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Utviklingstrekk og utfordringer

O Conceito de Turismo urbano, tenta posicionar a atividade turística num contexto espacial, sem a delimitar ou definir concretamente (Ashworth & Page, 2011: 2). Segundo Henriques (2003a:163) a interdependência entre Turismo e espaço urbano é bastante antiga e intrínseca no conceito do mesmo: “Esta dimensão urbana do turismo tem sido persistente no tempo: o Grand Tour pelas cidades da Europa a que a gentry dos séculos XVIII e XIX se entregou, como exercício de educação e requisito de urbanidade, comprovam-no” (Brito Henriques, 2003a:163).

O processo de dinamização do Turismo nos núcleos urbanos é muito considerável, revendo assim a relação da urbanização e Turismo, pela atração á cidade e pela procura turística por um destino urbano (Brito Henriques, 2003:164).

Fonte- Da autora, dados adaptados de World Tourism organization, UNWTO, 2017

1,857 1,845 1,413 1,334 1,328 0 0,5 1 1,5 2 Quimicos Combustiveis Turismo Internacional Produtos Automobilistas Comida

Exportações por categorias

Na segunda metade do séc. XX, o Turismo cresceu exponencialmente, tornando-se num dos sectores económicos de maior dimensão e impacto na cidade. Hoje em dia o Turismo toma proporções inacreditáveis adquirindo o lugar da quarta indústria que mais beneficia das exportações, no mundo (UNWTO, 2017).

As transformações na natureza capitalista presente na cidade moderna levaram ao abandonou por completo da sua função produtiva e industrial, tornando-se num núcleo meramente consumista (Cruz, 2016: 12). O retrocesso da indústria na sua configuração tradicional, proporciona o desenvolvimento de novos sectores e atividades económicas, processo que segundo Pedro Costa, foi designado por alguns autores de Desindustrialização (Costa, 2016: 26).

As cidades passaram a ser encaradas como locais com qualidades particulares, pela concentração demográfica, constante dinâmica e avanços tecnológicos e pela nova atitude consumista, que beneficia o desenvolvimento turístico (Edwards et al., 2008 citado por Cruz, 2016: 12).

“As relações entre urbanização e turismo não se reduzem, porém a isto: a urbanização gera turismo, mas o turismo induz também a urbanização” (Brito Henriques, 2003 :163).

O potencial económico do sector turístico, surgiu como fator indutor das entidades públicas, na concretização de estratégias de promoção e atração da atividade de forma global. Assim foram desenvolvendo e articulando a procura turística com atividades comunitárias e culturais, tornando-as mais equilibradas numa escala global (Costa, 2016:26). No entanto, de forma a garantir uma regeneração do espaço urbano essas estratégias tornaram essencial a concretização de uma cidade aprazível. A atividade turística surge nas novas políticas de Gestão Urbana como recurso a um desenvolvimento sustentável resolvendo questões económicas e sustentando os fatores ambientais (Vargas, 1997: 2).

Atingindo uma situação generalizada de impulsão dos transportes públicos e comunicações e equipamentos por todo o território, as cidades viram diminuídas as suas vantagens agora a uma escala global. Procurando a atratividade individualizada, as cidades começam a ser comercializadas como um “produto raro e irreproduzível” (Vargas, 1997: 3), seduzindo tando consumidores como investidores (Vargas, 1997: 3).

Assim, recorrendo a mecanismos e técnicas de marketing urbano, surgem as formas de promoção da cidade como uma marca ou um produto que é facilmente adquirido. Este processo não procura simplesmente promover as atividades turísticas, mas transmitir uma noção de cidade histórica, romântica e cosmopolita (Vargas, 1997: 3).

Figura 1-Primeiro Cartaz Português de Turismo da Sociedade Portuguesa de Propaganda

O Turismo vai adquirir um papel principal no centro das relações internacionais, segundo Suzana Lobo, Portugal deixa de ser encarado como “O jardim da Europa á beira-mar plantado” para ser retratado como “O Cais da Europa”. A sociedade Portuguesa de Propaganda em 1907 editam o primeiro cartaz de propaganda turística “Portugal: The shortest way between america and Europe”.

Segundo Bailey (1989) (citado de Cruz, 2016:15), este processo define-se por três fases, uma primeira de atividades promocionais, onde se procurava a atenção de empresas á cidade de forma a criar postos de trabalho. Uma segunda, onde se inicia o processo de marketing urbano, conquistando a melhoria das infraestruturas urbanas, procurando seduzir atividades económicas á cidade. E uma terceira o City Branding que procura traduzir a cidade num produto materializado, numa imagem identitária que provoque o interesse, segurança e confiança dos turistas (Bailey, 1989, citado de Cruz, 2016:15).

“No caso da cidade enquanto produto a ser oferecido, as políticas de Marketing do Lugar e, mais precisamente de City Marketing, passam a agir como instrumento altamente importante nas questões de Gestão Urbana, embora com grande resistência por parte dos arquitetos e planeadores que não concebem o espaço como um bem de consumo ou um produto, e sim com um caráter de cunho social e ambiental” (Vargas, 1997: 4).

Tabela 5- Fases de Promoção da cidade

Fases de Promoção da cidade Descrição

1 Atividades promocionais Captação da atenção de empresas á cidade de forma a criar postos de trabalho

2 Marketing urbano Melhoria das infraestruturas urbanas de forma a seduzir atividades económicas á cidade

3 City Branding Tradução da cidade num produto materializado, numa imagem identitária

Fonte – Citado por Cruz, 2016, adaptado de Bailey, 1989

A padronização do produto turístico leva ao afastamento do turista em relação ao lugar turístico. O produto turístico atravessa um processo de massificação, onde se torna cada vez mais previsível, impedindo o turista de conhecer verdadeiramente o local turístico e de interagir com a cidade pois todo o seu itinerário já está programado e padronizado (Mendes Júnior, 2009, 431).

Segundo Lúcia Pedro, o turismo é o agente manipulador da imagem da cidade, recorrendo á arquitetura para responder as todas as novas dinâmicas de produção económica “tornando-a numa realidade consumível e de identidade global” (Pedro,2015 :47). Lúcia Pedro defende que as cidades são entendidas como sistemas de promoção de ideias modernistas que resultam na evolução da vivência turística da mesma” (Pedro,2015 :45).

“A cidade é então a imagem da sua história, sendo um palco de memórias e valores adquiridos ao longo da sua existência, é produto das diferentes vontades das várias épocas. No entanto, é fundamental não esquecer que a cidade é também produto de sistemas económicos. Grande parte das alterações operadas na cidade visam ao seu embelezamento a fim de serem transformadas em imagens mais atrativa para as massas turísticas” (Pedro,2015 :52).

Atualmente assiste-se á caracterização de espaço urbano como um prolongamento da influência turística. Onde se observa a evolução de um entendimento sobre a arquitetura enquanto disciplina estruturante e planeadora de uma cidade repensada valorizando o caracter turístico dos lugares. Segundo Lúcia Pedro, o pensamento de planeamento das Cidades apoia- se na conceção de espaços e destinos turísticos (Pedro,2015 :97).