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6. Vurdering av dagens tolkningsprosedyrer ved ulike grunnforhold – eksempler

6.6 Tilfelle F: Andre forhold

6.6.4 Effekt ved sjøboring

Na introdução deste estudo falamos sobre os sentimentos dolorosos que a perda de pessoas queridas desperta incluindo os impactos na própria identidade do enlutado (Walsh, 1991 [1998]). Assim, o esvaziamento da presença do morto se dá de maneira mais lenta do que o esperado na cultura. Apesar de o contexto público atual incentivar a rápida resolução — entenda-se por resolução uma expectativa de término do enlutamento—, é sabido que os enlutados se defendem dessa pressão estabelecendo comportamentos íntimos e, muitas vezes ocultos, de contato com os seus mortos.

Walter (1999) refere-se a quatro diferentes maneiras de ocorrência desses contatos:

a) Sentindo a presença do falecido

Apesar de ser alta a frequência com que as pessoas enlutadas sentem a presença dos mortos, destacando-se os casos de viuvez, esse sentimento é compartilhado apenas com pesquisadores, amigos íntimos ou terapeutas. Sua ocorrência independe das questões de gênero, idade, nacionalidade, classe social ou isolamento social e pode ser observada em pessoas consideradas bem-ajustadas em suas estruturas. Além disso, esta experiência costuma ocorrer em casa e enquanto as pessoas estão acordadas e, geralmente, quando os mortos aparecerem, o fazem para trazer conforto ao enlutado. Ainda são poucos os estudos sobre esta questão, mostrando-se necessários outros aprofundamentos, inclusive na lacuna relativa ao termo que nomeia este fato. Inicialmente a psiquiatria descreveu-o como alucinação e, embora este termo tenha sido substituído por relações contínuas com os mortos (Rees, 1997), existe uma preocupação com a carência de estudos sobre o sentir a presença do morto sob o olhar dos vínculos estabelecidos.

b) Relações espirituais com os mortos

O campo espiritual abre possibilidades importantes para o enlutado, ele pode falar com Deus mesmo quando não encontra espaço para falar com os outros; o fato de viver na presença espiritual da morte não apenas une o céu e a terra como também o passado, presente e futuro, estabelecendo um sentido de atemporalidade e eternidade. Um outro comportamento comum, independentemente de as pessoas serem seguidoras ou não do espiritismo, é a consulta a médiuns espiritualistas a fim de saber se o ente querido está bem e se conquistou a paz. Esta relação com a espiritualidade, principalmente em casos considerados nas pesquisas como muito difíceis (Walter, idem), como, por exemplo, adolescentes que perderam um irmão e mortes especialmente traumáticas, como batidas de carro e suicídio, foi considerada positiva, pois, para muitos deles, houve uma reunião a posteriori sendo mais favorável ao processo do que a aceitação da realidade da morte.

Mais uma vez, ficou clara a necessidade de aprofundamento nos estudos relativos ao enlutamento no campo privado, neste caso, o de se recuperar um lugar para o espiritual no estudo e cuidado do luto. Para que se entenda o significado espiritual do luto, é importante que seja considerado o pós-vida e os relacionamentos com os mortos, o sobrenatural e as tradições religiosas, oficiais e folclóricas.

c) Falando com os mortos

Desde crianças, aprendemos a nos relacionar por meio do contato físico e da comunicação, portanto, qualquer tipo de relação que estabelecermos, ainda que seja com os mortos, passará pelo formato aprendido durante nosso desenvolvimento. Essas conversas podem ocorrer em outros lugares ou no próprio cemitério. De acordo com os estudos de Walter (idem) no primeiro ano de luto acentuam-se os casos de viúvos que falam regularmente com o falecido. Ao perderem um cônjuge costumam contar a ele sobre acontecimentos familiares, como o nascimento de um novo neto, ou recordando vivências comuns. Algumas vezes, buscam ajuda moral dos mortos, outras ajudam a pessoa enlutada a exercitar suas questões de identidade própria e familiar, outras simplesmente como continuidade da relação marital.

Também, para esta terceira maneira de se comunicar com os mortos existem poucos estudos (Walter, 1999). No entanto, os que existem já evidenciam que os homens, quando perdem seus pais na meia idade, encontram no cemitério uma ligação que não pode ser estabelecida em vida. Além do compartilhamento de momentos difíceis, desenvolvem a

conscientização de que o pai se foi e não houve tempo suficiente de conseguir os conselhos necessários para a vida.

d) Rituais que dizem respeito a artefatos e lugares particulares

Conforme o comportamento ao lado do túmulo, citado no item anterior demonstrou, certos lugares possuem o poder de invocar os laços com os mortos - túmulos, santuários e memoriais específicos. Tocar no nome do genitor morto pode ser um momento profundamente importante para os filhos, principalmente para aqueles que não tiveram a oportunidade de conhecer esse genitor.

Alguns povos, tais como os japoneses, costumam criar um santuário dentro do lar, combinando aquilo que para muitos ocidentais está separado: o túmulo em local público e a sensação da presença dos mortos entre os objetos familiares de casa. Por esse motivo, há especialmente um laço intenso com os mortos no santuário japonês, mas, por outro lado, os sentimentos não parecem diferir daqueles dos ocidentais.

Objetos de uso diário podem se tornar relicários, sendo dotados de um enorme poder de lembrança. As fotografias, quando olhadas em conjunto são motivos de compartilhamento de recordações, unindo cada sentimento em sentido uno.

É importante considerar um outro dado, de que os objetos podem, inesperadamente, provocar sofrimento às pessoas enlutadas que gostariam de ter algum controle sobre quando, ou não, serem lembradas pelo falecido.

Após discorrer sobre estas quatro maneiras de contato com os mortos, Walter (idem) procura contribuir com o esclarecimento da função deste tipo de contato, o qual pode sugerir o sentimento de continuidade do apoio àqueles que se ama. Neste momento, dentre os autores citados, refere-se aos estudos de Parkes (1986) ao apontar para o valor de sobrevivência no animal jovem ao procurar o pai após uma separação acidental e, assim, explica o sentimento da presença dos mortos e a estima como “busca” ou “desejo” pelo falecido. Além disso, ainda sob esse ponto de vista aponta uma redução desse desejo, quando o processo do luto transcorre sem complicações.

Alguns contatos, enquanto impedem os laços de se desfazerem, também relembram ao enlutado que os mortos estão mortos, tornando a perda física muito real: por exemplo, a visão da urna funciona como confirmação da realidade da morte. Assim, com os mortos internalizados de maneira segura, sentir a sua presença, visitar os túmulos e estimar objetos e memórias pode continuar indefinidamente, aumentar com o tempo ou não mais ser necessário.

Sentir a presença dos mortos beneficia ainda o fortalecimento da identidade do enlutado, mas não mais do que o falar dos mortos com os vivos (Walter, idem), como veremos a seguir.