9. V URDERING OG DRØFTING ALTERNATIV FOR BEDRE STYRING OG ENDREDE ROLLER , ANSVAR OG ORGANISERING
9.5. Vurdering av alternativ for eiendomsforvaltningen
Internamente, o que se observou foi que na ITAURB a produção está organizada, tanto quanto possível, para atender as exigências dos compradores de forma flexível. O processo produtivo comporta uma triagem fina e a organização do trabalho permite a produção de produtos customizados. É fato que cada mudança, para a produção de uma classificação diferente, demanda tempo e ajustes no processo de trabalho, que em alguns casos podem ser conflituosos (como no caso dos copinhos no setor de plástico filme). Mas, conforme mencionado, os critérios de venda podem mudar ao longo do tempo, implicando que a classificação utilizada na separação possa ser alterada entre os diversos subgrupos apresentados, no capítulo 5, na tabela de classificação das vendas.
Nos setores de t iage de segu do ível, a i fo ação hega s t iado as so e o ue deve se sepa ado e, e algu s asos, po ue deve se sepa ado. As ta efas são desig adas ao grupo de cada setor, sem que haja uma pré-definição de função dos membros e internamente eles possuem autonomia para se estruturarem de diferentes formas. Os setores atuam como grupos semiautônomos independentes, em que cada grupo faz um produto diferente, e para tanto requerem o desenvolvimento de habilidades múltiplas (os triadores estão aptos para
135 trabalharem nos diversos setores) e cooperação, o que fornece ao sistema grande dose de flexibilidade (FLEURY e VARGAS, 1983).
O processo de diferenciação do produto é retardado, ou seja, possui uma etapa do processo comum a todos e uma etapa na qual é possível customizar (como acontece, por exemplo, na indústria automobilística). Essa organização permite que os critérios de separação sejam alterados em cada setor de triagem de segundo nível, sem que isso influencie no trabalho da triagem de primeiro nível (esteira) ou dos outros setores, fazendo com que as adaptações às mudanças no mercado sejam internalizadas de forma rápida e com gastos menores.
A tecnologia de produção limita as escolhas quanto às formas de organizar os grupos e influencia sua organização interna (FLEURY e VARGAS, 1983); organizar a produção em mais de um nível de triagem demanda espaço, estrutura e pessoal.
A esteira rolante, com funcionamento ininterrupto, determina o ritmo da produção. O equipamento funciona com o parcelamento (em mais de 20 ações) da atividade de primeira separação do material, que em muitas associações é realizada integralmente e isoladamente por cada catador. Na esteira, cada pessoa é responsável por uma parte do processo, e o resultado final é obtido progressivamente. O fluxo do material é contínuo e os setores não podem armazenar material que não esteja triado, permitindo a produção em grande escala através da intensificação do trabalho (FLEURY e VARGAS, 1983).
Nas associações cada um tende a responder pela sua produção, os associados separam todos os tipos de materiais e estabelecem seus ritmos e métodos de trabalho. No caso do pagamento individual, observou-se que os catadores possuem critérios de classificação diferentes e nem todos separam os mesmos tipos de material (alguns separam plástico rígido entre incolor e colorido, outros não separam plásticos, outros ainda estocam parte do PET para vender uma vez por ano fora da AC). Mesmo no caso da remuneração coletiva, as triadoras utilizavam estratégias diferenciadas para produzir (algumas separavam o plástico todo por cor e por tipo; outras realizavam separação em conjunto dos plásticos e a cada três dias separavam por cor e por tipo). Em ambos os casos há uma busca pela separação prioritária dos materiais de maior valor no mercado, como PET e papelão; o PET, cabe destacar, pode-se considerar que, em termos de qualidade, atende às exigências do padrão; contudo, como observado na ITAURB, a indústria possui, também, exigências de escala.
