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5.2 Nærmere om når opplysningsplikten inntrer

5.2.2 Vold

A função da crítica de arte foi o tema escolhido para a segunda parte do congresso. Nela participaram Miroslav Mícko, Mathilde Visser, Mirian Váross, Jiŕí Śetlík, Cevad Memduh Altar, Antonio Gimenez Pericás, Rafaele de Grada, Jindŕich Chalupechŷ, Branko Rudolf, Geneviève Bonnefoy, Pierre Restany e Gillo Dorfles.

A maioria dos discursos centrou-se em torno de dois temas: a crítica de arte limita- se a difundir um valor já existente ou a crítica de arte criava esse valor artístico. Apesar das diferentes opiniões defendidas em congresso, todos reconheceram que o valor não existe em si mesmo, mas que se realiza na consciência do homem. Uma das conclusões mais interessante foi a de Starsynski que recordou a todos que «toute critique est née du principe du criticisme établi au XVIII siècle, le siècle des lumières, et que la critique est une lutte contre tout principe d’autorité ou tout ce qui vise à se poser comme tel. (…) le critique situe l’œuvre d’art dans un cadre de références, c’est-à-dire qu’il en réalise la valeur dans la conscience collective. (…) en réalisant la valeur de l’art dans la conscience

159 Idem, Ibidem, p.119. 160 Idem, Ibidem, p.120.

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collective, la critique réalise la valeur de la conscience individuelle au-dedans de la collectivité»161. E segundo Argan era precisamente à crítica que cabia o papel de coletivizar a individualidade.

Por outro lado, Starzynski concordava com Chalupecky na definição que este dava de crítica ao aproximá-la da filosofia162, mas considera que esta foi e será sempre uma atividade ideológica, pois “La critique est liée absolument a une certaine conception d’une société et c’est pour cela que je pense que c’est surtout une activité idéologique »163. Todos os grandes críticos de arte foram no seu tempo partidários de uma certa ideologia moral, de uma conceção geral de cultura, mas sempre tendo por base um princípio do individualismo. Por isso, Starzynski chama a atenção para o individualismo como elemento essencial da atividade crítica: «Ce sont la deux notions pour moi inséparables: criticisme et individualisme »164.

Pierre Restany ao realçar o aspeto sociológico da crítica de arte, não no sentido de uma sociologia da arte, mas duma sociologia da crítica de arte, isto é, da proveniência do crítico, da formação do crítico, do seu recrutamento, como surge esta vocação prisional e como se desenvolve, coloca também a tónica da sua reflexão precisamente na questão da atividade crítica como atividade individual: «Le but et la finalité de la critique d’art est avant tout extrêmement égoïste et extrêmement individuel»165.

Para o presidente desta mesa, Miroslav Mícko, o caractère médiator da crítica de arte não dizia apenas respeito à sua função pedagógica: «Vis-à-vis de l’art, elle représente la voix haute du public, elle parle au nom de la société qui fixe, en fin de compte, la valeur des œuvres d’art. »166.

161 Argan, Giulio Carlo - La notion et la conception de la critique. In Art et Critique. Actes … op. cit.,

p.172.

162 Respondendo a questão «O que e a crítica de arte ?» Chalupecky considera-a como um prolongamento

da estética e a estética uma extensão da crítica de arte, do mesmo modo que a crítica é uma continuação da história da arte e esta, um prolongamento da crítica de arte. Chalupecky, Jindrich - La critique doit être une discipline philosophique. In Art et Critique. Actes … op. cit., p. 47-50. Jindrich Chalupecky - (1910-1990) Historiador e crítico de arte Checo. Figura fundamental na teoria de arte checa do século XX. Crítico literário durante a década de 30, escreveu no semanário Independência. Esteve ligado ao Grupo 42 e depois da guerra até 1948 a uma revista de arte e filosofia. Nos anos 60, foi responsável pela organização de várias exposições internacionais (Marcel Duchamp). Antes da sua morte foi instituído um prémio com o seu nome para galardoar jovens artistas no seu país. In http://www.cjch.cz/index.php/en/about-us/jindrich-chalupecky, 18/5/2012.

163 Starzynski, Juliusz - La critique en tant qu'activité ideologique et individualiste. In Art et Critique. Actes … op. cit., p.63.

164 Idem, Ibidem, p.63.

165 Restany, Pierre - L'aspect sociologique du devnir d'un critique. In Art et Critique. Actes … op. cit.,

p.108.

