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An Inconvenient Truth: fire retoriske grunnegenskaper

Bukharin (1988) estuda os acontecimentos inerentes à economia mundial no tocante ao imperialismo, caracterizando-o pela existência de monopólios e pela exportação de capitais. Assim, como Hilferding (1985), pondera que o capitalismo estaria em uma fase, em seu mais elevado estado de desenvolvimento66. Portanto, o autor leva em consideração a maturidade das forças produtivas, entendendo que a economia mundial estaria ainda mais complexa e interligada.

De tal modo, a extraordinária rapidez de expansão da economia mundial, no final do século XIX e início do século XX, foi provocada pelo desenvolvimento surpreendente das forças produtivas do capitalismo internacional. Para o autor, a importância da indústria pesada define o nível de desenvolvimento econômico dos países industrializados. Isso explica o surto das forças econômicas do capitalismo mundial, encontrando sua expressão mais clara no desenvolvimento e expansão desses ramos industriais.

Esse desenvolvimento, apoiado no crescimento das forças produtivas, tem como implicação o estreitamento das relações de produção entre os diferentes países, portanto, a multiplicação e a materialização das relações capitalistas em geral, e principalmente o surgimento de novas formações econômicas, desconhecidas nas épocas anteriores do desenvolvimento capitalista.

Bukharin (1988) entende que o processo de organização da economia mundial acusa progressos que são traduzidos na formação de sindicatos industriais, cartéis e trustes internacionais. A internacionalização desses cartéis e trustes é, geralmente, financiada por bancos, provocando, consequentemente, uma internacionalização voraz do capital bancário67, que, “[...] por meio do financiamento de estabelecimentos da indústria, se

66No prefácio da obra de Bukharin (1988), Lênin entende que é de extrema importância levar em consideração

a transformação do feudalismo para o capitalismo e seu prolongamento das tendências mais profundas e mais essenciais. Entre elas Lênin, destaca o desenvolvimento das trocas, do crescimento da grande produção, internacionalização das relações econômicas, a condução a partir da grande produção a substituição da livre concorrência pelos monopólios, assim, o típico dessa época já não são mais empresas que se entregam à livre concorrência, no interior de cada país e em diferentes países. O soberano passavam a ser os sindicatos de empresários, trustes, detentores de monopólios, crescimento do capital financeiro – móvel, flexível, não possui vinculo direto com a produção, concentrador -, que se amanharam no interior de cada país e no plano internacional.

67O autor destaca a importância que os grandes bancos desempenham no financiamento das empresas

transforma em capital industrial e constitui, assim, uma categoria especial de capital financeiro” (BUKHARIN, 1988, p. 51).

Na segunda parte do livro, o autor descreve o caráter específico do capitalismo da época e a formação dos trustes capitalistas de Estado, entendendo que sua estrutura econômica está ligada a uma política imperialista. Bukhararin (1988) procura sustentar que o imperialismo é produto do capitalismo financeiro. Para o avanço desses trustes capitalistas de Estado, Bukhararin (1988) relaciona três objetivos que entende serem essenciais da política de conquista dos Estados capitalistas contemporâneos: posse dos escoadouros de mercadorias, dos mercados de matérias-primas e das esferas de investimento de capital. Esses objetivos conduziriam o novo desenvolvimento do capitalismo e sua transformação em capital financeiro, refletindo aspectos do conflito entre o desenvolvimento das forças produtivas e a limitação nacional da organização da produção.

Bukhararin (1988, p. 97) cita a definição de Hilferding dos objetivos essenciais da política moderna: “A política do capital financeiro”, escreve ele, possui tríplice objetivo, primeiramente, a criação de um território econômico tão vasto quanto possível, em segundo lugar, a proteção desse território contra a concorrência estrangeira, através de barreiras aduaneiras, e, por fim, sua mutação em um ambiente de exploração para os monopólios do país. Bukhararin (1988) completa e explica o mecanismo de cada um desses objetivos:

A expansão do território econômico entrega aos cartéis nacionais regiões agrárias e, por conseguinte, mercados de matérias-primas, e aumenta os mercados e a esfera de investimento do capital. A política aduaneira permite esmagar a concorrência estrangeira, obter mais-valia e pôr em movimento o aríete do dumping. Todo o conjunto do sistema contribui para o aumento da taxa de lucro dos monopólios. Ora, essa política do capital financeiro é o imperialismo (BUKHARIN, 1988, p. 98).

Portanto, com o desenvolvimento da economia mundial, seriam estendidas as relações entre os países, sendo apreendidas como complementariedade da produção e, ao mesmo tempo, como concorrências entre os produtores. Neste sentido, a economia nacional torna-se um grande truste combinado e fazem parte deste os grupos financeiros e o Estado, por isso, o termo “trustes capitalistas de Estado”. Acrescenta-se a isso que o imperialismo, implica métodos violentos, pois a ampliação do território nacional é a guerra,

deste modo, o elemento que o autor entende ser determinante é o fato de a guerra ser a expressão da política do capital financeiro.

De acordo com Bukharin (1988), o período imperialista é marcado pela luta intensificada por parte dos trustes capitalistas de Estado, em que o poder militar do Estado, sua "Machtpolitik", adquire enorme importância. Outra marca dessa época, segundo o autor, é a importância sem precedentes do poder do Estado na vida "interna" dos povos. É nesse exato momento que a ação do poder do Estado é voltada para "matar e destruir" os povos para o bem dos assuntos de negócios das classes dominantes. A orientação para os interesses de classe do proletariado internacional foi substituída por uma orientação para os interesses do Estado imperialista (BUKHARIN, 1982). Em uma passagem importante, o autor indica os elementos principais do seu pensamento em que o poder e a grande produção desses grandes magnatas estão vinculados aos bancos, sua concorrência está relacionada à concorrência entre os Estados nacionais e, em especial, nas transformações do capitalismo em imperialismo e seus efeitos no conjunto do sistema.

Conforme Bukhararin (1988), qualquer política das classes dominantes tem uma função claramente definida. Assim, desenvolvendo-se no terreno de um modo de produção dado, ela serve de instrumento para a reprodução simples e ampliada de determinado tipo de relação de produção, ou seja, na política do capital financeiro reproduz, em medida ampliada, a base de produção do capital financeiro. Assim, “[...] o imperialismo é uma política de conquista. No entanto nem toda a política de conquista é imperialismo” (BUKHARIN, 1988, p. 107). Além disso, conforme dito, no imperialismo, estão relatadas as relações de produção em que essa política de conquista se reproduz. O desenvolvimento da concorrência faz com que o desenvolvimento contínuo da concorrência entre unidades econômicas menos importantes agrave a concorrência entre as grandes unidades. Esse processo é acompanhado de modificações inusitadas de luta.

Segundo Bukharin (1988), o capital financeiro fundiu a quase totalidade de suas mudanças em uma ‘única massa reacionária’, agrupada em grande número de organizações centralizadas. Por outro lado, as tendências ‘democráticas’ e liberais cedem lugar à tendência monárquica, claramente expressa no imperialismo moderno, que tem a maior necessidade de uma ditadura do Estado. Em certa medida, o parlamento é entendido, pelo autor, apenas como um cenário onde se fazem aplicar as decisões previamente elaboradas nas organizações patronais e onde a vontade coletiva do conjunto da burguesia organizada

vai buscar apenas sua consagração formal. Assim, para o autor, a tendência é o chamado “truste nacional”, proveniente da integração dos interesses industriais e bancários com o poder do Estado - esse é o imperialismo.