• No results found

Uso de los recursos de internet en ONG

3. Apropiaci´ on de Internet 36

3.2. Uso de los recursos de internet en el tercer sector

3.2.1. Uso de los recursos de internet en ONG

um a visão de mundo, produto das relações que se desenvolveram a partir do trabalho produtivo para a sobrevivência do grupo social« Sob esta perspectiva, qualquer análise da linguagem im plica coft siderá-la còtno produto histórico de umA coletividade* (Skinner define “ tato” com o sendo os significados das palavras, e seriam variáveis independentem ente produzidas pelo grupo social ao qual o indivíduo pertence.) Desta forma a aprendizagem da língua m aterna insere a criança na história de sua sociedade, fazendo com que ela reproduza em poucos anos o processo de “hom inização” pelo qual a humanidade se produziu, tom ando-a produto e produ­ tora da história de seu grupo social*

A últim a frase do livro de Vygotski sintetiza todo este processo ao afirmar que "Um a palavra é um microcosm o da consciência humana"* D aí a importância fundamental que tem a aquisição m aterna para a compreensão de qualquer com portam ento do ser hum ano — e esta só pode ser analisada num a abordagem inter- disciplinar. O que não significa que a Psicologia deixe de ter a sua especificidade na contribuição do conhecim ento deste processo. Seja Skinner, Piaget, Vygotski, M alrieu ou Leontiev, todos são concordes em afirmar que a função prim ária da linguagem é a com unicação e o intercâmbio social, através da qual a criança representa o mundo que a cerca e que influenciará seu pensam ento e suas ações no seu processo de desenvolvimento e de hom inização. Cada um destes autores traz a sua contribuição para um conhecim ento psicológico da aprendizagem da linguagem: Skinner, pela análise empírica que faz, demonstra a materialidade de falar e pensar; Piaget e Malrieu apontam para a gênese social das representações da criança e com o ela desenvolve sua visão de m undo; Vygotski e Leontiev, concebendo o ser hum ano com o m anifestação de uma totalidade histórico-social, vêem a linguagem com o fundam ental para o desenvolvimento da consciência de si e social de indivíduo, a qual se processa através da linguagem, do pensam ento e das ações que o hom em realiza ao se relacionar com outros hom ens.

A análise que Leontiev faz da aprendizagem da língua m aterna aponta para dois processos que se interligam necessa­ riamente: se, por um lado, os significados atribuídos às palavras são produzidos pela coletividade, no seu processar histórico e no desenvolvimento de sua consciência social, e com o tal, se subor­ dinam à s leis histórico-sociais, por outro, os significados se pro­ cessam e se transformam através de atividades e pensamentos de

34 SILVIA T . M , LANE

indivíduos concretos e assim se in d iv id u alizam , se "subjetivam ” , n a m e d id a em que “ re to m a m ” p a ra a objetiv id ad e sensorial do m u n d o que os cerca, através d a s ações q ue eles desenvolvem co ncretam ente.

D esta fo rm a os significados produzJdos historicam ente pelo g ru p o social a d q u ire m , n o âm b ito do indivíduo, u m “ sentido pessoal” , ou seja, a p a la v ra se relaciona com a realid ad e, co m a p ró p ria vida e com os m otivos de c a d a indivíduo.

C reio ser o p o rtu n o , a esta a ltu ra , re to m a r u m a análise fe ita p o r T erw illiger q u a n d o a firm a ser a p a la v ra u m a a rm a de p o d e r, d em o n stran d o o q u a n to a im posição de u m significado único e a b so lu to à palavra é u m a fo rm a de d o m in ação do indivíduo, com o o co rre em situações de hipnose, de co m an d o m ilitar e de lavagem c e re b ra l. T odas, situações o nde a am b ig u id a d e ou alternativas de significados levam à negociação de q u a lq u e r u m destes processos,

E s ta a rm a de p o d er só é d o m in a d a pelo confronto q u e o in d iv íd u o possa fa z e r en tre diferentes significados possíveis e a re a lid a d e que o c erc a — aliás, este é o princípio p roposto e defen d id o p o r P a u lo F reire — co n d ição p a ra um pensam ento crítico , p a ra o desenvolvim ento da consciência social e, conseqüen­ te m e n te , p a ra a criativ id ad e q ue tra n sfo rm a as relações entre os h om ens.

E sta análise no s perm ite a p o n ta r p a r a u m a função da lin ­ guagem que é a m ediação ideológica in e re n te nos significados das p a la v ra s, pro d u zid as p o r u m a classe d o m in a n te q ue detém o p o d e r de p e n sa r e “ co nhecer” a realidade, ex p lican d o -a através de “ v erd ad e s” inquestionáveis e atrib u in d o valores absolutos de ta l fo rm a q u e as co n tradições g erad as pela d o m in ação e vividas no c o tid ia n o dos ho m en s são cam u flad as e escam o tead as por ex p li­ cações tid as com o verdades “ universais” ou “ n a tu ra is ” , ou. sim ­ p le sm en te, com o “ im perativos categóricos" em term os de “ é assim que deve ser” .

V oltando p a ra a ap rendizagem d a lín g u a m a te rn a , a cria n ça ao fa la r rep ro d u z a visão de in u n d o de seu g ru p o social, assim com o a ideologia que p erm e ia e m a n tém as relações sociais desse g rupo, e é lev ad a a agir de fo rm a a n ã o p e rtu rb a r a “ o rd em vigente1', caso c o n trá rio ela será co n sid era d a u m “ a n o rm a l” , um “ m a rg in a l", e com o tal a fa sta d a do convívio social. E q u a n d o os estudos ap o n tam p a ra a fam ília d e se stru tu ra d a com o responsável p e la m arginalização d a cria n ça, podem os supor q ue ela a p re n d e u significados c o n tra ­ ditórios, concepções de m u n d o incom patíveis e, in c ap az a in d a de

AS CATEG ORIAS FUNDAM ENTAIS DA PSICOLOGIA SOCIAL 34