Kapittel 6 – Voldtekt og bortførelser
6.5 Volden i voldtekt
Para dar início às descrições dessas experiências, expomos, brevemente, a origem das nossas concepções primeiras de aprendizagem, que emergiram das lembranças de infância com os primos, vizinhos e amigos. Mas, sobretudo daquilo que nos marcou como criança pequena no interior da escola. Lembramo-nos dos ditados que as professoras realizavam, e de outros momentos que para nós eram assombrosos – “tomar leitura” ou “tomar a tabuada”. Tínhamos tanto medo dessas situações que não conseguíamos responder as expectativas dos professores, então, éramos consideradas aluna “fraca”, não pertencíamos às turmas “A” (turmas dos ditos “melhores” alunos), éramos sempre recolocadas na “C” e “D” (turmas de alunos ditos “fracos”). Logo, todos (professores, familiares e amigos) nos rotulavam. Fomos, ao longo do Ensino Fundamental, do Médio e da Graduação sempre com medo de ousar, de arriscar, pouco ou nada tentávamos na escola.
Todavia, ao buscarmos a formação em Psicopedagogia, tivemos a oportunidade de nos conhecermos melhor: as nossas potencialidades e fragilidades. A formação que tivemos partiu do pressuposto de que era preciso saber conhecer e “escutar” a si próprio, para conhecer e aprender a “escutar” o outro que lhe demanda apoio. Foi nesse cenário de Pós -Graduação que redimensionamos as nossas concepções de aprendizagem, antes sustentadas pelo medo, pela apatia e pelos rótulos.
Consequentemente, a constituição da nossa concepção de aprendizagem parte fundamentalmente da práxis fundamentada no paradigma interacionista, que sustenta os princípios psicopedagógicos. Eles nos impulsionaram a compreender os processos de desenvolvimento e aprendizagem, de nós mesmos, mas, sobretudo das crianças que compõem o cenário da Educação Infantil, com as quais trabalhamos.
Ao nos localizarmos como professora / psicopedagoga, é acertado que nos orientemos, em nossa pesquisa, em referenciais13 que nos revelem os processos de desenvolvimento e
13 Allessandrini (1996); Bossa (2007); Borges (2003); Cavicchia (1996); Fagali (2001); Fagali; Vale (2003); Fernàndez, (1991); Ferreiro; Teberosky (1999); Miranda, (2000; 2008); Noffs, (2003); Piaget, (1987; 2007);
aprendizagem das crianças, especialmente das crianças em idade de Educação Infantil, nível de ensino a que dedicamos nossos estudos. Esses processos desencadeiam leituras, conversas, trocas entre parceiros psicopedagogos, psicólogos e professores. A nossa formação em Psicopedagogia e a atuação profissional nessa área, tal como relatamos anteriormente, nos abriu novas “lentes” para olharmos com mais atenção, escutarmos além dos ouvidos, interagirmos com intenção, para compreendermos as crianças e a nós mesmas. O que marca a nossa Psicopedagogia é como “olhamos” e “ouvimos” – um sujeito sempre aprendente. Somado aos referenciais da vertente psicopedagógica, encontramos na literatura que versa sobre a Educação Infantil um espaço latente para pesquisas psicopedagógicas e ações que remetem à prevenção aos ditos “problemas de aprendizagem”.
A princípio, destacamos que, na literatura, não encontramos consenso sobre os fundamentos teóricos que originaram a constituição da Psicopedagogia, como área de atuação. Há estudos como o de Allessandrini (1996), Bossa (2007), Fagali e Valle (2003) e Weiss (2004) que defendem a origem dos enfoques, preventivo e remediativo ou terapêutico, relacionados ao “parentesco” que possuem com a Pedagogia e herança da Psicologia.
Bossa (2007, p. 29) assinala que o conhecimento da Pedagogia “contribui com as diversas abordagens do processo ensino-aprendizagem, analisando-o do ponto de vista de quem ensina”. Já a Psicologia “encarrega-se da constituição dos sujeitos, que responde às relações familiares, grupais e institucionais, em condições socioculturais e econômicas específicas e que contextuam toda a aprendizagem” (BOSSA, 2007, p. 29).
Noffs (2003, p.52) defende a perspectiva de que a Psicopedagogia nasce junto à Educação escolar, surge dos dilemas vividos no cotidiano da escola. “Seria ingenuidade, portanto, admitirmos que a Psicopedagogia se concentre na Pedagogia e na Psicologia. É mais promissor pensar que ela se interliga com as ciências que se preocupam com as situações escolares nas quais a aprendizagem se faz presente”.
Apesar da diversidade de opiniões sobre a origem da Psicopedagogia como área de atuação, há um aspecto de conformidade na literatura: a necessidade de incorporar saberes de outros campos de conhecimento, somados aos da Pedagogia e da Psicologia, para atuação do psicopedagogo em escolas, em hospitais, em empresas e em ONGs.
