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VEST-TYSKLAND OG MEDIERAMMER

In document PRAVDA OM 1968 (sider 87-92)

KAPITTEL 6: MEDIERAMMER

6.3 VEST-TYSKLAND OG MEDIERAMMER

Neste capítulo pretende-se equacionar a relação entre classes sociais e mobilização política em torno do voto partidário, tomando a perspetiva da sociologia das classes sociais. Começamos por referir autores que contribuíram especificamente para a análise do tema nessa perspetiva. Abordamos, primeiramente, teorias reconhecidamente importantes para este debate. Veremos, depois, no ponto 2.2, a situação específica do operariado e do campesinato no que se refere à relação entre classe e voto. Estas duas classes sociais apresentam importantes níveis históricos na Europa e serão, assim, objeto de tratamento específico. Já o ponto 2.3 refere-se ao debate sobre o fim das classes sociais e a relação com a política.

2.1: Que relação entre classes sociais e política?

Importa começar por referir os principais contributos para esta tese, que decorrem da formulação teórica sobre classes sociais de Erik Olin Wright, um autor de referência neste campo.

O papel causal da classe social na política é pensado por Wright analisando uma tipologia tripartida de níveis de poder: o poder situacional refere-se a relações de poder de comando direto entre atores; o poder institucional refere-se às características de diferentes padrões institucionais que formam a agenda de decisão política; e o poder sistémico está ligado à estrutura geral de um sistema social. Estes modelos de análise levam Wright a referir que: “quanto mais abstrato é o objeto de investigação, mais fatores, como a estrutura de classes ou as dinâmicas do capitalismo, têm um papel preponderante” (Wright, 1994: 106). Se estudarmos objetos mais específicos, determinados processos causais adquirem maior poder explicativo.

Wright, em termos mais gerais, conserva a ideia marxista de exploração e a ideia de relações antagónicas entre trabalhadores e proprietários (podendo estas ser de conflito). Wright distingue, no entanto, “opressão económica não-exploradora” de “exploração”, sendo que a primeira se refere à não transferência dos frutos do trabalho do oprimido para o opressor, não existindo uma dependência mútua como no caso da exploração. Neste último caso, os detentores dos meios de produção necessitam do trabalho dos trabalhadores. Os

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trabalhadores detêm, também, poder, no sentido de que o controlo social do trabalho necessita da diligência e do esforço destes.

Wright vai dar conta, também, de dimensões que, atualmente, acha pertinentes na análise de classes: as qualificações e a autoridade hierárquica. A autoridade hierárquica pressupõe a existência de gestores, supervisores, que controlam outros trabalhadores, mas que também são controlados e explorados pelos capitalistas, daí estarem num lugar contraditório de classe. As qualificações diferenciam os trabalhadores: os mais qualificados estão, potencialmente, num lugar de “apropriação privilegiada dentro das relações de exploração”.

Wright refere, também, os lugares mediados de classe. Estes apresentam-se como lugares influenciados por outros aspetos que não a relação direta com um emprego. É o caso dos reformados, dos desempregados, dos domésticos, de ligações familiares mais ou menos privilegiadas em relação ao lugar direto de classe.

Para além da distribuição pelos lugares de classe, temos que analisar como a classe social modela os interesses, as capacidades estratégicas e as experiências. Esta ligação é crucial para a explicação dos comportamentos em sociedade, segundo Wright. Os processos referidos dependem, também, das várias ligações sociais que os indivíduos detêm, como, por exemplo: “ uniões políticas que atravessam fronteiras de classe devem ser facilitadas no grau em que ligações de amizade e de família atravessem essas fronteiras” (Wright, 1997: 150). Se os referentes identitários forem diversos, Wright postula que existirá uma crescente diversidade no posicionamento político dos indivíduos. Há que atentar, assim, crucialmente, aos diversos padrões nas relações dentro da família e entre amigos.

