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Del II Beskrivende del

4.6 Utviklingen i andelen ytelses-

Conheci Paulo Carvalho nas últimas dias de Agosto de 2013, junto à igreja de Arroios. Embora ainda fossem os primeiros dias de voluntariado em equipa com o “Centro Social Paroquial de São Jorge de Arroios” os dois assistentes sociais lideravam cada um, uma equipa de voluntários que se dispersava pelas carrinhas de distribuição de comida e ou ia conversando com os utentes enquanto esperava pelas refeições.

Numa noite de voluntariado, quase no final, dei de caras com um senhor de meia-idade, queimado pelo sol e um pouco vermelho na cara, mais baixo que eu, de olhos bem abertos e um sorriso simpático. Encontrei neste futuro confidente uma vontade enorme de falar, de partilhar a sua história, o que tinha feito, por onde tinha andado. Fiz três Perguntas: Como se chamava, que idade tinha, se vivia na rua há muito tempo. À medida que Paulo falava incessantemente, apenas pensava em tomar notas, memorizar primeiro e escrever depois. Por fim perguntei: O senhor aceita fazer uma

entrevista? É que eu 'tou a recolher histórias de vida de pessoas que vivem ou viveram na rua... Respondeu prontamente de forma afirmativa, concordou que seria bom

conversar, ficou combinado para de manhã no dia seguinte, pelas nove horas, que era a hora que lhe dava mais jeito. Depois tinha que ir ao atendimento à assistente social e à Igreja.

No dia seguinte, por volta dessa hora, lá estava o Paulo. Fomos tomar o pequeno-almoço no café ao pé da Igreja e o senhor brasileiro apenas aceitou que lhe pagasse um café. Hesitei, mas decidi fazer a entrevista no jardim, porque não costumava estar ninguém no Jardim, era Verão, pelo sempre havia mais privacidade ao fazer a entrevista no jardim em frente à Igreja, do que no café onde estavam sempre os clientes e os proprietários.

Uma vez sentados no Jardim, liguei o gravador, pousei sobre banco, entre o senhor e Paulo e eu. Estávamos lado a lado, já estávamos a falar de quem ele conhecia nas redondezas, quer seja sem-abrigo, voluntários, assistentes sociais etc… Mas interrompi, peguei no guião e comecei a entrevista: Como se chama?...

Paulo Carvalho – Como era a vida antes ser sem-abrigo?

Paulo de Carvalho tem 56 anos. É natural do Nordeste Brasileiro, da cidade de Fortaleza. Viveu com a Avó. Reconhece que vivia separado dos restantes irmãos e conta que costumava andar sempre de mota deixando-lhe as quedas que deu cicatrizes para a vida, mas também alguma idas a esquadras de polícia. Faz questão de contar que não bebia nem consumia drogas, nem nunca ninguém na sua família tinha esses hábitos. Os irmãos e o pai eram desportistas. Estudou até ao 9º ano, abandonou mais cedo os estudos, porque o irmão (um ano mais velho) que lhe pagava os estudos, disse-lhe que tinha de devolver-lhe os custos do seu curso. Afirma ter sido por orgulho que não pagou

ao irmão o dinheiro da sua formação, recusou-se e desistiu de estudar. Já não se sentia bem fechado, dentro de uma sala de aula. O curso que desistiu de prosseguir era um curso técnico, em que aprendia as técnicas de dj (Disc Jockey) usadas em discos vinil de música. Quando a sua avó morre, por ser uma pessoa próxima que o criou com quem vivia na mesma casa, decide ir embora do Brasil. O facto de o pai também querer ir embora, contribui para que Paulo abandone a sua terra natal. Viaja por toda o continente Americano, juntamente com o seu pai num Camião, a carregar mercadorias, como fez ao carregar pneus na Costa Rica.

