5. Resultados 118
5.3. Composici´ on del instrumento
5.3.5. Categor´ıa Pr´ acticas Constructivas
— R uas, casas, c a rro s ... asfalto, concreto, ferro, alum ínio, a m b ie n te no qual os ho m en s se locom ovem .
— Lojas, arm a zén s, superm ercad o s q u e os hom ens fre q ü e n ta m , e onde c o m p ra m , vendem , se e n c o n tra m , conversam .
— R àdío, televisão, cinem a, jo rn a l, revistas onde hom ens p ro d u zem inform ações sobre hom ens p a ra os hòm ens, ou onde h o m en s inform am sobre p ro d u çõ es dos ho m en s p a ra que os hom ens con h eçam e consumam *
— F áb rica s, o nde os hom ens se o rg an iz am p a ra tra n sfo rm a r a n a tu re z a à sua im agem e sem elhança, se h ie ra rq u iz a m com base no dom ínio que têm sobre a p ro d u ção e os m eios de produção, dividem (desigualm ente) o p ro d u to p o r to d a a sociedade, e, com essa divisão, a lim e n ta m suas fam ílias com m aio r ou m enor eficiência, pagam suas h abitações neste ou n aq u e le p o n to d a cidade com m ais ou m enos co nforto, educam seus filhos form al e in fo rm al m en te, sem pre d ep en d e n d o do lu g ar que o cu p am n a produção. — E scritórios que organizam a o rg an iz ação dos hom ens que tra n sfo rm a m a n a tu re z a e se h ie ra rq u izam e tu d o se repete. E scolas q u e in stru m en taliza m o hom em que se p o sicio n ará nessa e stru tu ra de p ro d u ç ã o e consum o.
— E m p resas in te ira s (hom ens e m á q u in a s pro d u zid as p o r h om ens) dedicadas a tra n s p o rta r h o m en s p a ra os seus postos d e tra b a lh o .
Comportamento
V ejam os, ra p id a m e n te , o c o m p o rta m e n to de u m indivíduo “ norm al'* que tra b a lh e n u m escritório q u a lq u e r, exercendo u m a fu n ção b u rocrática. S u p o n h am o s que seja u m funcionário de escri tó rio , que te n h a p o r fu n ção levar e tra z e r docu m en to s, fazer visitas às firm as, etc.
O lu g a r o nde ele tra b a lh a d e te rm in a o ho rário em que deve lev an tar-se da cam a, p o rtan to , o h o rá rio de d eitar-se. Deve “ p reo cu p a r-se com a a p a rê n c ia ” , ou seja, v estir um d eterm inado tip o de ro u p a, p o r exem plo, p a le tó e g r a v a ta , o que significa que p a rte do orçam ento dom éstico deve se r deslocado p a ra in d u m en tá ria e que a passagem pelo espelho é o b rig a tó ria , antes de sair de ca sa . O s " d e s ir e s ” q ue p ossa com eter (u m a cam isa m al passad a,
O INDIVÍDUO E AS INSTITUIÇÕES 139 u m a g rav ata torta) provocarão in terferên cia das pessoas com q u em ele se relacio n a no tra b a lh o , d ire ta ou in d ire ta m e n te : o seu chefe im ed iato p ode lhe o rd e n a r que co rrija os defeitos; os seus colegas de tra b a lh o p odem faze r com entários jocosos; ou pode te r dificuldade de ser receb id o em u m a ou o u tra em p re sa . P o r o u tro lado, recebe elogios ao se a p re se n ta r “ b e m tra ja d o ” : u m a ro u p a nova m erece co m en tário s elogiosos, m anifestações de inveja — o q ue pode levar o nosso fu n cio n ário a se d em o rar frente às vitrinas, a escolher m ais criterio sam en te o seu cabeleireiro, a a d o ta r, enfiip, toda um a p o stu ra , ou u m projeto (u m sonho) de p o stu ra reforçado coti- d ia n am en te p o r to d a s as suas relações de tra b a lh o .
S u a linguagem soire interferências d iretas do tra b a lh o que ocupa. O tra b a lh a d o r u tiliza term os que, p a ra os o utros m ortais (não in teg rad o s nesse trab a lh o ), são desconhecidos ou inusitados« com o: k a rd e x , papel ofício, req u erim en to , protocolo, borderôs, R A IS; isso p a ra não citar a “ gíria*1 d a funçào.
N os dias de folga, ou depois de s a ir do tra b a lh o , se en c o n tra com seus colegas de escritório e os eventuais am igos que fez por suas a n d an ç as. Provavelm ente, n a m o ra u m a recepcionista, ou o rg an iza um tim e de futebol q u e d isp u ta rá com o escritó rio vizinho um a taça “ c e d id a ” gentilm en te por u m dos p atrõ e s, e /o u fa rá um curso de d atilografia, de inglês, de co n tab ilid ad e, etc.
Às relações de trabalho d e term in a m o seu co m portam ento, suas expectativas, seus projetos p a ra o fu tu ro , su a linguagem , seu afeto.
M a s tom em os um o u tro exem plo, um operário. T al e qual p a ra o nosso funcionário de escritório, os seus horários estào regulados pelo tra b a lh o , suas relações sociais ta m b ém , seus projetos ta m b ém . D iferentes am bientes de tra b a lh o determ in am , porém , indivíduos rad ic alm en te diferentes. As m ão s do o p erário são grossas e ágeis, suas ro u p a s escolhidas p o r critérios de longevidade, suas p alav ras e os b ares q u e fre q ü e n ta são o u tro s.
