UTREDNINGSOMRÅDET
7. FORSKRIFTER
7.4 Virksomhet og tiltak
Com vista a um estudo feito com a maior fundamentação e solidez possíveis, foram utilizados, como já referimos, vários recursos técnicos essenciais para a recolha e tratamento da informação obtida. Entre eles, salientamos a entrevista188, o inquérito189, a observação directa não participante e análise de conteúdo190 dos diferentes documentos que se foram reunindo ao longo das sessões.
4.1. Análise de conteúdo
Durante todo o processo foram-nos facultados variados documentos191 de análise, respectivamente, fichas de trabalhos utilizados ao longo das sessões, trabalhos escritos produzidos pelos formandos e reflexões feitas para o PRA (fontes primárias), com a autorização dos mesmos,
187 Estas conversas vinham a propósito de alguma actividade realizada em diversas sessões, e tinham o objectivo de recolher opiniões ou perspectivas críticas face às metodologias utilizadas ou domínios de referência. Todas as gravações eram feitas após autorização dos respectivos formandos.
188 A entrevista é um dos métodos muito usados na investigação qualitativa. A sua escolha como método de investigação depende da natureza da recolha de dados, dos recursos disponíveis e a fase em que se encontra a investigação. Deste modo, o investigador, dependendo do seu objecto de estudo, pode recorrer a vários tipos de entrevistas e informantes mais ou menos especializados no sentido de procurar pistas para a formulação do seu problema de partida e ou resposta para as questões que constituem o enfoque da sua investigação.
189 Um questionário é um instrumento rigorosamente estandardizado tanto no texto das questões, como na sua ordem.
(Ghiglione e Matalon, 1998: 110)
190 A análise de conteúdo é considerada a fase mais formal do trabalho do pesquisador. Os conteúdos obtidos devem, então, ser categorizados sem, contudo, perder de vista a relação desses elementos com todos os outros componentes (Lüdke e Marli, 2007: 48).
191 Segundo Lüdke e Marli (2007), os documentos podem consistir em quaisquer materiais escritos que possam ser usados como fonte de informação sobre o comportamento humano (p. 38) tendo em vista a procura de evidências factuais potencialmente úteis para dar resposta às questões colocadas. Estes documentos podem ser úteis para o investigador porque complementam outras técnicas de recolha de dados.
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através dos quais recolhemos informações relativas às aprendizagens dos formandos, a sua reflexão crítica e o impacto que determinadas aprendizagens terão na sua vida futura.
4.2. Entrevista
Este método de recolha de dados permitiu-nos conhecer um pouco mais os formadores, particularmente, alguns dados biográficos, a sua área de formação, o seu conhecimento e experiência no campo da educação de adultos, assim como expectativas face ao curso que estavam a encetar. Deste modo podíamos dar início a todo o processo de investigação, uma vez que as informações obtidas seriam fundamentais para tirar conclusões relativamente às nossas questões centrais de investigação.
Após um breve contacto social com os formadores, as entrevistas192 tiveram lugar em espaços informais, no local de trabalho, nomeadamente, na sala de professores e numa sala de trabalho, de acordo com a disponibilidade dos formadores, dentro de um horário calmo, em que os formadores pudessem estar à vontade e falar sem serem incomodados por outras pessoas que, eventualmente, viessem a partilhar o mesmo espaço. Em virtude das entrevistas conterem questões algo problematizadoras para os formadores, a informalidade do espaço permitiu-lhes encarar as questões com alguma naturalidade, e responderem sem constrangimentos.
Inicialmente foram realizadas cinco entrevistas, que apresentam uma forma estruturada193, tendo sido elaborado um guião para o efeito, a três formadoras e dois formadores. No entanto, a rescisão do contrato de uma formadora após dois meses de trabalho, potenciou a vinda de uma outra formadora, a qual foi posteriormente entrevistada, sendo a sua entrevista anexada às outras.
As entrevistas foram audiogravadas com a autorização dos formadores e posteriormente transcritas. Estas foram utilizadas tendo em vista uma análise do seu conteúdo temático, tendo sido assegurados todos os critérios éticos e deontológicos.
Relativamente à organização da entrevista, esta foi dividida em três dimensões de análise. A entrevista iniciava-se com o preenchimento de um pequeno questionário com algumas informações pessoais e académicas, procurando-se obter dados sobre a área da sua formação. Posteriormente, numa segunda dimensão, pretendia-se conhecer o tipo de preparação – formação/experiência que os formadores tinham no campo de educação de adultos. Esta questão fundamental permite-nos perceber até que ponto os formadores conhecem metodologias ou técnicas pedagógicas dentro da esfera da
192 Segundo Bogdan e Biklen (1994), a maior parte das entrevistas começam por uma conversa banal (p. 135).
193 A entrevista estrutura visa a obtenção de resultados uniformes entre os entrevistados, possibilitando uma comparação dos dados obtidos.
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educação de adultos, assim como referências bibliográficas de suporte teórico que lhes permitissem adequar essas metodologias ou técnicas às necessidades e/ou interesses dos adultos com os quais iriam realizar o seu trabalho. Finalmente, respondendo às questões sobre as Expectativas sobre o Curso, ficaríamos a conhecer algumas orientações ou abordagens que estes formadores teriam na bagagem para enfrentarem este desafio e o que esperam conseguir no final do Curso. Durante as entrevistas foram clarificadas todas as questões que suscitaram dúvidas aos formadores, de modo a que estes pudessem responder da forma mais objectiva possível. No final do nosso trabalho, optámos, também, por realizar novas entrevistas; no entanto, e para obter o máximo de informações possíveis sobre todo o processo, entendemos recorrer a modelos menos estruturados, mas seguindo um conjunto de tópicos seguindo uma sequência lógica. Os locais e timing foram devidamente acordados com os formadores, em função da sua disponibilidade, assim como foram cumpridos todos os requisitos relativos ao sigilo e anonimato.
