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As entrevistas semi-estruturadas foram realizadas com três professores da turma de quinta série, que conta com alunos egressos da quarta série pluridocente. Tiveram como objetivo averiguar os efeitos desta antecipação na adaptação dos alunos ao novo panorama. A entrevista seguiu um roteiro que contemplou as seguintes questões: qual a visão do professor

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em relação à quinta série que cursou a quarta série pluridocente? Como o professor classifica os alunos em relação: à aprendizagem, compromisso educacional e ao relacionamento interpessoal com os professores e com os colegas, como percebe a antecipação da pluridocência para a quarta série, e quais efeitos positivos e negativos identificados.

Quadro 02 - Caracterização dos Professores da quinta série pluridocente

Professor E F G

Sexo Feminino Masculino Masculino

Formação Letras /especialização em

português e francês

Geografia Biologia e

biomedicina

Tempo de magistério 30 anos Sete anos Quinze anos

Séries em que leciona no presente ano:

Quinta a sétima séries Quinta série ao ensino médio

Quinta a oitava série

Tempo de atuação na escola: Dez anos Seis anos Quatro anos

Disciplina que ministra Português redação Geografia Biologia

A primeira questão buscou conhecer a visão do professor sobre a quinta série de forma geral não levando em conta a questão da antecipação pluridocente. As respostas encontradas caracterizam um panorama bem típico de quintas séries apontadas por autores como Pinto (2001), Dias da Silva (1997) e Rangel (2001).

Segundo os professores a quinta série é um desafio, pois se trata de uma turma extremamente trabalhosa. Relatam que os alunos chegam à quinta série totalmente sem saber como se comportar em uma aula de 50 minutos, nos quais têm de assimilar informações em curso espaço de tempo e onde os professores trabalham além do conteúdo, responsabilidade e disciplina. Prati (2005) ressalta que o despreparo do aluno em lidar com novos desafios, responsabilidades e exigências acadêmicas da quinta série não é decorrente da falta de base, mas sim da descontinuidade curricular.

O professor F destaca ainda a dependência dos alunos em relação ao professor como fator negativo: Os alunos querem tudo mastigado e chamam o professor a todo momento . Aponta a indisciplina como conseqüência da pouca maturidade dos alunos e acrescenta que os mesmos têm dificuldade com a organização das atividades e do material fato apontado pelos

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próprios alunos da quinta série no grupo focal. A imaturidade, a desorganização e a dependência do adulto são características também apontadas pelos professores na pesquisa realizada por Pinto (2001). Segundo Hauser (2007), esta dependência está relacionada à necessidade de aprovação do aluno em relação ao professor, pois na quinta série as instruções são dadas de forma generalizada, diferentemente da quarta série, quando existia um atendimento mais individualizado.

Para o professor G, A resposta da turma nas atividades é imediata, pois os alunos são abertos às propostas . Os alunos de quinta série são mais receptivos e comprometidos em relação às atividades propostas que os alunos das séries seguintes. Esta característica é destacada por Brown (2001) e por Aldeia (2007), que afirmam que o pré-adolescente tem um tempo de concentração mais longo, é simpático, tranqüilo e amigável.

Quanto a alguma característica especial nesta turma de quinta série que cursou a quarta série pluridocente, os efeitos observados pelos três professores nesta turma de quinta série foram de caráter positivo, dos quais se podem destacar os seguintes efeitos como mais relevantes: o principal ponto positivo destes alunos seria a facilidade em se adaptarem a esse modelo de organização. Segundo o professor F , é possível fazer essa medição, usando-os como termômetro em relação aos outros alunos que não passaram pelo mesmo processo. Estes alunos são mais maduros, independentes e demonstram maior compromisso educacional, domínio de conteúdo, participam de debates com tranqüilidade e coerência e a redação é mais elaborada.

Erikson (1968) aponta que a criança que aprendeu a ser independente e a ter iniciativa no inicio de sua vida, será uma criança competente na escola. Esta postura madura dos alunos, também observada nos grupos focais, segundo Freire (1996) é decorrente do papel mediador do professor que incentiva o aluno a partir de suas experiências e a ter autonomia e responsabilidade, característica observada pelas professoras da quarta série.

