7 Simulering
8.2 Dimensjonering av anlegg 41
8.2.7 Utforming av solfangeranlegg
O mais potente meio de produção e difusão de conteúdos jornalísticos na segunda metade do século XX foi a televisão. Só nos países mais subdesenvolvidos é que a televisão não se impôs à rádio e à imprensa como principal veículo de informação.
Tal como aconteceu com a rádio, a televisão também teve uma evolução diferente nos países europeus, onde desde cedo foi controlada pelos estados, e nos Estados Unidos, onde a televisão foi introduzida pelas principais cadeias privadas de rádios. Essa diferenciação inicial trouxe e traz implicações para os conteúdos. Teoricamente, o serviço público
televisivo europeu propiciaria uma televisão mais sóbria e comedida, “de qualidade”, mas essa teoria é desmentida quotidianamente por televisões privadas de excelente qualidade, como a SIC Notícias, em Portugal. A lógica da televisão de serviço público europeia, em muitos casos, foi e continua a ser subvertida, em maior ou menor grau, pelas pressões e interferências dos governos na informação. Os Estados Unidos, apesar de terem um sistema assumidamente comercial, foram a pátria das televisões especializadas em informação e, com o Reino Unido (BBC), uma das pátrias do grande telejornalismo de qualidade, devido, em especial, à prestação dos grandes telejornalistas da CBS.
Tal como aconteceu com a rádio, as primeiras emissoras de televisão não faziam telejornalismo, embora, na Alemanha, a televisão tenha sido aproveitada pelos nazis para info-propaganda. O primeiro telejornal diário só surgiu nos Estados Unidos no final da década de quarenta do século XX, a pedido da Comissão Federal das Comunicações do governo americano. Até aí as cadeias de televisão americanas apenas passavam programas de entretenimento.
A linguagem do telejornalismo foi, inicialmente, buscar os seus principais referentes ao documentário cinematográfico, às notícias e reportagens radiofónicas e aos radiojornais. Por isso, os principais géneros telejornalísticos são a entrevista, a reportagem e o documental (ou grande reportagem, distinta da pequena reportagem essencialmente pelo papel mais oculto e “neutral” do jornalista). As transmissões de acontecimentos da vida desportiva, política, cultural e social também se podem enquadrar no espaço do telejornalismo.
O principal formato telejornalístico, configurado ao longo do século XX, é o telejornal, programa para todas as
audiências, que marca o horário nobre das televisões generalistas e cuja estrutura se baseia no alinhamento de uma série de pequenas reportagens audiovisuais apresentadas ritmicamente por um pivot, por vezes intercaladas com directos ou com entrevistas e comentários em estúdio.
No início, a televisão não tinha a mobilidade da rádio (os meios mais recentes já dão à TV uma grande agilidade). Para se fazerem registos audiovisuais, usava-se filme, tal e qual como no cinema, o que complicava bastante a edição. Era igualmente difícil e volumoso armazenar imagens (o vídeo só apareceu em 1956, tendo-se generalizado o seu uso somente nos anos Sessenta). Inclusivamente, ainda se usava filme profissional e não o filme de 16 mm para cinema ligeiro, que só aparecerá na década de cinquenta. Portanto, segundo Ignacio Ramonet60, nesses primeiros telejornais escasseavam as imagens de acontecimentos. Quando existiam essas imagens, normalmente reportavam-se a eventos passados no dia anterior ou até antes. Também se usavam mapas, gráficos e fotografias, que eram explicados pelos jornalistas. O telejornal, segundo Ramonet, consistia, essencialmente, numa série de jornalistas que se sucediam uns aos outros a lerem notícias. Não existia um pivot. O desporto, normalmente, não tinha espaço no telejornal, que se
restringia, nos diversos países, à política nacional, à economia, ao estrangeiro e à meteorologia.
