A presente categoria refere-se às actividades desenvolvidas no âmbito das três novas áreas curriculares não disciplinares e é constituída por três subcategorias, uma por cada nova área curricular, que, em conjunto, compreendem 92 unidades de sentido.
A subcategoria mais expressiva diz respeito ao Estudo Acompanhado e é constituída por oito indicadores, correspondentes a 52 unidades de sentido, que perfazem 56,5% do total da categoria (Quadro XVIII-A).
De entre os três indicadores que suplantam a média, quer da categoria (X =6,6),
quer da subcategoria (X =6,5), há um que se destaca: “são actividades de apoio
individual para os alunos”, com 18 unidades de sentido (19,6%), provenientes do discurso de 8 entrevistadas (53,3%), do qual foi retirado o seguinte excerto:
(...) [No Estudo Acompanhado] Há um aluno que precisa... há um aluno que não sabe fazer as contas e a
pessoa tem que trabalhar mais um bocadinho com ele para aprender as contas... há um que lê pior, e a pessoa tem que dar mais atenção à letra daquele aluno... (...) (E2)
Os outros dois indicadores, respeitantes a 4 entrevistadas (26,7%), cada um: “trabalhos de consulta de dicionários”, configurado por 8 unidades de sentido (8,7%), e “aprendem coisas que já aprendiam noutras áreas, mas de forma diferente”, com uma frequência de f=7, são expressos através de afirmações como as que se seguem:
(...) Em vez de consultarmos os dicionários na aula de Língua Portuguesa e estarmos ali a ensinar tudo
assim e assim... temos aquele espaço, onde eles vão aprender a consultar os dicionários (...) (B1)
(...)[No Estudo Acompanhado] Estão a aprender coisas que eles dizem que são diferentes... (...) eram
integradas noutras cadeiras... mas não era aquilo... (...) (B1) Quadro XVIII - A
Envolvimento na reorganização curricular
Actividades desenvolvidas nas novas áreas não disciplinares – Estudo Acompanhado Actividades desenvolvidas nas novas áreas não disciplinares
- Estudo Acompanhado - A B C D E Total 1* % Total 2** %
“São actividades de apoio individual para os alunos” 4 1 3 2 8 18 19,6 8 53,3
“Trabalhos de consulta de dicionários” 1 4 2 1 8 8,7 4 26,7
“Aprendem coisas que já aprendiam noutras áreas, mas de forma diferente” 2 1 1 3 7 7,6 4 26,7
“Trabalhos de pesquisa” 5 1 6 6,5 3 20,0
“Trabalho aspectos relacionados com a análise de textos” 2 2 1 5 5,4 3 20,0
“Preocupo-me com a organização dos materiais que utilizam” 4 4 4,3 3 20,0
“Procuro que utilizem materiais, relacionados com a área da Matemática” 2 1 3 3,3 2 13,3
“Procuro que saibam adaptar-se a novas situações” 1 1 1,1 1 6,7
Total 14 10 5 10 13 52 56,5 --- ---
*Total 1 - número de respostas dadas (respostas múltiplas); **Total 2 - número de respondentes. N= 15 X = 6,5 (unidades de sentido); ( da categoria = 92; X = 6,6).
De entre os restantes indicadores, situados já abaixo da média, refiram-se três recolhidos em a 3 entrevistas (20%), cada um: “trabalhos de pesquisa”, com 6 unidades de sentido (6,5%); “trabalho aspectos relacionados com a análise de textos”, com uma frequência de f=5 (5,4%); e “preocupo-me com a organização dos materiais que utilizam”, configurado por 4 unidades de sentido (4,3%).
Os dois indicadores menos referenciados são: “procuro que utilizem materiais, relacionados com a área da Matemática”, com uma frequência de f=3 (3,3%), relativa a 2 respondentes (13,3%) e “procuro que saibam adaptar-se a novas situações”, com apenas 1 unidade de sentido (1,1%), de 1 entrevista (6,7%). Explicitam o seu sentido e significados os excertos que a seguir se transcrevem:
(...) Para além da organização do caderno, a utilização de outros materiais que eles não estavam
habituados, como o compasso, como a régua, como o esquadro... (...) (A2)
(...) Para que eles usem as coisas e saibam usar e saibam utilizá-las em outras... adaptá-las em outras
Quanto às etapas da carreira, os indicadores já evidenciados reafirmam, de novo, a sua importância. Assim, “são actividades de apoio individual para os alunos” está presente, embora com oscilação de valores, em todas as etapas; “trabalhos de consulta de dicionários” e “aprendem coisas que já aprendiam noutras áreas, mas de forma diferente” figuram em quatro etapas cada um, e “trabalho aspectos relacionados com a análise de textos” em apenas três etapas. Os outros indicadores apenas contemplam uma ou duas etapas, o que lhes confere uma menor importância.
As etapas que se situam nos extremos da carreira são as que apresentam mais elevadas frequências, o que aproxima, neste campo, as perspectivas das professoras em início de carreira das que já aspirarão pela aposentação.
