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4   Findings

4.1   Specialized workers’ view on proficiency in skills

Ensaio 25/04/10 (sábado) Theatro Santa Roza 1ª Parte:

- Alongamentos individuais – 10 min; - Incluir face e voz;

- Clara fazer o passo do carvão com as costas baixas;

- Vitor com o passo do Balanço trabalhando ele na extensão; - Vitor fazer o passo do carvão se abaixando;

- Vitor fazendo o texto de Ofélia da loucura de Hamlet (agarrou-me pelo pulso...), Clara cantarola. Logo após emenda com o texto de Hamlet da loucura;

- Vitor fazendo o trupé e olhando pra traz a cada passada; - Vitor de joelhos diante de Clara;

- Avanços de Vitor, recuo de Clara. Avanço de Vitor, mergulhão de Clara. Enfrentamento

29/05/10

- Clara experimentando o “balanço” como uma Ninfa;

- Vitor com o “trupé rebatido”, bem mais lento e as mãos meditativas;

- Vitor com o galope e o braço direito à frente, um rei que chega em seu cavalo, depois misturou com “um passo só”;

- Clara com “passo tesoura” na guerra;

- Vitor com esse caminhar do Ambrósio, misturado com o mergulhão, e esta cara de medo quando entra na guerra;

- Vitor com os cordões dos arcos nos braços fazendo seus desenhos;

- Clara também com os arcos desenhados nos braços mas de forma mais suave; - Clara com um “passo tesoura” bem desenhado, lento, e no final marcado no chão; - Vitor só andando no ritmo do campeia;

- Vitor desesperado fugindo com algo parecido com “xaxado”; - Clara só com a marcação dos dois pés;

- Vitor com o caminhar no ritmo da música do Governador

- O arco que pode ser capas de chuva, bandeira, Santidade, que esconde e mostra a cara de Vitor. *Duelo como duas cobras*

- Arcos que se cruzam são espadas que batem e formam o infinito. Do duelo, volta para os amantes que trocam juras de amor;

- Esse som do balançar do arco como cobra é muito interessante;

22/06/10

- Clara experimentando o “passo balanço” e lançamento e raiz com o texto de Ofélia da morte do pai;

- Vitor experimentando enraizamento, com pêndulo e lançamento, fazendo uma espécie de aboio: “Voa, voa, voa...”

06/07/10 – cena da UZUME ou morte de Ofélia - Larrisa com a faixa verde sobre os olhos; - O fantasma pode dançar sobre o tecido (?)

- Vitor girando com os arcos apontando pra fora; - Larrisa fez uma casinha com o tecido;

- Vitor sai da coxia meio que com um trupé rebatido, o rosto vai pra cima, a mão dedilha a frente, caminha à frente, pega o paletó, “o que é o homem?”, improvisa com o paletó, o joga no chão, cai sobre o tecido azul e se lamenta por Ofélia. Larrisa passa por cima dele e o cobre com o tecido vermelho;

- Vitor cobrindo os olhos com o tecido meio cabelo, vendado;

- Vitor – Ofélia se lamentando por baixo do tecido azul. Salto - Hamlet-Ofélia;

11/10/10

- Vitor fazendo movimentos com o pano como um pássaro;

* Acho que cada um pode ter uma célula, uma composição para a chegada que pode ser vista de longe ou eles dançarem livres (?)

- Eles podem dançar sozinhos e depois se juntar; - Bertrand- fantasma girando

- Ritual: UZUME – Morte de Ofélia – peça encenada para o Rei

→ Uso do “trupé rebatido” como sonoridade durante a cena das bodas de luto (fala do Rei Claúdio).

13/10/10

- Larissa com um samba no meio do galope;

- Bertrand com uma mistura de galope, balanço com um braço de despedida; - Bertrand fez uma sequência com o galope que tinha um som bem interessante.

