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Rusmisbruk og psykiske problemer hos foreldre

5.2 Nærmere om når opplysningsplikten inntrer

5.2.1 Rusmisbruk og psykiske problemer hos foreldre

Em 1963, o congresso da AICA teria lugar em Tel Aviv (Israel) e durante a XVªAssembleia-geral que então teve lugar, Giulio Carlo Argan seria eleito Presidente da AICA 84. O rapport moral lido durante a assembleia anunciava a constituição do Archives de l’art contemporain, a publicação do seu primeiro Bulletin e a inauguração do Centro Internacional de Documentação. O sucesso deste empreendimento ficou a dever-se, em grande parte, a Julius Starzynski e ao apoio financeiro da UNESCO.

84 Os resultados da eleição presidencial foram os seguintes: G.C. Argan 181votos; Mário Pedrosa 42 votos;

Romero Brest 10 votos e Starzynski 71 votos. Foram eleitos Vice-presidentes Gamzu, Francastel, Micko e Crespo de la Serna. A.I.C.A. 1963 Tel-Aviv Israel Minutes intégrales de la XV Assemblée Générale de

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Fig. 1

AICA 1963 Tel Aviv Israel. Minutes Intégrales de la XVe Assemblée Générale de L'Association Internationale des Critiques d'Art. Tel Aviv: Musèe

Juillet 1963.

Acessível em Archives de la Critiques d'Art, Rennes, France, Rennes, France.

Fot. Ana Luísa Barão

Fig. 2

A.I.C.A. Tel-Aviv. VIIIè Congès International des Critiques d'Art: Actes du Congrès. 1963. Acessível em Archives de la Critiques d'Art,

Rennes, France, Rennes, France. Fot. Ana Luísa Barão

Fig. 3

Archives de l'art contemporain. Bulletin International. Association Internationale des Critiques d'Art / UNESCO. Paris. 1962, n.º 1. Acessível em Archives de la Critiques d'Art, Rennes, France, Rennes, France.

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Com a eleição de Argan chegara ao fim o mandato de sete anos de James Johnson Sweeney. Durante este período foi possível à AICA abandonar as suas instalações provisórias para ocupar um espaço no Palais du Louvre. Segundo Cogniat com perdas claras para a AICA pois essa mudança significara igualmente o fim do apoio financeiro de Georges Wildenstein à AICA 85. Mas enquanto associação a AICA ganhara uma maior dimensão passando de cerca de 400 para 650 membros e criando mais 9 secções nacionais, uma das quais na Asia, somando um total de 42 secções.

Um dos assuntos que ocupou com polémica grande parte da assembleia foi a leitura de uma carta de Raymond Cogniat. Nela, o crítico francês questiona o papel e a atividade da Associação de Críticos de Arte. Chamava a atenção para as insuficiências do organismo e da sua ação. Esta não se podia limitar a eleger o presidente. Tal conduta podia mesmo pôr em causa a credibilidade que nela depositara a UNESCO. Na sua opinião era necessário fazer um balanço severo das atividades da associação e estas não se podiam reduzir a meia dúzia de viagens, apenas para alguns dos membros da associação, sublinha, sempre que se organizavam encontros internacionais já que o Bureau jamais se reunira fora das assembleias gerais. Concordante, Argan chama a atenção para a dimensão alcançada pela associação que de um pequeno grupo de membros passou, em poucos anos, para mais de meio milhar. Essa mudança exigia, na sua opinião, uma estrutura organizativa e financeira forte, caso contrário, a AICA corria o risco de perder a sua capacidade de ação.

Argan, como novo presidente eleito, apresentara como primeiro objetivo do seu mandato lançar o desafio de saber o que era necessário fazer-se para que a AICA tivesse uma efetiva influência na situação cultural e congratulava Hain Gamzu86, que organizara este congresso, por o ter dedicando à reflexão sobre os problemas de trabalho da crítica de arte. Para Argan a resposta estava nos membros mais jovens, na criação da possibilidade destes participarem nos congressos e nas assembleias, isto é, na valorização dos membros adherents, trabalho que devia ser feito, na sua opinião, no seio das secções nacionais. Quanto aos problemas de ordem organizativa, estrutural e financeiras, estes estavam segundo o crítico italiano intimamente relacionados. Se a AICA se tornasse uma estrutura

85 Georges Wildenstein teve um papel financeiro determinante para a fundação e manutenção da AICA. Por

exemplo a subvenção atribuída à AICA em 1956 por George Wildenstein foi de 481000 francos, a que se juntara o espaço onde estava instalada a sede da AICA em Paris e o pagamento das despesas de telefone.