Essas duas áreas não são suficientes para apreender o objeto de estudo da Psicopedagogia - o processo de aprendizagem e suas variáveis - e nortear a sua prática. Dessa forma, recorre-se a outras áreas, como a filosofia, a
2009; 2010); Rubinstein (2003); Scoz; Rubinstein; Rossa; Barone (1987); Solé; Teberosky (2004; Teberosky, 2008); Vygotsky (2005; 2007); Weiss (2004.
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neurologia, a sociologia, a linguística e a Psicanálise, no sentido de alcançar compreensão desse processo (BOSSA, 2007, p.27).
Seguindo esse princípio Noffs (2003, p. 54) também afirma que os estudos da Psicopedagogia empregam-se de diversos recursos, das mais variadas áreas de conhecimento, com a finalidade de “compreender o ato de conhecer, o de aprender e, consequentemente, o de ensinar”.
Destacamos aqui, por meio dos estudos de Scoz, Rubinstein, Rossa e Barone (1987), que não é um trabalho simplificado para a Psicopedagogia compreender como se processa a aprendizagem integrando diferentes áreas do conhecimento e níveis de desenvolvimento. Outro elemento que se soma a essa dificuldade de articulação de diferentes áreas de conhecimento se configura no fato de a Psicopedagogia ser exercida por profissionais das áreas da Fonoaudiologia, Pedagogia, Psicologia e outras, que complementam as suas formações iniciais na busca de compreender a aprendizagem humana. Portanto, para essas autoras, a Psicopedagogia é uma tarefa que deve ser configurada na interdisciplinaridade, com a participação de diversos estudiosos que tenham o objetivo comum de desvendar a construção da aprendizagem.
Não propomos, em nosso trabalho, aprofundar estudos sobre a origem e atuação da Psicopedagogia, apenas apresentamos as possíveis suposições sobre essas questões. Mas, concordamos com a ideia de que a Psicopedagogia é uma área plural, que “bebe” saberes de distintas áreas de conhecimentos, tais como: Pedagogia, Psicologia, Sociologia, Filosofia, Neurologia, Artes, Música e outras. Assim, torna-se uma área fértil e rica em possibilidades de diferentes parâmetros de investigações sobre a aprendizagem.
Desse modo, partirmos da ideia da Psicopedagogia que “olha” para a criança pequena como grande, potente, capaz, inventiva, “aprendente”. É essa criança que, quando encorajada, quando provocada, é impulsionada a ir sempre à frente e alcançar aquilo que deseja, que a inquieta. Em outro modo de conceber a criança pequena, dissemos que ela não aprende ou que está com “dificuldades de aprendizagem”. Logo, a nossa inquietação e busca junto aos saberes da vertente psicopedagógica desejava compreender, no período de nossa formação em Psicopedagogia, essas concepções de aprendizagem que colocam a criança com “dificuldades”. Buscávamos visões que entendessem como necessário, romper, desconstruir essa concepção limitada de criança.
As leituras realizadas e nossa experiência profissional nos permitem abalizar que os profissionais psicopedagogos que atuam e discutem em torno das possíveis “dificuldades de aprendizagem”, acolhem e investigam as questões apontadas pela família, pela escola ou
mesmo pelo próprio sujeito. Dizemos possíveis por serem questões passíveis de investigação e discussão por aqueles que convivem com a criança e pelo psicopedagogo que a acompanha. É nesse contexto que atua o profissional, buscando compreender as possíveis causas do “não aprender”. Todavia, é válido destacar que a vertente psicopedagógica, pautada no paradigma interacionista, parte do pressuposto de que todos possuem condições de aprender e é por isso que a Psicopedagogia possui como objeto de estudo a aprendizagem.
Assim sendo, as investigações do profissional psicopedagogo junto à criança dita com “dificuldades de aprendizagem” revelam, em muitos casos, que as interferências no processo de aprender da criança estão relacionadas a diferentes condições, muitas delas concomitantes: as propostas de ensino e aprendizagem; as “pressões” sociais para a aquisição de determinado conhecimento, especialmente para a alfabetização; as relações afetivo-sociais da criança com as famílias e professores; entre tantas outras possibilidades. Isso quer dizer que a possível “dificuldade de aprendizagem” não está localizada na criança, mas no que a envolve.
Ponderamos que não negamos a existência das “dificuldades de aprendizagem”, até porque há uma literatura vasta sobre essa temática discutindo a respeito. Entretanto, questionamos os rótulos oferecidos às crianças de forma indistinta sem as devidas investigações sobre as competências e condições pedagógicas proporcionadas a elas.
Vivemos, então, por meio das relações entre pessoas, entre objetos, entre circunstâncias sociais e culturalmente localizadas. É nessas relações que desenvolvemos as nossas capacidades e habilidades humanas, aprendendo uns com os outros. É exatamente nesse sentido que a Psicopedagogia atua e não rotula. “É, para nós, fundamental encontrar o original, o particular, o apaixonante de cada história” (FERNANDÈZ,1991, p.126).
