5. Reaksjoner og konsekvenser
5.1.6 Politiske konsekvenser
O poder do jornalismo é um tema tratado recorrentemente, como se retira da vasta bibliografia existente sobre a temática, sobressaindo que durante algum tempo se referiu poder constituir-se como 4º poder. Tradicionalmente, o jornalismo é visto como um dos vértices do triângulo democrático de que fala Traquina (2004) representado na figura 08:
Figura 08 – Triângulo democrático Poder
Jornalismo Opinião Pública Fonte: Traquina (2004)
73 Para o autor, mau grado o discurso positivo acerca dos direitos das pessoas, isso funciona como
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Genericamente, a visão do autor assenta no jornalismo vigilante dos poderes, constituindo-se mediador junto da opinião pública. Sem a pretensão de negar em si mesmo esse enquadramento, sustentamos uma posição diferente. Aceita-se e mais que aceitar, defende-se que por parte do campo jornalístico possa ser efectivo o vigiar permanente da sociedade, qual ‘sentinela’, no combate aos abusos de poder. O papel de denúncia de jogos escondidos ou o vigiar no sentido da defesa e protecção esclarecida do cidadão é deveras importante. No prolongar de outra linha do triângulo é igualmente essencial o papel dos
media no fornecer a informação preparatória e constitutiva do exercício cívico. Está claro, na
senda da produção de Molotch e Lester (1993) que “toda a gente precisa de notícias. Na vida quotidiana, as notícias contam-nos aquilo a que nós não assistimos directamente e dão como observáveis e significativos happenings que seriam remotos de outra forma” (p. 34). Nada a opor e sempre a valorizar essas perspectivas.
A divergência não está aí pois acredita-se num jornalismo que possa servir a população através de uma informação séria e competente que denuncie os podres, os compadrios e/ou a corrupção. Os media têm papel mais que provado nessas matérias sendo
Watergate uma referência ‘master’. Nesta parte da tese em que debate o poder detido pelo
campo dos media defende-se, entretanto, que para além da vigilância e da mediação subjacente o poder é exercido pelos media a dois níveis, como a figura 9 sugere:
Figura 9 – O poder da imprensa e o seu exercício
Fonte: Elaborado pelo autor a partir de dados da pesquisa (2015) A premissa central é que depois da sua afirmação e autonomização na complexidade da sociedade actual, o campo dos media fruto de interesses e estratégias consequentes não só vigia (denunciando os abusos dos poderes instituídos) e daí informa (mediação), mas passa
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também por ser um lugar de poderes com os media a tornarem-se espaço privilegiado da política como refere Castells (1996, p. 404-05).
Não se defende que seja o quarto poder no alargamento da trilogia Montesquieusiana (só em figura de estilo o poderia ser) mas entende-se que o ‘poder’ não está apenas no vértice do triângulo mas está no próprio campo dos media e traduzindo-se em manifestação do poder de influência no alimentar do pensamento das pessoas e em acção estratégica de interesses do campo (ou de quem é dominante nele).
Desde logo, atendendo à especificidade, diversificação e autonomia do campo, os
media afirmam efectivamente um poder que é considerado numa dupla percepção:
dos campos concorrentes (que se multiplicam em esforços no sentido de reverter em vantagem própria a utilização dos meios disponíveis, mas onde e em que, os media têm legitimidade de uso) e é isto que leva Molotch e Lester (1993) a sustentarem que o acesso ao campo jornalístico constitui uma das fontes e sustentáculos das relações existentes de poder (p. 44).
da opinião pública - nesta época do império do efémero de que fala Lipovetski (2009), resultante da percepção que é imposta pelo que se lê, que se ouve e principalmente pelo que se vê (sendo maior o efeito quando em tempo real, na actualidade potenciado pela internet) e em se defende que esta é particularmente influenciada pelos media.