Cf. Lassalle, Hélène- Historique de l'AICA France 1949-1990. [Consult. 27-11-2012]. Disponível em

WWW: <http://www.aica-france.org/historique.html>, p.6.

86 Haim Gamzu (1911-1982) foi o diretor do Tel Aviv Museum of Art entre 1948-1950 e novamente entre

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mais forte poderia conseguir apoios financeiros dos diferentes estados, da UNESCO e de organismos internacionais. Reconhecendo a importância do apoio financeiro de Wildenstein, nos anos iniciais da AICA, defendia que na presente situação a AICA devia ir mais longe: “Il faut chercher à imposer notre Association aux organisations publique, sur le plan national et international”87.

Assim Argan, seguindo a sugestão de Hammacher, propôs a criação de uma “Commission de Réformes de l’AICA ” que estudasse os principais problemas da Associação e que propusesse soluções88. O objetivo era propor que esta comissão estudasse os problemas administrativos, de organização e de cultura e que em janeiro de 1964 apresentasse resultados que pudessem ser discutidos na assembleia geral. Mas propôs também a criação de outras comissões de trabalho com o intuito de identificarem problemas práticos: a Commission de conservatreurs de musée, a Comission pour les professeurs d’enseignement; a Comission pour l’Information e communication89; a Commission des Archives; a Commission des Méthodes et Congres, responsável por delinear os temas a estudar no congresso seguinte e a Commission de Terminologie, que teria em mão o desenvolvimento do projeto de dicionário internacional de termos de arte.

Segundo o Rapport Financier apresentado por Delevoy90, a situação financeira da AICA deteriorava-se dia para dia91. Impunha-se a necessidade de criar novas fontes de financiamento ou a falência da AICA tornar-se-ía uma realidade. O tesoureiro geral sugeriu como solução que fossem aumentadas as cotizações e criado um “dóri d’inscription” para os membros aderentes. Esta segunda proposta implicaria mudanças estatutárias e consequentemente a sua discussão em sede de assembleia geral. Mais de âmbito organizativo foi a sugestão de Argan de centralizar a administração financeira na mão do tesoureiro geral, facto que até este momento não ocorrera. A ausência de representantes da UNESCO nesta reunião, levantou algumas suspeitas de falta de continuidade nos apoio mas essa apenas se ficou a dever a razões de ordem económica e a

87 A.I.C.A. 1963 Tel-Aviv Israel Minutes intégrales … op. cit., p.15. 88 Idem, Ibidem, p.16.

89 A Commission de conservateurs de musée teve James Johnson como presidente, a Comission pour les

professeurs d’enseignement, Pierre Francastel ; a Comission pour l’Information e communication, Jacques

Lassaigne ; a Commission des Archives era presidida por Juliusz Starzynski; a Commission des Méthodes et

Congres por Hans Jaffé e a Commission de Terminologie era dirigida por René de Solier.

90 Segundo os estatutos da AICA (artigo 7º parágrafo 6º) o Tesoureiro Geral deveria apresentar as contas do

seu exercício em cada assembleia e segundo o regulamento adotado na Assembleia Geral do México em 1962 deve apresentar também um balanço.

91 A SP/AICA tinha nesta data 4 sócios inscritos e não tinha pago qualquer cotização deste 1961. A

SP/AICA era juntamente com a canadiana, egípcia, espanhola, e sul-africana apontada como não pagante sistemática pelo tesoureiro Robert Delevoy. Association Internationale des Critiques d'Art. 16e

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UNESCO manteria o apoio à AICA especialmente ao seu projeto da Commission des Archives. Profundas alterações ocorriam também no seio da UNESCO. Refere-se a intensão de passar a AICA da divisão das Arts et Lettres para a de Philosophie et Sciences humaines, o que sem dúvida podia abrir um campo mais alargado de ação e possibilidades à AICA Uma das vozes que se fez ouvir e que apoiava veemente esta mudança era a de Lionello Venturi que não deixou de referir a inserção do Comité d’Histoire de l’Art nesta divisão.

