2 Språkbruk i høgare utdanning og forsking
2.11 Arbeidet vidare, kunnskapsbehov og utfordringar
A afirmação do design enquanto disciplina cujas soluções prolongam o nosso corpo e (re) dimensionam o nosso espaço, tem vindo, por decorrência da sua qualidade e do seu reco- nhecimento disciplinar e cultural crescentes, a impor-se como uma certeza evolutiva em múltiplas áreas imprescindíveis à actividade humana.
A consciência dessa importância e desse papel no quotidiano social urbano parece, por isso, ter adquirido há muito uma dimensão cuja evolução tem gerado uma dinâmica cultural accionada por uma evolução de estilo conducente a novos discursos e desafios tendentes a responder a novas exigências culturais – missão atribuída a investigadores, profissionais e promotores do design.
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Essa missão, visando conferir uma dimensão urbana e cultural(izante) ao design, exige um processo cooptado de interacções, de natureza intra e extra disciplinar, que considera a cidade nas suas diferentes escalas e ecologias, de natureza física, social e ambiental, para, nessa sequência (re)definir a sua inclusão na vida urbana.
Desse desígnio, que exige a presença participante de muitos, para que se legitime a condição de cidade, o design vê-se confrontado com a efemeridade das realidades urbanas, facto que torna mais complexo o seu papel em face da ausência de referências estáveis, tidas como suporte à concepção, organização e produção de espaços e objectos geradores de cultura. São dificuldades que têm influenciado as novas formas de produção de design em espaço público, desde logo pelas suas preocupações transversais ao nível da inclusão de soluções cuja diversidade, integração, adequabilidade e finalidade possam corresponder a um amplo núcleo de necessidades e vivências das populações. Ao mesmo tempo e de acordo com Belk, referido por Faggiani (2006), alguns objectos mudam ao longo da vida, visto que a necessidade e o desejo de representação de diferentes papéis também se modifica na nossa sociedade, o que torna ainda mais complexo o papel dos profissionais que o criam e (re)produzem.
Tais preocupações levam-nos a citar Brandão (2008), dado que se enquadram na dimensão social e cultural em que as “(...) necessidades psicológicas, segurança, auto-estima, a expressão estética e comunicativa, a arte, são índices da humanização da paisagem e da inclusão, na esfera pública (...)”, correspondendo a parâmetros susceptíveis de qualificar a vida urbana, logo a cultura.
Assim, a acção dos designers, cooperantes efectivos na instauração de uma cultura do design em espaço público, têm proporcionado a possibilidade de se gerarem entendimentos à volta do seu papel e presença disciplinares, o que tem assegurado o reconhecimento do objecto para além de si próprio, ou seja, a garantia de um estatuto que aduz modos colectivos de pensar, sentir e agir – dinâmicas concomitantes com a “(…) necessidade reincidente que o ser humano tem de fruir o novo, reinventar, registar o seu tempo sobre a epiderme da sua urbe.” (Paiva, 2009, pp. 80-81).
A constatação de que o design passou a assumir-se como área múltipla de feitos e efeitos urbanos, concorreu para a ideia de que passou a instituir-se como disciplina do domínio público, em que, da cultura do design, se transitou para um outro nível que remete em síntese, para o design como cultura (Paiva, 2011), ou seja, a convicção de que o design aceite e integrado colectiva e conscientemente na vida dos cidadãos se assumiu como (re) produtor de atitudes, também elas integradoras, assumindo-se assim e cada vez mais como disciplina social e herança cultural.
A admissão dos pressupostos enunciados, sustentados nos valores da cultura em contexto público, permitirão ao design integrar outras dimensões centradas em estratégias de pro- moção e de valorização da sua importância, pela consciencialização da sua relevância no quadro evolutivo das novas realidades urbanas.
Constituem exigências que colocam novos desafios ao design contemporâneo, obrigando à conciliação de soluções alternativas que respeitem as especificidades culturais de cada lugar e
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impeçam uma estandardização56 de soluções aplicadas a todos os lugares e vivências. Como tal, legitima-se a ideia de um design de dimensão e abrangência públicas, convertido em disciplina cultural e culturalizante, de respeito pelo património e pela harmonização das vivências sociais, garantindo o reforço da sua aceitação e a promoção de níveis superiores de responsabilidade social.
Tais predisposições posicionam o design no centro da organização e satisfação das neces- sidades dos indivíduos, isolada ou colectivamente, designadamente dos modos de existir, do progresso, das suas memórias, afinal, das manifestações que ditam o desenvolvimento social – que sem renunciar à história e à natureza como referentes, contraria qualquer ideia de artificialização integral da vida.
Esta certeza, não dispensando o espaço, o objecto e o humano, reitera o design como recurso da vida urbana, nos campos da forma e da função, ou antes e conforme já dito, da pura e exclusiva fruição das coisas (in)tangíveis.
Exactamente, pelas abrangências suscitadas, o design é parte racional e emocional da vida urbana, havendo hoje a preocupação em congregar esforços que radicam na possibilidade, em muitos casos confirmada, de recuperação de uma ideia de vida comunitária há muito perdida, e que através de soluções de redesign dos objectos e espaços, se recupere a oportu- nidade de as pessoas se reencontrarem à volta de objectos concretos, como contributo para uma cidadania que valoriza a cultura social.
