4 Findings
4.3 Vocationalization
Música governador da coroa imperial (pode haver entrada dos galantes colorido e outros com arco pretos)
Bertrand e Larissa vestidos de capa preta recrutam da platéia O rei e a rainha Gertrudes colocando neles as coroas de cipó (luminárias que vende no centro na frente das lojas de instrumento na casa de coisas do sertão) toca a música governador da coroa imperial. Colocam as coroas e capas neles unem as mãos dos dois e Bertrand fala o texto do rei no ouvido do rei (platéia) que deve repetir para a platéia de súditos.
CENA 4 Entra Vítor de Hamlet monólogo do: isso é um deserto Hamlet sai.
CENA 5 ENTRADA DE OPHÉLIA E LAERTES (São Gonçalo do Amarante bem animada emenda música de despedida ou ver seu filhinho embarcar pra marinha) Ophélia com os patins imita os movimentos dos arcos sem eles como uma dança que envolve Laertes e ganha todo o espaço cênico termina com encerrei em meu coração e só você tem a chave.
Diálogo entre eles interrompido por Polônio que é uma pequena participação que pode ser feita por Alan outro ator que não estiver em cena dirige esse momento
Segue a cena de Ophelia e Polônio e termina com “obedeço.”
CENA VI
Segue a cena eu estava costurando no quarto quando o jovem príncipe ....me pegou pelo pulso....Ophélia deve estar descalça como se fosse dormir.
Se houver condições de iluminação a cena pode ser encenada muda em determinado espaço que a platéia veja por uma janela ou através de um véu e em seguida ela narrando o que acabou de acontecer.
CENA VII
DEVOLUÇÃO DAS LEMBRANÇAS
Polônio manda ler o breviário com o livrão verde Ophelia espera ele sair e troca pelo livro de bolso.
As lembranças que Ophelia vai devolver: os patins, a rabeca e o livrinho Hamlet pocket No fim dessa cena Hamlet NÃO CARREGA AS LEMBRANÇAS! Os pantins ficam rolando sozinhos em cena enquanto Ophelia canta São Gonçalo do Amarante bem triste e termina com as falas : o olho, a espada sei que lá sei que lá desgraçada de mim que vi o que vi vendo o que vejo.
Cena VIII
MORTE DE POLÔNIO. Essa cena acontece na hora em quanto Hamlet e Gertrudes discutem é uma cena muito legal (quem pode comparar isso a isto? Mostra o fantasma eleito da platéia e o Claudio eleito da platéia já a Gertrudes precisa ser do UZUME.
Cena IX
INVASÃO DO CASTELO DA DINAMARCA
Ophelia deve usar um vestido em tudo igual ao de antes, entretanto completamente transparente mostrando a nudez que a loucura lhe impõe. Distribui as flores para a platéia deflorando-as sobre as cabeças de quem escolher. Menos a arruda que deve ser usada de outra maneira essa será espargida como na macumba e depois junta nas mãos como fazem com os defuntos e rosmaninho que deve querer forçar Laertes a engolir. Aqui pode ser feito o monólogo da flauta quando na fala: Mas se perguntarem do que se trata respondes assim: cola aqui o monólogo da flauta que pode ser substituído pela Rabeca , pode se coroar algumas moças da platéia com flores de modo que elas também se tornem ophélias como num corpo de baile , ou todos os atores podem ser ophelias nesse instante cantando em coro hora uníssono, hora polifônico para nomear uma ophelia basta coroar-lhe de flores também. Porém sem ares de festa já que essa cena a personagem se despede contando que sai para o suicídio
MORTE DE OPHELIA
Se houver uma fonte ou qualquer água no espaço (no mar se fosse na guia mesmo que o público veja de longe) (ou se o grupo tiver coragem de montar onde for fica chique e sai barato na internet ensinam a fazer fonte o problema é que tem que ter um buraco o ideal é que o treco já exista)
Distribui-se para as ophelias guarda chuvas pretos para o restante da platéia se distribui os arcos que podem ser todos brancos ou cores de rio ou furta cor , uma ophelia do Uzume puxa a dança dos arcos cantando ela se afogará ao mesmo tempo que a outra na fonte
Uma ophelia (do uzume) cantando se dirige para a fonte enquanto uma Gertrudes (do uzume) narra a passagem do salgueiro no santa rosa pode se usar a arvore ao lado da fonte)
Ophelia cai na água e fica boiando e cantando até de repente cessar
As outras ophelias em dupla abrem os guarda chuvas de par em par como as asas de Ismália esses guarda chuvas precisam ser daqueles que produzem som.
