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Vedlegg 1: Koding av læreverkenes vektlegging av leseforståelsesstrategier

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5 Presentasjon og drøfting av resultater

5.5 Vedlegg 1: Koding av læreverkenes vektlegging av leseforståelsesstrategier

Na estrutura geral do Auto da Criação do Mundo ou Princípio do Mundo/ Ramo, centrado nas duas grandes partes que se expuseram anteriormente, surge, entremeando, um episódio, que nos evoca os tons de um auto com laivos de comédia de enganos, cuja ação dramática se centra na esfera amorosa de pastores e pastoras, vigiados pela Inveja e o Diabo, e em que a palavra “acto” (136

) surge, pela primeira vez, para designar este passo em particular.

Em jeito de prólogo, este «ato», ou talvez auto, principia por um diálogo entre a Inveja e o Diabo, em que aquela se compara à ave mitológica Fénix, que, renascendo das próprias cinzas, simboliza neste caso a permanência do mal. Refere a Inveja ao Diabo as suas tenebrosas façanhas, quando, transfigurada em serpente, induziu Eva a comer do fruto proibido, ou quando, mais tarde, meteu cizânia entre Abel e Caim, de quem fez um assassino. Procura agora convencer o Diabo a perverter os filhos de Abel, enquanto ela se encarrega dos pastores, procurando desviá-los de Belém, onde Jesus acaba de nascer.

Eles são moços solteiros façamo-los namorados para que cegos em amores

não ouçam os seus recados. (CDXX).

135 Segundo José Maria Marta, esta situação devia-se ao facto de dar um máximo de originalidade à personagem.

Ser preto significava ser oriundo de um país estrangeiro, e o mais próximo era Espanha.

136 Luciana Stegagno Picchio (1969: 62-63) considera que o povo continua ainda a chamar Autos e Actos às

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Admira-se o Diabo que a Inveja saiba mais do que ele, mas acaba “contracenando com ela”, envolvendo-se num enredo engendrado por ela. Pouco vale ao Diabo invocar a sua

condição de velho, demonstrando a sua «ciência», porque a Inveja objeta ser manhosa, por ser «do sexo feminino» (CDXVI/v4). Retoma-se aqui o tema já abordado no diálogo entre Adão e Eva, no Paraíso, e a tradicional tipificação das características de género: ao homem a sageza e à mulher a esperteza!

Curiosamente, observamos, pela primeira vez, referenciada uma breve descrição de carácter cenográfico. Mencionam-se duas portas, correspondendo a duas cabanas, a dos homens e a das mulheres, além de duas «sombras» (137) de cada lado, «onde se escondem os tentadores».

Disfarçado de Rato/Ratão (138), com «cinco palmos de rabo/ alguns doze de comprido» (CDXXVI), e de Feiticeira, «tão meiga e tão sensual/que é pecado mortal» (CDXXIX), o Diabo e a Inveja (139) assumem figuras tão fantásticas, que os criados Vulcano e Júlia, enfurecidos, se encontram a ponto de queimar as suas cabanas. Interpelados por Silvestre e Beliza, seus amos, são acusados de estarem “bêbado” e “louca”. Todavia, se Vulcano não identifica a existência do

Diabo, Júlia, mais avisada talvez, identifica e descreve a Inveja, pela forma como se comporta e pelo modo como veste. Em conversa com Beliza, explica-lhe que faz sentido ela andar rondando pessoas que se querem, porque o amor atrai a inveja, ou seja, o ciúme.

Tal como referido anteriormente, o enredo amoroso lembra uma comédia de enganos, envolvendo os pretensos pares de Beliza, Silvestre, Júlia e Vulcano, e em que Narciso se encontra perdidamente apaixonado por Beliza, e Rebeca procura seduzir Silvestre

137 Tratar-se-á, por certo, de elementos cenográficos, vulgarmente designados por repregos, muito utilizados no

teatro de mágica, permitindo o aparecimento e a ocultação de seres fantásticos.

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Ratão um dos nomes do Diabo, cuja intenção pejorativa está na alusão ao rabo comprido, criação da imagética popular.

139 A Inveja, descrita como uma mulher, “não traz touca”, o que deixa antever reminiscências de uma figura

alegórica. Surgem indícios da indumentária da personagem: “Mulher é, mas não traz touca/traz uma saia dobrada/ao modo de tiracolo.” (CDXXXI)

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(CDLXXXIV). Curiosamente, neste ato, a elas caberá a escolha do pretendente, ainda que tal seja «perigoso nas mulheres» (CDXXXVII/6), porque «que o escolher é fortuna/o acertar felicidade.» (CDXXXVIII/ V 3 e 4). Assim Rebeca gosta de Silvestre e este de Beliza:

Amor louco! Amor louco! eu por ti e tu por outros diz-me, pois, Beliza, ingrata que desculpa me há-de dar que, sendo eu Narciso,

tu não me queres falar. (CDLXX)

O galante e atrevido Narciso repete este ditado ao ver que Beliza prefere Silvestre,mais sensato e objetivo, dando prioridade à ovelha parida e só depois é que vai ter com a “namorada”.