Chega aos Estados Unidos em '85, já com trabalho assegurado graças à ajuda do irmão que lhe garantiu a vaga. Apesar de mal saber ler e falar inglês, conseguiu trocar a carta de condução brasileira para uma carta de condução norte-americana, copiando as letras nos espaços de preenchimento adequados. Passado também uma semana, depois de chegar aos Estados Unidos, um conhecido seu, o Espanhol, ia voltar para a Costa Rica, pelo que o aconselhou a casar-se por contrato com a Júlia. Paulo seguiu o conselho e casou por contrato, pagou quinhentos dólares pelo casamento. Este casamento tinha como objectivo legalizar Paulo nos EUA, através da obtenção da autorização de residência, o Green Card. O contacto de um Índio que conheceu permitiu-lhe passar a trabalhar na cozinha, mas também lhe permitiu no Verão usufruir do artesanato na Reserva dos Índios, numa festa anual com duração de dois a três dias, onde todos os participantes estavam nus, ilustrando uma Filosofia de “amar a mãe natureza”. Nestes locais, reunia-se uma multidão de pessoas vindas, principalmente, das cidades, mas também de todo o território dos EUA. No acampamento, nenhum químico podia ser deitado às fontes de água existentes, nem champô ou sabonetes eram permitidos usar nos lagos ou rios.

Trabalhou no hotel Casablanca, rapidamente subiu a hierarquia da cozinha, porque percebia os pedidos que o Chef de cozinha gritava e, fazia o steak - o bife de vaca - com bastante grossura na chapa, um prato que era acompanhado com mash

potatos (puré de batata), entre outros pedidos que cozinhava regularmente.

Tinha um irmão também a viver nos Estados Unidos, na Florida e uma irmã que exercia a profissão de medicina nos EUA. Na época de Inverno ficava em Vermont, com a irmã e o cunhado, que lá viviam. Tratava-se de um local onde havia estâncias para praticar ski, e onde fazia dinheiro a limpar as botas e os skis de neve e, inclusive, a procurar os skis perdidos nos circuitos. Na cidade de Nova Iorque, nas poucas folgas que tinha do trabalho de cozinheiro, fazia mais um biscate a limpar a neve da porta de

cafés e prédios. No fim-de-semana, quando os estudantes andavam em festa, Paulo saía à noite do trabalho e procurava escapar dos excessos dos estudantes embriagados.

Paulo ia com frequência à cidade de Los Angeles, por diferentes ocasiões. Foi duas vezes com o cunhado fazer exames à cabeça, entre outros exames que realizou num hospital na cidade destinado a pessoas com VIH (alvo de atenções por ter morto, nos anos '80, milhões de pessoas) e com insuficiência económica. O ex-jogador de basquetebol Johnson através da sua fundação “Magic Johnson Foundation” contribui-o financeiramente para o dito hospital. Ia também a Los Angeles por ser contratado, para realizar viagens, nas quais ia buscar os imigrantes ilegais que chegavam de pára-quedas, vindos do México, de Guadalajara e que se aleijavam ao aterrar, junto à fronteira do México. O tráfico de imigrantes ilegais era simultaneamente de pessoas e drogas como a marijuana. Paulo era motorista nos EUA, pois tinha carta norte-americana, e o destino final destas viagens era o de conduzir os imigrantes até ao hospital, em Los Angeles.

O irmão que lhe pagava os estudos é o seu contacto mais próximo. Mais velho do que ele um ano, estudou e era Delegado (polícia). Mais tarde tirou um curso de Direito e agora é Juiz. Mais tarde, foi eleito e é, actualmente, Deputado suplente. O camião em que Paulo viajou pelo Brasil foi vendido, uma vez que não havia já ninguém que o usasse. Paulo afirma que escolheu ficar na Reserva dos Índios, em vez de voltar para o Brasil onde tinha um camião ao seu dispor.

Paulo Carvalho - Como se vai parar à rua?

Paulo decide vir para Portugal em 1990, juntamente com um grupo de Brasileiros com quem viaja até à cidade de Madrid, para assistir a uma corrida de Fórmula um de Ayrton Senna. Queria conhecer a cidade e fazer turismo, assistir a uma partida da equipa do Real Madrid, onde actuavam estrelas mundiais do futebol, como o jogador brasileiro Roberto Carlos, que Paulo refere. Depois chegar à cidade de Madrid, Paulo decide viajar para Lisboa e comprar os bilhetes de avião. João tinha combinado ser recebido numa casa, através de contactos com a comunidade Brasileira. Contudo, quando chega a Lisboa, Paulo, ao ver a Polícia na porta assusta-se e recua, desistindo rapidamente de habitar nesse sítio. Em busca de uma solução rápida e temporária de alojamento, Paulo dorme numa residencial em Casal de Cambra no concelho de Sintra. Depois de ficar admirado por apenas ver na rua tanto preto, descobre ao perguntar aos

transeuntes que está nos arredores de Lisboa, e fica a saber a direcção correcta para o centro da cidade.

