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Veien til fredsprisen

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6. Sammenligning

6.1 Veien til fredsprisen

Com essa autorização, as baianas puderam anunciar à sociedade soteropolitana que o acarajé seria vendido durante a Copa das Confederações. No dia 07 de junho de 2013, foi realizada uma coletiva de imprensa, no Hotel Portobello, no bairro de Ondina, da qual participou a ABAM, a SECOPA e a ECOPA. Nessa coletiva foi apresentado o Projeto de Comercialização de Acarajé durante a Copa das Confederações. O Projeto, criado pelo arquiteto Giuseppe Mazzoni e patrocinado pela Coca-Cola, previu a criação de quatro estruturas, duas de 25m², com dois tabuleiros, e duas de 50m², com quatro tabuleiros. Dessa forma, seis baianas, com suas auxiliares, poderiam vender na área externa da Arena Fonte Nova.

Para tanto, ABAM escolheu seis baianas de acarajé, três que já trabalhavam outrora no Estádio e três que atuaram no processo de mobilização contra a FIFA, dentre elas Rita Ventura, Presidenta da ABAM, que seria obrigada a supervisionar as baianas por exigência dos organizadores do evento. Uma turma de vinte e cinco a trinta baianas que haviam recebido treinamento do SEBRAE (durante a Copa das Confederações e antes da Copa do Mundo) tiveram que passar por curso de capacitação para atendimento do público oferecido pela SEBRAE e tiveram o seu trabalho supervisionado também pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC-Ba). Inclusive, o SENAC foi responsável também por visitar as casas das baianas, onde se prepara a massa de feijão fradinho, que depois de frita vira o bolinho de acarajé, embora, legalmente no País, quem realiza esse tipo de inspeção nos estabelecimentos de produção de alimentos é a Vigilância Sanitária. Ainda, por “questões de segurança”, as baianas tiveram de utilizar fritadeira elétrica no preparo dos acarajés, quando usualmente a fritura dos acarajés ocorre em panelas e fogões/fogareiros a gás.

Nessa mesma coletiva de imprensa, o consórcio responsável pela gestão da Arena afirmou que pretendia manter as baianas dentro do Estádio, mesmo depois de passadas as competições da Copa das Confederações e da Copa do Mundo.56

Durante a Copa das Confederações, o acarajé foi vendido a R$ 5 reais sem camarão e R$ 8 reais com camarão. Nesse evento, as baianas ocuparam as estruturas fornecidas pela empresa Coca-Cola, que plotou os quiosques com essa logomarca.

Após a Copa das Confederações, conforme me foi relatado na ABAM, as negociações com a FIFA para que as baianas pudessem ficar dentro do estádio na Copa do Mundo de 2014 foram realizadas pela SECOPA, em diálogo com o Ministério dos Esportes. Destaco que apesar de toda a movimentação em torno dessa disputa, as baianas só obtiveram contato com o consórcio depois da Copa das Confederações. A partir daí, as começaram-se as tratativas para a autorização de baianas nos jogos estaduais.

A Copa das Confederações foi um “teste” da FIFA em relação ao Brasil, Salvador e as baianas. Foi o evento que possibilitou a entidade avaliar se havia condições de realizar a Copa do Mundo em conformidade com suas exigências. Mas foi um “teste” também do país com a FIFA, pois os governantes verificaram o limite da transigência e resistência dessa entidade para as especificidades do País na organização do megaevento. Antes de entrevistar as baianas, eu vislumbrava que a Copa das Confederações significaria para elas uma oportunidade de avaliar se seria oportuno investir na Copa do Mundo.

Entretanto, conforme me foi relatado, a Copa das Confederações teve um resultado muito baixo em termos econômicos para as baianas que puderam entrar no estádio, e as que estavam nos arredores ainda não tinham sido impedidas de trabalhar, de modo que estas e aquelas não sentiram o impacto da proibição da zona de exclusão da FIFA. Ainda, devo lembrar que o conflito em torno da entrada das baianas com seus tabuleiros no estádio teve um objetivo que ia além da necessidade financeira: as baianas ansiavam por mostrar suas caras e ocupar seus lugares no espaço público, como forma de reforçar sua identidade e de exigir o respeito à sua diferença.

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Cf. “Acarajé será vendido na área externa da Fonte Nova na Copa das Confederações”, PortaldaCopa, 07/06/2013. Disponível em <http://www.copa2014.gov.br/pt-br/noticia/acaraje-sera-vendido-na-area-externa-da- fonte-nova-na-copa-das-confederacoes>. Acesso em 30 jun. 2015.

Digo isso porque, motivada pelos escritos de Hannah Arendt ([1958] 2014), vim refletindo sobre essa insistência das baianas em aparecer durante os megaeventos. De forma resumida, essa a autora, ao citar Dante no epílogo do capítulo sobre discurso e ação, de seu livro “A condição humana”, explica que em “(...) toda ação o que é visado primeiramente pelo agente (...), é revelar sua própria imagem. (...) Assim, nada age, a menos que [ao agir] torne patente seu si-mesmo latente”. Isso significa que a condição básica da ação e do discurso, a pluralidade humana, tem o duplo aspecto da igualdade e da distinção. O discurso e a ação são reveladores da distinção única: são os modos pelos quais os homens aparecem uns aos outros, qua homens (ARENDT, 2014, p.219-220).

Assim, a ressignificação que as mulheres negras deram ao espaço público, tornado, na Modernidade, equivalente à esfera política, é um aspecto essencial da subversão da colonialidade do gênero e do poder. A presença dessas mulheres nas ruas era a pedra no sapato das elites branqueadas, pois os “signos abjetos”, “inferiores”, não podiam compartilhar o local que possibilitava a igualdade entre todos. Há uma potência de permanência no compartilhar do espaço público: uma vez visto nesse lugar não se pode negar a existência; uma vez ouvido, não se pode ignorar a diferença.

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