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KAMPEN MOT IMPERIALISMEN

In document PRAVDA OM 1968 (sider 113-120)

KAPITTEL 7 : AVSLUTNING

7.3 KAMPEN MOT IMPERIALISMEN

Neste capítulo iremos aprofundar a análise focando o nível distrital. Este nível permitirá esclarecer as principais questões deixadas por responder em termos nacionais. No capítulo seguinte iremos referir esclarecimentos adicionais que a análise do nível concelhio permite.

Capítulo 7.1: A relação entre os operários (O) e os agricultores independentes (AI) com o voto partidário e por bloco ideológico: distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro e Leiria.

Começamos por um grupo de distritos que se evidencia pelo nível elevado de diversidade intradistrital, mas que apresenta alguns traços em comum no contexto nacional. Braga, Porto, Aveiro e Leiria apresentam predomínio histórico de operários (O). No caso de Viana do Castelo este nível é elevado em 2001 e em 2011.

Concretamente, o distrito de Viana do Castelo apresenta percentagens significativas de operários (O) a partir de 2001, mas, também, valores elevados de agricultores independentes (AI), em 1991.

Notamos, em 1991, um peso percentual importante de agricultores independentes (AI) relativamente ao todo nacional. O crescimento de profissionais técnicos e de enquadramento (PTE) e de empregados executantes (EE) é importante, mas o nível de base é reduzido (ver quadro 7.1).

Quadro 7.1: Estrutura de classes sociais no distrito de Viana do Castelo em 1991, 2001 e 2011 (%)

Classes Sociais

Censos EDL PTE TI AI EE O AA

1991 11,5 7,9 9,1 22,0 18,3 26,1 5,2

2001 11,6 12,1 5,8 6,7 26,0 35,2 2,3

2011 12,7 17,6 6,6 1,6 29,3 30,3 1,9

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Refiro Viana do Castelo neste grupo por introduzir reflexões pertinentes em torno do operariado em conjugação com valores historicamente elevados de AI. O distrito poderia, igualmente, ser englobado no grupo de distritos seguinte, que apresenta maiores valores de AI, em termos gerais.

Em termos de distribuição do voto, o distrito de Viana do Castelo vota maioritariamente à direita. A nível de intra-bloco ideológico (dentro das mesmas forças ideológicas), a esquerda do PS regista níveis pouco significativos e a direita do PSD aufere níveis importantes. O padrão geral é, assim, à direita (ver quadro 7.2).

De notar que os empregados executantes (EE) e os operários (O) constituem 44% da estrutura de classes em 1991, valor muito superior ao alcançado pela esquerda no seu todo, 27,5%.

O distrito vota à direita em todas as eleições, exceto nas de 2005 e de 2009, em que a esquerda ultrapassa a direita. Estas duas eleições não implicam, no entanto, uma alteração de padrão eleitoral, visto, em 2011, a votação voltar a ser esmagadoramente à direita.

Este padrão eleitoral mostra a capacidade que o PS teve de atração eleitoral, em 2005 e em 2009. Esta atratividade pode advir de uma importância político-partidária do PS ou de uma diminuição de agricultores independentes (AI) e aumento dos profissionais técnicos e de enquadramento (PTE), mas, sobretudo, de empregados executantes (EE). Admite-se, assim, uma menor inclinação à direita por parte destas duas últimas classes sociais. Veremos, no entanto, em outros distritos, mas, principalmente a nível concelhio, que existem diferenças importantes no voto entre os PTE e os EE. Os EE apresentam uma maior tendência para votar à esquerda do que os profissionais técnicos e de enquadramento.

Na votação à esquerda do PS, o PCP não consegue, tendencialmente, atingir a mesma votação do BE nestes distritos mais conservadores. Esta diferenciação no voto poderia ser devida à polémica do PCP em relação à reforma agrária, nos anos 70, hipótese referida por Jalali (2007). O PCP defendia a coletivização das terras em todo o país, o que implicaria uma menor popularidade deste partido em zonas com predominância de pequenas propriedades agrícolas. No entanto, ressalve-se que o PCP conseguiu, neste distrito em particular, resultados elevados em 1991; os valores de votação, quer no BE quer no PCP, são tendencialmente os mesmos, em 2005 e em 2011 (ver quadro 7.2). Não se verifica, assim, no caso particular deste distrito, a questão referida por Jalali (2007).