Neste primeiro período em Portugal, João está sem trabalho, mas tinha poupanças acumuladas, (cerca de cinco mil dólares), que trocava regularmente por escudos, no Rossio, uma das poucas casas de câmbio existentes em Lisboa, na época. A taxa de câmbio reflectia uma desvalorização da moeda norte-americana, revelando, assim, a João uma surpresa desagradável, pois cada dólar trocado por escudos baixava o valor monetário das suas poupanças. Enquanto João ainda tentava aumentar o seu rendimento nas idas à Casa de Câmbio do Rossio, cobrando um ou dois dólares, por fazer de intérprete entre quem não falava português. Praticamente sem rendimentos fixos, nestes tempos iniciais e, com a obrigação de pagar uma conta na residencial, Paulo Carvalho decide pedir ajuda a um padre, que o enviou para o albergue do “Exército de Salvação”. Pouco depois, João saiu do “Exército de Salvação” e muda de morada para um albergue “Vitae - Associação de Desenvolvimento e Solidariedade Internacional”, pois vê a oportunidade de ter aí melhores condições, quando aí abriu um novo albergue, mais pequeno, inaugurado oficialmente pelo então Presidente da República Portuguesa, Mário Soares.

Paulo Carvalho - Como sai Paulo da rua?

Paulo conta que entrou e saiu várias vezes dos abrigos institucionais. Numa dessas vezes em que saiu do abrigo, trabalhava com o Fragoso seu patrão numa empresa de construção civil, que lhe deu trabalho numa obra em Carnaxide. Nesse empreendimento construíam-se prédios, e Paulo carregava baldes de massa (cimento) e pintava posteriormente as fachadas. Foi o seu patrão que ao saber que João era fotografo sugeriu que ele mostrasse o seu trabalho ao brasileiro, que à época trabalhava na área de publicidade na “Sociedade Independente de Comunicação” (“S. I. C. ”) João dirigiu-se às instalações da “S. I. C. ”, que eram perto do local onde trabalhava, mas o responsável da publicidade não estava. A secretária não o deixou entrar e João regressa, assim, sem apresentar o seu trabalho: uma fotografia de uma parede a cair com o vento.

Entre os motivos de ter saído e entrado do albergue da “VITAE - Associação de Solidariedade e Desenvolvimento Internacional”, conta-se o facto de terem sido admitidas muitas pessoas, tendo o abrigo ficado muito cheio com duzentas e tal

pessoas, também soube de algumas pessoas que lá morreram, por homicídio e por

ressaca. João, que nunca consumiu drogas, fazia-lhe impressão ver as pessoas a injectarem-se com agulhas no corpo. Esta realidade passava-se não só no abrigo, mas também na CAIS onde fazia o curso durante o dia.

Desde '90 até '99 'andou por Lisboa, de instituição em instituição. Depois, sedentarizou-se durante algum tempo junto dos missionários São Tomé, no distrito de Coimbra, na zona da Serra da Lousã na Vila de Miranda do Corvo, onde esteve muito

tempo para tentar trocar a carta de condução brasileira, que tinha, pela carta de

condução portuguesa, semelhante ao processo que fez nos Estados Unidos. Vendiam o que produziam no mercado para terem comida. Mais tarde, decide voltar novamente para Lisboa, para tentar legalizar-se, porque estava a sentir-se demasiado isolado na quinta, longe da povoação, longe das pessoas e do movimento, apenas rodeado de gado, árvores e plantas.