Na relação com os demais campos é reconhecido ao campo dos media um lugar de relevo que lhe permite obter determinado tipo de poder e que sai reforçado pela sua acção, no seu papel de vigilante do poder político. Por outro lado tem capacidade para provocar efeitos/formas de pensar influenciando a opinião pública. É nessa dupla (embora diferenciada) dualidade conceptual que por si mesmo e enquanto tal se afirma com um poder específico nomeadamente na acepção da “capacidade para produzir efeitos” como refere Stoppino (2000) vincando a influência resultante da produção discursiva e fundamentalmente pelo poder adquirido de chegar às pessoas no imediato (considerada a interacção mediatizada). Cohen (1963) evidencia que a imprensa pode “na maior parte das vezes, não conseguir dizer às pessoas como pensar mas tem, no entanto, uma capacidade espantosa para dizer aos seus leitores sobre o que pensar” (p. 72). Por aí se chega ao que Schudson (1993) defende ser o poder dos media que “não está só (nem principalmente) no seu poder de declarar as coisas como sendo verdadeiras, mas no seu poder de fornecer as formas sob as quais as declarações aparecem” (p. 279). E esse poder torna-se tanto mais vincado quanto maior reconhecimento do campo exista. Rodrigues (1999) explica na essência isso mesmo, ao destacar que de “entre as questões fundamentais com que um corpo social está confrontado conta-se a do seu sistema de acreditação, assim como a da compatibilização desse sistema
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com a modalidade tradicional de legitimação que persiste no domínio da experiência que lhe é próprio” (p. 23).
Mesmo se historicamente se considerava o jornalismo uma profissão pouco prestigiada, conforme Traquina (2004, p. 27) e que segundo Ferenczi (1993) provoca mais vezes o desprezo que a admiração (para os homens políticos e das letras), é evidente, hoje, que os agentes do campo dos media estão mais capacitados e dotados de saber, longe indo o tempo (apesar de alguma posição mais antiga) em que o jornalista não precisava de ter formação superior. Já vimos isso no capítulo II. Tal conjugação é importante como refere Foucault (2004) ao afirmar que não há relação de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que não suponha e não constitua, ao mesmo tempo, relações de poder (p. 184). Gaye Tuchman (1978) refere que nas sociedades actuais o conhecimento constitui um princípio de hierarquização social tão importante como a propriedade, advindo daí, que o poder de informar se constitui como um poder enorme. E acrescenta ainda que os jornalistas e as suas fontes contribuem em conjunto para definir os contornos da sociedade do conhecimento, funcionando como reprodutores das estruturas do poder e do saber.
Na relação entre sujeitos acontece a afirmação do poder através do discurso e este poder aparece associado a autoridade como evidencia Estrela Serrano (1999) ao afirmar que as notícias são representações da autoridade. Através delas, os jornalistas (e de algum modo as fontes de informação, como a seguir se verá) possuem o poder de decidir quem tem voz e quem é excluído do acesso ao espaço público influenciando quem lê, ouve ou vê. É dessa maneira que os media nas sociedades modernas ocidentais, são o lugar privilegiado para a representação simbólica da autoridade, como salientam Ericson et al. (1991, p. 238), já que o discurso funciona como “um jogo de poder específico (…) vinculada à produção de saberes e à utilização de técnicas e estratégias políticas da sua circulação, por meio de práticas discursivas institucionais” (Monteiro, 2008, p. 59). João Carlos Correia (2011), acentua que “a lexicalização constitui um domínio maior da expressão ideológica, funcionando eficazmente ao nível persuasivo” (p. 47), esclarecendo ainda que:
“Se as acções negativas forem atribuídas directamente ao agente na voz activa a sua responsabilidade intencional é agravada e acentuada. A estrutura sintáctica pode intervir nomeadamente enfatizando a responsabilidade pela acção negativa ou positiva, o que pode ser conseguindo designando-o expressamente, eclipsando-o ou usando eufemismos: “Polícia carrega sobre os manifestantes”, “Contestatários contidos pela polícia”, “Agentes da autoridade impõem-se: reina a ordem no país”, “Manifestantes contidos por forças de segurança” são exemplos de títulos, alguns improváveis, mas todos eles susceptíveis de serem aplicados ao mesmo evento. Também a lexicalização constitui um domínio maior da expressão ideológica, funcionando eficazmente ao nível persuasivo” (idem).