Verificamos, por outro lado, uma possível relação entre pesos percentuais historicamente elevados de agricultores independentes (AI) e voto oscilante com tendência à

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direita. Esta possibilidade será melhor analisada na comparação com outros distritos e, principalmente, na análise dos concelhos. A relação deste padrão eleitoral com os operários (O) será melhor equacionada a nível concelhio, visto existirem importantes diferenciações do tipo de operários (O) no comportamento eleitoral. Em geral, como veremos, os O que residam em concelhos com valores historicamente elevados de AI votarão oscilantemente.

Quadro 7.2: Votação partidária e por bloco ideológico no distrito de Viana do Castelo nas eleições legislativas realizadas no período de 1987 a 2011 (%)

Voto Partidário Eleições BE (UDP- PSR até 1995) PCP PS PSD CDS -PP Esquer- da do PS Esquer- da Direi -ta Direi- ta do PSD 1987 0,9 6,3 20,3 54,5 7,7 7,2 27,5 62,2 7,7 1991 1,2 8,8 29,1 54,5 4,4 10,0 39,1 58,9 4,4 1995 1,1 4,6 38,8 42,1 11,3 5,7 44,5 53,4 11,3 1999 1,2 5,0 40,2 42,0 14,0 6,2 46,4 56,0 14,0 2002 1,8 3,5 35,3 45,5 10,2 5,3 40,6 55,7 10,2 2005 4,5 3,8 42,0 33,5 11,4 8,3 50,3 44,9 11,4 2009 8,6 4,2 36,3 31,3 13,6 12,8 49,1 44,9 13,6 2011 4,4 4,9 26,2 43,6 13,4 9,3 35,5 57,0 13,6 Fonte: CNE, Ministério da Justiça. PRD: 4,8 (1987)

Segundo a hipótese principal de Bourdieu, esperaríamos que, quanto mais relevante for o nível de capital económico, maior será o voto à direita. Ora, perante O que também votam em boa parte à direita, teremos de analisar de que tipo de O se trata. Os O que trabalham em grandes indústrias e que apresentam como única atividade o trabalho industrial apresentariam uma maior propensão para votar na esquerda. Os O que apresentam importantes atividades secundárias no setor primário, como é o caso deste distrito e trabalham em pequenas ou médias indústrias, poderia votar na direita. Estas hipóteses serão testadas nos restantes distritos. Como se pode ver nos quadros em anexo, os níveis de empresariado variam consideravelmente ao longo do tempo e entre distritos, sem que isso altere o padrão eleitoral. No entanto, o voto dos O apresenta uma relação, de facto, com o

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padrão de atividades. Como veremos, principalmente, a nível concelhio, os O diferenciam-se segundo o tipo de concelhos que analisamos. Os O distinguem-se, assim, entre O “industriais” e O que trabalham, igualmente, o campo ou que possuem origens familiares entre os AI.

Importa, ainda, referir que os empresários, dirigentes e profissionais liberais (EDL) apresentam valores próximos da média nacional.

O voto na direita em geral, por parte dos empresários, dirigentes e profissionais liberais (EDL) só será possível de discernir, com melhor acuidade, a nível concelhio. Neste nível encontra-se, de fato, uma relação entre valores de empresários, dirigentes e profissionais liberais e voto à direita.

Os trabalhadores independentes (TI) apresentam pesos próximos da média nacional, em 1991 e 2001. Em 2011, alcançam um valor mais elevado do que a média nacional. Veremos como se verifica, concretamente, o comportamento eleitoral desta classe social em outros distritos e a nível concelhio, pois os valores não se evidenciam em Viana do Castelo.

Da análise a nível distrital, no caso de Viana do Castelo, ressaltam três questões importantes. A primeira questão encontra-se relacionada com a possível conexão entre níveis elevados de AI e valores reduzidos de PTE e de EE e votações conservadoras. Veremos, mais adiante, que este “panorama” se torna mais complexo. A segunda questão importante relaciona-se com os níveis de volatilidade eleitoral (transferência e novos votos) próximos das médias nacionais. O distrito é, apesar destes níveis elevados de volatilidade, consideravelmente diferente da média nacional em termos de estrutura de classes. A terceira questão assinalável é a de que o distrito de Viana do Castelo permite notar que existem características internas aos O que serão importantes de verificar e analisar. Os O que residam em distritos e concelhos com valores historicamente elevados de AI tenderão a votar oscilante e diversamente.

Em suma, o distrito de Viana do Castelo permite evidenciar a relação existente entre valores historicamente elevados de AI e a votação oscilante com tendência à direita. O nível de O relativamente elevado a partir de 2001 e a sua relação com o voto será melhor compreendido na análise concelhia.