Quando chega em Lisboa insere-se no futebol de rua da “S. C. M. L. ”. Treinava na “Fundação INATEL”, onde via os treinos das equipas de futebol do Sporting e Benfica. Contudo, Paulo sabe que vão para a Suécia num torneio e a sua fotografia aparece no jornal A Bola, o que faz com que seja reconhecido na rua, no Campo Santana, e que passe a ter tratamento diferenciado. A mãe de um miúdo que o reconhece do jornal paga-lhe cerveja e depois de passar a noite toda a beber, Paulo é excluído do torneio no dia seguinte, ao lhe ser detectado álcool nos exames realizados no Hospital da Instituição “Cruz Vermelha”. Recomendam-lhe o caminho da desintoxicação na instituição “Associação Reto à Esperança” em Loures, para depois de dois meses de desintoxicação participar no torneio de futebol de rua no Brasil. Mas sentia-se já demasiado velho para jogar futebol e desistiu de praticar a modalidade. Teve problemas em voltar a entrar para a “S. C. M. L.”, onde foi acusado de ter abandonado a equipa. Acaba por ficar três anos na “Associação Reto à Esperança”, onde chegou a sentir-se indisposto quando via pessoas a injectarem-se, algo que acontecia demasiadas vezes, contrariando o objectivo de desintoxicação da instituição.

Posteriormente, esteve quatro anos na CAIS a fazer vários cursos: Informática, Português (onde aprendeu a compreender melhor o Português de Portugal), Inglês onde viu as diferenças de pronúncia e vocabulário entre inglês do Reino Unido que se fala na Europa e o inglês de rua que aprendeu na América do Norte, Relações Pessoais, e o último curso que fez foi de Repórter de rua, fotografando as pessoas que viviam na rua, muitas das quais ele conhecia. Esteve em contacto com a CAIS desde o início da

formação da instituição e quando se ergueram as infra-estruturas, como o refeitório, vendeu revistas durante algum tempo. Orgulha-se de ter conseguido vender revistas dentro do Corte Inglês, depois de ter pedido autorização ao segurança para ter uma banca permanente à tarde. Durante algum tempo conseguiu o suficiente as suas despesas, mas depois desistiu visto as vendas serem insuficientes. Também engraxou sapatos nas imediações de um Centro de Advogados, mas depois de descobrirem que era ilegal, avisaram-no que havia condições legais a cumprir nos programas da CAIS, tal como documentação obrigatória, nomeadamente possuir residência, estar legal e ter conta no banco, para poder continuar a engraxar. Sem estas condições viu-se forçado a abandonar o programa, por não ter subsídios para praticar os cursos. Exigiram também de Paulo dedicação total aos cursos que estava a tirar na CAIS, forçando-o a escolher entre as actividades que tinha com a Igreja Adventista, onde ia pintar casas, na Quinta da Laje. Contudo, acresce o facto de o novo professor de fotografia praticar fotografia aquática, à qual Paulo não estava habituado, nem sequer gostava. Enquanto esteve a realizar esses cursos, envolve-se também com a comunidade da Igreja de Arroios, com o Padre Paulo, participando nas festas de Natal, e seguindo um curso bíblico. Também fez outros cursos bíblicos com os Jeová e com a Igreja de São Sebastião da Pedreira.

Quando esteve na Picheleira no projecto “Orientar” na Instituição “ORIENTAR – Associação de Intervenção para a Mudança”, desenvolve também uma relação próxima com a comunidade da Igreja Evangélica da Picheleira. Depois, participou num projecto da instituição “Desafio Jovem (Teen Challenge) Portugal”. Refere várias vezes que afastou-se de todas as actividades para se dedicar, em exclusivo, aos cursos da CAIS. Mas o problema da documentação surgia de novo no “Exército de Salvação”, onde esteve e tirou o curso para apresentar as lojas. Disseram-lhe o mesmo que na Igreja da Picheleira, para ir empregar-se nessa instituição assim que tivesse documentação. Frequenta a "Centro Nacional de Apoio ao Imigrante."(“C. N. A. I. ”) onde lhe é dada ajudas de custo para o bilhete da rodoviária, quando tem de apresentar-se, quinzenalmente, nos regularmente em Loures nos “Serviços Estrangeiros Fronteiras“ ("S. E. F. “) para além de ser reunida a documentação e enviada para o controlo da mesma Polícia Fronteiriça.

Nunca pagou segurança social nem teve contrato, convencido que não era necessário pelos patrões que o recrutavam para a construção civil. Também fez trabalhos de limpeza e jardinagem. Num concurso de limpeza do metro, participou e ganhou um prémio, que lhe foi negado quando lhe pediram os documentos e se

aperceberam que não estava legal. Uma vez, Paulo recorreu a um conhecido seu, do Porto, que na loja do cidadão confirmou a identidade de Paulo, em troca de dinheiro, e ficou também responsável pelo seu número de contribuinte. Contudo, cada vez que este conhecido via Paulo, pedia-lhe sempre dinheiro.

