6. Vurdering av dagens tolkningsprosedyrer ved ulike grunnforhold – eksempler
6.1 Tilfelle A: Laminert leire med sand- og siltlag
O luto é um processo normal e esperado de elaboração de perda, cuja função é a de ajudar o enlutado a reconstruir e se adaptar diante de mudanças (Casellato, 2005), sendo uma das mais poderosas emoções que os seres humanos podem sentir.
Se partirmos da premissa que uma perda provoca outras perdas além da falta física, das quais se vive a privação, o processo de luto, na dimensão psicológica, implica duas mudanças: o enlutado deve reconhecer e aceitar a nova realidade e experimentar lidar com as emoções e problemas que surgem a partir da perda (Bowlby, 1969, [2002], Casellato, 2005). É importante considerar que este processo é tanto individual quanto social, na medida em que atinge, direta ou indiretamente, a comunidade envolvida ou com o falecido e/ou com o enlutado (Casellato, 2005).
O estudo com enlutados adultos levou Bowlby a delinear (didaticamente) quatro fases para explicar o processo do luto (Bowlby, 1969 [2002], 1973 [2004b], 1979 [2006]). São elas:
• Fase do entorpecimento: a reação imediata à morte de pessoa querida varia de pessoa para pessoa e de época para época. Inicialmente pode haver um choque e incapacidade de aceitação da notícia. Durante algum tempo, o enlutado pode continuar sua vida normal quase automaticamente, mas se sentirá tenso e apreensivo. A duração desta fase varia de algumas horas a uma semana e pode ser interrompida por explosões de aflição e/ou raiva.
• Fase de anseio e busca da pessoa perdida: nesta fase a pessoa registra a realidade da perda e isto a leva a crises com manifestação de insônia, choro, inquietação e sensação de que o falecido voltará, podendo ocorrer sonhos com o falecido “vivo”. Outra característica da segunda fase é a raiva. É comum a pessoa alternar entre dois estados de espírito, a morte ocorreu e por isto há uma dor intensa e descrença de que ocorreu. Ocorre a busca da pessoa com a sensação de que tudo voltará a estar bem (esta busca varia de um enlutado para outro).
• Fase de desorganização e desespero: posteriormente, na fase da desorganização, a pessoa tenta suportar a oscilação das emoções. Como a pessoa necessita superar pensamentos, sentimentos e ações, fica, em certos momentos, desesperada e torna-se apática e deprimida.
• Fase de reorganização: se tudo correr bem, a pessoa começa a avaliar a nova situação e as maneiras de enfrentá-la. Vai se redefinindo e isto não constitui apenas uma liberação do afeto, mas um ato cognitivo sobre o qual gira tudo o mais. A necessidade de se remodelar para aceitar novos papéis e adquirir habilidades novas surge e, por mais que sinta esta situação e se conscientize dos novos papéis, pode ter um sentimento agudo de solidão.
Worden (1998) chama a atenção para o cuidado que este tipo de descrição merece, pois pode ser errônea e rigidamente interpretada como linear, empregando modelos para explicar as pessoas ao invés de determinar suas necessidades específicas, experiências ou realidades. Os enlutados e os que sofrem traumas não se movem em direção à cura de seus problemas de forma linear. É importante pensarmos que a divisão em fases deve ser vista como um método de facilitação didática, não há uma precisão sobre esta sequência, oscilações podem ocorrer. Neste sentido, organiza as fases do luto considerando a possibilidade de elaboração do mesmo:
• Fase de negação: o enlutado necessita reconhecer a realidade da perda;
• Fase de confrontação: o enlutado deve reagir à separação experimentando as emoções relativas à perda e entre, assim, no processo de luto;
• Fase da acomodação: o enlutado deve ser capaz de se adaptar à nova realidade assumindo uma nova identidade.
Em nossas experiências, vemos o desenvolvimento da natureza humana permeado por avanço e regressão. Além disso, devemos considerar as influências das perdas secundárias e das variáveis culturais, de gênero, religiosas, apoio social, experiências passadas com perdas e morte e histórias anteriores de traumas, entre outras. Cada pessoa fica enlutada de maneira própria, não existindo, portanto, uma sequência rígida que normatize o processo.
Os estudos sobre as raízes do pesar e os danos causados pelo luto desenvolvidos por Parkes (1960) atualizam as questões presentes na experiência de perda por morte. Para ele, todo luto é entendido como um processo traumático e provoca mudanças na atitude e papéis tanto do enlutado como da comunidade envolvida pela perda.
Talvez o traço mais característico do luto sejam os episódios de dor psíquica e ansiedade devido à saudade da pessoa que morreu. Para a finalização do processo é necessário
que o enlutado perceba que a reconciliação é um processo, não um evento. Essa conquista, quando atingida, permitirá que o enlutado tenha um senso de confiança e energia renovado, uma habilidade para reconhecer totalmente a realidade da morte e a capacidade de se tornar envolvido novamente com a vida (Parkes, 1996 [1998]).
Nesse mesmo caminho, Worden (1998) estabeleceu quatro tarefas para lidarmos com o luto: aceitar a realidade da perda, experimentar a dor do pesar, o ajuste ao ambiente no qual a pessoa falecida faz falta e retirar a energia emocional e reinvesti-la em outro relacionamento. Ao elaborar um manual para os profissionais da saúde lidar com o luto, recomendou que a terapia do luto devesse ser concluída dentro de um tempo limitado, ou seja:
1. Aceitar a realidade da perda: isso significa saber que a pessoa falecida já não está viva e não será parte de nosso cotidiano de nossas vidas;
2. Experimentar a dor do sofrimento: isto significa que nós podemos experimentar uma variedade de sentimentos intensos e começam a trabalhar com eles como parte do processo de luto;
3. Ajuste do novo ambiente onde a pessoa falecida está faltando: esta é a parte em que lutamos com todas as mudanças que acontecem como resultado de a pessoa ter ido, incluindo todas as peças práticas da vida diária. E por fim,
4. Reinvestir energia na vida: afrouxar os laços com o falecido e forjar um novo tipo de relacionamento com eles com base na memória, espírito e amor: isto significa que podemos começar a reconhecer o valor da relação que tivemos com a pessoa que morreu e tudo o que podemos ter aprendido, amado, respeitado ou discordado sobre eles.
Assim, o enlutado ao se reconciliar com a vida também o faz consigo mesmo, passando a compreender que a vida será diferente sem a presença da pessoa, mas que ela não precisa ser esquecida.