• No results found

An´ alisis de la participaci´ on digital en el ´ ambito cooperativo en el Partido de Ge-

F. An´ alisis de validez de contenido del instrumento 249

G.1.10. Experto N ° 10

5.8. An´ alisis de la participaci´ on digital en el ´ ambito cooperativo en el Partido de Ge-

p osição face à relação entre os d e te rm in a n te s sociais e a experiência individual. P retende-se la n çar algum as idéias, b a sta n te genéricas, sobre o fato de que a experiência in d iv id u al deve ser co n sid erad a d en tro de u m q u a d ro social onde p re d o m in a m as condições c o n cre tas m a teria is de existência e q ue essa abordagem exclui o conceito de indivíduo ab strato , de n a tu re z a h u m a n a , de p erso n ali­ d ad e b ásica, p ró p rio s d a Psicologia c e n tra d a no indivíduo.

A co m preensão da n a tu re z a social d a experiência individual insere-se no pressu p o sto m ais ab ran g e n te que é a relação recíp ro ca e n tre o indivíduo e a sociedade, en tre sujeito e objeto. M arx afirm a: “ O s h o m en s fazem , eles próprios, su a h istó ria , m as num meio dado q ue os co n d icio n a’*. A h istó ria é, en tão , p ro d u to d a atividade h u m a n a ; e n tre ta n to , a atividade h u m a n a se desenvolve sob bases reais an terio res (conflitos, contradições, lu tas) que fornecem a direção p a ra as m u d a n ças que vão se p ro cessan d o . Sobre as bases dessa re a lid a d e m a teria l intervém a ativ id ad e h u m a n a , bu scan d o su p erá-la s, ou seja, o que se co stu m a c h a m a r de p rá x is é p reci­ sam en te o m ovim ento que eleva o hom em de su a condição de p ro d u to d as circu n stân cias a n te rio rm e n te d e te rm in a d a s à condição de consciência. A sociedade, p o rta n to , contém em si m esm a elem entos de m u d a n ç a p o r c au sa do m ovim ento p e rm a n e n te de su p eraçâo ^ d as contradições (a c o n tra d iç ã o p rin c ip a l é a relação tra b a lh o -c a jn ta l, isto é, a co n trad ição e n tre o c a rá te r social d a p ro d u ç ã o e*o c a rá te r privado d a sua a p ro p ria ç ã o ); m as é o hom em que intervém nessa m u d a n ça p a ra su p e ra ç ã o d as co n tradições no sen tid o d a su a h u m anização.

O que se p o d e c h a m a r de n a tu re za h u m a n a é, então, o ser social e histórico, é o resu ltad o d a in te ra ç ã o en tre o hom em e o m u n d o social. O s hom ens são “ p ro d u to s ou funções de relações sociais, co n cretas, objetivas, d en tro de u m a e s tru tu ra social que d e te rm in a o seu co m p o rtam en to com o in d iv íd u o ’1 (V azques, 1977). N ão se e s tá dizendo sim plesm ente que o h o m e m tem u m a n a tu re z a social, m as m ais do que isso: ele é um p ro d u to das relações sociais tal com o se d ão sob o capitalism o« P o r isso, co m p re en d er o indivíduo ou b u sc a r as ca u sa s do seu co m p o rtam e n to significa situá-lo no contexto de um a existência socialm ente co n fig u rad a, ou seja, condições de tra b a lh o e de vida n u m a sociedade de classes. Significa, enfim , com p reen d er que o lu g a r q ue o c u p a n a h ie ra rq u ia de classes m odifica diferencialm ente suas percepções, su a relação

162 JOSÉ CARLOS LIBÀNEO

com o fu tu ro , su a rela ç ã o com as in stituições sociais (escola, por exem plo) e expectativas sociais em gerai.

Esse m odo de e n te n d e r as relações e n tre o indivíduo e a sociedade n ã o som ente re je ita a idéia de q ue o suporte biológico é an te c e d e n te ao p siq u ism o social com o ta m b é m a idéia de que o social se som a ao biológico. O biológico e o social n ão são instâncias d istin ta s do ser h u m an o , pois o biológico é su b su m id o no social. Na v erd ad e, sobre u m a condição biológica — d a d a — se co n stitu i a co n d ição social — a d q u irid a — e sob re a m b a s surge a ú n ic a e v e rd a d e ira n a tu re z a h u m a n a : a n a tu re z a social e h istó rica. E m o u tra s p alav ras, a ativ id ad e h u m a n a n ã o se re d u z ao biológico, pois p a ra se constituir com o atividade h u m a n a é preciso que se desenvolva sobre o biológico funções novas e p ró p ria s d a v ida em sociedade. M as estas novas funções n ã o são pré-sociais com o as condições biológicas, m as são criad as h isto ricam e n te com o produtos d as in teraçõ es entre os indivíduos, e n tre os g ru p o s sociais, en tre os indivíduos e a sociedade. N ão existe, p o rta n to , u m a n a tu re z a h u m a n a definitiva, estável, ctím o q u e r a P sicologia corrente; ela vai se co n stitu in d o histó rica e socialm ente p e la lu ta do hom em com o a m b ie n te , p e la in teração en tre os indivíduos, pelo trab alh o , pela ed u ca ção .

N as considerações feitas a té aq u i p o d e ria p arec er suficiente p a ra u m a Psicologia v o ltad a p a ra o social a firm a r a dim ensão social do individuo. De fato , a P edagogia nova o rie n ta d a p ela Psicologia fu n cio n a lista n u n ca cessou de esp e ra r d a e d u c a ç ã o a ad a p ta ç ã o do indiv id u o à sociedade, ta n to é que d estac a o p a p e l das interações sociais n o desenvolvim ento intelectual. E n tre ta n to , a Psicologia c e n tra d a no indivíduo coloca a socialização com o u m a trib u to da n a tu re z a h u m a n a e evita colocar o p a p e l d a e s tru tu ra e do meio social n a socialização. O term o m e io so c ia l em pregado pela P sicologia corrente restringe-se ao am b ien te o n d e se d á o processo in d iv id u al de socialização, ou seja, o a m b ie n te é o ponto de chegada, e n ã o o p o n to de p a rtid a . N a verdade, o q ue o c o rre é que a sociedade d e te rm in a as condições de e d u c a b ü id ad e d a c ria n ç a , a cria n ç a já é so cializad a desde que nasce. As ações e d u ca tiv a s, p o rta n to , como são provenientes do m eio social, im põem à c ria n ç a propósitos e ta re fa s que não são, necessariam en te, co rresp o n d en tes ao desen­ volvim ento espontâneo d a n a tu re z a h u m a n a individual. A educação é u m a atividade de fo ra, e x te rn a à c ria n ç a , e la é, de c e rta form a, u m a ativ id ad e forçada, q u e intervém n o curso do desenvolvim ento do individuo.

A PRÀXIS DO PSICÓLOGO 163