Conheceu Azarinha, líder da Igreja Adventista, num café, tentava pôr em prática o sistema americano e convidou Paulo a ir à Igreja da Estefânia. Costumavam vender muita roupa na Feira da Ladra, Azarinha comunicou com a irmã de Paulo dizendo-lhe que estava tudo bem, que ele estava na Igreja.

Viveu num quarto num prédio da rua Morais Soares. Vendia revistas da CAIS em São Sebastião da Pedreira, à tarde. Chegava por volta das dez horas e pagavam-lhe para fazer a limpeza do prédio, quando já todos os inquilinos estavam a dormir. Porém, numa dessas vezes, uns paquistaneses que lá viviam, desencadearam um conflito que resultou em homicídio. Paulo viu a Polícia Judiciária à porta e saiu desse quarto, de maneira forçada, com medo que as sirenes da polícia lhe fossem apontadas.

Quando se muda, vai para casa da Dona Fernanda, que conhece quando foi viver para o Campo Santana, através do senhor Valente, que possuía um restaurante, a quem Paulo limpava o tecto, subindo a árvores. Nesse restaurante trabalhava o filho do dono e a funcionária Sónia. À época eram solteiros e agora, quando foi realizada a entrevista já tinham filhos. Paulo dormia dentro do restaurante, quando o cheiro, o permitia; quando era um cheiro nauseabundo do tabaco era insuportável, dormia por cima, no exterior. Dona Fernanda conheceu Paulo através do filho, que era já utilizador assíduo do restaurante e depois convidou Paulo a ir a sua casa utilizar a Internet. Dona Fernanda, convidou-o também a tomar um Panaché, que ela costumava tomar e sentar-se. Depois Paulo passou a passear regularmente o seu cão, Snoop. Começou pouco e pouco, a ser convidado para ficar em casa da Dona Fernanda, quando estivesse a chover, e depois quando estava mais regularmente em casa foi mesmo convidado e ficar a morar em casa com Dona Fernanda. Aos Domingos via a Missa na televisão com ela e ia ao Pingo Doce, para além de fazer as refeições em sua casa. Mas afirma que ficava com pouca liberdade, pois tinha um horário fixo, ao ter de esperar por Dona Fernanda no Banco – no final do dia quando acabava o trabalho. Refere o exemplo de lhe tirar a liberdade de ir à igreja ao Domingo, pelo que, saiu da casa da Dona Fernanda e foi morar com o senhor Guimarães.

Antes de ir para o Alentejo trabalhar na construção civil, através do contacto dos Adventistas da Igreja da Estefânia, fica num quarto a cinco euros por noite na Alameda

em Lisboa. Depois foi trabalhar para o Alentejo, onde tentou que o patrão lhe pagasse os descontos da segurança social e também que lhe fizesse um contrato, mas sempre estes pedidos eram silenciados e sem resposta afirmativa. Abandonou o trabalho devido a um problema de saúde, pois tinha tensão alta. Quando regressou do Alentejo, foi viver para casa do senhor Guimarães que conhecia da Igreja de São Sebastião da Pedreira. Pede ao pároco para lhe guardar o ordenado que ganhou de seiscentos euros no Alentejo, que lhe dá dinheiro à medida das suas despesas, para não gastá-lo todo. Quando o senhor Guimarães voltar da visita ao seu irmão à cidade de Guimarães, pretende voltar morar com ele.

Paulo Carvalho – Como são os seus dias de no presente?

Paulo fica de novo a dormir na rua. Visita a Igreja do senhor Guimarães para ir utilizando o dinheiro do seu ordenado do trabalho Alentejo e, para saber se senhor Guimarães voltou a Lisboa. Sem os medicamentos para baixar a tensão, utilizava o vinho como calmante, mas depois de aconselhado pelo médico, parou de beber. Mas evita ir à Igreja, pois as leituras bíblicas acabam muito tarde e, apesar de servirem sandes ao almoço, prefere não perder o jantar das carrinhas em frente à Igreja de Arroios, onde serviam refeições completas, tendo passado em Setembro 2013 para o