2 Methods and Concepts
5.2. Appraisal of the Strategic Environment
Uma metodologia só consegue ganhar consistência se tiver a constituí-la instrumentos, técnicas, e procedimentos que a suportem, e lhe deem um conteúdo próprio. As técnicas de recolha de dados que privilegiámos neste estudo foram a entrevista e o grupo focal. Seguiremos com uma breve descrição destas técnicas apresentado uma fundamentação da sua aplicabilidade a este estudo. Analisaremos posteriormente, de forma minuciosa e sistemática, os guiões que elaborámos.
2.2.1. Técnicas aplicadas e a sua fundamentação
A seleção das técnicas utilizadas no processo de investigação constitui uma etapa que não deve ser depreciada pelo pesquisador, pois dessa decisão depende a concretização dos objetivos do trabalho que se realiza no terreno (Aires, 2011). O diálogo é um modo muito valorizado quando se pretendem conhecer as interações que se estabelecem entre os seres humanos, dado que através dele podemos conhecer as experiências, os sentimentos, e as aspirações de outras pessoas, bem como perscrutar a apreciação que fazem do mundo onde vivem. Neste estudo isso é basilar, pois só através do diálogo podemos conseguir descortinar a perceção que têm do clima moral da escola. Assim sendo, tornou-se claro que as técnicas escolhidas tinham que ter o diálogo como o meio facilitador da recolha da informação que pretendíamos obter.
Na presente investigação os dados foram recolhidos através de entrevistas semiestruturadas dirigidas aos coordenadores e coordenadoras de departamento curricular, e ainda através da realização de um grupo focal onde participaram alguns dos professores e das professoras da escola. Não pretendemos valorizar uma das técnicas em detrimento da outra, porém teremos que iniciar a exposição referindo-nos a uma em primeiro lugar. Começaremos por explorar a técnica de entrevista e em seguida passaremos a examinar a técnica do grupo focal.
2.2.1.1. Entrevista
Na abordagem qualitativa recorre-se com frequência ao uso de entrevistas como meio estabelecedor de um diálogo construtivo e com o intuito de se obterem conhecimentos sobre uma determinada realidade. Deambulando pelas teorias sobre o uso das entrevistas, deparamos com o dizer de Cohen et al. (2001) quando expõe que as entrevistas podem funcionar como fonte principal de recolha de dados numa investigação, pois “dão-nos acesso
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ao que está dentro da cabeça de alguém, tornam possível avaliar o que alguém sabe, o que alguém gosta ou não gosta, e o que alguém pensa” (Tuckman, 1972 cit. por Cohen et al., 2001, p. 268). Também Fraser e Gondim, em 2004, referem que a “entrevista é uma forma de interação social que valoriza o uso da palavra, símbolo e signo privilegiados das relações humanas, por meio da qual os atores sociais constroem e procuram dar sentido à realidade que os cerca” (Fraser & Gondim cit. por Flick, 2002, Jovechlovitch & Bauer, 2002, p.139). Ainda sobre a importância desta técnica escreve Bogdan e Biklen, em 1994, que é o instrumento que permite “recolher mais dados descritivos na linguagem do próprio sujeito” (p.134). Na mesma linha de pensamento alguns autores referem-se à entrevista como sendo uma das técnicas mais importantes quando se ambiciona conhecer direta ou indiretamente as opiniões, as crenças, os valores e os significados que as pessoas se atribuem a si próprias ou aos outros e ao mundo que os envolve (Fraser & Gondim, 2004; Aires, 2011).
Existem diferentes tipos de entrevistas, tais como: as estruturadas, que obedecem a um guião de questões preestabelecidas e que se desenvolvem seguindo uma forma padronizada e isenta de desvios; as não estruturadas, que valorizam a interação verbal e que se desenvolvem em redor de temas, sem a existência de perguntas específicas; e as semiestruturadas, que se situam numa modalidade intermédia entre os tipos anteriores (Bogdan & Biklen, 1994, Afonso, 2005). Neste estudo focaremos a nossa atenção principalmente sobre este último tipo, pois as entrevistas que realizámos com os/as coordenadores/as enquadram-se nesta tipologia. Baseamos a escolha dessa modalidade apoiando-nos em dois argumentos, primeiramente porque estamos conscientes da nossa moderada experiência como entrevistadores, e pareceu- nos à partida que este modelo seria uma mais-valia, na medida em que as questões são pré determinadas e facilitando, em nossa perspetiva, o desenvolvimento da entrevista in loco. Contudo não queríamos perder a “riqueza” que uma entrevista conduzida de forma mais aberta poderia transportar para este estudo e, para satisfazer este segundo argumento, concebemos um guião de entrevista semiestruturada (cf. Anexo 6.) que nos garantiu uma gestão mais flexível relativamente às respostas dos entrevistados, dando-nos um certo grau de liberdade na sua condução, mas não nos desviando daquilo que prescrevemos com sendo essencial na abordagem aos tópicos-alvo. No decurso das entrevistas não nos cingimos apenas às questões constantes do guião de entrevista, mas fomos introduzindo outras novas à medida que a “conversa” proporcionava novas possibilidades, como refere Santos (2007) parafraseando Fox (1987) “o guião serve como orientação para o entrevistador dos temas a tratar (…), o entrevistador não está limitado a essa lista e tem liberdade para fazer perguntas complementares (…) de modo a obter informação útil para os próprios propósitos da investigação” (p.607).
Partindo das dimensões que estávamos interessados em estudar, principiámos por apresentar um conjunto de itens temáticos, e foi nossa preocupação que esses itens fossem ao encontro das pretensões da investigação. No quadro 5. exibimos as dimensões, os itens e os tópicos que nos facilitaram a elaboração das questões para a composição do guião de entrevista. Para
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cada item exposto elaborámos algumas questões (cf. quadro 6.) que permitiram a construção do guião de entrevista semiestruturada (cf. anexo 6.). Para ser mais clara a definição das questões, estabelecemos numa fase intermédia tópicos de investigação, o que permitiu uma maior assertividade na idealização e formalização das questões.
Quadro 5.
Dimensões, itens e tópicos de investigação.
Dimensões Itens Tópicos
1. Liderança 1.1. Exercício da liderança