O distrito de Braga, em comparação com o de Viana do Castelo, apresenta, até 2001, quatro vezes menos AI e consideravelmente mais O. São as diferenças que mais se destacam.

O distrito de Braga apresenta um dos maiores níveis de O do país e valores reduzidos de PTE e de EE, tendência que se atenua em 2011 (ver quadro 7.3).

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Quadro 7.3: Estrutura de classes sociais no distrito de Braga em 1991, 2001 e 2011 (%)

Classes sociais

Censos EDL PTE TI AI EE O AA

1991 10,1 8,3 6,8 5,5 18,4 48,5 2,4

2001 11,4 12,0 4,3 2,0 22,3 47,0 1,1

2011 11,2 14,9 4,3 0,6 25,0 43,0 0,8

Fonte: INE, Censos.

Nota-se uma estrutura de classes consideravelmente estável, até 2001. As questões relacionadas com os O e com os PTE e os EE estarão, assim, em evidência, nomeadamente a questão das distinções internas dos O e se o crescimento de PTE e EE altera, significativamente, o padrão eleitoral.

Neste distrito, a votação é próxima do nível nacional (ver quadro 7.4). Ao seguir as votações nacionais, é um distrito mais à esquerda do que Viana do Castelo. Note-se que os níveis de volatilidade e de votação similares ao padrão nacional registam-se com uma estrutura de classes sociais diferente da nacional. Os O são consideravelmente mais importantes neste distrito. A hipótese que refere o voto dos O como um voto tendencialmente à esquerda é, assim, parcialmente desmentida por estes resultados. O volume de O deveria influenciar o padrão de voto para a esquerda, o que não é o caso. A votação à esquerda do PS é, até, menor do que a votação homóloga a nível nacional. Note-se que os O chegam quase aos 50% da estrutura de classes, em 1991, e a esquerda no seu todo alcança 33% dos votos, em 1987. A votação no PS é, no entanto, considerável, a partir de 1995.

Veremos, a nível concelhio, que os O industriais que residem em concelhos com fracas características rurais tendem a votar mais à esquerda. Os O mais “artesanais”, que residam em zonas mais rurais, tenderão a votar oscilante e diversamente. Os valores distritais não espelham fundamentalmente estas diferenças, pelo que será necessário uma análise mais desagregada.

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Quadro 7.4: Votação partidária e por bloco ideológico no distrito de Braga nas eleições legislativas realizadas no período de 1987 a 2011 (%)

Voto Partidário Eleições BE (UDP- PSR até 1995) PCP PS PSD CDS -PP Esquerda do PS Esquer- da Direi-ta Direi-ta do PSD 1987 0,9 6,1 25,9 53,4 5,9 7,0 32,9 59,3 5,9 1991 0,8 4,5 31,5 52,8 4,6 5,3 36,9 57,4 5,6 1995 0,9 4,5 42,9 38,2 10,7 5,4 48,3 48,9 10,7 1999 1,2 5,4 44,3 36,7 8,9 6,6 50,9 45,6 8,9 2002 1,7 4,4 37,4 44,4 9,3 6,1 43,5 53,7 9,3 2005 4,6 4,8 45,4 32,9 7,8 9,4 54,8 40,7 7,8 2009 9,8 7,9 36,6 29,1 10,4 17,7 54,3 39,5 10,4 2011 4,2 4,9 32,9 40,1 10,4 9,1 42,0 50,5 10,4 Fonte: CNE, Ministério da Justiça. PRD: 3,3 (1987)

A nível de partidos específicos, registem-se algumas particularidades interessantes. O CDS-PP resiste ao aumento do PSD, em 2011. Nas restantes eleições, o CDS tinha perdido expressão com o aumento do PSD.

Note-se que a esquerda do PS consegue um resultado acima da média distrital, em 2009, com o BE a apresentar bons resultados eleitorais, o que pode encontrar-se relacionado com o aumento de PTE e de EE na estrutura de classes.

Importa referir, igualmente, os EDL e os TI, que apresentam valores próximos dos níveis nacionais. Note-se que o CDS e o PSD, particularmente, registam também valores próximos dos nacionais neste distrito. Estes valores, ao seguirem as médias nacionais, não refutam nem atestam uma relação importante entre EDL e TI e o voto à direita. Veremos, como já referido a nível nacional, que os EDL tendem a votar à direita ao analisarmos concelhos e freguesias com percentagens elevadas de EDL.