A partir do final dos anos sessenta, o vídeo revolucionou a informação televisiva, pois trouxe mobilidade, actualidade e rapidez ao telejornalismo. Assim, segundo Ramonet, o vídeo terá permitido ao telejornal adquirir o estatuto de vedeta da programação e de programa-âncora do horário nobre de audiência. Esse modelo de telejornal é classificado por Ignacio Ramonet como modelo hollywoodiano. A denominação decorre, entre outras características, do facto de elevar as figuras dos pivots ao estatuto de vedetas. No telejornal, o herói é o pivot. É o pivot que confere unidade ao programa, pela sua presença constante e familiar. É o pivot que garante a veracidade das notícias e credibiliza a informação, pois parece sentado ao mesmo nível do telespectador, olhando-o nos olhos. Pivots como Walther Cronkite e Dan Rather, da CBS (EUA), ou José Rodrigues dos Santos e José Alberto Carvalho, da RTP (Portugal), são exemplos de jornalistas que a televisão celebrizou no papel de pivots. Cronkite, por exemplo, foi considerado o homem em que a América mais podia confiar. Dan Rather, a quem coube a ingrata missão de substituir Cronkite, teve pior sorte, pois teve de abandonar o papel de pivot depois de se ter provado que não tinha comprovado uma reportagem que dava, erradamente, conta de irregularidades na forma como o Presidente Bush (filho) tinha escapado ao serviço militar no Vietname.
Ignacio Ramonet sustenta que a televisão se confronta com algumas fatalidades ontológicas. Em primeiro lugar, o texto audiovisual desenvolve-se de maneira irreversível, pelo que o telespectador, a não ser que o grave e reveja, não lhe pode impor a sua ordem e velocidade de leitura. Em segundo lugar, o binómio audiência/rentabilidade impõe uma duração máxima ao telejornal, que, normalmente, não ultrapassa duas, três ou quatro partes com cerca de 12 minutos cada (e com intervalos entre cada uma delas). Durante esse tempo, torna-se necessário construir um texto audiovisual sem causar cansaço no telespectador. Teria sido a reflexão sobre a resolução destes problemas que, na versão de Ramonet, contribuiu para o aparecimento do modelo hollywoodiano de telejornal e condicionou a sua evolução. Segundo Ramonet, é a variedade temática que evita o aborrecimento do telespectador. Num telejornal de 30 minutos podem abordar-se 20 a 25 temas, excepto quando um único tema tem suficiente impacto para romper com o modelo e manter o telespectador colado ao ecrã, como nos atentados de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos. Porém, a necessidade de se garantir a variedade temática e um ritmo que atraia o telespectador dificulta a contextualização da informação, já que são apresentadas muitas peças (de poucos minutos) em pouco tempo (cerca de meia hora na generalidade dos países, embora em Portugal os telejornais tenham duração superior). Ou seja, o formato telejornal condicionou os conteúdos, favorecendo o espectáculo e a superficialidade em detrimento do contexto.
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Seminário leccionado em 1995 em Santiago de Compostela, aos alunos do curso de doutoramento em Ciências da Informação.
Além da variedade temática, o telejornal hollywoodiano foi buscar ao cinema a noção de mesclagem de géneros. Melodrama, aventura e comédia, por exemplo, podem conviver num único telejornal ou até numa única peça. Foi também ao cinema que se foi buscar a noção de que o telespectador pede mudança de dez em dez minutos. Para se manter o interesse e a atenção do telespectador, é usual fazer-se um pequeno intervalo a cada 10/15 minutos ou então mostra-se alguma coisa que o surpreenda.
Os sumários, que têm uma função apelativa e de desencadeamento das expectativas do telespectador, também foram introduzidos pelo modelo hollywoodiano de telejornal, com o objectivo de levar as pessoas a manterem-se sintonizadas enquanto não chega aquilo que querem efectivamente ver.
