8.1 M AKROANALYSE
8.1.2 Utvikling i nasjonal økonomi
Em meio a essas turbulências e especulações da mídia, o cantor Ney Matogrosso dá continuidade às apresentações do show Bandido8no Teatro Ipanema-RJ em temporada durante a segunda quinzena de janeiro de 1977 e a primeira quinzena de fevereiro. Finalizado a temporada no Teatro Ipanema, o espetáculo segue para o Teatro
8Músicas show Bandido Teatro Tereza Raquel-RJ Janeiro de 1977: São Vicente, Sangue Latino, Cante
Uma Canção de Amor, Postal de Amor, Pra Não Morrer de Tristeza, Gaivota, Com a Boca no Mundo, Mulheres de Atenas, Aqui e Agora, Bandido Corazon, Usina de Prata, Airecillos, Retrato Marrom, Paranpanpan, Trepa no Coqueiro, Seu Waldir, América do Sul. Obs: As músicas podiam sofrer algumas alterações no decorrer do show. Banda-Grupo Terceiro Mundo: Roberto Carvalho (Teclados e Guitarra), Jorge Omar (Violão, Viola), Elber Bedaque (Bateria), Jorjão (Baixo), Marcelo Salazar (Percussão). Produção: GAPA Figurinos - Bill & Koury, Iluminação - Efeito Ltda Som - Val & Val, Direção de Cena - Luiz Clericuzzi (Luizinho) Administração - Valéria Gonçalves, Supervisão Geral - Carmela Buss (MATOGROSSO, 2006).
Carlos Gomes-RJ e, logo em seguida, estreou no Teatro Bandeirantes – SP9. Em São Paulo houve problemas com a censura no que diz respeito ao limite de idade imposto ao público, isso implicou no adiamento do show para o dia seguinte, o espetáculo permaneceu em cartaz por dois meses.
A revista Veja, datada de dois de fevereiro de 1977 publicou chamada em seu espaço designado a eventos culturais, intitulada Show, em que trazia como destaque do assunto o adjetivo “ousadias”. Em seguida dá-se ampla matéria acerca do show
Bandido em cartaz no Teatro Ipanema-RJ:
Diante de um espelho oval, Ney Matogrosso se contorce em poses sensuais, retirando os berloques e as poucas peças de vestimenta que lhe cobrem o corpo – num inesperado streap-tease aos 35 anos de idade, animado pelo bolero de “Boneca Cobiçada”. Nem Elvira Pagã teria tanta coragem. É verdade que um biombo esconde boa parte de seu corpo, mas o que resta visível e entusiasma metade da platéia: Assobios partem delirantes e uma voz feminina uiva galanteios ardorosos. Há muito humor e bem temperada dose de malícia neste show, com gosto de teatro de revista. Do fundo do palco por exemplo, pode-se recolher ainda a lembrança de uma inevitável escada, vitrina preferida das vedetes brasileiras. É impossível dissociar os falsetes de Ney Matogrosso da mesma técnica de canto de Araci Cortes, intérprete máxima de 300 revistas. (SANTOS, 1977a)
Em sua temporada no Teatro Carlos Gomes no Rio de janeiro com capacidade para mil e duzentas pessoas teve casa lotada durante todo o mês de março quando esteve em cartaz. Dessa forma o artista legitima seu espaço dentro da mídia e entre o público, dando continuidade a seu processo de autonomia artística. A Folha de São Paulo atesta:
Para os que consideram uma audácia o uso de maquiagem, requebros e roupas exóticas por parte dos homens, as apresentações do cantor Ney Matogrosso, no Teatro Carlos Gomes, no Rio, tem surpreendido, mas agradado. O comportamento de Ney ele mesmo explica: Não há nada demais na maquiagem, requebros e roupas diferentes das tradicionais. Apenas acredito que as pessoas devem ser livres no seu comportamento. E quem disse que homem não pode se pintar, por exemplo? Ele acredita firmemente nessas palavras e toda noite, há dois meses, se expõe para a platéia carioca, disposto a ouvir qualquer crítica que parta de seu público. (SANTOS, 1977b)
Em continuidade dessa mesma matéria publicada na Folha de São Paulo, entende-se o momento de confiabilidade e entrega entre a platéia e o artista. Nesse
9O Teatro Bandeirantes na cidade de São Paulo localiza-se na avenida Brigadeiro Luis Antonio, 1411. Os
ingressos do show de Ney Matogrosso foram vendidos ao valor de 70 cruzeiros e 50 estudante à época, tendo início às 21 horas. O show foi eminentemente proibido pelos órgãos de repressão e censura do regime militar(censura prévia) para o público menor de dezoito anos.
