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A Valorsul realiza, desde 1996, campanhas de caracterização física, dos RSU provenientes da sua área de intervenção, isto é, dos municípios da Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira.

A Valorsul realiza a referida caracterização com vista a manter actualizado o conhecimento das características dos RSU que gere. Esse conhecimento auxiliou, em primeiro lugar, ao dimensionamento das instalações que fazem parte do seu sistema integrado de valorização e tratamento de RSU. Actualmente auxilia a exploração das mesmas e na definição dos objectivos de educação ambiental.

Os RSU analisados têm sido os resíduos sólidos residuais (ver capítulo 2.2 da parte II) e os resíduos provenientes da recolha selectiva de resíduos de embalagens usadas (ver ponto 1 do anexo 4). No caso da Valorsul, esta divide-se em três fluxos:

1. papel/cartão;

2. embalagens de plástico, de metal e ECAL; 3. embalagens de vidro.

A deposição de resíduos sólidos residuais inclui sacos e contentores. A deposição de resíduos de embalagens usadas inclui, para além dos anteriores, caixas, por exemplo, utilizadas no concelho de Loures

No que diz respeito aos registos históricos das campanhas de caracterização física, dos resíduos sólidos residuais, foram utilizadas duas metodologias:

1. Zonas espaciais homogéneas quanto à composição dos resíduos (entre 1996 e 1999), por amostragem aleatória estratificada;

2. Remecom (ver capítulo 1.4 da parte III) – adaptação da metodologia MODECOMTM

(França) (entre 2001 e 2004), por amostragem aleatória simples.

A metodologia das zonas espaciais homogéneas, quanto à composição dos resíduos, teve por base a metodologia da DGQA (1989), nomeadamente no que diz respeito ao número de amostras anuais, procedimento de recolha da unidade de amostragem e preparação da mesma. Relativamente ao peso da unidade de amostragem e catálogo de triagem utilizado, este foi baseado na metodologia ERRA. O referido catálogo, que inclui as categorias preconizadas pela DGQA (1989), apresenta, no entanto, uma maior desagregação em subcategorias.

A partir de 2001, em virtude da desactualização da delimitação das zonas espaciais homogéneas quanto à composição dos resíduos, devido às alterações socio-urbanísticas entretanto ocorridas, e da necessidade de haver uma maior desagregação das categorias do catálogo de triagem, a Valorsul optou por utilizar a metodologia da Remecom. Trata-se de uma adaptação da metodologia MODECOMTM, uma vez que o procedimento de

preparação da unidade de amostragem tem por base o da DGQA (1989) e o peso da unidade de amostragem é inferior a 500 kg. Refira-se que o catálogo de triagem consiste numa adaptação do utilizado na Remecom, de modo a não se perderem os dados históricos, e inclui as categorias preconizadas pela DGQA (1989).

Em suma, as metodologias utilizadas por esta SMAUT, relativamente aos resíduos sólidos residuais, reflectem a evolução das necessidades de informação relativa aos RSU quer, como já referido, para a exploração das instalações de tratamento de resíduos e educação ambiental, quer para o conhecimentos dos materiais potencialmente recicláveis existentes nos RSU (e.g. resíduos de embalagens usadas, RUB), de modo a aferir o contributo da Valorsul para os objectivos de gestão actualmente em vigor a nível nacional.

De seguida apresenta-se a calendarização das caracterizações realizadas (ver Quadro IV.2.2).

Quadro IV.2.2. Datas de execução das campanhas de caracterização física, dos resíduos sólidos residuais, recepcionados na Valorsul.

Metodologia de caracterização

de RSU

Ano campanhas Total de Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

1996 2 1ª 1ª 2ª 2ª 1997 3 3ª 3ª 4ª 4ª 5ª 5ª 1998 1 6ª 6ª Zonas espaciais homogéneas 1999 2 6ª 6ª 7ª 7ª 8ª 8ª 8ª 2001 2 9ª 9ª 9ª 10ª 10ª 2002 1 11ª 11ª 11ª 11ª 12ª 12ª 2003 1 12ª 12ª Metodologia Remecom – adaptação da MODECOMTM (França) 2004 1 13ª 13ª 13ª Total 13

No que concerne à caracterização dos resíduos provenientes da recolha selectiva de resíduos de embalagens usadas, esta teve a seguinte calendarização:

