relação entre homem e natureza, que é historicamente determinada pela correlação de forças culturais, econômicas, políticas, presentes numa sociedade. Portanto, a multiplicação acrítica de edificações concentradas impacta diretamente nos modos de habitar do usuário e causa vastos prejuízos ambientais.

54 A Faixa 2 do PMCMV é destinada a famílias com renda de até R$3.100,00 mensais.

55 As edificações de Lagoa Santa e Pedro Leopoldo, em função da legislação local, representam

Figura 11- Empreendimentos da Empresa 1 na RMBH

Fonte: elaborado pela autora com dados da Empresa 1 geolocalizados em base do Googlemaps.

Conforme o Diretor de Incorporações da empresa pesquisada, a ideia de trabalhar em estruturas pré-fabricadas de concreto se deve ao fato de que o sistema construtivo possibilita a redução de 80% dos resíduos gerados na soma da fabricação dos componentes com a da execução das edificações dos canteiros, em comparação com a estrutura de concreto armado in loco. A redução de resíduos pode sim ser encarada como uma vantagem da SHE1, no entanto, o conceito de cadeia produtiva desenvolvido em 2002 por William McDonough e Michael Braungart, denominado “cradle to cradle design” 56 aponta como sustentáveis aqueles produtos que são

pensados “para voltar à natureza, num ciclo perene de produção e reciclagem, livre

56 “Do berço ao berço” é um conceito que trata da reutilização completa dos materiais empregados no

processo produtivo de um determinado produto. Tudo o que um dia foi matéria deve ser transformado e reincorporado a um novo ciclo produtivo e não apenas descartado.

de resíduos, em que não é mais necessário extrair tantos recursos naturais, já que o material retirado uma vez pode sempre voltar para a linha de produção” (MASCARENHAS, 2012, p.5). Portanto, para se considerar uma edificação como ambientalmente correta é necessário mais do que reduzir resíduos. É fundamental utilizar práticas responsáveis em todo o ciclo de vida do produto. O uso do cimento como principal material construtivo e as práticas de implantação já citadas apontam um alto comprometimento de recursos naturais pela empresa pesquisada. Mesmo com tentativas mitigadoras, como a pré-fabricação e racionalização de resíduos, os impactos gerados com essas construções ainda são consideráveis.

O Diretor de Incorporações (2014) também aponta a flexibilização como um dos trunfos da SHE1, pois segundo ele o público-alvo atingido pela empresa é reconhecido por sua necessidade de alteração dos espaços das habitações. No entanto, a Empresa 1 oferece apenas duas variações do apartamento padrão da Linha Economy, sendo que elas estão disponíveis apenas em alguns de seus empreendimentos e somente mediante consulta prévia com a construtora (FIG.12). Uma das vantagens divulgadas no site da empresa é que “as paredes não têm função estrutural, o que permite fazer modificações ou retirada das paredes internas” (Empresa 1, 2015). Mas a remoção das paredes de vedação não é uma tarefa fácil, já que os painéis são pesados (estruturados com concreto, aço e tijolos). Além disso, a planta é rígida e possibilita apenas variar a conformação da cozinha, ou o local da sala de estar, sendo que essa última opção impõe a perda de um dos quartos, o que na realidade de muitas famílias não é uma vantagem e sim um grande prejuízo. Na prática, a utilização do sistema construtivo racionalizado não contribui para uma efetiva modificação na conformação das unidades habitacionais, a oferta é limitada e prevalece um padrão de edificações similar ao altamente empregado nos demais empreendimentos do PMCMV.

Figura 12- Plantas dos apartamentos da Linha Economy

Fonte: Imagens disponibilizadas no site da empresa, 2014.

As Faixas 2 e 3 do PMCMV representam um nicho de mercado para os agentes privados. No processo de “financeirização” descrito no item 3.2.2. O PMCMV e a

disseminação da alvenaria estrutural as empresas construtoras como a Empresa 1

foram estimuladas a promover habitações para o programa sem grandes riscos e com largas margens de lucro. Mesmo que cerca de 70% do déficit habitacional do país atinja as famílias com renda até R$1.600,00, ou o que corresponde à Faixa 1, é fato que o PMCVM até agora não privilegiou a produção de habitações para esse grupo. Pode parecer paradoxal que um programa apregoado como solução para o déficit habitacional do país produza 76% de habitações para as famílias menos necessitadas (Gráfico 15). Contudo, o caráter mercadológico dessa política é muito mais forte do que o social.

Para as faixas de renda médias, o programa MCMV de fato promove uma ampliação da quantidade de consumidores pelas modalidades “Faixa 2” e “Faixa 3”, em que recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) são utilizados para subvencionar o comprador do imóvel. Este tem direito à securitização das mensalidades pelo Fundo Garantidor da Habitação Popular (FGHab) e, dependendo do perfil de renda, a juros menores e isenção de taxas cartoriais, o que aumenta seu acesso ao mercado residencial formal (BARAVELLI, 2014, p.121).

Gráfico 15- Distribuição de habitações do PMCMV por renda57

Fonte: Elaborado pela autora com dados do Ministério das Cidades

A seguinte passagem ilustra bem a atuação das construtoras no PMCMV, da qual a Empresa 1 também faz parte:

Se a construtora tem um terreno num bairro mais valorizado e com mais acesso a serviços e outro no fundão da periferia, o MCMV irá repassar o mesmo valor por unidade nos dois casos. Obviamente as construtoras estão destinando seus piores terrenos para habitação popular. Estimulam com isso a periferização, o crescimento da especulação imobiliária e a piora da qualidade de vida dos trabalhadores. É isso que ocorre quando o interesse privado se sobrepõe ao interesse social.

Pior ainda: mesmo com este maná, os empresários brasileiros fazem manha, querem ainda mais e chantageiam o governo, que não responde à altura. Historicamente, o capital brasileiro acostumou-se ao capitalismo sem riscos, onde o Estado deve mimá-los sempre mais. Por isso, como a lucratividade da Faixa 1 é menor que da Faixa 2 (até 3,1 mil reais), apesar de ser elevadíssima, seguram os projetos para Faixa 1. (RIBEIRO; BOULOS; SZERMETA, 2014).

Nesse contexto, o PMCMV simula uma estratégia de diminuição do déficit habitacional, enquanto na realidade amplia o mercado das construtoras numa efetiva política de desenvolvimento econômico do país. Sendo assim, nas mãos do capital imobiliário é que se estabelece a atual produção habitacional e urbana brasileira e, obviamente, com graves implicações sociais.

57 Dados referentes a 799.929 habitações entregues pelo PMCMV até maio de 2012.

24% 69% 7% Até R$ 1.600,00-FAIXA 1 Entre R$1.600,00 e R$3.100-FAIXA 2 Entre R$3.100 E R$5.000,00- FAIXA 3