8. Assessment of the data on atopic diseases in individuals born at term or mixed populations
8.4. Asthma-like symptoms: summary of the evidence
De posse do conceito de valor-trabalho, da análise do valor da mercadoria (valor de uso e valor de troca), do dinheiro como equivalente geral, da incerteza da segunda metamorfose no ciclo global de reprodução e no encadeamento das trocas decorrentes da divisão social do trabalho, Marx introduz o papel da esfera da circulação e aponta o potencial de crises resultantes da não realização de mercadorias: "a mais valia não está realizada quando da venda do produtor ao comerciante. " (MARX,1984, p. 216). Esta conceituação constitui-se no conteúdo necessário para o entendimento do comércio e da necessidade do aumento da rotação do capital mercantil, tal como ocorre na plataforma do comércio eletrônico.
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O trabalho, camuflado na mercadoria, tem duplo caráter e a diferenciação do trabalho permite a distinção do lado material e histórico social dos fenômenos econômicos.
a) Valor de uso: qualidades materiais ou virtuais da mercadoria adquiridas pelo trabalho concreto na transformação de insumos e meios de produção específicos e que a tornam capazes de satisfazer “necessidades, se elas se originam do estômago ou da fantasia, não altera nada na coisa. ” (MARX, 1983, I-1, p. 45)
“A utilidade de uma coisa faz dela um valor de uso. Essa utilidade, porém, não paira no ar. Determinada pelas propriedades do corpo da mercadoria, ela não existe sem o mesmo. O corpo da mercadoria mesmo, como ferro, trigo, diamante etc., é, portanto, um valor de uso ou bem. Esse seu caráter não depende de se a apropriação de suas propriedades úteis custa ao homem muito ou pouco trabalho. O exame dos valores de uso pressupõe sempre sua determinação quantitativa, como dúzia de relógios, vara de linho, tonelada de ferro etc. ... O valor de uso realiza-se somente no uso ou no consumo. Os valores de uso constituem o conteúdo material da riqueza, qualquer que seja a forma social desta. ” (Idem, idem I-1, p. 45).
b) Valor de troca: uma relação quantitativa entre mercadorias com diferentes valores de uso, expressando a proporção da quantidade de trabalho abstrato contido em cada uma delas.
“Na forma de sociedade a ser por nós examinada, eles [os valores de uso] constituem, ao mesmo tempo, os portadores materiais do valor de troca. O valor de troca aparece, de início, como a relação quantitativa, a proporção na qual valores de uso de uma espécie se trocam contra valores de uso de outra espécie, uma relação que muda constantemente no tempo e no espaço. O valor de troca parece, portanto, algo casual e puramente relativo; um valor de troca imanente, intrínseco à mercadoria (valeur intrensèque), portanto uma contradictio in adjecto. ” (Idem, idem, p. 46).
Na troca, o trabalho do produtor privado manifesta seu caráter social, que passa a fazer parte do consumo de outrem, e sua forma concreta do trabalho é igualada às demais formas concretas de trabalho. Em síntese, o trabalho no processo de troca passa por ponderadas reconsiderações a fim de permitir relações de equivalência.
a) O trabalho privado, através da interrelação com todas as demais formas de trabalho de diferentes especificidades, torna-se social.
b) O trabalho concreto “é o trabalho como o conhecemos na vida cotidiana. É atividade com um conjunto determinado de qualidades capaz de gerar um objeto de uso característico. ” (PRADO, ibidem, p. 2).
Para Marx, o trabalho concreto
“é um dispêndio de força humana de trabalho. Alfaiataria e tecelagem, apesar de serem atividades produtivas qualitativamente diferentes, são ambas dispêndio produtivo de cérebro, músculos, nervos, mãos etc. humanos, e nesse sentido são ambas trabalho humano”. (MARX, idem, I-I,
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c) O trabalho concreto é complexo “quando envolve um grande número de qualidades diferenciais, as quais o tornam apropriado ou à produção de valores de uso bem característicos ou ao exercício de funções bem demarcadas na produção de valores de uso. ” (PRADO, ibidem, p. 2).
d) O trabalho complexo, isento das qualificações necessárias à sua realização, transforma-se em trabalho simples. “O trabalho concreto é simples quanto ele tem poucas qualidades diferenciais e vem a ser empregado em muitas atividades sem adaptações significativas. O trabalho simples é a manifestação concreta mais próxima do trabalho abstrato. ” (Ibidem, ibidem).
e) O trabalho concreto, isento de suas especificidades, transforma-se em trabalho abstrato, trabalho humano despido de suas especificidades e considerado como simples dispêndio de energia humana mantendo uma relação de equivalência com trabalhos concretos.