A Ophélia que morreu nos arcos dá um deles a cada Ophelia do guarda chuva formando uma flor ao redor da fonte com os arcos e deposita sua coroa na água enquanto a outra Ophelia da roupa transparente permanece lá cada pessoa que tiver uma rosa deve ir colocar nesse túmulo quem tiver guarda chuva deve ir devagar para não tapar a cena. CORTEJO FÚNEBRE EM QUE HAMLET APARECE
Quando todos os guarda-chuvas estiverem fechados depois de passar pelo cortejo (de preferência toda a platéia deve participar do cortejo. É um momento como a comunhão na igreja católica. A Ophélia dos arcos junto com a Gertrudes devem retirar o corpo e secá-lo carregando ele em direção a platéia que deve retirá-lo de cena então Hamlet aparece.
DUELO DE HAMLET E LAERTES
Vai direto da briga no cemitério para o cochicho com o rei Claudio (dessa vez deve ser do uzume) sobre a vingança da morte de Ophelia e de Polônio segue imediatamente o duelo quando tiram o corpo de Ophelia de cena. Daí vai até o resto é silêncio. (duelo de espadas do cavalo marinho)
Finaliza convidando para o debate ou para a apresentação de cavalo marinho através de uma poesia que construiremos juntos.
2° ROTEIRO PROPOSTO POR ALAN MONTEIRO – Brinquedo de Hamlet – 1ª
VERSÃO
O público aguarda a entrada no teatro. Ofélia sai de dentro do Castelo e passa cumprimentando o público. Posiciona-se diante dele e recita uma poesia com/sobre rosmaninhos, flores para a memória, que termina com a seguinte frase “Rosmaninho, é para a lembrança”. Ela retorna pela mesma porta que entrou e, assim que a porta se fecha, a trupe chega nas portas do Castelo cantando:
Na entrada dessa casa Levantei minha bandeira 2x Bravo povo que está presente 2x Visa à (nação brasileira) mudar
Neste momento elegemos uma Rainha Gertrudes e um Rei Claúdio da platéia e os posicionamos nos umbrais do Castelo. Cantamos para eles:
* O espaço onde acontece a apresentação vai se modelando – hora é o salão de festas do Castelo, hora é o quarto dos personagens, o bosque... O que pode propiciar essas mudanças são os atores com suas ações e adereços, e a posição dos espectadores (?) Quem são os espectadores em cada quadro? Dimensão do jogo para sustentar a proposição do espaço.
Senhora, dona da casa
Passe a mão nos seus cabelos 2x Que do céu já vem caindo Pingos de água d‟cheiro
* Quem vai tocar para os atores cantarem? Os próprios atores, o banco do Cavalo Marinho? Se os atores eles tem que aprender a tocar os instrumentos, se o banco do Cavalo Marinho, como faríamos para viajar com eles? Pode ser uma solução juntar estas duas ideias!
A rainha e o rei recebem a trupe e os demais convidados para a festa de casamento (cena das bodas de luto pg. 19).
REI CLAÚDIO: Embora a morte de nosso querido irmão Hamlet esteja fresca,
ainda,em nossos sentimentos a memória recomende luto em nosso coração E o reino inteiro ostente a mesma expressão sofrida, A razão se opõe a natureza, E nos manda lembrar dele com sábia melancolia sem deixar de pensarmos em nós mesmos. - Por isso, tomamos por esposa nossa antes irmã, e agora nossa rainha, a imperial herdeira deste reino guerreiro, com alegria, por assim dizer, com alegria desolada, um olho auspicioso o outro chorando, aleluia no enterro, réquiem no casamento, sabendo equilibrar a dor e o encanto, tomamos como esposa, após ouvirmos vossos conselhos, sempre e em tudo livres. Nossos agradecimentos por tudo isso.
É nesta festa que Hamlet e Ofélia vão se encontrar pela primeira vez depois de crescidos. A trupe ainda canta antes de entrar no Castelo:
Senhora dona da casa Licença eu quero pedir 2x Hora e meia de relógio Pra maruja divertir Senhora dona da casa Não me dê por agravado 2x Senhora é nossa madrinha Nós somos seus afilhados
A trupe vai entrando conduzindo os espectadores para o interior do Castelo onde esta acontecendo a festa. Eles já podem ir convidando as pessoas para ir dançando, formando um corpo de baile. Quando o baile estiver pronto, as pessoas dançando, um ator se paramenta discretamente para entrar como Hamlet. E circula pela festa. Em seguida, uma atriz faz o mesmo até que seus olhares se encontram. Durante os comprimentos para os convidados pela festa, os atores podem comentar algo com os espectadores, inclusive um sobre o outro.