Importa retomar, assim, questões teóricas relacionadas com este comportamento eleitoral. Maritheresa Frain (1995) diz que a plataforma ideológica do PSD pode encontrar- se mais próxima do centro-esquerda nas eleições de 1987 e de 1991. As questões que enfatizam o lado partidário da equação entre classe social e voto partidário podem ser

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pertinentes. A definição concreta da plataforma ideológica, os fatores relacionados com a conjuntura económica, bem como o facto de a eleição de 1987 ser uma eleição estabilizadora de regime (Gunther, 2004; Jalali, 2007) podem encontrar-se relacionados com esta volatilidade eleitoral.

As eleições de 1987 e de 1991 parecem apresentar importantes questões relacionadas especialmente com a organização do sistema partidário, nomeadamente questões relacionadas com o desenvolvimento do regime democrático português.

Relativamente ao distrito de Braga podemos concluir principalmente que há uma votação oscilante próxima dos valores nacionais e um nível significativo de O. Verificamos que a análise concelhia é essencial para a explicação mais abrangente destes resultados. Veremos, assim, que os O tendem a votar à esquerda, e à esquerda do PS, em zonas de O industriais há muito implantados. Os O que residam em concelhos mais rurais votarão oscilantemente e em menor grau à esquerda do PS.

Passando agora ao distrito do Porto vemos que regista pesos percentuais muito baixos de trabalhadores do setor primário (AI e AA) em todos os censos. Em geral, a estrutura de classes do distrito segue as tendências nacionais de aumento dos trabalhadores do setor dos serviços (PTE e EE), num quadro de decréscimo dos O. Estes últimos atingiam, em 1991, níveis consideravelmente acima da média nacional (ver quadro 7.5).

Quadro 7.5: Estrutura de classes sociais no distrito do Porto em 1991, 2001 e 2011 (%)

Classes sociais

Censos EDL PTE TI AI EE O AA

1991 11,6 12,1 5,9 1,9 27,3 39,5 1,5

2001 12,1 15,7 4,0 0,8 30,5 36,2 1,0

2011 13,4 20,8 4,4 0,3 32,2 28,2 0,9

Fonte: INE, Censos.

O distrito do Porto, em termos de distribuição do voto, segue, igualmente, os valores nacionais de votação partidária e por bloco ideológico, ao longo de todas as eleições em análise. Ou seja, o distrito regista maiorias à direita, em 1987, 1991, 2002 e 2011 (ver quadro 7.6).

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Os dados indicam, como em Braga, que os O não apresentam uma tendência de voto à esquerda. As reflexões que podemos fazer em relação a este facto seguem as reflexões já elaboradas a propósito do distrito de Braga. Podemos adicionar, do ponto de vista do modelo sociológico do voto, as questões referidas por Cabral (1983) e Goldthorpe (1968) sobre o “aburguesamento” de fações dos O, no primeiro caso, e sobre os enquadramentos sindicais e partidários, no segundo caso. Como veremos, os O registam importantes relações com a esquerda, sobretudo com PS e o PCP, em concelhos com implantação importante destes partidos e onde existam sindicatos com influência na organização das empresas. Este comportamento eleitoral é particularmente notado em “ilhas isoladas”, que são determinados concelhos nos distritos de Aveiro e Leiria. Convém, igualmente, distinguir entre os tipos de industrialização em causa, o que será mais visível a nível concelhio.

As conclusões a nível distrital são, assim, relativizadas pelas distinções a nível concelhio. Veremos, assim, como referido para Braga, que os O tendem, de facto, a votar à esquerda ou na esquerda do PS se forem residentes em concelhos com níveis historicamente reduzidos de AI e com padrões de industrialização consideravelmente implantados.

Quadro 7.6: Votação partidária e por bloco ideológico no distrito do Porto nas eleições legislativas realizadas no período de 1987 a 2011 (%)

Fonte: CNE, Ministério da Justiça. PRD: 4,0 (1987) Voto Partidário Eleições BE (UDP- PSR até 1995) PCP PS PSD CDS -PP Esquer- da do PS Esquer- da Direi- ta Direi- ta do PSD 1987 1,2 9,4 26,7 50,9 4,0 10,6 37,3 54,9 4,0 1991 0,7 6,4 32,9 51,3 4,1 7,1 40,0 55,4 4,1 1995 0,6 6,0 46,7 36,4 7,8 6,6 53,3 44,2 7,8 1999 2,3 6,2 48,0 32,7 7,5 8,5 56,5 40,2 7,5 2002 2,7 4,6 41,1 40,0 8,5 7,3 48,4 48,5 8,5 2005 6,7 5,4 48,5 29,8 6,9 12,1 60,6 36,7 6,9 2009 9,2 5,7 41,8 29,1 9,3 14,9 56,7 38,4 9,3 2011 5,1 6,2 32,0 39,2 10,0 11,3 43,3 49,2 10,0

