Todo o universo de análise para aplicação das entrevistas, teve em conta a escolha de pessoas que tenham tido recentemente contacto directo com os SIS ou que o tenham actualmente. Para a obtenção de respostas satisfatórias ao problema inicial que constitui o ponto de partida do trabalho, assume-se que o universo ou população22 em estudo
corresponde a pessoas a quem sejam atribuídas funções de trabalho na área de informações. Todas devem pertencer a uma FSS diferente, independentemente de estar ou não em comissão no SIS. Além disso devem ter bons conhecimentos do funcionamento e da relação entre as suas Unidades e os SIS, serem possuidores de uma experiência de trabalho alargada na temática de partilha de informações e de preferência que ocupem funções actuais na área das informações.
Quanto à amostra foi definida tendo em conta alguns factores, como Carmo & Ferreira (1998) afirma a possibilidade de utilizarmos a amostragem por conveniência23, pois é
permitido ao investigador nos seus estudos, aplicar as entrevistas a um grupo de pessoas ―(...) em função da conveniência da pesquisa (...)‖ (Barañano, 2004: p.91). Além disso também se optou pela amostragem orientada24 um grupo de pessoas muito específico,
com conhecimentos no tema do trabalho. A amostragem Bola de Neve também foi utilizada pela população ser ―(...) constituída por casos dificilmente encontrados‖ (Barañano, 2004: p.91). Esta ideia também apoiada pelos argumentos de outros autores, como é o caso do seguinte autor afirma que afirma ―…o critério que determina o valor da amostra passa a ser uma adequação aos objectivos da investigação.‖ Ruquoy (1997: p.103) ou ―a amostra não se constitui por acaso, mas em função de características específicas que o investigador quer pesquisar‖ (Guerra, 2010 p.43). De facto e segundo as palavras de Guerra, numa pesquisa qualitativa não é fácil a definição da amostra, ―a pesquisa qualitativa é muito maleável, o objecto evolui, a amostra pode alterar-se ao longo do percurso (...) é difícil definir uma amostra (...) (Guerra, 2010 p.43).
22
―População ou universo é o conjunto de elementos abrangidos por uma mesma definição.‖ (Carmo & Ferreira, 1998: p.123)
23
―Quando o investigador está interessado em estudar apenas determinados elementos pertencentes à população, de características bem recortadas.‖ (Carmo & Ferreira, 1998: p.200)
24
Segundo Barañano (2004: p.91) são escolhidos pessoas ―(...) especialistas na área de trabalho, e em função das características que esses elementos possuem relativamente aos objectivos da pesquisa.‖
Capítulo 4 – Metodologia da Parte Prática
Portanto neste trabalho, a amostra à qual se vai aplicar as entrevistas, é constituída por seis (6) pessoas das várias FSS que tenham assumido recentemente ou que desempenham actualmente funções na área das informações, estabelecendo contacto directo ou indirecto com os SIS, ― não se procurando nem a representatividade estatística, nem as regularidades, mas antes uma representatividade social e a diversidade dos fenómenos‖ (Guerra, 2010 p.48).
4.5 HIPÓTESES
Portanto com estas hipóteses pretende-se criar um rumo para a investigação e auxiliar a questão inicial do trabalho ―fornecendo à investigação um fio condutor particularmente eficaz que, a partir do momento em que são formuladas, substitui nessa função a questão da pesquisa, mesmo que esta deva permanecer presente‖ (Quivy, 1998: p.119 e 120), que tinha como principal objectivo, orientar a investigação para um determinado assunto. Ou seja com a formulação das hipóteses será permitido traçar um caminho mais fácil para o investigador, em que ―a organização de uma investigação em torno de hipóteses de trabalho constitui uma melhor forma de o conduzir com ordem e rigor…‖ (Quivy, 1998: p.119), com o intuito de construir os métodos a utilizar, que neste caso são as entrevistas.