“Trabalho abstrato é puro dispêndio de força humana de trabalho e, como tal, é a substância do valor. A sua existência depende de um processo social de redução que abstrai o conjunto das qualidades constitutivas do trabalho concreto, para que uma delas seja posta como quantidade”. (Ibidem. Ibidem).
De acordo com Marx,
“Deixando de lado então o valor de uso dos corpos das mercadorias, resta a elas apenas uma propriedade, que é a de serem produtos do trabalho. Entretanto, o produto do trabalho também já se transformou em nossas mãos. Se abstraímos o seu valor de uso, abstraímos também os componentes e formas corpóreas que fazem dele valor de uso. Deixa já de ser mesa ou casa ou fio ou qualquer outra coisa útil. Todas as suas qualidades sensoriais se apagaram. Também já não é o produto do trabalho do marceneiro ou do pedreiro ou do fiandeiro ou de qualquer outro trabalho produtivo determinado. Ao desaparecer o caráter útil dos produtos do trabalho, desaparece o caráter útil dos trabalhos neles representados, e desaparecem também, portanto, as diferentes formas concretas desses trabalhos, que deixam de diferenciar-se um do outro para reduzir-se em sua totalidade a igual trabalho humano, a trabalho humano abstrato. ” (MARX, idem, I-1, p. 47).
assim, “o trabalho enquanto tal é sempre atividade material e imaterial ao mesmo tempo” (Prado, Ibidem, p. 3).
Assumida a indissociabilidade entre a atividade material e imaterial do trabalho é importante ressaltar que um dos principais traços distintivos do comércio eletrônico em relação ao tradicional é seu elevado capital constante fixo, fundamentalmente constituído por sistemas de informação desenvolvidos e mantidos por trabalhadores cuja atividade principal é intelectual. Porém, como afirma Marx em texto já mencionado, “Alfaiataria e tecelagem, apesar de serem atividades produtivas qualitativamente diferentes, são ambas dispêndio
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produtivo de cérebro, músculos, nervos, mãos etc. humanos, e nesse sentido são ambas trabalho humano. ” (Idem, idem p. 51).
f) O trabalho individual, isento das condições em que é realizado nas diferentes unidades produtivas, transforma-se em trabalho socialmente necessário. Afirma Marx:
“Cada uma dessas forças de trabalho individuais é a mesma força de trabalho do homem como a outra, à medida que possui o caráter de uma força média de trabalho social, e opera como tal força de trabalho socialmente média, contanto que na produção de uma mercadoria não consuma mais que o trabalho em média necessário ou tempo de trabalho socialmente necessário. Tempo de trabalho socialmente necessário é aquele requerido para produzir um valor de uso qualquer, nas condições dadas de produção socialmente normais, e com o grau social médio de habilidade e de intensidade de trabalho. ” (Idem, idem, p. 48).
Porém, esclarece Marx, uma vez realizado, o produto deste trabalho “já se transformou em nossas mãos. ” (Idem, p.47). É, pois, no processo de troca que o trabalho individual perde suas características originais e se transforma em social, o trabalho concreto em abstrato, o trabalho qualificado em simples e o trabalho individual em socialmente necessário. Portanto, a troca de mercadorias implica uma forma de equalização quantitativa de valores. Tal equalização é realizada através do que há de comum entre os diferentes valores de uso a serem trocados, ou seja, a quantidade de trabalho abstrato embutido. De acordo com Marx,
“É, portanto, apenas o quantum de trabalho socialmente necessário ou o tempo de trabalho socialmente necessário para produção de um valor de uso o que determina a grandeza de seu valor. A mercadoria individual vale aqui apenas como exemplar médio de sua espécie. Mercadorias que contêm as mesmas quantidades de trabalho ou que podem ser produzidas no mesmo tempo de trabalho, têm, portanto, a mesma grandeza de valor. O valor de uma mercadoria está para o valor de cada uma das outras mercadorias assim como o tempo de trabalho necessário para a produção de uma está para o tempo de trabalho necessário para a produção de outra. “ (Idem,
idem p. 48).
A este processo, em que o trabalho se converte em instrumento de valorização do processo de autovalorização do capital, Marx denomina “subsunção formal do trabalho ao capital. ” (MARX, 1978, p. 55).
O modo de produção capitalista intensificou e ampliou o encadeamento de trocas entre mercadorias, implicando a intermediação das trocas por meio de uma terceira mercadoria (real ou simbólica) socialmente aceita, com a propriedade de revelar o valor de troca de qualquer mercadoria: o dinheiro, “forma adequada de manifestação do valor ou materialização de trabalho humano abstrato. ” (MARX, 1983, p. 214).
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