1. papel/cartão- realizada no ano de 2000;

2. embalagens de plástico, de metal e ECAL- realizada entre 1999 e 2004; 3. embalagens de vidro- realizada no ano de 1999-2000;

Como se pode observar no Quadro IV.2.2, a calendarização das campanhas de caracterização dos resíduos sólidos residuais obedeceu a uma frequência, que se pretendeu anual. Relativamente à caracterização dos três fluxos de resíduos provenientes da recolha selectiva de resíduos de embalagens usadas, a calendarização está relacionada com as necessidades de exploração do CTE. Estas dizem respeito ao conhecimento pormenorizado dos resíduos que alimentam a instalação, de modo a ser feita uma melhor gestão da mesma, à avaliação dos materiais colocados correcta e incorrectamente nos equipamentos de deposição e ao cumprimento das especificações técnicas da SPV, para encaminhamento dos materiais para reciclagem.

Em ambos os casos (resíduos sólidos residuais e resíduos de embalagens recolhidos selectivamente) a independência das amostras é garantida dado que a selecção das mesmas é feita de forma aleatória.

Uma vez que a metodologia das zonas homogéneas de produção de resíduos, utilizado na caracterização dos resíduos sólidos residuais é específica da Valorsul, esta é apresentada de seguida.

Zonas homogéneas de produção de resíduos sólidos residuais

A metodologia utilizada pela Valorsul, entre 1996 e 1999, que consistiu na definição de zonas espaciais homogéneas, quanto à composição de resíduos, obedeceu ao objectivo fundamental de classificação de unidades espaciais elementares com base em critérios de natureza urbanística e sócio-económica (Tecninvest, 1996).

Os critérios de base foram construídos a partir da conjugação dos seguintes tipos de informação (Tecninvest, 1996):

- indicadores de uso e ocupação do solo, referentes à actividade dominante (residencial, terciário, indústria);

- indicadores urbanísticos, referentes à tipologia urbana (e.g. moradias, número de pisos dos edifícios, data de ocupação da zona, ocupação legal/ocupação clandestina, “barracas”, habitação social, expansão planeada/expansão desordenada);

- indicadores sócio-económicos, referentes ao grupo sócio-profissional da população residente, nomeadamente estrutura etária, dimensão média das famílias, taxa de ocupação dos alojamentos.

Assim, foi construída a lista de indicadores apresentada no Quadro IV.2.3, os quais constituem atributos que determinam as características dos RSU.

Foram definidas 24 zonas sócio-urbanísticas homogéneas para os municípios da área de intervenção da Valorsul (ver Quadro IV.2.4). As 24 classes urbanísticas organizam-se, num primeiro nível, em função do estrato sócio-económico dominante e do uso do território. Num segundo nível, as classes foram diferenciadas de acordo com as características urbanísticas de ocupação do solo (Tecninvest, 1996).

Na Figura IV.2.2 encontra-se a representação gráfica das referidas zonas homogéneas. No âmbito das oito campanhas de caracterização realizadas no contexto das zonas homogéneas (ver Quadro IV.2.2), procedeu-se a recolhas próprias de RSU, em circuitos autónomos seleccionados em correspondência com essas zonas. Foi necessária a execução destes circuitos autónomos porque não existe correspondência integral entre os circuitos municipais de recolha de RSU e as zonas homogéneas definidas (Valorsul, 2000). Após a caracterização física e química dos RSU, para os diferentes circuitos autónomos, de forma a permitir a integração dos resultados obtidos em cada zona homogénea amostrada na restante área de intervenção da Valorsul, foi seguido um critério de distribuição dos circuitos de recolha municipal pelas diferentes áreas homogéneas. Deste modo, foi possível estimar o contributo de cada zona homogénea para a produção de resíduos recolhidos indiferenciadamente em cada município (ver Quadro IV.2.5). Admitiu-se, para estas estimativas, que a densidade de distribuição dos resíduos era uniforme sobre a área de influência de cada um dos circuitos de recolha (Valorsul, 2000). Isto foi feito com base na quantidade de RSU recolhido em 1995 (Tecninvest, 1996a).