sentido percebemos a construção dessa realidade entre e artista e público na busca pela autonomia artística almejada pelo cantor. Vejamos essa passagem na Folha de São Paulo:
Em “Bandido”, o que surpreende é o streap-tease com o fundo musical de “Boneca Cobiçada” em que o cantor, protegido por um biombo pequeno, muda completamente de roupa. Como auxiliar, um grande espelho para Ney se certificar de que está como pretende. No final do espetáculo de hora e meia, ele desce até a platéia para brincar com alguns dos presentes, invariavelmente homens acompanhados de suas respectivas mulheres. O pessoal entende a brincadeira e aplaude. É assim toda noite, talvez porque respeitem a intenção que Ney Matogrosso coloca em seu trabalho, ou seja, “a de que é importante ser como se quer, ter liberdade para se comportar” (SANTOS, 1977 b).
A temporada carioca do show Bandido no Teatro Tereza Raquel e Carlos Gomes, somaram dois meses e meio, tendo a casa lotada todos os dias nos dois teatros. Na última apresentação no Teatro Carlos Gomes, os ingressos se esgotaram e houve tumulto na bilheteria por parte de fãs que não conseguiram entrar no Teatro. A Folha de São Paulo atesta esseepisódio: “O sucesso de seu show no Rio de Janeiro ficou 2 meses e meio em cartaz com casa lotada todos os dias e no último espetáculo as pessoas que não conseguiram entrar chegaram a quebrar a bilheteria” (OLIVEIRA, 1977).
O show Bandido tanto em sua estréia no Teatro Ipanema em janeiro de 1977, Teatro Carlos Gomes em março, e no Teatro Bandeirantes, em São Paulo, em abril, tiveram sua liberação condicionada a uma censura moral no que diz respeito ao limite de idade imposto ao seu público, sendo tais apresentações eminentemente proibidas para menores de dezoito anos. Na cidade de São Paulo, porém, a censura prévia foi mais rigorosa, impondo ao artista a mudança no repertório do show, bem como o adiamento de sua estréia.
Em matéria publicada na Folha de São Paulo são apontadas algumas mudanças no repertório do show, pressupondo terem sido tais mudanças em função de uma censura prévia ocorrida no dia da estréia do espetáculo na cidade. Naquele momento era comum vermos artistas redefinirem seu repertório em função dos vetos empreendidos pelos órgãos de repressão e censura do regime militar. Dessa maneira, conseguiam esses artistas driblarem a censura e assim não terem seus espetáculos vetados na íntegra.
A Folha notifica: “Na temporada paulista ele (Ney) deixará de cantar “Trepa no Coqueiro” e “Aqui e Agora”, para incluir no espetáculo “Me Rói”, de Luli e Lucinha, e “As três Caravelas” de Gil e Caetano. No Bandeirantes Ney ficará dois meses. A Folha de São Paulo continua notificando tais medidas de censura em relação a apresentação do cantor na cidade de São Paulo:
Ney Matogrosso acredita que suas apresentações em São Paulo também serão bem concorridas. “Aqui ninguém pode negar, é a capital do Brasil, o lugar onde corre bastante dinheiro e as pessoas podem ir ao teatro com mais facilidade. Estou confiando nessa temporada paulista” (N.M). Uma única coisa o preocupa: a censura. No Rio, ela fez com que o espetáculo fosse proibido para menores de dezoito anos. Ney gostaria que seu show fosse livre. Ontem à noite, o espetáculo foi visto pelos censores paulistas que iriam decidir para que a faixa etária ele será liberado. Ney sofreu algumas interferências: um tape de televisão foi recolhido e ele nunca aparece no vídeo de corpo inteiro. (OLIVEIRA, 1977)
O show que iria acontecer no dia treze de abril de 1977, foi adiado para o dia quatorze, em função dos vetos de natureza moralizante realizados pelos órgãos de repressão e censura do regime militar. Em suma, o espetáculo Bandido deveria passar pelo crivo de uma censura prévia para posteriormente ser liberado para o público paulista. Tal apresentação prévia do artista para a censura deveria ter sido realizada no dia doze, uma terça-feira, no entanto, para maiores rumores e especulações da mídia, essa apresentação foi adiada para o dia treze e a estréia do show que deveria ser dia treze foi conseqüentemente adiada para o dia quatorze. A Folha de São Paulo notifica esse episódio:
O show “Bandido” de Ney Matogrosso teve sua estréia adiada de ontem- como anunciaram todos os jornais de São Paulo - para hoje às 21 horas no Teatro Bandeirantes. Os motivos do adiamento não foram devidamente explicados pelos produtores do espetáculo. Uns falavam em atraso da montagem do equipamento, outros diziam que a apresentação para a censura que deveria ter sido feita na terça-feira acabou não acontecendo forçando o atraso no início do espetáculo para o público. De qualquer maneira o show foi visto ontem à noite pelos censores e sua estréia está confirmada para a noite de hoje, a partir das 21 horas no Teatro Bandeirantes. Só que para permanecer uma cena em que o cantor faz um strip-tease, o espetáculo teve que ser proibido para menores de dezoito anos. (NR, 1977)
Em matéria publicada na Folha de São Paulo em dezessete de abril de 1977, a jornalista e crítica de música Maria José Arrojo, descreve o cenário e o figurino do show Bandido em cartaz no Teatro Bandeirantes-SP.