Na actualidade, em consonância com Ignacio Ramonet, e como veremos mais à frente, um terceiro modelo de telejornal teria surgido com a CNN e as emissoras televisivas especializadas em informação. Neste terceiro modelo de telejornal a credibilização da informação não assenta prioritariamente na figura do apresentador, mas sim no directo
multilocalizado em contínuo. A grande promessa do telejornalismo, neste terceiro modelo, é mostrar, em directo, o que se está a passar em cada ponto da Terra e as reacções (mundiais) aos acontecimentos.
A televisão, tal como a rádio, globalizou-se, beneficiando do extraordinário potencial que lhe é dado por ser um meio electrónico de comunicação. A globalização começou pelo intercâmbio de conteúdos por satélite entre a Europa Ocidental e os Estados Unidos, a partir de 1962, ano de colocação em órbita do Telstar. Foram muitos os momentos marcantes da televisão mundializada: o assassinato do Presidente Kennedy, o homem na lua, a Guerra do Vietname o casamento da Princesa Ana, o casamento da Princesa Diana, a Guerra do Golfo, a Guerra na Jugoslávia e a intervenção da NATO, o 11 de Setembro, a invasão do Iraque, a morte e o funeral do papa João Paulo II, etc.
A partir dos anos oitenta, a miniaturização e o embaratecimento dos equipamentos, o cabo e o satélite permitiram o aparecimento de novas fórmulas jornalísticas e de novos projectos telejornalísticos, muitas vezes projectados já não para o espaço nacional, mas sim para o mundo globalizado, tendo o pioneirismo pertencido, como se disse, à CNN. A experiência televisiva global dá, problematicamente, referentes idênticos à população mundial.
Há que dizer que, devido a um certo esgotamento da fórmula típica do telejornal, novas soluções telejornalísticas foram tentadas. Algumas reforçaram o carácter espectacular da informação televisiva, outras procuraram explorar as
possibilidades trazidas pelos novos meios, enquanto outras ainda procuraram tornar a expressão telejornalística mais profunda e contextual:
a) The TV Show, do Grupo Gannett, pode exemplificar a deriva do telejornalismo para o espectáculo, para o
info-show (de que é arquétipo), bem como a influência recíproca entre os meios, já que, na sua essência, está
uma adaptação da fórmula do jornal USA Today à informação televisiva. Em meia-hora, incluindo oito minutos para publicidade, o TV Show, apresentado por quatro pivots de pé num estúdio colorido, mostrava várias pequenas notícias, muitas das quais sobre irrelevâncias e curiosidades, entrecruzadas com inquéritos, em ritmo rápido e espectacular e com abundante recurso à infografia. Os próprios mapas meteorológicos do
USA Today foram adaptados ao TV Show.
O programa Prós e Contras da portuguesa RTP, em que um pivot entrevista dois grupos em oposição perante uma plateia, também pode ser considerado um info-show, embora a sua estrutura seja diferente da estrutura do TV Show.
b) O modelo da CNN, cadeia surgida em 1980 por iniciativa do empresário norte-americano Ted Turner, é um modelo de “telejornal contínuo”, com abundantes recursos ao directo globalmente multilocalizado e a vários programas de informação especializada (alguns formatados como telejornais) e de entrevista, como as
de Larry King (Larry King Live). O modelo da CNN pode, assim, exemplificar o aproveitamento das potencialidades trazidas pelos novos equipamentos e pelos avanços nas telecomunicações. Exemplifica, também, uma nova concepção de televisão: a da televisão segmentada, especializada em informação. O modelo triunfou devido a vários acontecimentos que catapultaram as pessoas para a CNN, em especial a Guerra do Golfo Pérsico (a “falsa” guerra em directo), em 1991, bem como a queda de Ceausescu na Roménia, a queda do Muro de Berlim e a luta pela liberdade em Pequim (1989), o fim da URSS (1991), o assalto ao Parlamento Russo (1993), etc. Porém, a receita do sucesso da CNN poderá estar a vitimá-la, pois, com maiores ou menores adaptações, o seu modelo foi mais ou menos copiado, em todo o mundo e em várias línguas, por estações como a Fox News, a BBC News/BBC World, a Sky News, a Euronews, a Globo News, a portuguesa Sic Notícias, a Al-Jazeera, etc.
