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5. Prinsipper for detektering av kvikkleire for ulike undersøkelsesmetoder – dagens praksis

5.4 Vingeboring

Partindo-se da premissa que o luto é uma das mais poderosas emoções que os seres humanos sentem (Parkes, 2006 [2009]), é importante considerar que sua duração, intensidade e consequências, bem como resolução, dependerão das características de cada pessoa para suportar perdas, do grau de relação que mantinha com quem partiu e do tipo de morte que ocorreu. Neste sentido, é importante iniciarmos esta parte do estudo definindo situação traumática. Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais da

Associação Psiquiátrica Americana, em sua 4ª edição (DSM-IV, 1995), para ser considerada situação traumática deve-se verificar as características do evento e a resposta emocional induzida da vítima ou dos envolvidos. Um evento traumático ocorre fora do âmbito da experiência usual humana e é marcadamente aflitivo para quase todos os envolvidos. Sua descrição engloba situações que envolveram mortes súbitas, inesperadas e prematuras ou ferimento grave, reais ou ameaçadores; ameaça à integridade física própria ou de outros; corpos mutilados; crianças ou pessoas famosas; desaparecimentos com privação de funerais; doença potencialmente fatal; experiências inadequadas ao desenvolvimento e perda parental em uma criança. Podem ser de origem natural, tais como os terremotos, maremotos, ondas tsunâmicas, ou provocados pelos homens como os ataques terroristas, acidentes, atos violentos ou conflitos humanos, como as grandes guerras mundiais, nos quais as pessoas testemunham acontecimentos terríveis. Estes casos criam grande impacto por serem causadores da morte de pessoas que tocam a muitos de uma comunidade maior, fazendo-se necessários maiores esforços, pessoais e coletivos, para minimizar a intensidade do sofrimento (Parkes, 2008).

O modelo de pesar da Teoria do Apego (Bowlby, 1973 [2004b]) examina os fatores que interagem nos laços rompidos pela perda ou por mudanças significativas da vida desencadeadas por eventos traumáticos. Para ele, ao longo da vida, os indivíduos se ligam a outros para sobreviverem, mas alguns eventos, tais como os desastres, guerras, acidentes e violência causam severos desequilíbrios a pessoas e comunidades por meio do rompimento desses laços por mortes que ocorrem de maneira traumática. No que diz respeito às circunstâncias da perda, os casos de enlutados por mortes naturais apresentam reações psicossomáticas com menor intensidade e duração daqueles cujo enlutamento ocorreu por mortes traumáticas: mortes súbitas, inesperadas, acidentais ou provocadas, consideradas prematuras, repentinas, violentas e que podem provocar perdas concomitantes, perdas de imóveis, casas, e de subsistência, juntamente com a desorganização social e os perigos contínuos que muitas vezes se seguem às catástrofes.

Se outras circunstâncias se somam ao peso dos acontecimentos dando a ele maior potência, tais como: quando os sobreviventes testemunham acontecimentos horríveis, como por exemplo, a ocorrência de várias mortes, corpos mutilados ou não encontrados, crianças envolvidas ou desaparecidas; quando não há possibilidade de serem feitos rituais ou quando ocorrem mortes estigmatizadas, julgadas socialmente como vergonhosas, aquelas que trazem segredos intrínsecos (Parkes, 2008), pode ocorrer, com maior frequência, a possibilidade de instauração de um processo de luto complicado. Por luto complicado entende-se aquele que,

inicialmente, era denominado de luto patológico (Freud, 1915 [1917] [1996], Bowlby, 1973 [2004b], 1979 [2006]) e se caracteriza pela resistência em se desligar da pessoa falecida ou então pela negação, repressão ou evitação dos aspectos dessa perda, ou seja, no primeiro critério a pessoa não sai do luto e, no segundo, a pessoa sequer entra nele, ficando indiferente, como se nada tivesse acontecido (Rando, 1993b). Neste tipo, o processo de luto não tem um curso bem sucedido e a perda não pôde ser elaborada satisfatoriamente (Mazorra, 2009).

Assim sendo, podemos pensar que todos os lutos, definidos como processos de crise, são traumáticos e, apesar disso, alguns são mais do que os outros (Parkes, 2006 [2009]).

No que diz respeito às diferenças de escala e de propagação, quanto maior a proporção e a extensão de pessoas e bens atingidos maior será a possibilidade de processos de instauração do luto traumático com evolução para luto complicado. Nestes casos, amplia- se a necessidade de respostas que envolvam cuidados mais intensos e imediatos do que nos oferecidos em perdas não traumáticas (Parkes, 2008, Franco 2005b). Para classificação da amplitude dos eventos e consequente mobilização de recursos de ajuda, em termos de escala, os eventos podem ser considerados de pequeno, médio ou de grande porte, objetiva e respectivamente: os que provocarem um número inferior a 100 mortes, entre 101 a 999 mortes e, por último, acima de 1000 mortes. Estes números equivalem também à quantidade de feridos, mas ainda estão indefinidos quanto ao que tange à destruição de propriedades. No que diz respeito à propagação, que pode ser de âmbito local, nacional ou internacional, podem requerer envolvimento e mobilização de diferentes recursos, de acordo com essas mesmas variáveis, por se referirem às pessoas ou propriedades de um único ou mais locais (Parkes, 2008).

Outro fator a ser considerado se refere ao tempo do evento que originou a(s) morte(s). Sua duração pode ser um fator crucial para prejudicar os serviços de apoio e consequente andamento do processo do luto. Este dado se apresenta com maior evidência em casos de guerras (Parkes, 2008). Além disso, nas circunstâncias em que a perda por morte se dá por ação humana, inevitavelmente, conduz o enlutado a muita raiva e maior lentidão em seu processo de recuperação.

A partir destas reflexões, que nos indicam que o processo do luto afeta pessoas tanto individualmente como nas comunidades e evolui de diferentes maneiras, as quais nem sempre serão satisfatórias, podemos afirmar que em alguns casos haverá crescimento e amadurecimento com esta experiência, porém em outros ocorrerá o fenecimento (Parkes, 2008). Além disso, a finalização pode sofrer prejuízos se os sistemas de interação das pessoas

ou comunidades de suporte responderem com reações destrutivas, tais como o luto interditado.