A partir do discurso de forte pendor normativo, com particulares convenções estilísticas e dispondo de meios que garantem a visibilidade, os graus de tematização e os estilos comunicativos (onde cabem as metáforas e a popularidade dos profissionais),
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influenciam, o reconstruir da realidade por parte do público, através de códigos de representação próprios, que fazem relembrar Nietzsche (2002) no seu dizer perspectivista de não haver factos mas sim interpretações e também Zizek (1996) na referência que faz a que os factos não falam, sendo os mecanismos de comunicação que os fazem falar.
O poder manifesta-se hoje de forma bastante diferenciada em relação ao que era conhecido. O poder dos media na linha do que vem sendo afirmado é geralmente persuasivo, já que, os meios de comunicação têm o potencial para controlar (no sentido de influenciar) a mente dos leitores/espectadores, embora não directamente as suas acções. Esse controlo funciona como poder social na sociedade de informação actual (van Dijk, 1992, p. 11) a partir do conceito de modelo (representação mental de uma experiência) onde a compreensão de uma notícia significa que os leitores são capazes de construir o modelo nas suas mentes, na ligação entre evento e notícia. Esse modelo também pode incluir as opiniões sobre o evento (idem, p. 12), levando a que pela representação social se chegue ao público, que interpreta a representação. Nos dias de hoje não existe tanto uma dominação baseada na força (hard
power), estando visto que para além dos mecanismos da repressão física, existem outras
formas de dominação silenciosa que se apresentam igualmente impositivas (soft power), como é apresentado por Nye (2004) quando refere que “há mais de quatro séculos atrás, Maquiavel recomendou aos príncipes da Itália que era mais importante ser temido que amado. Porém nos dias de hoje, o melhor é ser ambos. Ganhar corações e mentes sempre foi importante, no entanto é ainda mais na era da informação global” (p. 1).
Gramsci (2000) fala do poder de tentar fazer com que a força pareça apoiada no consenso da maioria (p. 95), dispondo o campo dos media desse poder tipo, sem esquecer, igualmente, a possibilidade do privar de publicitação (do campo, ou dos campos, que não aceitem a sua mediação). Este é um poder enorme (que funciona como poder sancionatório, norteando e mesmo obrigando a condutas), já que a publicidade é força motriz do conhecimento e do saber. Sem a mesma, o campo restringe-se ao universo de si mesmo, aos seus limites, perdendo a sua abrangência - perde o carácter de legitimação social, que funciona como passaporte, como visto, de valorização. É um poder que depois de estabelecido/legitimado pela valorização simbólica, para além das variações e da intensidade do domínio, tem efeitos notórios, como afirma Rodrigues (1999): “o efeito mais notório deste sistema de sanções é o da privação de visibilidade pública, com a consequente perca da existência social das suas vítimas” (p. 27). Daqui resulta a afirmação de uma dupla face do poder exercido. Ora priva de visibilidade, ora promove, julgamentos e condenações no tribunal da opinião pública (Greer e McLaughlin, 2011). Todo aquele que seja ‘indiciado’ é submetido à nomeação e consequente vergonha, equivalente a uma execução pública74 na
74 A recente detenção do ex-primeiro ministro de Portugal, José Sócrates é mais um exemplo do que se
afirma – e isto sem nenhuma leitura política ou de natureza judicial, apenas e só com foco no que aparece publicado nos media sobre o agora ‘preso 44’ da cadeia de Èvora.