Wright diz que as fronteiras ligadas à propriedade são as mais difíceis de serem transpostas, seguidas das fronteiras de classe ligadas às qualificações, e por fim, das que estão ligadas à componente de autoridade. A propriedade é mais difícil de ser alcançada numa sociedade e contém elementos que transitam ao longo do tempo. As qualificações e recursos organizacionais são mais maleáveis. Estes postulados foram construídos com base numa extensa investigação aprofundada em vários países. Como veremos, parte importante da mobilidade social, pelo menos em Portugal, efetua-se com o acesso à propriedade, pelo que este postulado pode ser relativizado. O operariado e o campesinato conseguem obter ascensão social criando uma empresa ou obtendo maiores qualificações. No entanto, tal acesso não deixa de ser consideravelmente difícil.

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A forma como Wright trata as “novas classes médias”, uma divisão que remete para trabalhadores com recursos importantes em termos de qualificação, mas que são trabalhadores por conta de outrem, é, igualmente, dúbia. Wright (1997) vai referir que as fronteiras de autoridade parecem ser mais permeáveis do que as fronteiras relacionadas com as qualificações. Neste caso a mobilidade social é, principalmente, realizada através do acesso a melhores níveis de qualificação. No entanto, convém referir que este acesso não é igual para todos, estando marcado por desigualdades de classe (Machado et al, 2003). Mais concretamente, pode dizer-se que existe um duplo padrão de recrutamento no acesso à universidade. Enquanto existe um considerável aumento do acesso por parte de filhos de famílias com inserções no mercado de trabalho pouco qualificadas, mantém-se um acesso proporcionalmente maior de jovens oriundos de famílias com consideráveis recursos económicos e culturais.

Wright, num dos seus estudos mais recentes (2010), vai debruçar-se, especialmente, sobre o que designa como reprodução social. O autor distingue reprodução passiva, que se refere aos aspetos que estão ligados às rotinas diárias, de reprodução ativa, que se refere ao papel ativo de determinadas instituições nesta reprodução. Wright releva, assim, a importância da construção de instituições na reprodução de padrões de comportamento. Segundo Wright, o papel da democracia representativa é, igualmente, o de ser um processo integrador. Os partidos necessitam de atrair eleitorado, e ganharão, tendencialmente, com a atração de importantes números de votantes. Ao atraírem importantes números de votantes tenderão a funcionar segundo uma lógica menos classista.

No mesmo texto, Wright refere-se, igualmente, à tendência que o capitalismo apresenta de interligar o sucesso material de largos setores da população aos interesses do investimento capitalista. Criar-se-ia, assim, uma tendência, mesmo entre setores com menos recursos, para um voto partidário tendencialmente não disruptivo desta ligação. Ou seja, os pólos não sairiam beneficiados, havendo, antes, um tendência para um voto mais centrista.

Outro contributo importante para este debate é o de Goldthorpe. Este começa por referir, no seu estudo The Economic Basis of Social Class (2004), que os riscos de desemprego, uma das formas de impacto na segurança económica, permanecem relacionados com a classe social dos indivíduos. O risco de desemprego é maior no caso dos trabalhadores manuais do setor secundário e menor no caso da classe de serviço (classes médias com importantes capacidades organizativas e de qualificação). Contrariamente a Beck, que será analisado mais adiante, que diria que os riscos de desemprego tenderiam a tornar-se cada vez

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menos relacionados com a classe, Goldthorpe refere que não existe essa tendência, pelo menos no Reino Unido. O facto de os membros das classes de serviço constituírem uma parte cada vez mais considerável dos desempregados num dado momento seria apenas o resultado de um incremento da proporção destes no mercado de trabalho.

O próprio tipo de contrato de trabalho que, normalmente, os trabalhadores menos qualificados obtêm, é um contrato que permite uma maior flexibilização na duração do emprego. As formas variáveis de pagamento existem, também, claramente em maiores proporções no caso destes trabalhadores. Estes são também mais propensos a verem os aumentos dos rendimentos auferidos pelo trabalho estabilizarem por volta dos 30 anos de idade. Tal não é o caso dos trabalhadores que se inserem nas classes de serviço; estes podem ver os seus rendimentos subir consideravelmente até aos 50 anos de idade.