Em nossa trajetória profissional, identificamos restritos referenciais que abordam especificamente esse “olhar” psicopedagógico para a Educação Infantil tanto para o trabalho do profissional psicopedagogo, como também, para os estudos psicopedagógicos direcionados à essa etapa da Educação Básica. Esse dado nos leva a conceber que as investigações que tomam como base a Psicopedagogia vinculam-se, principalmente, com as questões relacionadas ao não aprender. Isso se justifica em função das demandas nas escolas relacionadas às “dificuldades de aprendizagem”, que estão presentes em muitas realidades educativas. Boa parte dessas pesquisas dirige-se a estudos que tentam desvendar as causas e assinalam possíveis saídas para as situações de não aprendizagem nas escolas. Todavia, o caminho que trilhamos é outro, buscamos referenciais que nos apontem para o aprender das crianças em idade de zero a seis anos.
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Entre os referenciais identificados sobre o “olhar” psicopedagógico para a Educação Infantil, destacamos as produções de Cavicchia (1996), Oliveira e Bossa (1994). O primeiro aponta alternativas para o profissional psicopedagogo atuar em escolas de Educação Infantil, assinalando que:
[...] a busca de alternativas para a formação dos educadores de creches/pré- escolas é uma das tarefas mais importantes do psicopedagogo preocupado com o caráter preventivo de sua prática nessas instituições. Investigar, analisar e pôr em prática novas propostas para uma formação de educadores que os habilite a estabelecer relações mais maduras e conscientes com as crianças e com a equipe escolar, apresenta-se então, como um dos mais fortes desafios ao psicopedagogo comprometido com a Educação infantil em instituições (CAVICCHIA, 1996, p. 210).
Oliveira e Bossa (1994) partem de diversas discussões sobre os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança pequena. Apresentam reflexões sobre as suas múltiplas formas de expressão e de comunicação: desenhos; artes visuais; comunicação simbólica, o lúdico, entre outras. E, a partir delas, oferecem elementos para o psicopedagogo compreender os processos de desenvolvimento e aprendizagem das crianças. Apontam, ainda, que a criança na faixa etária correspondente a Educação infantil, zero a cinco anos, é um ser histórico, social e ativo. Essa perspectiva valoriza as aprendizagens diversas, o conhecimento disponível sobre o mundo e, acima de tudo, o significado da intensa atividade que é aprender. Os estudos descritos nos ajudam a compreender o “olhar” e a dinâmica psicopedagógica, seja do professor que trabalha com a vertente psicopedagógica seja para o profissional da Psicopedagogia, ambos atuantes em escolas de Educação Infantil. Ao mesmo tempo, voltamos a dizer que as restritas referências bibliográficas nos levam a conceber que as demandas de investigações psicopedagógicas vinculam-se, sobretudo, ao não aprender.
Pesquisas como as de Arce e Martins (2007), Faria e Mello (2005; 2009), Kramer (1999; 2009), Miranda (2012), Oliveira (1992; 2010; 2011), Scoz, Rubinstein, Rossa e Barone (1987) têm apontado o quanto as crianças, familiares e professores elaboram concepções de aprendizagem que trazem consigo ideias de uma Educação Infantil preparatória para o Ensino Fundamental, antecipando assim, procedimentos próprios da etapa escolar seguinte. Essas investigações alegam, além disso, que, em função dessa premissa pedagógica, as crianças pequenas tendem a não vivenciar experiências lúdicas importantes na escola para os seus processos de desenvolvimento e aprendizagem. Esses estudos consideram que é justamente por meio das experiências preparatórias para o Ensino Fundamental que as crianças pequenas constroem concepções de aprendizagem tradicionais e, para muitas situações, não contribuem para o sucesso dos processos de desenvolvimento e aprendizagem na escola.
Nesse sentido, a Educação Infantil é um espaço propício para as discussões psicopedagógicas de natureza preventiva. É nessa etapa que temos a oportunidade de construir, com as crianças, com seus pais e na formação inicial e continuada de professores as concepções de aprendizagem, oferecendo significados a elas. A constituição de uma ideia de aprendizagem que a criança em parceria com os adultos à sua volta levará para os níveis de escolarização subsequentes.
Conforme já descrevemos anteriormente, foi justamente por meio de uma das nossas ações, como psicopedagoga escolar, com vistas a contribuir com a formação continuada dos professores, que identificamos e levantamos a discussão sobre a proposta pedagógica das escolas municipais de Reggio Emilia.
Nesse sentido, em colaboração para a constituição de nossas ideias sobre o aprender na escola de Educação Infantil, evidenciamos essa prática educativa que tem sido inspiração para várias escolas no mundo. Esse contato marcou essencialmente a nossa formação e constituição de nossa concepção a respeito do aprender para as crianças pequenas. Optamos por expressar, neste trabalho, a nossa experiência junto a essa realidade educativa italiana, por buscar em sua Pedagogia a compreensão dos processos de desenvolvimento e aprendizagem das crianças pequenas com referencial teórico pautado, também, em princípios interacionistas. Entretanto, essa proposta não é foco de nossos estudos, mas uma fonte teórica e de inspiração que nos ajuda na compreensão das diversas concepções de aprendizagem que se fazem presentes nas escolas.