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A nível de particularidades eleitorais, note-se que o peso do PCP declina significativamente, a partir de 1991, ao passo que o BE ultrapassa o PCP, tanto em 2005 como em 2009. O BE é, igualmente, um partido que sofre mais oscilações do que o PCP, o que pode encontrar-se relacionado com um comportamento eleitoral mais próximo do PS. Note-se, igualmente, o quase contínuo crescimento do CDS; o partido resiste, assim, aos aumentos eleitorais do PSD.

Por fim, verificamos que a diminuição de O e o aumento de PTE não afeta substancialmente o padrão de voto. Em termos de análise da transformação da estrutura de classes nota-se, no entanto, que ambas as classes sociais apresentam comportamentos eleitorais distintos na maioria das eleições em análise. Esta alteração pouco significativa dos padrões de voto deve-se a vários fatores que serão explicados na análise concelhia. Salientam-se as distinções, no comportamento eleitoral, em concelhos com níveis elevados de PTE ou de O.

O distrito é, de facto, consideravelmente diferenciado em termos de concelhos. Em termos específicos, os concelhos do Porto dividem-se entre concelhos com valores elevados de O e valores baixos de PTE e EE, concelhos com níveis elevados de PTE e EE e baixos de operariado O e concelhos que se transformam consideravelmente no período que decorre entre os três censos. A média distrital é, assim, uma média que conjuga concelhos com estruturas de classe social marcadamente diferentes.

Abordamos, agora, o distrito de Aveiro, que apresenta valores elevados de votação na direita partidária. Retomamos, com particular atenção, as problemáticas sobre os O referidas nos distritos anteriormente analisados.

O distrito de Aveiro, a nível da estrutura de classes, regista valores muito elevados de O e níveis reduzidos de EE. São estas as classes sociais que mais se destacam ao longo do período em análise (ver quadro 7.7).

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Quadro 7.7: Estrutura de classes sociais no distrito de Aveiro em 1991, 2001 e 2011 (%)

Fonte: INE, Censos.

No que respeita à distribuição do voto, o distrito de Aveiro apresenta maiorias à direita do espetro partidário em quase todas as eleições, excetuando, marginalmente, a de 2005. Em geral, o distrito regista os maiores níveis de votação na direita do país.

Note-se, igualmente, que o PS oscila de forma considerável, e que a esquerda do PS atinge pesos percentuais reduzidos. O CDS-PP atinge valores elevados, a partir de 1995, o que mostra o caráter importante de votação na direita, neste distrito (ver quadro 7.8).

Quadro 7.8: Votação partidária e por bloco ideológico no distrito de Aveiro nas eleições legislativas realizadas no período de 1987 a 2011 (%)

Voto Partidário Eleições BE (UDP- PSR até 1995) PCP PS PSD CDS -PP Esquer- da do PS Esquer- da Direi- ta Direi- ta do PSD 1987 0,6 4,4 22,9 60,4 5,3 5,0 27,9 65,7 5,3 1991 0,6 2,8 27,8 58,6 6,1 3,4 31,2 64,7 6,1 1995 0,7 2,7 40,2 41,2 12,6 3,4 43,6 53,8 12,6 1999 1,3 3,5 40,2 38,3 13,6 4,8 45,0 51,9 13,6 2002 1,8 2,6 33,5 46,4 12,9 4,4 37,9 59,3 12,9 2005 5,1 3,5 41,1 35,7 9,8 8,6 49,7 45,5 9,8 2009 9,0 3,8 33,8 34,6 13,0 12,8 46,6 47,6 13,0 2011 5,0 4,1 25,9 44,5 12,9 9,1 35,0 57,4 12,9 Fonte: CNE, Ministério da Justiça PRD: 4,5% (1987)

Classes Sociais

Censos EDL PTE TI AI EE O AA

1991 11,0 9,1 8,9 7,4 19,8 42,1 1,9

2001 12,6 13,0 5,3 1,7 24,5 41,7 1,1

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Sendo um distrito que vota à direita e onde os O registam um peso percentual elevado, conclui-se que estes votam oscilantemente e de diversas formas sobretudo nos locais em que os AI apresentam pesos percentuais historicamente elevados. Este é um padrão que ficará mais visível à escala concelhia. De facto, os concelhos mais à esquerda do distrito de Aveiro são os concelhos em que o nível de O é substancial sem que o nível de AI tenha sido, ou seja, importante.