Por fim e com base nos argumentos de Quivy respeitantes às hipóteses e sua finalidades, deve ter-se em conta que ―as hipóteses traduzem o espírito de descoberta que caracterizam o trabalho científico…‖ (Quivy, 1998: p.119), pelo que se passa a descrever as hipóteses formuladas neste trabalho:
H1: Verifica-se algum conflito na recolha de dados ou produção de informações. H2: As relações entre as FSS são cooperativas no contexto actual.
H3: Que procedimentos de base devem ser cumpridos na partilha de informações. H4: A partilha de informações é oportuna.
H5: Existe interesse em promover o trabalho em conjunto, entre as FSS.
H6: Existe possibilidade, no futuro, de criar uma estrutura supra para as informações.
4.6 CONCLUSÃO
―Cada investigador tende frequentemente a desenvolver o seu próprio método em função do seu objecto de investigação, dos seus objectivos, dos seus pressupostos teóricos ou de outros factores contingentes‖ (Maroy, 1997: p.117).
Foram realizadas seis (6) entrevistas, onde se pretende analisar de que forma se relacionam as FSS (ver esta relação mais específica para a relação GNR-SIS), na permuta de informações, procurar saber se a mesma é rápida e fluente, podendo-se retirar proveitos dessa partilha de informações na actuação das FSS, na prevenção e combate da criminalidade. Confrontar e comparar as relações entre todas as FSS é o objectivo, com a finalidade de retirar opiniões para um melhoramento do modelo de partilha de informações de segurança implementado, caso existam pontos que devam ser alterados no contexto actual da sociedade Portuguesa.
CAPÍTULO 5
TRABALHO DE CAMPO E RESULTADOS
5.1 INTRODUÇÃO
Depois de aplicadas as entrevistas e recolhidas todas as suas respostas, entrou-se na fase de apresentar todos os dados, esquematizados em tabelas.
Decorre daí a criação de quadros para a apresentação das respostas e respectiva análise de conteúdo, terminando por fazer uma análise a todas as respostas obtidas, de forma a comparar e sintetizar as respostas e a criar breves conclusões da investigação de campo, constituindo ―sínteses dos discursos que contêm a mensagem essencial da entrevista e são fiéis, inclusive na linguagem, aos que disseram os entrevistados‖ (Guerra, 2010: p. 73). As entrevistas serão separadas em dois grupos. Como as questões divergem procurou-se a existência da possibilidade de analisar mais precisamente as entrevistas. Apesar de terem alguns pontos comuns, na generalidade são diferentes, com o intuito de tornar o trabalho mais perceptível para o leitor, de compreender melhor o assunto em questão, como também os resultados extraídos das questões, cedidos por pessoas conhecedoras e sensibilizadas para as informações.
Sendo assim, pretende-se expor todos os resultados das seis (6) entrevistas realizadas, em que três (3) entrevistas foram presenciais e permitida a sua gravação, que foi o caso do Subintendente da PSP Alexandre Coimbra em comissão no SIS; do Major Soares da Costa, Chefe da Divisão de Contra-Informação e Segurança (Comando Geral da GNR – Comando Operacional – Direcção de Informações) e do Coordenador Superior de Investigação Criminal Unidade Nacional Contra-Terrorismo da PJ, Alfredo Esberard. As restantes três (3) entrevistas por motivos profissionais dos entrevistados, não existiu a oportunidade para serem presenciais e consequentemente, de efectuar a gravação da mesma. Pelo que as respostas foram obtidas através de e-mail, como foi o caso do Director-Geral do SIS, Antero Luís; do Inspector-Geral da ASAE, António Nunes; e do Director Nacional Adjunto do SEF, Joaquim Pedro Oliveira.
Ao longo da análise das entrevistas, apenas se pretende apresentar e frisar os pontos mais fulcrais das respostas, para criar um espaço de forma a equacionar as questões principais da investigação, no intuito de confirmar as hipóteses formuladas e chegar aos objectivos traçados, procurando uma resposta para o problema inicial deste trabalho.