Fig. 4

Primeira página das Atas da 16ª Assembleia geral realizada em Veneza em 1964.

Association internationale des critiques d'art. 16e Assemblée Générale. Proces-verbal. Venise: A.I.C.A., 1964.

Acessível em Archives de la Critiques d'Art, Rennes, France, Rennes, France.

Fot. Ana Luísa Barão

A Assembleia-geral seguinte decorreria em Veneza entre 16 a 18 de Julho 1964. Nela dedicou-se um voto de admiração e reconhecimento a Raymond Cogniat que não só trabalhara arduamente para a Associação como foi um dos seus fundadores. Foi por esse motivo nomeado o primeiro President d’Honneur da AICA 92.

O congresso, presidido por Giulio Carlo Argan, decorreu durante os dias seguintes e foi dedicado a dois temas distintos: “O pensamento judeu, factor de universalidade na arte” e “A criação artística na tecnologia moderna, integração e conflitos”. Entre os participantes destacam-se: Jorge Romero Brest (Argentina), Mário Barata e Mário Pedrosa (Brasil), James Johnson Sweeney (EUA), Alexander Ciric-Pellicer (Espanha),

92 Idem, Ibidem, p.24.

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Jacques Lassaigne, Simone Gille-Delafon e Pierre Restany (França), Joseph Paul Hodin, Pierre Jeannerat e Charles Spencer (Gran Bretanha) entre outros.

A enorme polémica em torno da publicação do boletim de atividades ACTIVITES e dos processos verbais da 15ª Assembleia-geral de Tel-Aviv (1963), que ocupou grande parte desta assembleia-geral, culminaria com a demissão da secretária-geral Simone Gille-Delafon que, segundo vários dos envolvidos na discussão, já não era capaz de exercer as suas funções, ou pelo menos com a mesma jovialidade com que iniciara esta atividade dezasseis anos antes93. Esta controvérsia contribuiu para acentuar a constatação da necessária reforma administrativa da AICA já notada por Argan na Assembleia-geral de Tel Aviv. A estrutura da AICA alterara-se profundamente em número de sócios e extensão de secções ao longo destes anos. Secundo Marian Varons a AICA tinha então “plus de 600 membres et dans quelques années elle en aura peut-être 2000. Cela veut dire que l’AICA devient une association internationale exigeant une structure nouvelle et correspondant à ses faits. Ce changement de conception devant lequel nous sommes placés, exige aussi le changement de conception de secrétariat de l’AICA”94 Enquanto se discutia a exoneração de Gille-Delafon dois nomes surgiram para a substituir. Raymond Cogniat apontou Tony Spiteris, enquanto James Johnson Sweeney sugeria José-Augusto França95. As sugestões prendiam-se com o facto de ambos viverem em Paris. Mas, José- Augusto França, depois de convidado diretamente por Argan declarou “ ne pas vouloir proposer sa candidature, ne pas pouvoir surtout car il passe son temps entre Paris et Lisbonne et même lorsqu’il est à Paris, il est très engage dans des travaux scientifiques”96.

Esta assembleia reveste-se de um carácter excecional pois levou a cabo a análise dos estatutos que permitiriam a futura reforma estatutária. A retificação e reorganização dos estatutos foram elaboradas por três dos mais antigos membros da AICA constituídos

93 O conflito entre o Presidente francês Jacques Lassaigne e a Secretária-geral internacional Simone Gille-

Delafon tornara-se público a partir do momento em que esta, segundo o presidente francês, não soubera estabelecer as necessárias diferenças entre a Seção francesa e a Associação Internacional. Lassaigne aponta como causa do desentendimento a edição da Lettre d’Information international ACTIVITES (publicação da seção francesa). Gille-Delafon organizara a sua edição e publicação sem que tivesse submetido os textos à aprovação do presidente francês. Prudentemente Argan, novo presidente eleito em 1963, resolveu não editar o último número de ACTIVITES. A querela desvanecer-se-ia com a retirada de Gille-Delafon em 1964. Cf. Lassalle, Hélène - Historique de l'AICA France 1949-1990. [Consult. 27-11-2012]. Disponível em WWW: http://www.aica-france.org/historique.html, p.10.