02/11/10

- Bertrand: parada com o dedo da mão direita; - Clara: parada com olhar e caminhar do Ambrósio;

- Vitor e Clara: Vitor guiando Clara atrás dela pela cabeça;

- Bertrand e Clara: girando. Bertrand em um sentido com uma espécie de galope. Clara em outro sentido e sobre o mesmo eixo, com passo-balanço. CENA DO ADEUS começo;

Um tipo de experimentação: - Alongamento individual com progressão para experimentação dos passos do Cavalo Marinho no ritmo de outras músicas;

- Ensaio Rosmaninhos...: músicas começo, bodas de luto, poesia de Ofélia,

LARISSA:

- galope sambado;

- galope de guerra – entrada de Hamlet

- saudação/comprimento com passo carvão (CM Pernambuco);

CLARA:

- Sequência de Ofélia “me pegou pelo pulso” – experimentação no espaço.

VITOR:

- Mergulhão desequilibrado; - Balanço sem fôlego;

- Movimentação com os arcos;

- Juntar todos os arcos e colocar qualquer passo; - Saudação fora do equilíbrio;

- Trupé rebatido com guinada.

* → Codificação: uma pessoa fala um texto, enquanto outra pessoa experimenta,

improvisa uma sequência.

16/11/10

- Na trupe todos podem estar juntos, fazendo o mesmo passo, mas improvisando ele de

formas diferentes

*→ É preciso dar algumas vezes orientações diretas, mais direcionadas para a composição do que se quer propor enquanto cena.

25/11/10

* Fazer arcos de várias cores. → Fazer estandarte do grupo.

*Larrisa: Ofélia pode ter arcos brancos na hora da sua morte. * Clara: quando ela estivesse bem alegre.

* Durante a dança de Ofélia e Hamlet com os arcos, os outros atores podem continuar dançando.

- Bertrand: caminhada lenta com passo da luta quando se fala do funeral.

11/12/10

- Vitor: pequena carreira com pegar da estrela;

- Larissa com bastão estátua caminhando e tirando som com batida do bastão no chão - Naiara já tem uma suavidade que lhe é própria – direcionar isto para Ofélia!

- Naiara mãos nos cabelos;

- Coceira das mãos de Vitor em Naiara – cena da devolução dos presentes; - Clara e Larissa – carreira juntas com a fala Afogada;

- Vitor batida no peito e que no chão – falando da mãe; - Vitor „sem mais escorias‟ com mão tremendo;

- Girada Clara, Vitor e Larissa;

- Fizeram do bastão o corpo de Ofélia – pode ser um buquê (?); - Bastão como mastro de fitas (?);

* Existem algumas falas de Polônio que podem ser ditas por Hamlet e ganharem outra conotação – cena da despedida de Laertes, Hamlet pode estar presente.

14/12/10

- Naiara com trupé rebatido e um olhar caído no chão;

- Larissa com o passo de guerra, deixando a perna mais tempo no ar; - Larissa puxando rede;

15/12/10

- Bertrand com uma chegada parecendo uma figura do C.M;

- Larissa com uma queda para um lado e para o outro, ondulando, girando; - Larissa galope parando no último passo;

- Larissa balançando descendo como se descesse um véu;

- Larissa com passada de pé em ¼ de circulo e mãos que guardam um segredo que ela leva a boca e engole;

- Bertrand vai sair no primeiro texto de Polônio e ele o trás de volta para lhe dar os conselhos.

20/12/10

- Naiara com um caminhar desequilibrado, uma queda, ida ao chão e recuperação rápida, parada, neutra. Ou seja, movimentação rápida, queda e recuperação, parada.

21/12/10

Naiara quando fecha o olho é outro discurso, variação de mãos balanço suaaaaave com pequenas paradas, calcanhar levantado, a mesma coisa com o passo galope;

- Girada do passo galope na marca de um tempo para o outro. Compromete a coluna. - Carreirinha baixa, plano médio;

- Vinda de frente com passo galope meio como corredora; - Cabelo, franja, sobre o rosto molhado;

- Correndo com galope dizendo que o príncipe escreveu as cartas; - Fragmentação do trupé rebatido lento, decepcionada... Tum, tá, tá, de - Olhar decidido junto com passo de guerra.