Não estamos, portanto, segundo Goldthorpe, perante uma tendência de “proletarização” dos quadros médios e superiores. Estamos, sim, perante a contínua importância dos mecanismos que levam à associação da performance a ganhos na carreira, a uma relação de serviço que procura solucionar os problemas de supervisão do trabalho e da especificidade dos recursos humanos. Goldthorpe enfatizaria, assim, mais os aspetos “tecnocratas” da relação de serviço e uma menor divisão das categorias que a compõem. As atitudes perante o risco, perante o futuro, as suas atitudes e valores, serão, portanto, diferentes consoante estas diferenças de classe. Ou seja, segundo Goldthorpe, parte importante dos quadros científicos, sobretudo, tenderiam a votar à direita do espectro partidário. Já Casanova (2004) refere que os quadros técnicos intermédios, especificamente, votariam à esquerda.1 Os quadros intelectuais e científicos apresentariam maiores variações em termos de posicionamento político. De referir, em todo o caso, que este último estudo situa-se no contexto português e não apresenta a mesma dimensão do estudo de Goldthorpe, que abrange vários países e amostras maiores.

Oesch (2006) vai reelaborar as proposições de Goldthorpe. Este autor refere a importância da análise do que chama de clivagens horizontais. Estas referem-se aos diferentes recursos de mercado que se podem mobilizar e nas lógicas presentes no local de trabalho. Tendo em conta o crescimento do setor terciário verificado nos últimos trinta anos nos países europeus, e o crescimento correlacionado dos trabalhadores intelectuais e científicos e dos técnicos intermédios, a par de um setor de trabalhadores de rotina não-

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manuais, é necessária uma reformulação da tipologia de classe de Goldthorpe (1992), que o autor refere como base teórica.

Oesch considera que a diferenciação entre “gestores” que se baseiam na autoridade organizacional e “profissionais” que se baseiam no conhecimento técnico é uma diferenciação simplista. Seria necessário ter em conta a proliferação de escolas de gestão, com a crescente profissionalização da gestão. A gestão encontrar-se-ia cada vez mais saliente nos tipos e modos de educação nas sociedades contemporâneas. Seria, igualmente, necessário distinguir de um outro modo o grupo de trabalhadores de rotina do terciário e o grupo de trabalhadores manuais do setor secundário. Importaria salientar a experiência dos empregados no local de trabalho, o seu papel.

Oesch distingue, assim, três diferentes lógicas de trabalho: uma lógica técnica; uma lógica organizacional; e uma lógica interpessoal. Segundo a primeira lógica funcionariam as ocupações que dependem primariamente de conhecimento técnico. A segunda lógica estaria relacionada com as ocupações primariamente focadas no poder organizacional. No terceiro caso o processo de trabalho estaria relacionado com uma interação face a face. As três lógicas diferem, igualmente, no que respeita às relações de autoridade, orientação principal e requerimentos de qualificação.

Oesch refere, portanto, diferenças centrais em relação a categorias como os técnicos, gestores assistentes e “semiprofissionais” sócio-culturais. No primeiro caso inserem-se ocupações como, por exemplo, inspetores de segurança no trabalho, no segundo caso inserem-se ocupações como os gestores em pequenas empresas e no terceiro caso inserem- se, por exemplo, os professores do ensino básico.

Os gestores assistentes dependem, em larga medida, da sua capacidade de coordenar e controlar outros, enquanto o seu desenvolvimento na carreira passa por uma estrutura de comando clara. Devido à sua importante participação no poder organizacional, estes trabalhadores devem demonstrar um nível elevado de lealdade em relação à entidade empregadora. Já no caso dos semiprofissionais sócio-culturais, é mais importante uma lógica de comunicação que se desenvolve num ambiente onde as relações de autoridade são mais diluídas. A cooperação entre estes e os seus “clientes” provocam, igualmente, lealdades heterogéneas. O técnico encontra-se numa posição intermédia, pois a sua orientação principal seria a relação com a comunidade, mas a natureza das suas tarefas apresenta um maior potencial de uma substancial divisão do trabalho em tarefas pré-estabelecidas.

