8.3 De nasjonale transportkorridorene
8.3.7 Korridor 7 Trondheim – Bodø
O Turismo é na sua essência, um fenómeno de proeminência urbana, e enquanto atividade cultural massificada é bastante contemporâneo (Moser, 2015:9). A fim de melhor compreensão das influências e repercussões das dinâmicas sociais, culturais e económicas resultantes da integração do Turismo na cidade atual, deve-se reconhecer que por vezes o Turismo é incorretamente encarado como um fenómeno que apenas surge pós-revolução industrial (Gyr, 2010).
O Turismo é um processo bastante antigo e enraizado na história da Humanidade, que se manifesta a partir do momento em que o Homem prescinde de ser sedentário, para deslocar- se no espaço. Inicialmente esta deslocação é realizada por motivos comerciais, para concretizar as trocas necessárias á sua sobrevivência. Assim, neste contexto, reconhece-se que o Turismo de negócios surgiu antes do Turismo de lazer (Pires, 2004: 17).
Contudo, os Fenícios foram o povo que iniciou a prática do conceito moderno de viagem. Uma vez que se viram obrigados a desenvolver o comércio com o estrangeiro, devido á hostilidade agrícola da região Fenícia. Na Grécia antiga também se difundia a cultura das viagens, justificado pelo pretexto dos jogos olímpicos, surgiu o Turismo desportivo (Ignarra, 2000 citado por Pires, 2004: 18).
A ampliação das estradas romanas que interligavam os núcleos urbanos e que por sua vez unem os comerciantes, ofereceu-lhes um pretexto que os tornou nos primeiros a viajar por motivos de lazer. O fim da Idade média é marcado pela necessidade de extensão do comercio a rotas longínquas, bem como pela necessidade do melhoramento das condições de segurança e comodidade em que as viagens comerciais eram realizadas. Este confronto perante a carência de um meio de transporte de longas distâncias, resultou numa enorme aposta no transporte marítimo. Assim, os séc. XV e XVI são caracterizados pela melhoria das grandes navegações comerciais (Ignarra, 2000 citado por Pires, 2004: 18).
Há registos de viagens anteriores ao séc.XVII, no entanto, nem todas as formas de viagem têm um carácter turístico. As primeiras viagens lúdicas apontam ao período clássico (Gyr, 2010). Já no séx III a. C. há relatos de uma concentração turística no Egipto que vinham admirar as pirâmides e os monumentos egípcios (Gyr, 2010). Contudo, o grande percursor do Turismo foi o Grand Tour, que se caracteriza por jornadas luxuosas realizadas por um grupo de jovens aristocráticas que se organizavam com objetivo e o grande desejo de ampliar o seu saber, planeando ao pormenor o programa educacional das viagens, consoante a rota turística (Gyr, 2010). Estas jornadas duraram cerca de três anos e procuravam ao máximo absorver novas culturas e os seus hábitos e rotinas (Brito Henriques, 2003: 163).
Portugal encontrava-se excluído dos roteiros do Grand Tour, assinalando a “fronteira, física e psicológica, entre o mundo civilizado e o mundo primitivo […] na periferia da periferia]” (Lobo, 2012: 53). Esta posição de secundarização perante o resto do mundo era também expressa e reforçado nas Exposições Universais do séc. XIX, onde a participação Portuguesa foi sempre empurrada para os limites em segundo plano, segundo Lobo Portugal “não tinha lugar neste atlas do futuro” (Lobo, 2012: 54).
Segundo Elaine Pires (2004), foi por volta do séc. XVIII, com a chegada da Revolução Industrial e da Reforma Protestante que se iniciou um período “Capitalista organizado”. Onde o Turismo passou a ser uma atividade educativa e de interesse cultural. “É o período do “Turismo Neoclássico”, no qual a viagem era um aprendizado, complemento indispensável da educação.” (Pires, 2004:19).
Partindo dos vários motivos de deslocação, e pensando nos originadores das viagens num período obsoleto, mas também na contemporaneidade, Licínio Cunha (1997) apresenta-nos uma multiplicidade de tipologias turísticas:
Tabela 1-Tipos de Turismo
Fonte - Citado por Pereira (2005: 7), Adaptado de Cunha, L. (1997)
Tipos Descrição
1. Recreio Praticado por pessoas que viajam por curiosidade, (…) pelo simples prazer de viajar. 2 Repouso Viajantes que pretendem obter um relaxamento físico e mental, (…) associado a
locais calmos, contacto com a natureza, estâncias termais 3. Cultural Desejo (…) de aumentar os conhecimentos, de conhecer (…) e
culturas diferentes. Os centros culturais, os museus, os locais históricos, são a preferência destes turistas.
