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UTREDNINGSOMRÅDET

5.2 Vurdering av enkelte inngrep

Como já foi referenciado, a emergência da Sociedade do Conhecimento e da informação no mundo actual tem produzido profundos efeitos no tecido social, fazendo-se sentir fortemente no mundo da educação e formação. A convergência entre os diferentes modos de aprender e os de produzir, potenciam o desenvolvimento de competências que proporcionem uma justa adequação dos indivíduos aos diferentes contextos sociais, em particular, ao mundo do trabalho.

Face à multiplicidade de fontes e formas de aprendizagem, as instituições formais tradicionais175 não são mais o espaço exclusivo de educação e formação, dando lugar a outros contextos espácio-temporais de aprendizagem. Um dos conceitos que proliferou foi o de auto- aprendizagem, muito comum nos países industrializados. A aprendizagem é, deste modo, percepcionada como uma actividade inteiramente privada, tanto por formadores como por aprendentes e a instituição educativa.

Na sociedade do conhecimento, as tecnologias de informação e comunicação (TIC), consideradas como ferramentas essenciais para o desenvolvimento, constituem um recurso

174 A esta finalidade está subjacente o conceito de racionalidade instrumental ou estratégica. As teorias da educação, assentes nesta finalidade, pressupõem um tipo específico de ideal de rendimento e uma concepção implícita ou explícita de qualidade. No contexto actual, em que impera a lógica da competição no mercado, há uma grande preocupação com os resultados finais, isto é, a produtividade e a rentabilidade. No caso dos aprendentes adultos, a pré-condição reside na capacidade de adaptar-se às demandas da sociedade hodierna.

175 A instituição educativa tradicional perde o seu lugar central como fonte de orientação dos sujeitos/grupos no que concerne aos seus percursos biográficos e identificação cultural.

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fundamental para a aquisição do conhecimento num plano individual176. A sua incorporação nos diferentes contextos educativos tornou-se num diferencial de competitividade, promovendo, simultaneamente, um défice de socialização e de transmissão de valores, crenças e modelos culturais de coesão social. A propósito das novas tecnologias, Habermas (2002) entende que estas se tornarão numa forma de controlo e de condicionamento do comportamento humano, potenciando o desenvolvimento de situações de desigualdade social e desemprego, uma vez que nem todos têm acesso a estes meios de comunicação. Num outro âmbito, a dependência da do sistema educativo às TIC coloca-o à mercê do mercado de trabalho, orientando os adultos para uma lógica de aprendizagem contínua para o emprego imediato. De acordo com Fernandes e Tomaz (2002),

“O capitalismo cibernético/digital veio ampliar a criação do ensino lucrativo, permitindo, inclusivamente, a substituição das aulas e dos livros escolares por cursos leccionados na internet ou através de vídeo-conferência” (p. 64).

Esta aprendizagem ajusta-se ao contexto económico e social cada vez mais individualizado, onde as ofertas e abordagens de educação de adultos promovem essencialmente competências comercializáveis para um mercado de emprego cada vez mais competitivo. A acessibilidade a carreiras/postos de trabalho está fortemente dependente do conhecimento e competências que se pode oferecer, acessíveis ao adulto como potencial consumidor, sendo a posição no mercado de emprego altamente determinante do estatuto social (o qual está estritamente ligado ao número de qualificações académicas e de formação profissional conseguidas ao longo da vida). Estas qualificações incorporam a racionalidade que se ajusta ao mundo do trabalho e das profissões. O desenvolvimento do país assenta, fundamentalmente, no equilíbrio dinâmico entre a oferta e a procura de competências, sendo a sua aquisição e rentabilização imprescindíveis para o mercado de trabalho e incremento do tecido económico.

O indivíduo, como cliente e consumidor177, passa, na sociedade do conhecimento, a ser protagonista nas escolhas178 que efectua no campo da aprendizagem, facultadas pelo Estado ou outras instituições privadas ou semi-privadas, segundo as suas necessidades e capacidades, maximizando os

176 O deficit no contexto digital remete os indivíduos para a exclusão na sociedade da informação (info-exclusão), o que acarreta riscos para o indivíduo, visto que o conhecimento adquire um valor económico.