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As mesmas divisões existiriam entre operadores de rotina, no caso da lógica técnica, trabalhadores de escritório de rotina, no caso da lógica organizacional, e trabalhadores de serviço e rotina, no que respeita à lógica interpessoal.

Baseando-se nas suas categorias operativas, Oesch refere a existência de diferenças de composição entre a Suécia e o Reino Unido. No caso do Reino Unido existe uma proporção considerável de empregos de gestão e administração, onde predomina uma lógica organizacional. A Suécia apresenta em proporções muito menores este tipo de lógica. Um terço do emprego na Suécia baseia-se da lógica interpessoal. No caso da Alemanha a lógica técnica apresenta um peso relativamente maior do que nos outros países analisados. A Suíça apresenta um nível considerável de trabalhadores independentes e de gestores.

Tal como em Goldthorpe, Oesch refere-se às possibilidades de mobilidade social das diversas classes sociais. No concreto refere-se às perspetivas de promoção, dizendo que elas são parecidas no que respeita aos trabalhadores de rotina operativos e de serviço. No entanto, existem diferenças entre os países. No caso do Reino Unido e da Alemanha os “operativos” apresentam um pouco menos de perspetivas de promoção do que os trabalhadores de rotina dos serviços. No caso da Suécia e da Suíça passa-se o contrário. Ambas as categorias são as que apresentam menos perspetivas de promoção em todos os países analisados. Os que apresentam melhores perspetivas de promoção são os que se encontram no topo das diferentes lógicas de trabalho.

Oesch (2006) vai, finalmente, usar a sua tipologia de classe para analisar as preferências políticas e o comportamento eleitoral nos países citados.

O Reino Unido e a Alemanha apresentam níveis elevados de apoio ao partido trabalhista e ao partido social-democrata por parte das classes com menos recursos sócio- económicos. A Suíça apresentaria uma clivagem entre gestores, que manifestam pouca afinidade com a esquerda, e os profissionais sócio-culturais, que apoiariam maioritariamente o partido social-democrata. No caso do Reino Unido e Alemanha tal não aconteceria porque os partidos mais próximos do partido social-democrata suíço em termos de agenda são os liberais-democratas e os verdes (no Reino Unido e na Alemanha respetivamente). Os profissionais sócio-culturais atribuiriam, assim, mais importância aos temas pós- materialistas, que estariam no topo da agenda deste tipo de partidos (do que no caso dos partidos social democratas tradicionais).

Contradiz, também, Goldthorpe, no que se refere à hipótese de que a classe de serviço é um elemento essencialmente conservador nas sociedades modernas.

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Oesch rejeita, igualmente, a hipótese de a classe de serviço ser heterogénea apenas porque as camadas mais jovens desta ainda estão em processo de consolidação política (hipótese referida por Goldthorpe, 1995). Refere que a disparidade no apoio em relação a partidos conservadores é maior nas camadas mais jovens dos gestores e dos especialistas sócio-culturais. No entanto, os mesmos dados mostram que existe um crescimento desse suporte, nos dois casos, consoante a idade, o que pode não invalidar o que Goldthorpe referiu. Oesch refere, por outro lado, que existem tendências, pelo menos na Suíça, de crescente voto à direita por parte das classes mais desfavorecidas, nomeadamente nos partidos com tendências culturais de exclusão.

Num outro estudo (Oesch, 2008) o autor desenvolve ideias adicionais sobre este tema. Nesse estudo, refere-se que o facto dos operários poderem favorecer partidos da direita, inclusivamente a radical, não implica um desalinhamento de classe, mas sim um realinhamento de classe. Pode-se, assim, falar de uma nova clivagem: aquela que opõe classes que se relacionam num ambiente laboral com predomínio das relações interpessoais a classes mais desfavorecidas em termos de qualificações e que se ocupam primariamente de tarefas objetivadas. No primeiro caso, a lógica implicaria uma visão libertária da sociedade, no segundo caso a lógica laboral implicaria uma visão autoritária da mesma.