A utilização de ditos sentenciosos caracteriza, favoravelmente, a pobreza do discurso, frequente na linguagem popular. Julgamos pertinente que a atribuição dos nomes aos pastores não tenha sido obra do acaso, mas que correspondam a atributos de comportamento: Vulcano, nome romano, do deus do fogo, pretende queimar o Diabo, rabudo e cornudo, qual “chocalheiro” da

Bemposta, para erradicar o mal; Narciso, como o seu homónimo mítico, é belo e vaidoso; Silvestre, simples e bom, é como as coisas naturais, e o único com um vislumbre de vida espiritual, considerando o casamento um ato sagrado.

Entre Silvestre, «mais entendido», e Narciso, «mais galante», a Beliza caberá a escolha, ainda que influenciada pelo julgamento ponderado de Júlia. Entregue a seus pensamentos, Beliza parece preferir a segurança que o siso de Silvestre lhe infunde, não fosse uma dúvida que lhe assalta o espírito de Rebeca ser a eleita daquele. Seguindo o conselho de Júlia, Beliza chega à fala com Silvestre, em momento pouco oportuno para este, que se apresta em tratar de «uma ovelha a parir» (CDXLVII/v3). Será Vulcano quem tranquilizará Beliza, revelando-lhe o amor que seu amo Silvestre lhe dedica, tornando o criado num confidente inconfidente. É vulgar neste tipo de comédias, os amos servirem-se dos criados para obterem informações que não ousam perguntar, e também que essas relações confidenciais se estabeleçam entre indivíduos do mesmo

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sexo (patroa/ serva ou patrão/servo), porém, neste caso, verificamos uma variante à normalidade, sendo o criado Vulcano quem funciona como confidente da pretendente amorosa de seu amo. De igual modo, a serva Júlia confidenciará ao galante Narciso a sua paixão por Vulcano, conluiando-se ambos para alcançar os objetos de seus amores.

Complica-se o enredo, sob os auspícios da Inveja e do Diabo, que por detrás das sombras escutam, e observam Rebeca que espreita a conversa de Beliza com Narciso. Regressado dos seus afazeres, Silvestre não encontra Beliza onde a deixara. Rebeca instila o veneno do ciúme, provocando uma tenção entre Silvestre e Beliza sobre casar e namorar ou o valor do casamento, num crescendo que termina com aquele protestando o seu amor por esta:

E se vós vos quiserdes casar como eu quero fazer

a graça de Deus vos cubra é o que vos posso dizer. (CDXC).

Por fim concertados, a companhia prepara «migas» de leite e pão (140) e, terminado o repasto, adormecem tranquilos, para grande irritação do Diabo que, julgando que «os metia/ em lascivos pensamentos», os acha «conformes/ em o santo casamento» (DV). Não resta, portanto, aos tentadores outro estratagema, senão prenderem os pares amorosos ao seu poder maléfico (uma «corrente» que os puxará para o Inferno), para que «não ouçam/ novas do Céu nem da terra» (DVI/v 3 e 4).

Vulcano (141), prontamente desperto, invoca o auxílio de Deus e da sua corte divina, que surge na forma do Arcanjo, o «General S. Miguel» (142), que envia o Diabo e a Inveja para «a

140 Trata-se das vulgares sopas de leite e pão, cujo nome apenas se assemelha ao prato tradicional alentejano. No

entanto, ainda hoje é usual o povo transmontano fazer sopas de pão.

141 O Diabo prende a Vulcano referindo-se a ele como “malhadeiro”, expressão derivada de malhar, aquele em que

toda a gente malha, incorrigível. Em Trás-os-Montes a expressão pode adquirir outro significado: Malhar – ferramenta mecânica para malhar o trigo ou vara. Antigamente as eiras das aldeias eram o local de realização destas tarefas.

142 Segundo a tradição o Arcanjo Miguel é o comandante supremo dos exércitos celestiais, sendo aquele que se

costuma invocar na luta contra o negativismo. O seu nome em hebraico significa parecido com Deus. Costuma ser representado com uma balança de pratos numa mão, para pesar as almas no dia do Juízo Final, e na outra

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sepultura» infernal, perante o assombro dos pastores, e anuncia o nascimento do Messias. Estes meditam, então, sobre a profecia de Isaías e sobre o mistério da Virgindade de Maria.

Neste episódio, expressa-se o antigo conceito de que amor vincit omnia. A Inveja, enquanto sinónimo de ciúme, de desarmonia social, de perdição, nascida do coração do Diabo, é vencida pelo altruísmo, pelo amor ao próximo, em última instância representado pelo anunciado Salvador do Mundo e pela mensagem «amai-vos uns aos outros, como eu vos amei», introduzindo o passo seguinte da Redenção.

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