Uma árvore estilizada, um espelho e mais uma espécie de cabide com todas as penas e fantasias que Ney Matogrosso iria utilizar no espetáculo formam o cenário. Uma tocha é acessa solenemente por um dos músicos e apagam-se todas as luzes, deixando o palco totalmente escuro por poucos segundos. Quando volta a iluminação um verdadeiro delírio. Encostado na árvore está a figura esguia e agressiva. A “estrela da noite”.Vestido com uma calça tipo jeans muito justa, botas, meias de lurex, túnica de cetim e ainda um chapéu de palha mais pra coronel nordestino do que para bandido. Aos primeiros acordes de São Vicente, começa a tirar os primeiros “uis” e “lindos” da platéia. E sua dança toda rebolante e cheia de maneirismos, que chega ao seu auge no strip-tease” (ARROJO, 1977).
Para melhor pontuar essa questão da censura versus a tentativa de autonomia do artista, apoiar-se-á, como já analisado, no pensamento de Pierre Bourdieu, acerca do princípio de autonomia dos campos e a luta em seu interior. Uma vez consolidada essa divergência no interior do campo da arte, prevalece o princípio de autonomia artística de Ney Matogrosso em relação à censura moral do regime militar, à mídia, bem como ao cerceamento da indústria fonográfica. Esse período foi compreendido como uma condição de liminaridade artística que se encontrava o cantor frente a esses poderes constituídos.
Dessa forma, o artista não se deixa vetar em sua íntegra pelos órgãos de repressão e censura do governo militar nem por alguns setores da mídia que, naquele momento, exerceram também uma censura moral ao cantor. O desenvolvimento da autonomia artística do cantor Ney Matogrosso se dá a partir de tais pressupostos, passando pelo enfrentamento da censura moral do regime militar e da mídia, sua popularização frente à mídia e ao público até chegar ao momento da abertura política no Brasil, no qual o artista legitima mais uma etapa de seu processo de autonomia artística. Esses serão os nossos próximos passos de investigação.
2.2.3 “Pecado” com Emilinha Borba, Moreira da Silva, Caetano, Chico
e Milton – a popularização de uma estrela
Nesse item tentar-se-á analisar a tentativa do cantor Ney Matogrosso em
afastar-se da concepção fomentada pela mídia de um artista voltado para um público pertencente a uma elite sócio-econômica. Essa imagem do cantor foi construída pelos meios de comunicação de massa a partir de seu espetáculo anterior, onde teve uma
produção requintada em termos de cenários e figurinos, realizada por seu ex-empresário George Ellis, o qual restringiu o público do artista em função dos preços elevados dos ingressos de suas apresentações. Um espetáculo que custou milhões em sua produção e levou ao endividamento do artista, como já foi analisado nos itens anteriores desse estudo.