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Marian Váross centrou a sua comunicação precisamente sobre “La fonction axiologique de la critique d’art” isto é, sobre o problema da função avaliadora da crítica. Para Váross a principal função da crítica de arte era analisar e avaliar a produção artística. Só desse modo podia a crítica de arte influenciar a opinião pública, contribuindo simultaneamente para a cristalização dos valores artísticos. Claro que para Váross esta definição generalista levantava alguns problemas. O comportamento do crítico dependia, em grande parte, da sua conceção de valor e de norma estética. Segundo a crítica, existem críticos normativos e dogmáticos, críticos tolerantes e compreensivos, existem igualmente aqueles que se limitam a interpretações objectivas, despersonalizadas. A tolerância ou a intransigência de um crítico podia ser explicada através do seu carácter pessoal ou disposições intelectuais e emotivas da sua personalidade. O método da sua argumentação, tal como os elementos axiomáticos do seu pensamento, eram igualmente determinados pela sua conceção do mundo, filosoficamente elaborada ou não.

A crítica de arte era assim, pela sua própria natureza, uma atividade axiológica. Através da crítica, estes valores eram reconhecidos, descobertos, definidos, proclamados, negados ou mesmo criados. Os valores artísticos podiam ser objetivos e reconhecidos e também subjetivos e proclamados. Obviamente, cada crítico tinha as suas próprias certezas, mas todos tinham por base uma certa conceção do mundo, um conhecimento positivo da história da arte e muitas vezes um programa de uma geração ou de um agrupamento artístico.

Esta complexidade da estrutura do valor artístico exigia uma complexidade análoga dos aspetos e dos procedimentos do crítico de arte. A crítica assumia-se como uma tomada de posição imediata e raramente havia tempo para uma análise mais aprofundada e multilateral. Muitas vezes o crítico encontra-se ao serviço de uma ideia de atualidade ou de um programa particular o que condiciona a sua análise e o tornava parcial167.

Neste mesmo sentido foi dirigida a comunicação de Gillo Dorfles segundo o qual uma «logique de la préférence», isto é, uma «esthétique préférentielle» constituia a única forma de «donner un jugement axiologique sur une œuvre d’art du présent sans des suppositions préalables éthiques, morales ou politiques, qui sont toujours dangereuses. Avec la logique de la préférence on peut parler d’une œuvre d’art comme on peut parler d’un problème de logique. Et je pense que c’est une chose dont on devrait s’occuper

167 Váross, Marian - La fonction axiologique de la critique d’art. In Art et Critique. Actes … op. cit.,

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davantage: trouver un moyen logique de donner un aspect critique a son propre jugement sur l’œuvre d’art»168.

Também C. Doelman atribuia «Le devoir principal de la critique d’art» à sua função pedagógica. Segundo este autor, os defensores da crítica como instrumento pedagógico tinham tendência para nunca se referir aos valores plásticos ou artísticos que estavam na base das ideias e pensamento filosófico ou das intenções expressas pelos artistas, concentrando-se apenas no conteúdo das obras. No inquérito lançado pela revista Museum Journaal sobre a função da crítica de arte esta é apresentada como um instrumento pedagógico cuja função era «donner des informations sur le but de l’artiste, sur son intention, ses idées et sa philosophie»169. Doelman discorda desta visão. Na sua resposta ao inquérito não considera estas informações de primeira importância. Para este autor a responsabilidade da crítica centrava-se no julgamento que exercia sobre os valores plásticos e não sobre as ideias ou intenções dos artistas.

Outros congressistas atribuem claramente um papel social à crítica de arte sublinhando a sua função pedagógica. Foi o caso de Mathilde Visser. Este papel pedagógico da crítica visava em primeiro lugar a educação do público em virtude das lacunas do ensino escolar e universitário em matéria de estudo das artes. O papel do crítico de arte seria precisamente o de preencher esta lacuna. Na opinião de Mathilde Visser a falta de conhecimento do público era uma realidade e era necessário «enseigner a voir ». Mas era indispensável também ensinar ao público o que significava para o artista a criação de uma obra. A função pedagógica da crítica de arte não se estendia ao artista, pois a crítica não devia ensinar ao artista o que este podia ou não criar, muito menos como devia fazê-lo. O dever da crítica era analisar objetivamente o trabalho do artista para que este pudesse tirar conclusões e era apenas neste sentido que a crítica se podia assumir como apoio ao artista. As relações entre crítico e artista nada tinham a ver com as que o artista mantinha com o seu mestre. A função da crítica era a de estimular o diálogo entre o artista e o público e esta função exigia do crítico uma alta consciência da sua responsabilidade e um alto grau de competência. Por isso era essencial que possuísse um sólido conhecimento de estética e de história da arte. Mas para se ser uma bom crítico de arte, estes conhecimentos não eram suficientes. Era necessário que “à la subjectivité de la création artistique réponde la subjectivité de l’appréciation critique ». Mas sem excessos de subjetividade pois “si la critique se place uniquement sur un point de vue subjectif, elle