A segunda subcategoria, respeitante à Formação Cívica, apresenta 3 indicadores, que englobam 32 unidades de sentido, ou seja, 34,8% da categoria (Quadro XVIII-B).
O único indicador que se situa acima da média da categoria (X =6,6) e também da
subcategoria (X =10,7) é: “relaciona-se com a conduta humana”, que corresponde a 25
unidades de sentido (27,2%), relativas às narrativas de 10 das entrevistadas (66,7%), de uma das quais foi extraída esta passagem:
(...) Às vezes, quando eles fazem determinada asneira... falamos logo... das atitudes que não deviam ter e
aproveitamos para dar uma aula de Educação Cívica... (...) (E3) Quadro XVIII - B
Envolvimento na reorganização curricular
Actividades desenvolvidas nas novas áreas não disciplinares – Formação Cívica Actividades desenvolvidas nas novas áreas não disciplinares
- Formação Cívica - A B C D E Total 1* % Total 2** %
“Relaciona-se com a conduta humana” 5 5 1 10 4 25 27,2 10 66,7
“Faço Assembleias de Turma” 1 1 1 2 5 5,4 4 26,7
“Serve para se ouvirem uns aos outros” 1 1 2 2,2 2 13,3
Total 7 6 2 13 4 32 34,8 --- ---
*Total 1 - número de respostas dadas (respostas múltiplas); **Total 2 - número de respondentes. N= 15 X = 10,7 (unidades de sentido); ( da categoria = 92; X = 6,6).
Dos outros dois indicadores: “faço Assembleias de Turma”, com uma frequência de f=5 (5,4%), relativa a 4 respondentes (26,7%), e “serve para se ouvirem uns aos outros”,
comportando 2 unidades de sentido (2,2%), devidas a 2 das entrevistadas (13,3%), dão testemunho as seguintes afirmações:
(...) Em relação à Formação Cívica, fazemos a Assembleia de Turma... (...) (B1) (...) [Na Formação cívica] pelo menos eles ouvem-se uns aos outros...(...) (A1)
Quanto à relevância destes indicadores, no âmbito do desenvolvimento da carreira, “relaciona-se com a conduta humana” reafirma a sua importância, dado que figura em todas as etapas.
O indicador “faço Assembleias de Turma”, embora apresente uma frequência muito diminuta em relação ao anterior, está presente nas quatro primeiras etapas da carreira, o que contribui para evidenciar a sua importância, porventura como consequência da orientação seguida pela formação de professores nos últimos vinte anos.
O outro indicador: “serve para se ouvirem uns aos outros” apenas se encontra presente em duas etapas.
A última das subcategorias das “actividades desenvolvidas nas novas áreas não disciplinares” respeita à “Área de Projecto”. É a menos expressiva, na medida em que os seus três indicadores englobam somente 8 unidades de sentido, que correspondem a 8,7% desta categoria (Quadro XVIII-C).
Quadro XVIII - C
Envolvimento na reorganização curricular
Actividades desenvolvidas nas novas áreas não disciplinares – Área de Projecto Actividades desenvolvidas nas novas áreas não disciplinares
- Área de Projecto - A B C D E Total 1* % Total 2** %
“Ainda não tenho nada pensado” 2 1 3 3,3 3 20,0
“Estamos a ver como é que vamos desenvolver esta área” 1 2 3 3,3 2 13,3
“Vamos fazer projectos a definir pelos alunos” 2 2 2,2 1 6,7
Total 3 0 0 5 0 8 8,7 --- ---
*Total 1 - número de respostas dadas (respostas múltiplas); **Total 2 - número de respondentes. N= 15 X = 2,7 (unidades de sentido); ( da categoria = 92; X = 6,6).
O discurso das entrevistadas em relação à Área de Projecto foi bastante parco e os indicadores mais relevantes desta subcategoria são: “ainda não tenho nada pensado”, relativo a 3 respondentes (20%), e “estamos a ver como é que vamos desenvolver esta
área”, respeitante a 2 entrevistadas (13,3%), os quais detêm 3 unidades de sentido (3,3%), uma das quais é:
(...) É uma das coisas que temos estado a debater bastante, o que é vamos fazer a nível de uma Área de
Projecto. Será um projecto a elaborar e a levar a cabo...? Serão vários projectos possíveis...? (...) (A2)
O único indicador que referencia um aspecto mais concreto, relativamente à participação dos alunos, é: “vamos fazer projectos a definir pelos alunos”, que se deve apenas a 1 das entrevistadas (6,7%), com 2 unidades de sentido (2,2%), uma das quais é assim expressa:
(...) Os meninos lá fazem os projectos que eles querem... (D3)
No que concerne à distribuição das unidades de sentido, ao longo do percurso da carreira, julgamos ser de realçar o facto das únicas etapas contempladas serem a A e a D, com destaque para esta última, circunstância já verificada na subcategoria anterior, o que não deixa de ser interessante, dado representarem os extremos da vida profissional docente.