A partir do espetáculo Bandido, foi viabilizada uma maior aproximação do cantor com seu público, no sentido da reconquista desse último. É exatamente dentro dessa perspectiva que nossa análise será conduzida, no momento em que o cantor aproxima-se de seu público, legitimando-se perante ao mesmo e à mídia pela popularização de sua imagem. A matéria abaixo citada, realizada por Ana Maria Bahiana, demonstra a tentativa de desvinculamento do artista de sua imagem construída, ansiando dessa maneira sua popularização perante o público e a mídia. Ney afirma:
Eu estava me tornado uma coisa de elite, uma coisa fechada. Não eu mesmo, essa nunca foi a minha intenção. Mas aquele primeiro disco, aquele primeiro trabalho todo estava conduzindo para isso. Eu estava virando a Maria Callas da América Latina, uma transa que não tem nada a ver. Qualé, gente? Eu sou lá do fundão de Mato Grosso, fui criado em Padre Miguel, minha transa é povo mesmo, povão, pé na terra. Adoro a rua, me misturar com as pessoas... é isso que eu sou, não um bicho raro, uma diva latino americana (NEY, 1976
apud BAHIANA, 1976 ).
O Show intitulado Bandido, ao contrário do espetáculo anterior considerado por Ney e pela crítica um espetáculo de elite, apresenta-se extremamente o oposto.
Bandido foi idealizado por Ney de forma simples no que diz respeito à sua produção, sobretudo em seus cenários e figurinos. Sobre essa passagem de seu novo espetáculo Ney Matogrosso declara ao Jornal O Globo:
Na época em que fiz o primeiro disco....meu Deus, acho que foi a época mais doida da minha vida! Havia uma expectativa massacrante em cima de mim. Em cima de todos os três ex-Secos & Molhados é verdade. E quem não correspondesse a essa expectativa dançava. Como dançou. Mas, em cima de mim, era ainda maior. Afinal, eu era o estandarte, não é? Foi uma barra sair dos cafundós do Judas e virar sucesso nacional. De repente eu tinha de ser absolutamente perfeito, não deixar absolutamente nada a desejar....Aquele show do Hotel Nacional foi uma morte pra mim. Enquanto estava no palco até que nem. Mas eu morri, antes e depois. E todo o resto dos shows, tudo, era eu brigando com o público, querendo provar que eu era eu, que eu podia fazer o que eu quisesse. Sabe o que acontece agora? Eu me sinto muito mais à vontade. Eu me sinto realmente livre para fazer o que quiser. Não preciso provar mais nada a ninguém Eu quero tudo muito, muito simples. Um cenário bem despojado, que eu possa carregar pra todo lado, porque eu quero fazer o Brasil todo, principalmente o Norte e Nordeste. Umas tábuas e um pano vermelho, no fundo, e só. Um cabide pra eu pendurar meus troços, um
baú pra eu guardar as coisas e um espelho. Eu quero me arrumar em cena, me curtir, me vestir em cena. Mostrar pras pessoas que sou eu mesmo, não sou nada de mais, mostrar como se faz a mágica. Ficar bem perto das pessoas. Eu vou usar meu brinco de argola que eu uso desde os Secos & Molhados, que eu curto muito, nunca me separei dele. (NEY, 1976 apud BAHIANA, 1976).
Em julho de 1977 o cantor grava seu 3º e último long play pela Continental
Discos S/A intitulado Pecado10. A gravação do LP se deu em função do cumprimento de contrato estabelecido entre a gravadora e o artista. O repertório desse trabalho já era parte integrante do espetáculo Bandido, que estava sendo apresentado no eixo Rio-São Paulo. Durante os meses de abril, maio e junho o cantor estava em temporada no Teatro Bandeirantes, em São Paulo, devido à grande receptividade por parte do público, essa permanência na cidade, resultou na gravação de um especial para Rede Bandeirantes de Televisão.
Fonte: Matogrosso site oficial (2006) Figura 8 - Ney Matogrosso, capa LP Pecado, 1977
Dessa maneira o espetáculo Bandido foi divulgado em rede nacional, por meio do especial Metamorfose passando, a partir de então, o artista a ter uma maior penetração nas camadas menos favorecidas. Logo em seguida ao especial, o cantor Ney Matogrosso inicia pela primeira vez em sua carreira solo uma turnê pelas Regiões Norte
10Boneca Cobiçada (Bolinha-Biá), Metamorfose Ambulante (Raul Seixas), Desafinado (Tom Jobim-
Newton Mendonça), Da cor do pecado(Bororó), Com a boca no mundo(Rota Lee-Luis Sérgio-Lee Marcucci), Tigresa (Caetano Veloso), San Vicente (Milton Nascimento-Fernando Brant), Sangue Latino(João Ricardo-Paulinho Mendonça), Postal de Amor (Raimundo Fagner-Fausto Nilo-Ricardo Bezerra), Retrato Marron(Rodger Rogério-Fausto Nilo).Produtor Fonográfico-Discos Continental, Direção Artística-Cesare Benvenuti, Direção de Produção-Guilherme Araújo,Coordenação de Produção- Sidnei Santoro, Arranjos-Jorjão, Jorge Olmar, Túlio Mourão e Grupo Terceiro Mundo, Técnicos de Som- Marcus Vinícius e Renato Viola, Mixagem-Marcus Vinícius, Efeitos Especiais-Wagner Aparecido Tavares, Adm. de Repertório-Odair Corona, Corte-Milton Araújo, Fotos Capa-Vania Toledo, Direção de Arte-Oscar Paolillo, Arte Final-Walmir teixeira, Estúdio Vice-Versa(16 canais) S. Paulo.Gravação e Mixagem-20 de jul a 03 ago de 1977.