* Esta festa pode ser composta pela música da “Fulô” e coreografia dos arcos. Onde dar os vivas? Quando Hamlet e Ofélia se encontram pode ser tocado o “São Gonçalo do Amarante”. Quem canta neste momento? Cada ator e atriz, Hamlet e Ofélia, neste momento da festa pode ter um monólogo que será dito congelando a cena (?) Cada ator pode conduzir um cordão e ter paradas na música para eles falarem.
** Talvez seja bom construir algumas narrativas para Ofélia, para ir costurando a encenação (?).
- A festa é interrompida pela entrada do guarda falando ter visto o fantasma. Hamlet sai com ele para tentar falar com a figura do fantasma;
Pg. 24-7
HAMLET: Alegra-me rever-te com saúde... Horácio, se a memória não me falha. H0RÁCIO: O mesmo criado, príncipe, de sempre.
HAMLET: Amigo, amigo; é o nome que eu te dou.
Qual a razão de haveres tu deixado. Wittenberg?... Marcelo? MARCELO: Meu bom príncipe...
HAMLET: Muito prazer. (A Bernardo.) Bons dias. Mas falando sério, por que deixaste Wittenberg?
HORÁCIO: Simples disposição de um preguiçoso.
HAMLET: Eu não permitiria que um inimigo teu dissesse isso. Por isso, não me faças ao ouvido a violência de depores contra ti mesmo. Não, não és vadio. Qual o motivo que a Elsinor te trouxe? Conosco aprenderás a beber muito.
HORÁCIO: Senhor,vim assistir os funerais de seu pai.
HAMLET: Não zombes; creio que vieste para o casamento de minha mãe. HORÁCIO: Realmente, foi bem perto.
HAMLET: Economia, Horácio! Os assados do velório puderam ser servidos como frios na mesa nupcial Preferira encontrar no céu o meu pior inimigo, a viver tal dia, Horácio. Meu pai! Às vezes julgo ver meu pai.
HORÁCIO: Como, senhor?
HAMLET: Com os olhos da alma, Horácio.
H0RÁCIO: Eu o vi uma vez; um grande rei, de fato.
HAMLET: Era um homem,e nada mais importa; jamais poderei ver alguém como ele. H0RÁCIO: Creio, senhor, que o vi nesta noite última.
HAMLET: A quem?
HORÁCIO: A vosso pai, senhor. HAMLET: O rei meu pai?
HORÁCIO: Prestai-me ouvidos, refreando o espanto por algum tempo, até que eu vos relate tal maravilha.
HAMLET: Pelo céu, falai.
H0RÁCIO: Duas noites a fio este senhor, quando guarda montavam, na hora morta da meia-noite, viu uma figura parecida com vosso pai, armado da cabeça até aos pés, avançando com postura lenta e grave. Três vezes pelos olhos pálidos lhes passou. Ele, gelado pelo medo, ficou sem ter ânimo para falar-lhe. O fato me confiou. Montei guarda com ele na outra noite... E eis que na hora indicada, sob a forma que me descreveu, tudo exato, voltou a aparição... Sim, vosso pai; o reconheci; estas mãos não seriam tão parecidas.
HAMLET: Onde foi tudo isso?
MARCELO: Na esplanada acima de nós, senhor. HAMLET: Falaste com a aparição?
HORÁCIO: Falei-lhe, sim, meu príncipe, mas não me respondeu. Contudo, quis-me parecer que ele o rosto levantava, pondo-se em movimento, como prestes a falar. Mas, nessa hora, cantou o galo. A esse canto, esgueirou-se ele apressado, sumindo à nossa vista.
HAMLET: É muito estranho.
HORÁCIO: Por minha vida, príncipe, é a verdade. Pensamos que o dever nos prescrevia dar-vos conta de tudo.
HAMLET: Não vos encubro a minha inquietação. Montais guarda esta noite? MARCELO: Sim, alteza.
HAMLET: Tinha armas, o dissestes? MARCELO: Sim, alteza.
HAMLET: Da cabeça aos pés? MARCELO: Sim, de alto a baixo.
HAMLET: Então não lhe pudestes ver o rosto. HORÁCIO: Como não? A viseira estava erguida. HAMLET: E as feições, carregadas?