177 De acordo com Apple (2003), A ideia de consumidor é crucial. Para os neoliberais, o mundo é, em essência, um grande supermercado. A escolha do consumidor é o garante de democracia. Com efeito, a educação é vista como mais um produto, tal como o pão, os carros, a TV (p. 226).

178 Muitas destas escolhas estão de acordo com padrões que podem, erroneamente, guiar os indivíduos para caminhos espinhosos de difícil saída.

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seus benefícios, procurando obter “vantagens competitivas” de modo a garantir a sua adaptação às mudanças contínuas que se operam na sociedade actual. Segundo Freire (2007),

“(…) só há uma saída para a prática educativa: adaptar o educando a esta realidade que não pode ser mudada. O de que se precisa, por isso mesmo, é o treino técnico indispensável à adaptação do educando, à sua sobrevivência” (p. 20).

Os espaços designados para a “aquisição educativa” são entendidos como “supermercados”, ou seja, espaços comerciais onde o “consumidor” tem acesso a escolhas diversas, de acordo com os seus interesses, que estão subjacentes aos interesses do mercado, e cujo objectivo é promover a sua própria eficiência e eficácia, isto é, adquirindo o máximo possível de competências que o qualifiquem como “homo competens”.

Por outro lado, todo o investimento feito na escola tem efeitos retroactivos económicos, transformando-a numa estrutura de prestação de serviços para o emprego (Barbosa, 2007: 106). Criticando este ponto de vista, Freire (2007) refere que:

“A educação não pode orientar-se pelo paradigma da empresa que dá ênfase apenas à eficiência. Este paradigma ignora o ser humano. Para este paradigma, o ser humano funciona como puro agente económico, um “fator humano”” (p. 29).

O consumismo, em detrimento da produção na educação, nega qualquer acção transformadora. Contrariamente ao ideal preconizado por Freire, a democracia transforma-se em práticas de consumo e o cidadão ideal é um comprador, não um trabalhador. Deste modo, a democracia transforma-se num conceito económico, onde os indivíduos procuram satisfazer o seu ego, numa luta incessante pela causa pessoal.

Perante uma nova orientação e finalidade educativa, Barbosa (2007) comenta: “Ao privilegiar esta orientação mercantilista e utilitarista, a escola que chegou até aos nossos dias acabou por secundarizar a socialização política dos indivíduos nos valores e princípios da cidadania activa, crítica e reflexiva, deixando campo aberto à mercadorização da educação e ao “consumo da escola”” (…) (p. 107).

A submissão da educação à disciplina do mercado competitivo transforma os sujeitos em consumidores compulsivos de bens ou produtos179 cuja finalidade é a obtenção de diplomas ou credenciais que lhes permitam posicionar-se melhor no mundo económico e social, desvalorizando a formação integral do cidadão.

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A educação de adultos neste novo processo está fortemente vinculada a um contexto cada vez mais privado e pessoal. Segundo Finger e Asún (2003),

“A educação de adultos alimenta, assim e cada vez mais, objectivos individuais, quer no que respeita à auto-realização, quer no que toca às competências de sobrevivência prática perante a complexidade da vida diária” (p. 112).

No contexto educativo/formativo, o papel do formador é minimizado face ao protagonismo do sujeito que procura o conhecimento, a quem se atribui toda a responsabilidade na aquisição, assim como dos riscos aportados pelas suas próprias opções.

A sociedade actual procura, assim, encorajar o adulto para valorizar o seu lado individual em todas as suas dimensões, potenciando a sua criatividade e adaptabilidade às mudanças que se operam no mundo contemporâneo. A sua adaptação traduz-se na constante recriação de si próprio, através das experiências que lhe vão surgindo, que vão modelando a sua identidade. Por outro lado, o extremismo do individualismo transforma o indivíduo num ser associal, limitando a sua expressão de cidadania. Torres (2005) subscreve a teoria de que o interesse individual está patente na cosmovisão neoliberal, orientando os sujeitos para um processo de ruptura com a comunidade e distanciamento do espaço geográfico sobre o qual assenta a sua vida, tornando impossível a prática da cidadania, a participação e acção políticas (p. 5).

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