Quadro IV.2.3. Indicadores de classificação das zonas homogéneas (Tecninvest, 1996). Nº de

Variáv el

Indicador ou Atributo Referência Geográfica

de base Observações

1 População residente Lugar / Quadrícula (km2)

2 Nº alojamentos Idem

3 Nº edifícios Idem

4 Nº médio de alojamentos por edifício Idem

5 Nº médio de divisões por alojamento Idem

6 Lotação média dos alojamentos Idem

7 % edifícios c/ 1 e 2 pisos Freguesia

8 % edifícios c/ 3 a 6 pisos Freguesia

9 % edifícios c/ 7 ou + pisos Freguesia

10 “Barracas” s/ total alojamentos familiares Freguesia

11 % alojamento colectivo (hotéis e similares) Freguesia

12 Uso não residencial/residencial Freguesia

13 Nº famílias por alojamento Freguesia

14 Dimensão média das famílias Freguesia

15 % alojamento c/ renda < 60 Freguesia

16 % alojamento c/ renda 60 a 225 Freguesia

17 % alojamento c/ renda 225 a 350 Freguesia

18 % alojamento c/ renda > 350 Freguesia

19 % população 0 - 25 anos Freguesia

20 % população mais de 65 anos Freguesia

21 % empresários ind. e com. Freguesia

22 % empres. e peq. patrões agric. Freguesia

23 % quadros médios e superiores Freguesia

24 % trab. qualif. e semiqualificados Freguesia

25 % trab. não qualif. e assal. agrícolas Freguesia

Inf. de base estatística (INE)

26 Localização industrial Lugar

27 Localização de comércio e serviços Lugar / Bairro ou Quarteirão

28 Localização de espaços verdes Lugar

29 Localização de equipamentos e serviços especiais Lugar

30 Demarcação de perímetros urbanos Lugar

31 Demarcação de núcleos pop. rurais Lugar

32 Demarcação de núcleos habitacionais clandestinos Lugar

33 Demarcação de zonas de “barracas” Lugar

34 Demarcação de zonas de habitação social

(realojamentos) Lugar

Inf. de base cartográfica (Municípios)

Uma vez que o critério de intersecção de áreas, acima exposto, não se apresentava como o mais objectivo e adequado à realização da integração da informação, estudou-se qual a melhor metodologia para fazer a referida integração. Deste modo, também com o objectivo de sistematizar informação e tê-la disponível numa forma mais útil e rápida, a Valorsul optou pelo desenvolvimento de um sistema de informação geográfica (SIG) (Branco, Ribeiro, Rodrigues, Torres & Vidal, 2004).

No que concerne à caracterização dos RSU produzidos na área de intervenção da Valorsul, o SIG possibilitou a integração de duas variáveis nas estimativas feitas a partir das zonas homogéneas de produção de resíduos (Branco et al., 2004).

A primeira consistiu na consideração da população residente na área de intervenção da Valorsul. A segunda variável integrada, nas estimativas feitas a partir da zonas homogéneas de produção de resíduos, consistiu na consideração dos resíduos provenientes das recolhas selectivas de resíduos de embalagens usadas (Branco et al., 2004). Esta integração consistiu na estimativa da quantidade de materiais alvo da recolha, por equipamento, e a

Quadro IV.2.4. Tipologia de zonas homogéneas de produção de resíduos (Tecninvest, 1996).

Refª Tipo sócio-urbanístico

A Classe Média-Alta

A.1 Classe Média-Alta / Moradias

A.2 Classe Média-Alta /Edif. (média 5 pisos) / População Envelhecida / Ocupação anos 50 A.3 Classe Média-Alta / Edif. ( 5 ou + pisos) / População jovem / Ocupação recente

B Classe Média

B.1 Classe Média / Edif. 3 a 5 pisos /População Envelhecida / Ocupação anos 50 B.2 Classe Média / Edif. 3 a 5 pisos /Estrutura etária equilibrada

B.3 Classe Média / Quadros médios e superiores / Edif. 5 ou + pisos / População jovem / Ocupação anos 60/70, ou mais recente

B.4 Classe Média / Trabalhadores qualificados e semi-qualificados / Edif. 5 ou + pisos / População jovem / Ocupação anos 60/70, ou mais recente

B.5 Classe Média / moradias (antigo bairro social) C Classe Média-Baixa

C.1 Classe Média-Baixa / Edif. 5 ou + pisos / População jovem / Ocupação recente C.2 Classe Média-Baixa / Edif. 3 a 5 pisos / ocupação anos 50/60/70