A dimensão pública do design coloca-o assim mais próximo de processos de conscienciali- zação e interiorização por parte do homem, suscitados pelas vivências geradoras de cultura, da qual emergem evidências da sua participação e influência no quotidiano dos indivíduos, remetendo para uma ideia de cenografia social da vida, tendo como pano de fundo os actos de uma sociedade formada e transformada para e pelos objectos da cidade contemporânea que os reclama para se comunicar a si própria.
A aptidão e o efeito desses espaços e objectos tão próximos da pedagogia e didáctica urbanas terão a capacidade de integrar cidadãos na diversidade das suas culturas e das suas preferên- cias activas em contexto. Ou seja, uma faculdade conciliatória que esses espaços e objectos garantirão no quadro das realidades sócio-urbanas e na promoção da qualificação da vida, a partir da acção que designers poderão garantir, gerando novas realidades urbanas, e logo, uma diversidade cultural de escalas e alcances diferenciados.
A dimensão e componente inclusivas do design, já referidas e associadas à democratização do acesso e utilização de espaços e objectos urbanos, constituem certezas cada vez mais pre- sentes no quotidiano das preocupações dos produtores e reprodutores do design destinado a uso público. Esta atitude, fundada nos valores da ética, converge por sua vez para uma qualificação social das relações urbanas, (inter)mediadas pela qualidade contextual aduzida pelos contributos do design e por outras áreas disciplinares coniventes com esses processos de intervenção urbana.
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Constitui uma abordagem que não pode submeter o projecto de design a princípios de exclusividade ou usurpação do espaço público, transformando-o em guetos ou núcleos pri- vados, cujo uso não reverta a favor das populações nem concorra para uma democratização cultural do território urbano. De acordo com Brandão (2002) “(…) deve ser combatida a apropriação do espaço público resultante da instalação de usos ou equipamentos, com in- tuitos económicos, eminentemente privados, altamente questionáveis por não apresentarem suficientes contrapartidas de benefício social.” (p. 39).
Na senda da criação de novas realidades sócio-urbanas é, como tal, essencial valorizar e rein- cidir na capacidade criadora como condição prévia para reinventar novos espaços e objectos de design, que, não sendo ilusórios quanto aos objectivos, possam cumprir os desígnios para os quais foram ficcionados, face à necessidade constatável de que a cidade, sendo um terri- tório de relações materiais e imateriais, está predestinada a continuar a garantir a radicação da grande massa demográfica do mundo - e como tal, a sua vocação e história há muito conhecidas, continuarão a merecer a atenção daqueles que sobre ela reflectem, e directa ou indirectamente nela intervêm.
Num mundo em que a “Ordem/desordem, tempo/espaço, certeza/incerteza, sujeito/objecto são pares constantes de um conhecimento evolutivo e assimétrico cujo único elemento cons- tante é a crescente e inalienável complexidade.” (Morin citado por Ferrara, 2002, p. 133) – importa pois olhar a cidade, os seus contextos e objectos com sentido e responsabilidade, assumi-los como seus, venerá-los, já que são capazes da qualificação da vida, e desse modo, tornar possível a consistência de uma cultura que valorize a sua humanização.
A cidade que assim se pensa e cujo contributo do design reside nas suas entrelinhas implícitas e explícitas, corresponderá certamente àquela cujas subjectividades da fruição permitirão antecipar a urbe da poética centrada nos seus actores, protagonistas de novas formas de a sentir e de a viver.
Será deste modo que poderemos reivindicar a promoção e a renovação das vocações da cidade contemporânea à luz das lógicas de reelaboração que vimos enunciando, e que remetem a dimensão urbana e cultural do design para um conceito cada vez mais ecléctico e complexo, que apela à criatividade de todos aqueles que a vivem e a reinventam.
2.3 (INTER)DISCIPLINARIDADE DO DESIGN – ética e responsabilidade A compreensão dos fenómenos em que se inscreve o design contemporâneo obriga a que o situemos no espectro alargado das suas relações e atentemos para as dinâmicas que convocam a ética e a responsabilidade resultantes da acção dos seus agentes.
O design não podendo confinar-se sobre si próprio, dando corpo a uma disciplina isolada, integra domínios que a obrigam a superar a sua própria disciplinaridade – especificidade que lhe confere uma dimensão ecléctica e o promove como espaço criativo, gerador de um conhecimento fundado na sua própria interdisciplinaridade.
A matriz e a vocação social do design coloca-o, por sua vez, no centro de outras relações disciplinares externas à sua própria intradisciplinaridade, propiciadoras de relações episte-
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mológicas conducentes à resolução de problemas, cuja solução seria inviável se assumida a fragmentação de diferentes saberes.
Baseados nos pressupostos apresentados em síntese e dando sequência às ideias expressas, considerámos a importância da reflexão sobre as afinidades entre a disciplinaridade do design e a cidade enquanto espaço interdisciplinar e para a interdisciplinaridade.
Este propósito levou à ponderação complementar sobre acções (con)fiáveis do design vi- sando o bem social, que encontra sentido na ética e na responsabilidade orientadas para a humanização do espaço público.
Tal ensejo permite concluir a sub-temática sob o lema da educação e da formação para uma cultura do design, entendida a partir de processos de desenvolvimento humano e integração social, resultantes de dinâmicas educativas e formativas institucionalizadas pela escola e pelo próprio design enquanto currículo oculto57.