3. kapittel: Metode
3.3 Utvalg og rekruttering
A avaliação das aprendizagens continua a marcar uma presença relevante no centro dos grandes debates da educação contemporânea, pois é um processo que tem profundas implicações na organização e no funcionamento dos sistemas educacionais e das instituições de ensino, na forma pela qual os professores organizam seu ensino nas salas de aula ou no desenvolvimento das aprendizagens por parte dos estudantes. Por essa razão é até mais adequado o uso da denominação avaliação para as aprendizagens ao invés de avaliação das aprendizagens, precisamente para sublinhar o papel dinâmico que a avaliação deve ter na promoção e no apoio às aprendizagens, qualquer que seja sua natureza (FERNANDES, 2006).
Segundo Moysés (2003), as avaliações dos estudantes deveriam basear-se nas competências, habilidades e conteúdos curriculares desenvolvidos, tendo como referência as referidas Diretrizes Curriculares.
Historicamente, no cenário educacional, entretanto, a palavra avaliação tem estado vinculada a uma dimensão classificatória de atribuir juízo de valor, de julgamento, de regulamentação, utilizada como um instrumento de poder e controle que aprova ou reprova. Transforma em valor absoluto o que pode ser relativo, é usado como um artifício de punição, ocorrendo a partir de um currículo pré-definido reduzindo-se a uma medida que por sua vez é traduzida através de provas ou verificação de resultados (MASETTO; PRADO, 2004).
Na UNIPLAC, as falas sobre as avaliações refletem todas as dificuldades de implantação desse currículo modular. Falta capacitação para o colegiado, que não consegue, ainda, após dois anos, aplicar o conceito de avaliação por competências. Falta comunicação entre os módulos, os quais, muitas vezes, marcam provas no mesmo momento de tempo e, além disso, há pouca integração, o que dificulta uma avaliação dentro de uma abordagem qualitativa e transforma as ‘provas’ em verdadeiros momentos de ‘terror’ para o aluno, que encontra dificuldades inclusive para selecionar o que estudar.
Minha experiência como professora em um dos módulos desse currículo é que, em semana de prova integrada, grande parte dos estudantes opta por não comparecer às demais aulas e, os que comparecem, não conseguem se concentrar adequadamente em sala de aula, tendo muitas resistências às atividades propostas. A justificativa é sempre a mesma: “Ah
professora, temos que estudar para a prova integrada, é muita matéria e queremos terminar
a aula mais cedo”. “O que passa e reprova é a prova”. O que também é visto no processo
curricular tradicional.
Professores e estudantes do curso falam sobre a questão:
Para falar bem a verdade, eu acho que as pessoas não sabem avaliar por competências, trabalhar por competências, desenvolver o currículo por competências e habilidade também, que as diretrizes preconizam bem. É difícil para nós porque tu sai de um conceito numérico, depois passa para um conceito, o nosso é conceitual, né, é por conceito qualitativo. Mas mesmo assim ele é falho. Tem professor que pega a tabelinha e transforma número para conceito. E a gente entende que a avaliação é muito subjetiva, muito complexa, mas tu não pode considerar só aquela nota daquele momento que você ta vendo um aspecto do aluno
que é o desempenho de conteúdo, na parte de conteúdo (Entrevista 7 - professora
[...] Acho que a grande dificuldade da prova integrada é conseguir integrar os assuntos. Têm coisas que não têm como integrar: anestesiologia do terceiro semestre com as ciências patológicas, a gente não consegue integrar; fica difícil. Acho que anestesio deveria estar inserida em Fundamentos de Clínica: que dente
você vai anestesiar para fazer tal procedimento? Assim fica mais fácil (Entrevista 1
- estudante).
A avaliação integrada acaba sendo meio difícil para a gente porque agrega muito conteúdo é uma prova extensa, uma prova cansativa, às vezes e a gente fica assim, nossa, é tanta coisa que eu não sei se eu estudei tudo, eu não sei se eu consegui acompanhar tudo que eu tive, por mais que eu tenha aprendido o básico de cada coisa que o professor passou, na hora que chega na prova, faz de uma forma
diferente e, às vezes, a gente não consegue associar (Entrevista 3 - estudante).
“Bom, acho a nova proposta curricular muito boa, mas não gosto do método de provas e provas finais” (Entrevista 16 - estudante).
“Acho que deveria ser mudado o tipo de recuperação: não refazer a prova de módulo inteiro mais sim na matéria que ficou em recuperação” (Entrevista 15 - estudante).
O novo currículo é muito bom, os conteúdos são trabalhados de uma forma muito mais interativa, porém às vezes a organização deixa a desejar, pois as provas estão acumulando, um exemplo é que em semana de prova de módulo ocorrem provas de outras matérias em separado, mas o problema é que essas provas são referentes a
outro módulo, o que dificulta para os alunos (Fórum de Discussão Virtual -
estudante 28).
A dificuldade não é só de entendimento do que seja uma avaliação integrada, mas até mesmo na operacionalização da correção dessa avaliação. O relato desta professora evidencia bem a situação:
A gente tem uma dificuldade muito grande agora em relação à correção do prova, porque a avaliação é integrada; então, demorou mais de um mês para a gente conseguir entregar as notas para os alunos e aí eles ficam em cima do professor articulador, mas você não pode corrigir questões de disciplinas que você não está
ministrando, mesmo com o gabarito, não tem como (Entrevista 9 – professora do
curso de Odontologia).
Masetto e Prado (2004, p. 52) chamaram a atenção para o fato de que a criação de ambientes de aprendizagem, sem alterar o processo de avaliação, não conseguirá fazer com
que os estudantes se encontrem com o professor e seus colegas para aprenderem. Segundo os autores, “os dois movimentos precisam ser sincrônicos: inovação nos ambientes de aprendizagem e inovação no processo de avaliação”.
Segundo Anastasiou (2005), vários currículos universitários atuais ainda seguem a configuração em grade, proposta há dois séculos. Conforme o modelo da racionalidade há a separação entre teoria e prática e disciplinas do básico e do profissionalizante. Agrupadas por ano ou por semestre, as disciplinas são destinadas a um docente, que fica responsável por uma parte do currículo e, assim, individualmente organiza seu plano de ensino, sua avaliação e trabalha sua disciplina isolada das demais.
A visão disciplinar, ainda está muito presente na fala dos professores, que acabam avaliando os estudantes dentro dessa lógica, com ênfase no domínio cognitivo, realizando provas integrativas compostas por questões específicas de cada disciplina que compõem o seu módulo.
Para Rozendo et al. (1999, p. 18), “é provável que a ênfase no domínio cognitivo seja reflexo da dominação que a concepção tecnicista exerce sobre a sociedade em diversos âmbitos”. Assim como os processos de formação dos profissionais da área da saúde privilegiam os aspectos técnicos, a avaliação acontece da mesma forma, sem levar em consideração as dimensões afetivas e psicomotoras, previstas no perfil do curso de Odontologia da UNIPLAC.
Assim, o estudante, intencionalmente, escolhe o conteúdo de qual disciplina vai estudar, sabendo que, se acertar todas as questões da disciplina ou das disciplinas que ele estudou, terá um bom conceito final na avaliação.
O professor fragmenta o conteúdo da disciplina, os professores do módulo fragmentam questões da avaliação e os estudantes fragmentam o que vão estudar. Com isso, há o comprometimento efetivo da proposta de um currículo constituído por módulos integrados.