Eles lidam com tranqüilidade com as várias mudanças de professores com metodologias diferentes, considero excelente. Professor F .

O aspecto relacionamento com os professores foi considerado bom, pois o aluno é mais entrosado com os professores, mais aberto, autônomo e não solicita constantemente o

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professor. Segundo Silva e Giordani (2006), para haver aprendizagem é preciso que haja interação professor-aluno e que a aprendizagem e interação sejam complementares entre si. Este aluno está mais auto-suficiente e relaciona-se melhor com os professores (professor G ).

No aspecto relacionamento com os colegas, os professores ressaltam que a qualidade deste relacionamento independe do processo de antecipação da pluridocência. Segundo o professor F , este relacionamento é característico de turmas que já convivem mutuamente nos anos anteriores.

A professora E comenta que sob o aspecto aprendizagem e compromisso educacional, o aluno que vivenciou a quarta série pluridocente presta mais atenção às explicações e deixa de ser tão dependente, percebe que tem que trabalhar mais sozinho e mais rápido: Tem aluno que quer que o professor faça tudo para ele, acham que eu não estou fazendo a minha parte, querem que eu escreva a resposta, ele tem que achar a sua resposta. Este aluno é justamente o que está acostumado com um só professor . Delors (1998) ressaltam que estimular o aluno a aprender a conhecer é fator determinante para que o mesmo possa trabalhar com mais autonomia e, conseqüentemente, também aprenda a fazer.

Na última questão os professores manifestam suas percepções em relação à antecipação da pluridocência para a quarta série, e apontam quais os efeitos positivos e negativos que identificam. Segundo eles, a antecipação da pluridocência é importante, pois ameniza um dos impactos da passagem de quarta para a quinta série, que é estudar varias disciplinas com professores diferentes. Segundo o Relatório Nacional de Avaliação de Educação para Todos EFA (2000), um dos fatores que contribuem para que a quinta série tenha alto índice de reprovações é a pluridocência vivida pelos alunos da quinta série.

Os professores ressaltam que os alunos que passam por este processo percebem a quinta série de uma forma não tão assustadora, chegam mais maduros, adaptam-se mais rápido sem o temor característico e acabam ajudando aqueles que não tiveram a experiência da pluridocência. A professora E afirma Sou muito a favor da pluridocência, só traz benefícios, deixa o aluno independente mais cedo, mais participativo, mais comunicativo e mais sociável .

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Segundo o professor F mesmo tendo vivenciado a pluridocência na quarta série os alunos sentem o impacto da transição, pois encontram outras dificuldades, como o maior número de disciplinas mais exigência por parte dos professores, sem falar nas mudanças biológicas e psicológicas do pré-adolescente. A afirmação do professor está em concordância com vários pesquisadores como Vygotsky (2002), Madruga, Aberastury e Brown que caracterizam a pré-adolescência como um período de transição, confusão, autoconsciência, crescimento, e mudanças no corpo e na mente.

O professor F ainda aponta como aspecto negativo, a antecipação do choque (da terceira para a quarta série), mas ressalta que neste panorama a pluridocência é mais tranqüila, pois o número de professores é menor e os mesmos são preparados para o processo. Porém sugere que para o maior sucesso do processo de transição deveria ocorrer uma melhor comunicação entre as coordenações e os componentes curriculares com o objetivo de trocar experiências e preparar os professores, procurando outras formas para amenizar os impactos. Segundo Casassus direção, docentes e alunos atuantes nas atividades pedagógicas, são agentes das interações intersubjetivas orientadas para produzir aprendizagens. Hauser (2007) no capitulo sobre professores destaca que a partir da quinta série, é comum a ausência de um trabalho coletivo, evidenciada pela falta de integração entre as disciplinas e programas escolares. Esta falta de comunicação entre os componentes curriculares também foi ressaltado pelos professores de quarta série e pelos alunos, representando ser de fato um ponto negativo do processo.

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