22/12/10

- Jogada de Cabelo para o chão e retomada com as mãos cruzadas por debaixo dos cabelos. Meio ajoelhada. → Esta jogada de cabelo pode ser para o público? Seria interessante fazer isto para o espectador, talvez em cima dele? Propor este tipo de relação?

- Continuidade no trupé rebatido. Não fazer a última batida de virada. Isto da uma continuidade ao movimento, ao passo.

23/12/10 – Naiara

- Passo balanço de lado, olhar para o chão como estátua; - Redução do trupé rebatido no espaço;

- Virada brusca com o Galope. PARADA. Olho; - fazer o balanço com as mãos frente/baixo no corpo;

→ Posso reduzir o passo de guerra nela até ficar só a energia, a pulsação dentro e o caminhar fora;

- Fazer o xaxado no ritmo do galope; - Viradas – música 5 DJ DOLORES.

Sobre a invasão do castelo da Dinamarca e a loucura de Ofélia

Texto produzido pela atriz do coletivo UZUME teatro Larissa Santana após improvisação

Nossos pensamentos eram de uma e de todas, em círculo a energia tinha uma vibração muito forte que eclodia numa seta em diagonal. Meu medo era nosso, meu choro e meu riso partiam ora de mim, ora de meus pensamentos que saiam da boca de outra Ofélia. Vozes me vêm à mente, pensamentos súbitos, incongruentes... minha mãe parece uma fada, eu tenho oito anos, ela me trata como uma princesa, passei a acreditar que um dia seria de fato... tem a voz mais doce do mundo, me enfeita os cabelos de flores... rosmaninhos, suas favoritas! Mas, doze anos, ela se despede, vira estrela, é o que me dizem. Mãe, não vá! Não me deixe sozinha!

Vou precisar de você! Cresci! Seu rosto não é nítido em minha lembrança, mas me prometeu que papai cuidaria de mim e me pediu para lembrar, rosmaninho é pra lembrança me disse antes que sua doce voz sumisse para sempre.

Desde então papai tem sido minha mãe e meu pai, Laertes minha melhor amiga e meu irmão. Gostaria de que você estivesse aqui agora, Hamlet vem me cortejando, sei que como donzela não posso dar-lhe tanta atenção, mas jurou me amar... Fui feliz algum tempo, acreditei é bem verdade, mas um dia me chegou alguém, sussurrando coisas pra minha desgraça, tudo foi por água a baixo, Hamlet matou meu pai!

Neste momento não houve mais chão em meus pés, foi como se te perdesse de novo, a minha estrela guia dos meus passos na vida, meu pombinho de luz... MORTO! Por aquele que mais amei na vida.

Como encarar a casa vazia? Laertes, meu Deus, como lhe dizer? se nem eu, acreditei! Lembranças me vem à mente, as promessas seguidas do desprezo, as juras seguidas do escárnio, será que ele me amou algum dia? Sabendo hoje, do que sei, não quero mais viver, não tenho mais nada a perder, nem a temer! Quero que todos saibam, que todos saibam que foi isso que me enlouqueceu! Nem sequer pude ver seu corpo... o jogaram numa cobertura fria, uma margaridinha que levei ao seu enterro, murchou em minha mão, não me deixaram por ao menos uma flor sobre seu corpo ensangüentado.

Ainda lembro dos cortesãos me segurando pelos braços, esbravejando que estava louca, meus braços... me apertaram com força, me machucaram e a dor maior nem era esta!