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actual “sociedade do espectáculo” (Debord, 1997) – terminologia que nada tem a ver com aquela que utilizamos antes ao referirmo-nos ao período clássico, conforme justificamos na altura. Esse poder manifesta-se em relação a todos os campos, com especial incidência no campo político e seus membros, nomeadamente, no homus politicus. Nesse exercício há manifestações de poder (pela referida nomeação – na vigilância da actuação social) e de contrapoder que chega a sancionar (através de medidas de não publicitação) os representantes da democracia. Vide, o acontecido entre nós com os deputados da Assembleia da República, nos idos Março e Abril de 199375 ou ainda o acontecido no acompanhamento
pelos media televisivos das últimas eleições autárquicas em Portugal, com o não aceitar das regras impostas para os debates eleitorais entre os candidatos às autarquias locais (o que levou a não haver debates entre as partes, perdendo-se a confrontação directa das ideias). Se a mediação por parte dos media não é aceite por um determinado campo, sancioná-lo, também cabe nos modelos de prática. E sem qualquer compromisso, nem tendo medo das palavras – isso é ter poder. Claramente se manifesta pese embora todo o embuste de negação que acontece, que a alguns servirá. Sobre isto são importantes as reflexões de Traquina (2000) referidas ao papel activo dos jornalistas na construção da realidade, ao falar, particularmente, da “cegueira provocada pela ideologia jornalística” (p. 42) no tocante à visão mais limitada da sua influência e consequente poder. Em síntese, subscreve-se a opinião de Silveira (2000) quando refere que importaria que o poder dos media fosse capaz de reproduzir as estruturas sociais desejadas (p. 82). Como valores referenciais a considerar, devem estar a verdade e a objectividade pois estas potenciam credibilidade. Isso mesmo é salientado por Charon (1999) ao identificar valores que regendo a profissão, proporcionam a dita credibilidade, particularmente quando destaca o respeito pela liberdade de informação na consideração do Estado de Direito. Aponta a necessidade do respeito pelo público, distinguindo informação de publicidade (promoção) e de propaganda e criticando a utilização da mentira e da calúnia, ou a acusação sem provas, ou seja, sem usar a espectacularização ou a discriminação. Destaca ainda as regras dos códigos deontológicos no tocante ao relacionamento com as fontes de informação, apontando, a respeito do segredo profissional, a não utilização de métodos de investigação ilegais; o respeito pela vida privada; que não se verifique a adulteração e a deturpação de documentos e consequentemente a não acusação sem provas, identificando as fontes e distinguindo factos, de opiniões e simples comentários. Termina, evocando a conduta entre pares (jornalistas), valorizando o respeito pela profissão, recusando o plágio e/ou as benesses (prendas, viagens, privilégios) dados com fins/propósitos de ‘compra da opinião’.
75 Os repórteres em serviço no Parlamento, de diversos media, promoveram um boicote que durou 35
dias aos trabalhos da Assembleia da República. Os jornalistas não noticiaram acontecimentos da vida parlamentar como forma de protesto contra um regulamento que impedia que circulassem em alguns dos corredores do Palácio de São Bento. Esse regulamento imposto pela maioria do Partido Social Democrata (PSD) pretendia vedar o contacto informal entre jornalistas e deputados, de modo a impedir a circulação das novidades.
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É através de práticas similares que não só se grangeia, como se alarga, a legitimidade do campo jornalístico. É certo no entanto que sendo esta conseguida, quando não controlada e perante a constatação da força detida potencia a acção severa e inquisidora que se queira (não parecendo existir limite). Seguem-se-lhe actuações (há quem lhe chame audaciosas, mas que também podem classificar-se de pouco éticas) que não abonam em favor da profissão, quantas vezes encobertas pelo sempre válido e oportuno princípio da necessidade de informação considerado o ‘valor-notícia’.
Repetidas vezes se assume a posição de braço secular da opinião pública, quais “governantes do mundo”, como se lhe refere Minc (1994) ou também “verdadeira e única autoridade social” conforme Woodrow (1991), o que pode pressupor uma leitura (como igualmente alguns quadrantes sugerem) dos media ‘terem o rei na barriga’. Determinados
mass media (particularmente alguns jornalistas, cobertos certamente pelas suas direcções
redactoriais), com base num pensamento e numa visão formatada na centralidade dos números e das audiências fazem uma aposta forte nos desvios, no drama, nos problemas, nas infidelidades, na vilanagem, nos horrores, no bem face ao mal (é o apaixonante que vende, que cativa) condicionados pelo mercado, pelos euros, kwanzas ou dólares e porque não dizer, pelo poder. O que configura a situação em que um(a) director(a) de programação escolhe apresentar uma reportagem em lugar de outra; ser dócil/submisso com alguém do seu entorno (com quem existe uma proximidade maior – sua ou do grupo empresarial dono da empresa) ou ser demolidor/cáustico para outrem do círculo social com efeito tantas vezes devastador na opinião pública, senão, poder? No referido, o poder dos profissionais está umbilicalmente relacionado com o poder dos media que através da saliência atribuída a determinados acontecimentos na seleccão feita afirmam de maneira evidente o seu poder. Esse é um poder que leva, segundo Schudsen (2003) e considerando as influências sociais no comportamento humano, a que as pessoas não distingam “o poder dos media do poder das pessoas e dos acontecimentos que os mesmos cobrem (p. 20).