H0RÁCI0: Expressão mais de dor do que de cólera. HAMLET: Corado ou pálido?
H0RÁCI0: Muito pálido.
HAMLET: E o olhar? Chegou a fitar-vos? HORÁCIO: Durante todo o tempo.
HAMLET: Desejara tê-lo visto.
HORÁCIO: Sem dúvida, isso havia de causar-vos profunda admiração. HAMLET: Muito provavelmente. E demorou-se?
HORÁCIO: O tempo de contar, com certa calma, até cem. HAMLET: E a barba? Era grisalha?
H0RÁCI0: Tal como a vi, quando ele ainda era vivo: negro-prateada. HAMLET À noite, eu farei guarda; talvez ele retorne.
HORÁCIO: É quase certo.
HAMLET: Se ele me aparecer sob a figura de meu pai, falar-lhe-ei, ainda que o inferno abrisse e mandasse ficar quieto. Mas peço a todos: se a ninguém falastes dessa visão, sede discretos nisso. A qualquer ocorrência desta noite, trocai sinais apenas, não palavras. Saberei ser-vos grato. Passai bem. Na esplanada, entre as onze horas e as doze, pretendo aparecer.
TODOS: Nossos respeitos.
HAMLET: Vosso amor, como o meu. E agora, adeus. (Horácio, Marcelo e Bernardo saem.)
A sombra de meu pai em armas! Tudo vai muito mal. Temo qualquer desgraça. Ah! Quem dera que a noite já chegasse! Mas até lá, minha alma, sê paciente. A verdade aparecerá nem que tenha que desencavá-la da mais profunda terra.
- Ofélia com Laertes. Falas de Polônio vão para Laertes. Este diálogo termina com a fala de Ofélia “Obedeço”;
Pg. 27-31 Acho que pode haver um Polônio. Hamlet saiu com o guarda e Horácio. Só Ofélia ficou, aparece Laertes e, em seguida, Polônio. OU podemos selecionar os textos de Polônio para Laertes e, assim, esta cena acabaria quando Laertes sair e a próxima começando com a entrada de Hamlet.
LAERTES: Tudo o que é meu já se acha a bordo; adeus.
Cara irmã, se houver ventos favoráveis e navios no porto, não te ponhas a dormir: dá notícias.
OFÊLIA: E duvida?
LAERTES: No que diz respeito a Hamlet, e seu namoro, toma-o como capricho, simples moda, violeta precoce no inicio da primavera,suave mas efêmera, perfume e refrigério de um minuto, nada mais.
OFÉLIA: Nada mais?
LAERTES: Não mais; pois a natureza ao fazer-nos crescer não nos favorece apenas em forças e tamanho mas na medida em que o tempo vai passando, se amplia dentro dele o espaço reservado pra alma e pra inteligência. Talvez Hamlet te ame, agora, e não haja mácula ou má-fé, mas é um vassalo do seu nascimento. Não pode como as pessoas sem importância, escolher a quem deseja, pois disso depende a segurança e o bem estar do Estado. Então, quando diz que te ama, convêm a tua prudência só acreditar nisso até onde a vontade universal da Dinamarca o pode permitir o seu desejo pessoal. Assim, pese o que pode sofrer a tua honra, se ouvir suas canções com ouvido crédulo, lhe entregar o coração ou abrir teu mais casto tesouro à sua luxuria sem controle. Cuidado, Ofélia, cuidado, amada irmã, vigia!
OFÉLIA: Encerrarei no peito, como guardas, essas sábias lições. Mas, caro irmão, não faças como alguns desses pastores que aconselham aos outros o caminho do céu, cheio de dificuldades, enquanto eles seguem alegres a estrada dos prazeres, sem dos próprios conselhos se lembrarem.
LAERTES: Não se preocupe comigo; mas é tempo; aí vem nosso pai. (Entra Polônio.)
Dupla bênção, graça dupla.
O acaso me concede este outro adeus.
P0LÔNIO: Ainda aqui, Laertes? Para bordo! O vento já sopra na proa do teu barco; já te reclamam. Vai com a minha bênção, e grava na memória estes preceitos: Não dês língua ao que estiver pensando. Nem transforma em ação um pensamento bobo. O amigo comprovado, prende-o firme no coração com vínculos de ferro, mas a mão não calejes com saudares a todo instante amigos novos. Foge de entrar em briga; mas, brigando, acaso, encurrala o medo no inimigo. A todos, teu ouvido; a voz, a poucos; ouve opiniões, mas forma juízo próprio. Conforme a bolsa, tenhas a roupa: sem fantasia; rica, mas discreta, que o traje às vezes faz o homem. Nisso, principalmente, são caprichosas as pessoas de classe e berço na França. Não emprestes nem peças emprestado; quem empresta perde o dinheiro e o amigo, e quem pede emprestado já perdeu o fio da economia. Mas, sobretudo, sê fiel consigo mesmo; segue-se disso, como o dia à noite, dessa maneira não serás falso com ninguém. Adeus; que minha bênção tais conselhos faça frutificar.