Louca! Como é perder um pai pelas mãos de quem se ama? Eles não sabem, não conhecem a minha dor, de ter crescido órfã de mãe, de ser mulher e obedecer cegamente quando se quer ir contra tudo e contra todos. E agora nem o irmão para me dar atino ao juízo! Me sinto a mais desgraçada das mulheres, poderá haver dor maior no mundo?

Que me importa! Nada mais importa! Está morto, está morto... Eu quero vingança! Eu quero sangue! Não lastimo perder a compostura, por que sempre abaixei a cabeça, agora não mais! NÃO MAIS! Minha vontade é rasgar nos dentes a carne de todos estes que riem do meu sofrer. Radiosa rainha da Dinamarca, rainha de que reino? Um reino em que sangue é derramado, por hécuba! Não quero sua pena! Mas vejam no que vocês me transformaram! Ah! Ele me deu flores outro dia, escondi bem nas mãos, seus toques me faziam cócegas. Era tão divertido! Outro dia, entrou no meu quarto, me amou e prometeu que seria sua rainha, duvida de tudo Ofélia mas não duvida do meu amor! Foi o que ele disse. Jurou me amar com mais sagrados juramentos do céu. Mas flores... trago flores senhoras, até queria dar-vos algumas violetas... sim! Eu queria dar- vos algumas violetas mas murcharam todas quando... meu...pai... morreu.... NÃO! Por quê? Não consigo acreditar! Não pode ser verdade! Algo está errado eu sei! Mas dizem que ele teve um bom fim, um fim muito bonito! ... sem cobertura para ser comido pelos vermes! Queria arracar da minha carne cada pedaço em que Hamlet tocou, queria morder-vos até não restar mais nada! Morder-voa como os vermes mordem os cadáveres que são jogados ao léu para serem comidos pelos urubus como animais... dizem que ele teve um bom fim... ah um fim muito bonito! Como era branca a cabeleira, eu deidava minha cabeça sobre seu colo, ele acaricia os cabelos assim como mamãe... Mamãe! Vou me casar com Hamlet, o vestido vai ter muitas flores! A senhora há de ficar orgulhosa! Flores? Para vós funchos e aquiléias, são do meu casamento, são o convite, peguem senão não vão entrar no castelo! Arruda, violetas... sobre o vento frio, seu corpo se esvai! Papai! Papai! Minha cabeça dói, não consigo mais! Tudo está girando como quando brincava de roda com Laertes! Laertes? Laertes? Cadê vocês?

Pois vejam o que faço com a pena com que vocês me olham, se não posso estraçalhá-los que não sobre nada deste banquete! As flores são as vossas cabeças, que se vão uma por uma, desfeitas pelas minhas mãos. Foi-se a última, nenhuma sobre sua cobertura...

Não posso mais! Não aguento mais! Para mim alguma coisa, para mim alguma coisa... vejo o espelho, me vejo e por um momento me encontro, me olho nos olhos, me estendo as mãos, cheias de flores. Ofélia, vim me despedir de mim! Adeus amada irmã, não esquece o que eu te disse! Um mundaréu de água jorra sobre mim, fortes torrentes, enquanto vou me perdendo pouco a pouco, minhas mãos não me encontram, as sobras vão me perseguindo, eu quero me salvar, mas quando me dou as mãos... as flores

comigo caem, escuro véu cai sobre mim, sinto a água me arrastar para baixo, não respiro mais, terra sobre mim, muita terra.

(Acorde! Não consigo acordar, não completamente, ainda sinto a terra sobre mim. Não me sinto respirar. Alguém me acolhe, nasço de novo e respiro! Mas nasci como Ofélia, não sou! Quem eu sou? Por que não reconheço nada? Por que estou molhada? Por que me doem as mãos? Aos poucos forço a mente a me lembrar de mim, Larissa que sou, Larissa que estou, estou novamente em mim, como quem volta de uma viagem muito longa, retorno ainda sentindo as rodas do carro que me levou, turbilhão de sentimentos, ódio, alegria, ironia, raiva, melancolia, tristeza, desespero, solidão.)