Em resumo e no conjunto isto revela que o exercício do poder apresenta duas faces: uma positiva e uma negativa. A partir do pressuposto de que ambas têm os seus momentos, quando esta última se dá a conhecer surge a contestação pública e mais que isso ou em consequência disso acontece a descredibilização. Na pior face da moeda é tido como certo que o poder cega. Quando é exercido de forma pouco inteligente pode conduzir a cruzar fronteiras no exceder (e normalmente assim acontece) do poder detido em potencial ou simbolicamente representado e em que a própria legitimação conseguida se vai perdendo pela perda de credibilidade. Veja-se como o Diário de Notícias (29 de Dezembro de 1997) no seu editorial sob o título de “governantes do Mundo”, trata o assunto:
“Embriagados pelo relevo do seu papel de governantes do Mundo, os media descuraram precauções elementares de rigor, cruzaram fronteiras de bom gosto e de senso comum, confundiram a árvore com a floresta, excederam o poder que lhes foi
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concedido pela opinião pública. E a História ensina que, cedo ou tarde, sempre o povo se revolta contra as tiranias. Uma das consequências graves desta situação é que perdeu credibilidade, uma das missões mais nobres que cabe a uma Imprensa livre: a denúncia dos abusos dos poderosos” (p. 3).
E isto apesar do valor referencial dos media assentar na moralidade por mais obscena, pornográfica e imoral que possa ser a relação com os conteúdos como salienta Muniz Sodré. Ultrapassadas essas vicissitudes o que realmente importa nas palavras de Diana Andringa (2008) é que se lhe continue a reconhecer a força da chamada de atenção para os problemas ou a correção de injustiças e que perdurem nesse posicionamento:
“Acusados de omitirem informações ou de falar de mais, de se encarniçarem sobre um tema ou de o deixarem cair, de perseguirem os poderosos ou de serem coniventes com eles, os jornalistas são, simultaneamente, aqueles de quem se espera a chamada de atenção para um problema há muito negligenciado, a denúncia de um mal social, a correcção das injustiças. Quem não ouviu já propor, perante uma fuga de água há muito por controlar, um caso de poluição, um sentimento de insegurança, “vamos para os jornais” ou “o melhor é chamar a televisão”? Com melhores ou piores pretextos, jornalistas e meios de comunicação – muitas vezes numa amálgama sem rigor - estão no centro da maioria dos debates sobre os valores da sociedade (p. 3). A postura referida também acontece reflexo das lutas no interior do campo sendo claro que à tomada de algumas posições não são estranhas tais lutas. Quando a televisão (o visual) se elevou a lugar de destaque enquanto médium relegando o escrito a lugar de menor fulgor acaba por se justificar a mudança de estilo/acção havida – tornou-se dominante. O mesmo aconteceu quando os grupos económicos tomaram conta das redacções noticiosas enquanto detentores da gestão dos grupos de media. E face a isso são entendíveis as intenções dos grupos económicos que utilizando os media no seu papel de mediação vão conseguir passar as mensagens que consideram para os seus interesses. As tomadas de posição de determinados media dentro do campo na defesa do seu modelo, ou mesmo, quando determinada pessoa em defesa da sua valorização (no reforço da posição) na estrutura organizativa de determinada empresa de media, ou ainda, a defesa de estilos de acção (mais agressivos ou consensuais) por parte de determinados sectores profissionais, contribuem no conjunto para o que se conhece como ‘poder do campo’. Se internamente acontecem lutas havendo vencidos e vencedores, o campo reflecte essa actividade que encontra socialmente o reconhecimento próprio seja na adesão sem reservas (no prolongar da legitimidade), seja de menor peso do poder detido. Modulado por circunstâncias de tempo e de lugar como refere McQuail (2003), o modo de pensar o papel da comunicação de massa parece estar estreitamente ligado segundo Wolf (2005), ao clima social que caracteriza determinado período histórico correspondendo as modificações desse clima às oscilações de comportamento acerca da influência dos mass media. Isso conduz à variação do seu poder ao longo dos tempos como destaca Mário Mesquita (2007) ao referir que os “tempos de crise, por