LAERTES: Humildemente me despeço, senhor.
P0LÔNIO: O tempo é curto; vai logo, que os criados já te esperam. LAERTES: Adeus, Ofélia; guarda o que eu te disse.
OFÉLIA: Está encerrado na minha memória, e só você tem a chave. LAERTES: Adeus.
(Sai.)
P0LÔNIO: Que palavras, Ofélia, ele te disse? OFÉLIA: Se deseja saber, falou do príncipe Hamlet.
POLÔNIO: Ah, bem lembrado. Já me disseram que ele te dispensa alguma intimidade e que tu própria tens sido liberal em dar-lhe ouvidos. Se é assim e assim me foi contado, devo te dizer – como um aviso – que você não compreende claramente o que te convém como minha filha e quanto a tua honra. Que há entre vocês? Fala a verdade.
OFÉLIA: Senhor, ultimamente fez-me muitas propostas de ternura.
P0LÔNIO: Ora, ternura! Falas tal qual mocinha inexperiente do perigo de certas situações. E tu? Acreditas em tais propostas?
POLÔNIO: Ouve, então: é preciso que não passes de um bebê, para teres recebido como moeda corrente essas propostas.
OFÉLIA: Mas senhor, sua insistência sempre foi de moral honrosa e digna. P0LÕNIO: Moral! Bela expressão. Adiante! Adiante!
OFÉLIA: E ele soube firmar os seus protestos de amor com os mais sagrados juramentos.
POLÔNIO: Conheço isso; armadilha para rolinhas. Quando o sangue ferve, como a alma é prodiga em emprestar mil artimanhas à língua. São chispas, minha filha, dão mais luz que calor e não se instigue no momento da promessa – não são fogo verdadeiro não deves esquecer que o príncipe Hamlet é jovem e príncipe; tem rédea bem mais solta do que a tua. Não quero mais de hoje em diante que você conspurque um minuto sequer, trocando palavras, ou conversando com o príncipe. Preste atenção: é uma ordem. Pode ir.
OFÉLIA: Eu obedeço, meu senhor.
- Laertes sai ao mesmo tempo em que entra Hamlet esbaforido do encontro com o fantasma. Ao mesmo tempo em que narra o encontro ele é encenado;
HAMLET: Para onde me conduzes? Não darei mais um passo. FANTASMA: Ouve-me!
HAMLET: Isso é o que desejo.
FANTASMA: Já está perto o momento em que é forçoso que de novo me entregue às labaredas e ao enxofre do tormento.
HAMLET: Pobre espírito!
FANTASMA: Não me lastimes; ouve com atenção o segredo que passo a revelar-te. HAMLET: Fala, que estou obrigado a dar ouvidos.
FANTASMA: E também a me vingar, depois de me ouvir. HAMLET: Como!?
FANTASMA: Sou a alma de teu pai, por algum tempo condenada a vagar durante a noite, e de dia a jejuar na chama ardente, até que as culpas todas praticadas em meus dias mortais sejam nas chamas, enfim, purificadas. Escuta, Hamlet! Se algum dia amaste teu carinhoso pai...
HAMLET: Ó Deus!
FANTASMA: Vinga o seu assassinato estranho e torpe. HAMLET: Assassinato?
FANTASMA: Sim, assassinato torpe, como todos; mas esse é estranho, vil e inconcebível.
HAMLET: Conta-me, a fim de que eu, com asas rápidas como os pensamentos de amor, voe para a vingança.
FANTASMA: Te vejo decidido e serias mais insensível do que a espessa planta que nas margens do Leste apodrece, se isso não te abalasse. Escuta, Hamlet! Contaram que uma cobra me picara, quando, eu dormia no jardim. Assim, foi ludibriado todo o ouvido da Dinamarca por uma notícia falsa de minha morte. Mas escuta, A cobra que peçonha lançou na vida de teu pai, agora cinge a coroa dele.
HAMLET: Oh, minha alma profética! Meu tio!