94 Association Internationale des Critiques d'Art. 16e Assemblée Générale. Procès-verbal… op. cit.,

p.74

95 Idem, Ibidem, p.81 ; Também referido em: França, José-Augusto - Folhetim-artístico. A A.I.C.A. em

Portugal. Diário de Lisboa [Suplemento Literário]. Lisboa. Vol. 48, n.º 551 (20 Fev. 1969), p.8.

96 Association Internationale des Critiques d'Art. 16e Assemblée Générale. Procès-verbal… op. cit.,

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em comissão criada na anterior Assembleia-geral (Tel-Aviv) e que ficou conhecida como Projet Delevoy-Hammacher-Jaffé.

Antes de dar início aos trabalhos de retificação, que se prolongaram por várias sessões, Giulio Carlo Argan afirmava que esta era a ocasião ideal para uma reflexão séria sobre a situação da AICA, sobre a sua função. Da declaração de princípio que de seguida realizou, vale a pena salientar a importância que atribui à função da AICA e à influência real que esta exerce, na sua opinião, sobre a cultura:

“Pourquoi l’AICA existe, pourquoi les critiques d’art ont-ils senti le besoin de s’assembler dans une Association internationale, est-ce que notre Association a un poids, une fonction réelle dans la culture d’aujourd’hui. La critique d’art est, comme vous le savez, une science97. Est-il nécessaire, dans l’intérêt de la science,

que ceux qui la pratiquent, s’assemblent dans une association? Et, croyons-nous que cette Association puisse se réduire à une série de rencontres annuelles ou de congrès plus ou moins scientifiques? Je crois pouvoir donner une réponse. Oui, il est nécessaire que les critiques d’art aient une organisation plus forte, plus active que, par exemple, les historiens d’art ancien. Car leur activité est engagée dans une situation actuelle et même dramatique et elle exerce une influence sur l’existence, sur la vie même de l’art moderne. Le critique d’art est sans doute lui aussi un historien mais il est comme l’historien de la politique moderne. Il faut reconnaître que l’historien de la politique contemporaine est aussi un homme politique car ses jugements peuvent et doivent influencer le cours des évènements et charger la réalité des choses mêmes dont il s’occupe en tant qu’historiens. La science se charge par là d’une responsabilité moral beaucoup plus grave car, on doit toujours réfléchir sur le jugement que l’on donne, les idées que l’on expose, les hypothèses que l’on formule pour qu’ils soient également valables sur le plan intellectuel et sur le plan moral. On peut dire la même chose pour les critiques d’art. Evidemment, ils ont besoin d’un échange continuel d’idées et d’expériences; mais ils ont surtout besoin d’apporter dans leur travail un intérêt moral, d’établir une attitude commune, une attitude scientifique vis-à-vis d’une situation historique qui change tous les jours et qui peut mal tourner, car tous savent que la situation de l’art moderne dans le monde d’aujourd’hui est très difficile au point que l’on parte – et plusieurs parmi nous en parlent – d’une mort possible de l’art (…). (…) la crise de l’art c’est la crise de son rapport avec la société contemporaine et que le rapport concret, la liaison réelle entre l’art et la société de son temps, c’est proprement la critique. C’est-à-dire que la crise, chères amis, c’est nous, la critique. Et vous savez bien que la critique a deux fronts, l’art militant et le publique. Son problème, comme sa responsabilité, est double. Je vous ferais seulement remarquer qu’aujourd’hui, l’influence du marché sur la situation de la culture artistique – c’est-à-dire sur les artistes et le public – est beaucoup plus forte que celle de la

97 Yvon Taillandier afirmou no decorrer desta discussão que «Je n'imagine pas que l'on puisse obliger les

critique à s’astreindre à une seule manière de faire de la critique. Si la critique d'art est une science, elle est aussi un art et surtout un art». Association Internationale des Critiques d'Art. 16e Assemblée Générale.

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critique, ce qui évidement est contraire à la dignité de notre science. C’est vrais les marchands ont l’argent, mais les critiques ne manquent pas de moyens puisqu’ils ont les musées, ils ont les écoles, ils ont la presse et la radio, ils ont enfin une association international vivante et même puissante qui est l’AICA Pourquoi donc notre influence est-elle si faible ? Evidemment parce que la lutte est trop dure pour permettre à chacun de nous de faire sa bataille. Il fallait se réunir et nous nous sommes réunis. Mais nous n’avons pas trouvé les moyens de développer un effort commun. L’AICA a maintenant une masse remarquable et une force presque nulle”98.