e Nordeste do Brasil, construindo dessa maneira sua popularização perante o público e a mídia nas diversas regiões do Brasil.
O especial do cantor Ney Matogrosso intitulado Metamorfose, foi transmitido pela Rede Bandeirantes de Televisão em 14 de junho de 1977, ás 21 horas, contou com a participação de cantores da MPB como Caetano Veloso, Chico Buarque de Holanda, Milton Nascimento, Emilinha Borba e Moreira da Silva. As participações dos convidados se deram em forma de depoimento, bem como fazendo dueto com o cantor em alguns momentos do espetáculo. Dessa maneira as participações desses artistas, contribuíram para a popularização do cantor, pois se tratavam de personalidades consagradas dentro do cenário da MPB, tendo grande penetração na mídia e em diversas camadas populares, sobretudo a cantora Emilinha Borba e o sambista Moreira da Silva, que atingiam em grande escala camadas menos favorecidas da população.
O especial Metamorfose11 é iniciado ainda com o artista no camarim
preparando-se para entrar em cena, ao mesmo tempo que concede entrevista. O artista pinta-se, veste-se, coloca pulseiras, lantejoulas sobre o corpo construindo dessa forma o personagem que entrará dentro de instantes em cena. O espetáculo é iniciado com a interpretação da canção Metamorfose Ambulante do compositor Raul Seixas. Em seguida são apresentadas entrevistas com o público do cantor durante a entrada do espetáculo, intercaladas com entrevistas do artista gravadas em seu apartamento no Leblon e no interior do Teatro. Essas entrevistas passaram a serem revezadas com as
apresentações do repertório durante o decorrer do especial, sempre de forma alternada. Os depoimentos do público são vários, destacamos dois deles. O primeiro de
uma fã com faixa etária próxima aos 30 anos, esta quando indagada pela repórter se o cantor Ney Matogrosso assustaria a classe média? Esta responde a repórter da Rede Bandeirantes: “...de uma certa forma sim, ele foge aos padrões e valores da classe média. A mesma pergunta é feita a um senhor de faixa etária entre 60-65 anos, este afirma: “....a maioria não pega o profundo do Ney Matogrosso. Ele quer se mostrar, se
11Músicas Especial TV Bandeirantes: Metamorfose Ambulante, San Vicente, Mulheres de Atenas,
Gaivota, Usina de Prata (vídeo-clip), Coubanakan (participação especial da cantora Emilinha Borba), Na subida do morro (vídeo-clip com participação especial do sambista Moreira da Silva), Desafinado (vídeo- clip gravado com o grupo Terceiro Mundo no apartamento do cantor), Da cor do pecado (vídeo clip gravado no Teatro Bandeirantes), Bandido Corazon, Tigresa (vídeo-clip gravdo no Teatro Bandeirantes com participação especial do cantor e compositor Caetano Veloso), América do Sul. O especial consta ainda com uma entrevista concedida com o cantor no camarim, os depoimentos dos cantores e compositores Milton Nascimento e Chico Buarque de Holanda, entrevistas com o público do cantor na entrada e saída do espetáculo, bem como imagens de encerramento onde vemos o cantor conceder autógrafo ao público presente.
libertar, libertação. Eu sou gente, você tem que me aceitar como eu sou”. Durante a exibição dessas matérias é mostrada simultaneamente a reação do cantor Ney Matogrosso quando assiste ao depoimento junto com a banda terceiro mundo com cenas gravadas em seu apartamento. Ney afirma: “Ele saca mesmo”! ao mesmo tempo em que olhava para o televisor onde era transmitido o depoimento do entrevistado.
Essas duas falas apontam para o sentido da percepção do povo acerca do