Esta segunda clivagem, tal como já referido, opõe uma visão libertária e uma visão autoritária da sociedade. No primeiro caso, este comportamento está relacionado com o ambiente no local de trabalho: dá-se primazia à comunicação entre indivíduos e a principal preocupação está direcionada para o “cliente” individual. No segundo caso os indivíduos estão inseridos numa lógica clara de comando e direcionam-se a tarefas relacionadas com um objeto ou um documento.

As profissões principalmente relacionadas com o primeiro pólo são os especialistas sócio-culturais, como já referido, nomeadamente os professores ou médicos. Os trabalhadores pouco qualificados do setor secundário e as velhas classes médias estariam no pólo oposto. Esta clivagem estaria, assim, relacionada com questões de identidade, de diversidade cultural (Oesch, 2008: 334). Oesch adiciona, aqui, uma nova lógica, dividindo, principalmente, a componente dos dirigentes da dos empresários. A lógica independente seria característica dos empresários e dos pequenos-patrões. De referir que Oesch distingue, igualmente, empregados executantes com uma lógica interpessoal de empregados executantes com um lógica organizacional (Oesch, 2008: 338).

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As reivindicações pós-materialistas seriam, também, importantes pontos de reivindicação. Oesch refere outra problemática relacionada com os empregados do setor público. Estes estão mais protegidos dos problemas de instabilidade no emprego. A polarização setorial seria maior entre os setores posicionados mais favoravelmente em termos hierárquicos (as camadas mais qualificadas do setor público são as que mais reivindicariam, contrariamente às camadas mais elevadas do setor privado que apresentariam uma conceção mais conservadora da participação na vida pública). Salienta-se, mais uma vez, a oposição que pode existir em termos de comportamento político entre setores relativamente privilegiados na estrutura social, no caso, dentro das novas classes médias.

Guveli et al (2007) referem-se, também, às características do que chamam de especialistas sociais e culturais e dos tecnocratas, contributo que é importante para analisar o comportamento eleitoral heterogéneo dos quadros científicos e técnicos intermédios. Estes autores referem que existem duas fações dentro da “classe média”: uma classe de trabalhadores do conhecimento e uma classe que chamam de tecnocratas. Os autores baseiam-se nas classes de serviço formuladas por Erikson e Goldthorpe (19792). A proposta de uma nova divisão refere que estes trabalhadores diferenciam-se não no nível de educação atingido, mas no campo de estudo prosseguido. Os “especialistas” “são normalmente mais treinados em campos sociais e culturais, enquanto os tecnocratas são mais treinados nos campos técnicos e económicos” (Guveli et al, 2007: 599). Existe, assim, uma sobreposição entre os tipos de conhecimento apreendidos e o tipo de competências principais necessárias no emprego. A distinção entre as duas categorias é feita com base no tipo de dificuldade de controlo da profissão por parte do empregador. No caso dos especialistas a sua performance é maioritariamente uma aplicação de conhecimento especializado e de competências que não podem ser controlados por outros sem uma longa preparação. A distinção é feita, igualmente, com base no tipo de serviço prestado. No caso dos especialistas, os serviços necessitam, maioritariamente, de competências sociais e culturais. O grau de autonomia destes leva-os a procurar melhorar a qualidade da sua especialização. Os tecnocratas procurariam preservar, acima de tudo, a viabilidade da organização para que trabalham.

2 A tipologia distingue especialistas de alto nível dos de baixo nível; Os autores vão fazer esta

distinção com base nas tarefas do trabalho que são realizadas, nas qualificações necessárias para o emprego e no nível de salários e outros direitos recebidos; no entanto, os autores referem que a distinção referida não é muito importante, sendo que os especialistas de alto e baixo nível podem ser englobados numa mesma classe, a “classe de serviço” (p.: 434).

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Os “especialistas” trabalham principalmente no setor público, sendo as tarefas de trabalho, como já referido, relativamente menos controláveis do que as dos tecnocratas. A menor possibilidade de controlo, o maior conhecimento de assuntos culturais e o tipo de serviços prestados levam, portanto, a que estes tenham atitudes mais progressistas do que os tecnocratas. Os tecnocratas, por seu lado, apresentam competências mais ao nível da economia, gestão e assuntos técnicos. Tal distinção provém em grande parte, também, dos

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