136 A triagem de segundo nível, realizada na ASMARE, acontece apenas para alguns poucos tipos de plástico (PP5 e PEAD), para proceder a separação por cor e por tipo. A triagem de segundo nível na ITAURB realiza a separação por cor e por tipo, mas, também, garante a remoção de contaminantes, como restos de produtos que estejam nas embalagens (xampu, cremes, produtos de limpeza, alimentos que são virados para esvaziar) e outros materiais (como clips, cola, durex de plásticos e papeis). O papel branco na ITAURB, por ter a cola removida (a cola a que se referem é a costura e os espirais de livros e cadernos), é vendido pelo dobro do preço de venda da AC (respectivamente R$0,80 e R$0,40). Uma tabela com as diferenças de preços de venda entre os três galpões encontra-se no ANEXO II.
Chama a atenção o fato de que na unidade de triagem de Itabira busca-se evitar o acúmulo de material que não está triado. Essa prática influencia na qualidade do produto final. A existência do shut e da esteira favorecem um fluxo contínuo do material; o novo é depositado por cima do antigo, e este chega a esteira primeiro, um sistema em que o primeiro que entra é o primeiro que sai.
Apesar de existir material estocado na entrada do shut, pois hoje a capacidade produtiva é inferior ao necessário (devido à quantidade de material recebida), o ritmo e o fluxo da produção permanecem constantes na alimentação dos setores de triagem de segundo nível. Em um box sem silo ou shut, onde o primeiro que entra é o último que sai, o material que fica por baixo se deteriora (fica mais tempo em contato com matéria orgânica, umidade e animais) e perde qualidade. Em alguns casos, muda de classificação (por exemplo, quando papel branco é vendido como misto ou revista) ou tem de ser descartado como rejeito.
As possibilidades de arranjo de venda se relacionam, ainda, com a fonte geradora do material. Existe um custo de frete envolvido na coleta de doadores, por isso são priorizados os que produzem maiores quantidades e materiais com preços de mercado mais altos (como papelão, papel branco e garrafa PET). Um material recebido em pequena quantidade demandará mais tempo de estoque para completar a carga, e, algumas vezes, é até vendido misturado a outro material de valor inferior que esteja em maior quantidade (caso do longa vida misturado ao papel misto).
Esse limitador é determinante para que os catadores separem ou deixem de separar determinados materiais, não se preocupem em remover contaminantes ou descartem materiais que demandam grandes quantidades para serem comercializados, uma vez que os
137 intermediários não exigem uma separação criteriosa e compram qualquer quantidade que for produzida.
A contaminação na fonte, além de acarretar aumento nos custos de limpeza e de alterar as propriedades do produto final, pode acelerar o processo de decomposição de alguns materiais, principalmente os papéis. Na coleta de rua, os catadores buscam selecionar materiais que tenham maior garantia de retorno e que sejam fáceis de separar dos demais resíduos que estejam no local (o papelão é considerado um material valioso, enquanto que no galpão da coleta seletiva, o plástico é considerado valioso). Essa diferença de prioridades pode ajudar a compreender a diferença de faturamento e remuneração.
Uma parte do material de doação, recebido no galpão B da ASMARE, é pré-triada na fonte e limpa, fazendo com que o trabalho dedicado a sua separação exija menos tempo e esforço do que os demais, e o valor de comercialização seja um pouco maior. Existe uma diferença nos preços de venda dos dois galpões da ASMARE, assim como uma diferença de produção por catador (como já mencionado).
Os resultados obtidos em Itabira reforçam a importância da etapa de coleta e da separação na fonte. A unidade obtém baixos índices de rejeito, o material é pré-triado na fonte e limpo, em alguns casos. A ITAURB realiza campanhas permanentes e específicas para cada público, nos bairros, escolas, comércios, empresas (como aconteceu no caso da terracycle em que houve uma campanha para os salões de beleza orientando a separar os frascos de produto de cabelo dos demais resíduos recicláveis).
A forma de remuneração também influencia na organização da produção. No galpão A, o pagamento é realizado por material triado e pesado, diretamente relacionado à quantidade e ao tipo de material produzido, fazendo com que os catadores concentrem esforços em separar os materiais considerados mais valiosos (como papelão). No galpão B o pagamento é realizado por produção, todos recebem proporcionalmente ao valor da venda da semana, desde que atinjam a meta de 1500 quilos, apesar do valor final, das vendas, estar relacionado ao tipo de material vendido a remuneração coletiva fazer com que as triadoras se concentrem em atingir a meta quantitativa, separando, também materiais de valores inferiores.
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