168 Dorfles, Gillo - Note sur le caractère synchronique de l'art. In Art et Critique. Actes … op. cit., p.109. 169 Doelman, Cornelis - Le devoir principal de la critique d’art. In Art et Critique. Actes … op. cit., p.136

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ne saurait discerner sans la création artistique le devenir objectif. »170. E era precisamente uma clara consciência da sua responsabilidade que determinava, na opinião de Visser, a liberdade da crítica.

O papel social da crítica exigia que ela travasse uma luta pela sua liberdade e esta luta consistia acima de tudo na análise das condições existentes e da situação por elas criadas. Segundo Visser apenas onde não existia produção capitalista subsistiam condições para uma verdadeira liberdade da crítica de arte, caso contrário, eram muitos os entraves que a comprometiam. Mas não eram apenas os aspetos económicos que criam entraves a esta liberdade. Existiam, segundo a crítica igualmente condicionantes materiais. Visser refere que muitas vezes os críticos de arte de um jornal eram considerados jornalistas de exposições e eram por isso mal remunerados. Eram obrigados a cobrir várias exposições, artes aplicadas, arquitetura de todos os tempos e do mundo inteiro…. Na Holanda, por exemplo, não existia, segundo Visser, nenhuma organização profissional que apoiasse os críticos de arte, apenas o sindicato geral dos jornalistas que não tinha um conhecimento específico sobre os problemas da crítica de arte. A precaridade da situação material descrita comprometia segundo Visser a liberdade da crítica de arte.

Antonio Gimenez Pericas e Vicente Aguilera-Cerni centram a sua comunicação precisamente sobre a questão da “Liberté de la critique” no contexto espanhol e sobre a importância da educação do público para a compreensão da arte. Segundo os críticos espanhois a «liberté dépend des positions idéologiques à partir desquelles on interprète la vie à travers l’art et l’on pratique la critique d’art. Ainsi, le grand ennemi de la liberté réside dans chaque mythe qui s’accepte plutôt que dans les contraintes extérieures provenant d’une situation politique donnée. La destruction des mythes, dans la mesure où ils supplantent la conscience de la réalité, est donc une condition indispensable pour être libre, et par elle pose un problème fondamental devant lequel la critique d’art peut rester indifférente»171. Era portanto indispensável que a crítica, para ser livre, desmistificasse o seu objeto, caso contrário seria ela própria veículo de difusão de mitos. Segundo estes críticos espanhois «La critique d’art doit se décider à être, en dernière instance, essentiellement une critique de la culture qui réfléchit par la voie de l’esthétique, de la

170 Visser, Mathilde - Les fonction pédagogique de la critique. In Art et Critique. Actes … op. cit., pp.77-

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171 Aguilera Cerni, Vicente; Gimenez Pericás, António - Liberté de la critique. In Art et Critique. Actes …

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même façon que la culture appartient à la vie et à la société»172. Mas alertam para o facto de a crítica não poder ser exclusivamente um género didático, ou para o ser também, ela devia propor objetivos mais amplos e responder a uma filosofia. Se a sua função fosse apenas a de ser intermediária entre a ciência estética e as obras de arte, a crítica seria absolutamente condicionada pela prática artística. E isto seria uma limitação objetiva da sua liberdade.

Para que a crítica de arte possa ser um instrumento humanista da liberdade ela deve conceber-se como conhecimento da realidade através dos fenómenos estéticos. A condição necessária segundo Cerni e Perrices ao conhecimento do real, nos seus aspetos científicos e humanos, passa pela utilização eficaz de uma metodologia dialéctica. Só assim a crítica cumpriria plenamente o seu papel mediador entre arte e público, só assim desmistificaria a arte e ensinaria o público. E seria apenas dentro destas condições que a crítica de arte seria objetivamente livre173.