No modelo de “instantaneidade” da CNN o jornalista funciona, em grande medida, como “pé de microfone”, sendo o seu papel relatar “neutralmente” o que vê, ouve ou conhece e obter testemunhos e declarações de terceiros, sem grandes preocupações pela capacidade das fontes. O papel do telespectador é julgar e avaliar as diferentes percepções sobre um acontecimento sustentadas pelas diferentes fontes que o jornalista “põe a falar”. Assim, a CNN e outras estações do mesmo tipo têm sido usadas para propagandear pontos de vista e enquadramentos diferentes para os acontecimentos, o que impulsionou, inclusivamente, a fundação de emissoras tele-informativas destinadas a dar a conhecer o mundo sob prismas alternativos, como aconteceu com a estação árabe Al-Jazeera, de grande sucesso nos países islâmicos. Há que dizer, porém, que a televisão por satélite e cabo e a possibilidade de sintonização de estações como a CNN contribuiu, desde o início dos anos oitenta, para uma maior democratização do espaço público internacional, já que pessoas que
anteriormente estavam condicionadas a ter apenas um ou dois canais “oficiais” de TV podem agora
sintonizar, com maior ou menor liberdade, canais “independentes” de vários pontos do mundo, que colocam muitas vezes em causa as visões “oficiais” dos acontecimentos e que desafiam o telespectador com ideias e pontos de vista alternativos.
Para evitar os problemas decorrentes da falta de recuo e contexto do modelo CNN, algumas estações de notícias 24 horas procuraram criar modelos de jornalismo menos trepidantes e mais profundos, como a BBC News/BBC World.
c) O investimento no documental e nas médias e grandes reportagens de investigação por algumas televisões exemplifica a deriva telejornalística para o aprofundamento e contextualização dos assuntos. Há vários exemplos que se podem inserir nesse quadro. O 60 Minutes, da cadeia norte-americana CBS, retransmitido em Portugal pela SIC Notícias, é um bom exemplo de um programa que, normalmente, ao longo de uma hora, inclui três médias reportagens de investigação, ou duas reportagens e uma entrevista.
d) Um modelo misto entre o telejornalismo superficial, vertiginoso e espectacular e o jornalismo de
profundidade e contexto pode ser exemplificado pelo programa 48 Hours, também da CBS. Neste programa, aborda-se um assunto da actualidade, reeditando-se as melhores peças que sobre esse assunto tenham sido emitidas nas últimas 48 horas.
As fórmulas telejornalísticas acabaram por se exportar para a imprensa e para outros meios, sobretudo no que respeita à clareza, à síntese, à ordem e ao aproveitamento da informação visual. A partir dos anos Oitenta, em vários casos, foi a televisão, e não a imprensa, a fixar a agenda jornalística. Por outro lado, a televisão, mais do que qualquer outro meio,
obrigou os políticos a adaptarem-se à sua linguagem, para beneficiarem do seu poder sedutor, como ficou provado desde o debate entre Nixon e Kennedy em 1960.
Graças à informática, o telejornalismo também se renovou, incluindo, por exemplo, infografias, em especial quando não há imagens dos acontecimentos mas se torna necessário explicá-los com imagens. A possibilidade oferecida pela televisão de as infografias serem animadas estimula a atenção do telespectador e dá-lhes maior potencial explicativo. Hoje em dia, novos desafios se abrem à televisão e, em consequência, ao telejornalismo. A televisão digital terrestre, por exemplo, poderá permitir a recepção de centenas de canais de excelente qualidade. A convergência da informática, da televisão e das telecomunicações poderá, por seu turno, conduzir à televisão a la carte, em que o telespectador escolhe os conteúdos que quer consumir e a altura em que quer consumi-los, um pouco como acontece já com vídeo e DVD, que competem com as emissoras pela atenção do telespectador.