D Classe Baixa

D.1 Classe Baixa / Bairros tradicionais / Pop. Envelhecida

D.2 Classe Baixa / Edif. 3 a 5 pisos / Estrut.etária equilibrada / Ocup.anos 40 a 60 D.3 Classe Baixa / Popul. Jovem / Edif. 5 ou + pisos / Ocup.recente

D.4 Classe Baixa / Popul. Jovem / Habitação social / Realojamentos

D.5 Classe Baixa / “Barracas” ou habit. Degradada / Núcleos dispersos dentro de Lisboa E Zonas de Ocupação Mista

E.1 Zona Mista da Lapa (residenc. Classe alta + média e serviços em expansão) moradias e edif. 3 pisos E.2 Zona Mista Classe Média + Baixa / Moradias (antigo bairro social em transformação)

E.3 Zona Mista Classe Média + Baixa / Edif 5 ou + pisos

E.4 Zona Mista Classe Média + Baixa / Habitação clandestina / Moradias + pequenos prédios / Trabalhadores não qualificados + pequenos patrões

E.5 Zona Mista Classe Média-Baixa + terciário / Centros urbanos antigos F Terciário

F.1 Terciário consolidado : comércio e serviços privados

F.2 Terciário em expansão: comércio e serviços misturado com uso residencial G Indústria

G.1 Indústria, oficinas e armazéns H Núcleos rurais

H.1 Aglomerados populacionais de características rurais / População envelhecida / Classe Baixa / Actividades agrícolas

O SIG inclui a distribuição geográfica e caracterização dos ecopontos. Para além disso inclui também os dados sobre a recolha selectiva de embalagens porta-a-porta, realizada no município de Loures. Paralelamente, o trabalho desenvolvido incluiu o ajuste do traçado das zonas homogéneas e a actualização dos dados referentes aos circuitos municipais de recolha de RSU (Branco et al., 2004).

Relativamente ao número global de amostras, em 1996 a área de intervenção da Valorsul englobava 4 municípios. Sendo 24 o número anual de amostras a considerar para cada município urbano, de acordo com a DGQA (1989), resultaria um número anual de amostras, para a área de intervenção da Valorsul, de 96 (Tecninvest, 1996a).

No que concerne ao procedimento de recolha da unidade de amostragem, este seguiu as prescrições DGQA (1989). Assim, realizaram-se colheitas de resíduos ao longo de cada circuito considerado como representativo de uma determinada zona homogénea, nos dias que lhe foram destinados na calendarização da amostragem, em quantidade, por amostra, de cerca de 2 t, e com uma alternância de colheita, nos contentores, previamente definida (Tecninvest, 1996a, 1997).

Figura IV.2.2. Zonas homogéneas de produção de resíduos na área metropolitana de Lisboa (Norte) (Fonte: Sistema de Informação Geográfica da Valorsul).

Os circuitos foram estabelecidos de forma a abranger uma só zona homogénea, com vista a assegurar a representatividade da amostra, na sua correspondência com a zona homogénea (Tecninvest, 1996a, 1997).

Os horários de recolha foram planeados de forma a que a colheita dos resíduos se realizasse antes da passagem de rotina do veículo de recolha, mediante o despejo de uma série de contentores depositados ao longo do circuito. A recolha das amostras foi sempre feita em período nocturno (Tecninvest, 1996a, 1997).

No local de realização da caracterização física, era feita a preparação de uma amostra representativa para análise, por revolvimento e quarteio dos resíduos recolhidos, até obter unidades de amostragem com pesos entre os 100 e os 200 kg, que depois eram sujeitas a

Quadro IV.2.5. Distribuição da produção de RSU por tipologia de zona homogénea (Valorsul, 2000).

Zona

Homogénea Amadora (%) Lisboa (%) Loures/Odivelas (%) VF Xira (%)