Para além das entrevistas aos formadores, tivemos a curiosidade de, frequentemente, obter um feedback dos formandos sobre a operacionalização do Referencial de Competências-Chave, metodologias e actividades realizadas a partir dos vários temas propostos. Deste modo, realizamos entrevistas informais, não estruturadas, gravadas directamente194, com o consentimento dos formandos e após uma explicação prévia do interesse e finalidade das questões abordadas.
4.3. O Inquérito por questionário
Para proceder a esta fase da investigação empírica, tivemos o apoio dos formadores que prepararam as turmas para a nossa presença, a qual se tornaria constante ao longo de algumas sessões do curso.
Seleccionamos este método195 por o consideramos ideal como recolha de dados relevantes que nos permitissem caracterizar os formandos. Antes de o aplicarmos, tivemos em atenção uma escolha criteriosa de questões que nos prestasse as informações que necessitávamos de obter. Tivemos, todavia, o cuidado de elaborar questões que pudessem ser entendidas pelos inquiridos, simples e fluentes, não ferissem as suas susceptibilidades ou que pudessem induzir a dados erróneos.
194 Uma das vantagens das gravações é que estas permitem só registar as expressões orais utilizadas pelos entrevistados, tornando-se este método menos constrangedor. Por outro lado, permite uma maior concentração do entrevistador nos conteúdos do entrevistado, assim como uma melhor cobertura de outros constituintes do discurso.
195 Na óptica de Bell (2004: 118), os inquéritos constituem uma forma rápida e relativamente barata de recolher um determinado tipo de informação, partindo do princípio de que os inquiridos são suficientemente disciplinados, abandonam as questões supérfluas e avançam para a tarefa principal.
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Assim, após a elaboração do inquérito, e numa breve apresentação e explicação sobre o objecto da nossa investigação e um sinal positivo por parte de todos os formandos, foi solicitado, numa primeira fase, o preenchimento de um inquérito a um só formando (pré-teste), de modo a verificarmos a sua aplicabilidade, e podermos corrigir potenciais incorrecções ou falhas que pudessem originar lapsos na compreensão do discurso ou outras incongruências.
Após o tratamento de dados deste inquérito, procedeu-se à alteração e clarificação de algumas questões. O inquérito foi, então, entregue aos formandos que o preencheram com a nossa supervisão, caso surgissem outras dúvidas. Responderam ao inquérito 42 formandos que fizeram parte do universo de estudo.
À semelhança das entrevistas aos formadores, o inquérito também contemplava três dimensões de análise: I – dados de caracterização, onde recolhemos algumas informações de carácter biográfico fundamentais para conhecermos o background dos formandos, tentando perceber em que esfera social, cultural e profissional em que eles se movimentam, assim como alguns dados mais específicos sobre os seus descendentes; II – informações sobre o curso, onde reconhecemos as vias de informação usadas para o conhecimento da existência do Curso EFA e III – razões da frequência do curso, onde constatamos as forças impulsionadoras que movem estes formandos a voltar “à escola”, após algum tempo de ausência.
4.4. Observação directa (não participante)
A observação directa196 foi uma das técnicas que consideramos de excelência ao longo do nosso trabalho de investigação. Através desta metodologia de trabalho, conseguimos reunir um vasto âmbito de informações197 que nos permitem dar resposta às questões de investigação198, nomeadamente, as abordagens usadas pelos formadores, as técnicas/recursos mais frequentes, a motivação dos formandos, a gestão do Referencial, a adequação do Referencial às necessidades ou
196 A observação directa é uma forma de colecta de dados que, segundo Lüdke et André (2007) possibilita um contato pessoal e estreito do pesquisador com o fenómeno pesquisado (…)e permite também que o observador chegue mais perto da “perspectiva dos sujeitos”, um importante alvo nas abordagens qualitativas (p. 26). Ainda, de acordo com Quivy & Campenhoudt (2005), a observação directa constitui um dos únicos métodos de investigação social que capta os comportamentos no momento em que eles se produzem e em si mesmos, sem a mediação de um documento ou de um testemunho (p. 196).
197 “Os resultados escritos da investigação contêm citações feitas com base nos dados para ilustrar e substanciar apresentação. Os dados incluem transcrições de entrevistas, notas de campo, fotografias, vídeos, documentos pessoais, memorandos e outros registos” (Bodgan & Bilken, 1994: 48).
198 A observação não se processa de forma casuística, arbitrária ou aleatória. O investigador enceta as suas observações em função de questões previamente formuladas que orientam a investigação.
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interesses dos formandos, o tipo de actividades desenvolvidas, assim como o grau de interesse dos formandos face às mesmas. Durante as sessões, tivemos a oportunidade de colocar questões aos formandos sobre as actividades que estavam a desenvolver, obtendo-se um feedback do seu interesse e pertinência da actividade para a sua vida pessoal e/ou profissional. Algumas das informações foram registadas em “áudio” e posteriormente transcritas para nos facilitarem o trabalho de selecção e análise de conteúdos. Para registar dados a partir da observação directa, construímos, no início da nossa investigação, uma grelha de observação. No entanto, face ao volume de informações que fomos recolhendo de cada sessão, a grelha tornou-se redundante para a finalidade do trabalho que estávamos a realizar. Decidimos, deste modo, registar por escrito, todas as informações que entendemos pertinentes para podermos responder às questões colocadas.