O reconhecimento de uma crise na estrutura central, já tinha sido apontado durante a Assembleia-geral de Tel-Aviv. Mas a crise alastrava-se também às secções nacionais quase todas sem estatutos que as regulamentassem. As dúvidas eram muitas. Questionava-se se a AICA era uma associação unitária ou uma federação de associações nacionais, se as suas funções culturais eram compatíveis com as funções profissionais dos críticos de arte, qual devia ser a relação da Associação com os sindicatos de críticos de arte nos países em que estes existissem99, etc. Até à data deste congresso, Argan afirmava que a AICA não era mais do que uma reunião de pessoas que praticavam crítica de arte enquanto conservadores de museus, professores ou jornalistas, reunindo-se uma vez por ano por convite de uma Secção nacional, discutindo problemas muito genéricos, passeando e tomando refeições juntos, agradecendo à Secção organizadora do evento e regressando a casa com a memória de um reencontro amigável mas, sem que se tivesse realmente discutido os problemas de fundo. Esta não podia ser para Argan a função da AICA. Muito menos seria a de declarar que determinada corrente artística contemporânea era mais válida do que outra.

O crítico era livre de abordar os problemas de uma perspetiva pessoal. Mas era necessário «demander quels sont nos instruments, nos moyens de travail, comment on peut les rendre plus efficients et les mettre à la disposition de tous ceux qui font le même travail»100. Era necessário colocar o problema da função real da Associação. Traria a revisão estatutária mudanças reais? Permitiria que a AICA se desenvolvesse como força capaz de exercer uma atividade dinâmica na situação cultural contemporânea?

98 Association Internationale des Critiques d'Art. 16e Assemblée Générale. Procès-verbal… op. cit.,

pp.15-16

99 Para Argan a A.I.C.A. era uma associação internacional e não uma federação de associações de críticos

de arte, Um só estatuto regia a A.I.C.A. que previa a existência de diferentes regulamentos que se ajustava as leis internas de cada país.

100 Association Internationale des Critiques d'Art. 16e Assemblée Générale. Procès-verbal… op. cit.,

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A situação era de tal ordem crítica que alguns membros se recusaram a participar neste encontro enquanto não fossem tomadas medidas concretas de ação. Foi o caso de Pierre Francastel que em carta lida pelo Presidente da Assembleia afirmava «C’est parce qu’il n’existe aujourd’hui aucune base de discussion authentique, ni procès-verbal reconnu, ni ordre du jour, que je suis de nouveau contrait de m’abstenir»101.

Vicente Aguilera-Cerni sublinhava igualmente a necessidade de mudança. Para este crítico espanhol, membro da Secção Livre da AICA, era necessário que esta associação fosse um organismo vivo que servisse os grandes interesses da cultura não esquecendo que o primeiro e o mais importante destes interesses era criar e salvaguardar as condições de liberdade indispensável a existência e ao desenvolvimento normal da cultura. Definir os interesses da cultura implicava a adoção de uma posição ideológica. Por este motivo Cerni era favorável a uma AICA ideológica, consciente de que a crítica de arte não podia ser uma atividade indiferente às condições vitais da existência da cultura. Não era possível ignorar situações onde a liberdade era menosprezada. As várias intervenções de Cerni durante esta assembleia geral foram no sentido de defender organicamente e corporativamente o princípio da liberdade cultural e ideológica. E esta vinculação política é ainda mais evidente quando propôs à Assembleia a admissão do preso político, o critique de arte Antonio Gimenez Pericas, levando Argan a verbalizar, uma vez mais, que o estatuto da AICA «nous empêche formellement de prendre une attitude politique: nous ne pouvons absolument pas avoir d’activité politique mais lorsque la politique entre dans le domaine de la culture, c’est notre devoir de la chasser et nous ne pouvons pas faire cela avec une attitude tout à fait passive. Aucun de nous ne voudrait prendre et ne prendra jamais d’initiative dans le domaine politique, mais nous sommes tous décide à défendre la