A1 0.70 0.70 0.00 0.00 A2 0.00 4.40 0.00 0.00 A3 0.00 2.57 3.62 0.00 B1 0.00 2.91 0.00 0.00 B2 0.00 5.60 0.83 2.64 B3 4.34 10.54 4.77 4.48 B4 25.48 0.00 3.85 0.88 B5 0.00 0.44 0.00 0.00 C1 17.59 0.00 0.76 9.02 C2 4.61 0.00 7.16 7.59 D1 0.00 13.39 9.83 0.00 D2 17.47 10.43 2.24 9.51 D3 3.65 4.25 9.04 0.00 D4 1.40 2.03 2.73 5.23 D5 6.63 9.39 6.52 8.79 E1 0.00 0.19 0.00 0.00 E2 0.00 2.86 0.00 0.00 E3 0.00 8.07 0.58 0.00 E4 3.69 0.00 22.44 12.82 E5 8.44 0.00 2.92 8.29 F1 0.00 17.72 0.00 0.00 F2 0.00 1.27 0.00 0.00 G1 3.97 3.24 16.54 20.20 H1 2.03 0.00 6.16 10.56 Total 100.00 100.00 100.00 100.00

Resultados das campanhas de caracterização física realizadas

No anexo 2 apresentam-se os resultados das caracterizações físicas dos resíduos sólidos residuais e dos resíduos provenientes da recolha selectiva de resíduos de embalagens usadas, por amostragem e triagem manual. No caso dos Quadros A.2.1 a A.2.13 estão assinalados, a negrito, os subtotais e os totais das categorias dos resíduos sólidos residuais. No caso dos Quadros A.2.14 a A.2.16 estão assinalados, a negrito, os materiais correctamente colocados, no equipamento de deposição selectiva, de acordo com o definido, pela Valorsul, para o respectivo fluxo.

No que diz respeito à análise dos dados, optou-se por utilizar proporções (%). Esta opção justifica-se pelo facto da variabilidade encontrada no peso das unidades de amostragem não reflectir apenas a variação proveniente das oscilações associadas à preparação da amostra. Esta deve-se também ao facto de não se ter verificado uma uniformização do peso da unidade de amostragem a triar (ver Quadro IV.2.6). Por exemplo, como já referido, a

metodologia das zonas homogéneas de produção de resíduos preconiza um peso para a unidade de amostragem entre 100 kg e 200 kg, para além de que surgem valores inferiores a 100 kg devido ao facto do total de RSU recolhidos para triagem não alcançar o referido valor. Relativamente às restantes caracterizações o peso da unidade de amostragem está relacionado com a disponibilidade da equipa de caracterização e com a homogeneidade dos resíduos constituintes da unidade de amostragem.

Quadro IV.2.6. Indicadores do peso das unidades de amostragem nas campanhas de caracterização física da Valorsul, entre 1996 e 2004.

Peso mínimo das unidades de amostragem (kg)

Peso máximo das unidades de amostragem (kg)

Peso médio das unidades de amostragem (kg)

Zonas espaciais homogéneas 64.45 295.28 140.76

Resíduos sólidos residuais Metodologia Remecom - adaptação da

MODECOMTM (França) 99.40 444.10 253.22

papel/cartão 107.35 1032.91 400.89

embalagens de plástico, de metal e ECAL 41.95 671.62 177.63

Resíduos provenientes da recolha selectiva de

embalagens embalagens de vidro 661.00 2789.45 1435.06

Averiguação da plausibilidade da distribuição Normal

Segundo Guimarães e Cabral (1997), o teorema do limite central pode ser enunciado nos seguintes termos: seja X1, ..., XN uma sucessão de variáveis aleatórias independentes com a

mesma distribuição, que se admite ter variância finita. Qualquer que seja a forma da distribuição destas variáveis, se o número total de dados for suficientemente grande, a variável soma S = = N n n X 1 (22)

segue aproximadamente uma distribuição Normal.

De acordo com a mesma fonte, do teorema assim enunciado resulta imediatamente que, para uma qualquer população com variância finita, a distribuição da média amostral calculada com base numa amostra aleatória simples tende para uma distribuição Normal, à medida que a dimensão da amostra cresce. Assim, qualquer que seja a forma da distribuição original, as variáveis soma ou média amostral têm uma distribuição aproximadamente Normal, se o número total de dados for suficientemente elevado.

Uma questão que se pode colocar em relação ao referido teorema é a de saber quando é que o número total de dados é “suficientemente grande” para que a distribuição Normal seja efectivamente uma boa aproximação da distribuição da variável soma ou média amostral. Em termos gerais pode afirmar-se que, para um dado número de dados, o rigor da

No caso da média, uma regra empírica usada com frequência consiste em admitir que para n 30 se tem uma boa aproximação, desde que as amostras casuais sejam recolhidas de populações que se saiba não serem muito “exóticas” (Murteira, Ribeiro, Silva & Pimenta, 2002). Guimarães e Cabral (1997) especificam que a aproximação à Normal é adequada quando n 10, se a distribuição original for simétrica, ou quando n 50, se a distribuição original for muito assimétrica. Por outro lado, a CE (2004a) considera que aproximação à Normal é adequada quando n 30, independentemente da distribuição original.