Em suma, o distrito de Aveiro mostra a importância da análise concelhia para a definição do comportamento eleitoral dos O. Este comportamento eleitoral variado relaciona-se, assim, com especificidades internas destes. Podemos referir, igualmente, a importância dos enquadramentos partidários para a definição deste padrão de voto.

Deste conjunto de distritos com importantes níveis de O faz parte, igualmente, o distrito de Leiria. Distingue-se dos distritos de Braga, Porto e Aveiro por apresentar uma estrutura de classes com menor peso de O, ao longo dos três censos.

Quadro 7.9: Estrutura de classes sociais no distrito de Leiria em 1991, 2001 e 2011 (%)

Classes sociais

Distrito EDL PTE TI AI EE O AA

Leiria (1991) 10,2 8,5 10,8 9,0 21,2 36,4 4,1 Leiria (2001) 13,8 10,8 5,7 2,8 28.9 36,0 2,2 Leiria (2011) 15,2 17,8 5,7 1,0 30,9 27,6 2,0

Fonte: INE, Censos.

Em termos de comparação com a estrutura de classes nacional, nota-se o nível maior de EDL, de TI e de AI (nestes últimos dois casos, em 1991). O nível de EE é menor, principalmente em 1991. Existe, no entanto, neste panorama geral, uma considerável diversidade interna em Leiria.

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Quadro 7.10: Votação partidária e por bloco ideológico no distrito de Leiria nas eleições legislativas realizadas no período entre 1987 e 2011 (%)

Fonte: CNE, Ministério da Justiça. PRD: 3,0% (1987)

Este distrito conservador caracteriza-se por uma presença muito importante do PSD, sendo que o PS consegue, ainda assim, obter bons resultados, principalmente em 1995, 1999 e 2005 (ver quadro 7.10). Importa notar, igualmente, para o caso de Leiria, a divisão entre um voto de O residentes em zonas com maiores níveis de AI e um voto de O residentes em zonas menos rurais. Introduziremos, no capítulo 8, uma reflexão específica a propósito do concelho de Leiria que é exemplificativa da tendência muito forte, em termos gerais, de votação à direita neste distrito.

No seu conjunto, os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto e Aveiro e Leiria revelam importantes questões. Estes distritos, exceto Viana do Castelo, que apresenta valores elevados de O a partir de 2001, apresentam níveis historicamente elevados de O. No caso de Braga e Aveiro estes valores mantêm-se consideravelmente elevados até 2011. Estes valores repercutem-se num padrão eleitoral oscilante, casos do Porto e de Braga, ou num padrão eleitoral de tendência à direita, casos de Aveiro, Viana do Castelo e Leiria.

Este comportamento eleitoral permite evidenciar a necessidade de um estudo mais aprofundado das nossas variáveis a nível concelhio, já que se pode antecipar que existem diferenciações importantes no comportamento eleitoral dos O a esse nível. Estes distritos

Voto Partidário Eleições BE (UDP- PSR até 1995) PCP PS PSD CDS -PP Esquer-da do PS Esquerda Dire- ita Direi-ta do PSD 1987 0,9 5,9 18,7 60,8 6,1 6,8 25,5 66,9 6,1 1991 0,8 4,5 23,0 61,2 4,8 5,3 28,3 66,0 4,8 1995 0,9 4,5 36,7 43,3 11,4 5,4 42,1 54,7 11,4 1999 1,7 5,3 36,8 42,6 9,9 7,0 43,8 52,5 9,9 2002 2,2 4,1 29,5 50,8 9,8 6,3 35,8 60,6 9,8 2005 5,5 4,6 35,6 39,8 8,9 10,1 45,7 48,7 8,9 2009 9,5 5,1 30,1 34,9 12,6 14,6 44,7 47,5 12,6 2011 5,4 5,0 20,7 47,0 12,8 10,4 31,1 59,8 12,8

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mostram, assim, que o nível concelhio é crucial para avaliar a relação entre as principais variáveis da equação estudada nesta tese.

Foram elaboradas algumas explicações preliminares para esta oscilação eleitoral. Foram aduzidas as questões relacionadas com o “aburguesamento” do operariado ou com a

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