4. Desportivo Motivações desportivas (…), associadas a eventos desportivos (…) ou à prática de atividades desportivas.
5. Negócios Deslocações associadas a atividades profissionais (…) 6. Político Participação em acontecimentos ou reuniões políticas (…) 7. Étnico e de
carácter social
Visitas a amigos, parentes e organizações, para participar na vida (…) as populações locais, etc.
Enquanto as viagens se iam ampliando a diversos grupos sociais, a dinâmica das mesmas ia sofrendo transformações, transpondo de percursos vagos para criar e caracterizar destinos turísticos. Manipulando a afluência turística com o passar do tempo e das ambições e motivações (Cunha, 2010: 2). Segundo Eduardo Brito Henriques, consoante a duração da viagem, esta pode também ser dividida e caracterizada em três tipologias distintas, “excursões”, ou visitas diárias; “estadas Curtas”, com durabilidade de 2 a 3 dias e “férias”, ou estadas longas (Henriques, 2003:167). As diferentes durações de viagem realçam a importância dos diversos meios de transportes, podendo associar as visitas diárias com transporte rodoviário ou marítimo e o transporte aéreo para as estadas curtas e longas (Cruz, 2016: 17).
O desenvolvimento do Turismo pode ajudar a explicar a dificuldade da definição de Turismo, sendo que é na sua forma atual, um fenómeno relativamente novo (Cunha, 2010:2). A palavra Turismo enquanto conceito, só surgiu durante o séc. XIX apesar da sua atividade se anteceder na história.
A partir do séc. XX, mas concretamente pós II guerra mundial a atividade turística desenvolve-se exponencialmente, principalmente manipulada pela evolução industrial que estimulou o consumismo. Este crescimento significativo, resultou na necessidade de formação de uma definição de Turismo com intuito de global compreensão do conceito que se emergia na cidade como uma atividade económica de grande potencial (Cunha, 2010:2).
A viagem é encarada como um deslocamento, assim é essencial reconhecer as diferenças entre uma viagem realizada por motivos turísticos, do modelo de deslocamento primitivo, realizado como forma de sobrevivência e que é resultante da procura dos recursos naturais (Pires, 2004: 15). Segundo Elaine Pires (2004: 15), a “viagem turística abrange o sentido de ida e volta, sem ligação com a forma de nomadismo primitivo.” No entanto, o Turismo não
pode ser encarado como um mero deslocamento, visto que o conceito de Turismo está também associado ao desenvolvimento económico de cada espaço urbano.
Segundo Mariana Ribeiro, para se observar um processo turístico é necessário que o consumidor sofra uma deslocação até ao local de destino, experienciando-o enquanto destino turístico (Ribeiro, 2017: 4). Essa deslocação representa consequências sobre o território: alterações de dinâmicas comerciais e locais; aumento dos requisitos infraestruturais como o sistema de transportes públicos, a rodoviária e outros equipamentos. O desenvolvimento de sociedades capitalistas e consumistas levam á formação de territórios de função turística onde o seu espaço urbano é adaptado para atender á globalização das cidades. Assiste-se á alteração de paisagem, á permuta de cidades autênticas por um pré-conceito pré-fabricado e publicitado como produto turístico (Ribeiro, 2017: 4).
O “espaço transforma-se [em] algo artificial […] com impacto no carater social e territorial [da cidade], surge um desequilíbrio. Os cidadãos, que juntos formam o carater de uma sociedade e da sua cultura, vem-se obrigados a facultar espaço progressivamente. Acabam por ceder a uma dinâmica invasiva e inconstante […] Neste ciclo e durante algum tempo, a população local tende a apoiar o movimento do turismo em prol dos benefícios imediatos. No entanto, a longo prazo, alguns aspetos que inicialmente não eram vistos como negativos, acabam por interferir na vida dessa população, transformando-lhes os hábitos e alterando o seu território” (Ribeiro, 2017: 4).