Para averiguar a plausibilidade da normalidade da proporção de cada categoria de resíduos na população, relativamente aos resíduos sólidos residuais, realizaram-se os seguintes testes, utilizando a ferramenta analítica STATISTICA para Windows (Statsoft, Inc., 2004):

- Shapiro-Wilk W: se a estatística W é significativa, então a hipótese nula, que a distribuição da população subjacente à variável é Normal, deve ser rejeitada;

- Kolmogorov-Smirnov: este teste assume que se conhece a média e variância da população e baseia-se na diferença máxima entre a distribuição acumulada da amostra e uma distribuição acumulada hipotética. Se a estatística D é significativa, então a hipótese nula, que a distribuição da população subjacente à variável é Normal, deve ser rejeitada;

- H. Lilliefors: aplicação do teste de Kolmogorov-Smirnov quando a média e o desvio padrão da distribuição Normal hipotética não são conhecidas. Estes são estimados a partir da amostra.

A análise que foi efectuada aos resultados das campanhas de caracterização da Valorsul, no caso dos resíduos sólidos residuais, só permite concluir da normalidade da proporção da população no caso da categoria dos resíduos orgânicos. Como se pode observar no Quadro IV.2.7 (no anexo 3 apresentam-se os respectivos histogramas), tendo em conta o valor-de-p do teste à hipótese “A proporção da população dos resíduos tem uma distribuição Normal", não se rejeita, com 95% de confiança, a hipótese nula da população seguir uma distribuição Normal.

Quadro IV.2.7. Resultados dos testes à normalidade da proporção da população.

Resíduos Nº de unidades de

amostragem: 1058

Orgânicos Papel/cartão Têxteis Plástico Metais Vidro Outros (<20 mm) Finos

W 0.99 0.95 0.73 0.89 0.79 0.94 0.79 0.95 Shapiro-Wilk W p 0.96 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 0.00 max D 0.02 0.07 0.16 0.07 0.15 0.09 0.13 0.07 Kolmogorov- Smirnov p >0.20 <0.01 <0.01 <0.01 <0.01 <0.01 <0.01 <0.01 max D 0.02 0.07 0.16 0.07 0.15 0.09 0.13 0.07 Kolmogorov- Smirnov Lilliefors p >0.20 <0.01 <0.01 <0.01 <0.01 <0.01 <0.01 <0.01

No que concerne à proporção dos restantes resíduos, excepto resíduos orgânicos, em todos os casos, rejeita-se a hipótese da proporção dos mesmos ter uma distribuição Normal (ver Quadro IV.2.7).

Sazonalidade

Para averiguar a influência das estações do ano na composição dos resíduos, nomeadamente a hipótese da média da composição dos resíduos no Outono ser igual à da Primavera foi realizado um teste t para amostras independentes. Foram seleccionados os resíduos orgânicos, para averiguar esta hipótese uma vez que é a única categoria em que não se rejeita a hipótese da mesma ter uma distribuição Normal, como já referido. O programa para computador utilizado é o STATISTICA para Windows.

Da aplicação do teste conclui-se que não se pode rejeitar a hipótese dos resíduos orgânicos serem iguais na Primavera e no Outono com 95% de confiança (t=-1.15; p=0.25). Relativamente ao Verão e Inverno, rejeita-se com 95% de confiança, a hipótese da população de resíduos orgânicos ser igual no Verão e no Inverno (t=-8.26; p<0.01).

Foi ainda realizada uma análise de variância aos dados de composição dos resíduos sólidos residuais, referentes às quatro estações do ano, donde se conclui, com 95% de confiança, que existem diferenças significativas entre estações (F=35.75; p<0.01). Realizou-se de seguida um teste de comparação das médias denominado “Tukey HSD for unequal N (Spjotvoll/Stoline test)”, em que se concluiu que o Verão é significativamente diferente das outras estações, com 95% de confiança (ver Quadro IV.2.8). Adicionalmente, se se realizar uma análise de variância, em que o factor estação, não inclua o nível Verão, não se rejeita,