A análise m ais ap ro fu n d ad a de q u a n to as tarefas intervêm no co m p o rtam e n to do operário será feita m ais ad ian te, no texto.
As afirm ações acim a são válidas p a r a um com erciante, u m a enferm eira» um executivo, um dono de in d ú stria . C ad a gesto, c a d a p a la v ra , c a d a reflexão, cad a fa n ta sia tra z a m a rc a indelével, in d is cutível de su a classe social, do “ lu g a r q u e o indivíduo o c u p a na p ro d u ç ã o ” .
Pois b em , sejam os en tâo m ais p rag m á tic o s e busquem os um a ativ id ad e que seja fu n d am e n tal. O h o m e m está vivo p o rq u e se
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a lim en ta. Sua alim en tação é conseguida atrav és de seu trab alh o . P a rtin d o da sobrevivência do hom em , ch egarem os à m esm a con clusão.
N ós, psicólogos» vivem os a firm an d o q u e o hom em é u m ser social, um ser histórico, M as o q ue e x a ta m e n te significa isso? Ao d eclararm o s que o liom em é u m ser histó rico , estam os afirm ando que a su a relação com o m eio am b ien te se d á de u m a m aneira p e rm e a d a socialm ente, N o dizer de E ngels, o único fato histórico que existe é que o h o m e m p recisa sobreviver. E o que m u d a n ã o é o que se p ro d u z nu m d eterm in a d o p erío d o histórico, são as relações de p ro d u ç ã o , são as relações sociais que p e rm e ia m ou que signifi cam , stricto se n su , a relação en tre os h om ens, A com ida que m a n té m o hom em em p é, o sexo que m a n té m as gerações se suced en d o , a fo rm a de expressão do h o m e m sem pre estiveram p resen te s em q u alq u er m om ento histórico q u e se tom ar, O que m u d a , se tran sfo rm a são as relações sociais Qu e os h om ens u tilizam p a ra essa produção.
N o IIOSSO caso, vivem os um a rela ção social m u ito bem estabe
le cid a, u m a definição d a s form as de p ro d u ç ã o m uito clara, que estab elece o papel do ho m em , as relações q u e ele deve ou não m a n te r com seus sem elhantes. T ra ta -se do m odo de produção c a p ita lista . Esse m odo de p rodução p e rm e ia literalm en te toda a atividade do hom em : “ com quem você se re la c io n a rá ” , “ o que você p ro d u z " , “ o que consom e” , "d e que m a n e ira você p ro d u z ” , fíde que m a n e ira você consom e” ,
N ote-se que estam o s vivendo u m p erío d o em que os m eios de co m u n icação estão b a s ta n te desenvolvidos e, to d o s eles, perm eados p elas relações de p ro d u ç ã o de u m a fo rm a d ire ta .1 E stam os vivendo n a e ra d a televisão, do consum o de m assas, do s eletrodom ésticos, o que m axim iza a re la ç ã o en tre sistem a social e com portam ento h u m a n o , este últim o o bjeto de estudo d a Psicologia.
V erem os a seguir com o o sistem a m o d ifica o p róprio trab a lh o e in sere o hom em n u m a d e te rm in a d a relação social distin ta. T ra ta -se , então, de p erce b er que aq u i, m ais do que nunca, q u alq u er a to h u m a n o , q u a lq u e r co m p o rtam e n to que servir com o objeto de e stu d o a q u a lq u e r psicólogo é p erm e ad o necessariam ente peias
(1) Quando nos referimos a relações de produção, queremos significar as relações de trabalho em uma sociedade capitalista, onde o trabalho assumo a forma de mercadoria a o objetivo é a extração da mais-valis.
O INDIVÍDUO e a s INSTITUIÇÕES 141 relações de p ro d u ção , O gesto do hom em é u m gesto no mundo» in serid o n ecessariam ente, q u e r os psicólogos queiram ou não, q u er p e rc e b a m ou não, im ed iatam e n te nessas relações de produção desenvolvidas pelo ser h u m ano.
A c a d a gesto p o d e ser a trib u íd o o co n teú d o de classe, e aqui, d e novo, sob ra a m esm a conclusão: o e stu d o d a Psicologia deve p a r tir d as relações de produção, reco n h ecer com o o co m p o rta m e n to é d eterm in a d o a p a rtir dessas relações de produção. A cim a, ao a n a lisa r as várias razões q u e nos levam a e stu d a r as condições de tra b a lh o h um ano e a respectiva inserção do hom em n este processo, falam o s princip alm en te em determ in ação do co m p o rta m e n to do ho m em . C abem algum as observações.
Ê necessário su b lin h a r que estam os fa la n d o de d eterm in ação e n ã o de s u b o rd in a ç ã o .2 A diferença é essencial, não se tr a ta de a firm a r que to d as as ações h u m a n as estão su b o rd in ad as a u m sistem a c ap italista o u q u alq u er o u tro sistem a de produção. P a ra exem p lificar, podem os to m ar a relação p a i e filho, utilizando um m étodo b a s ta n te com um em Psicologia, d e re d u z ir a realid ad e a seus term o s m ais sim ples, p a ra te n ta r ex plicá-la. D epois voltarem os p a ra a q u estão que no s interessa.
P odem os dizer q u e a v ida do filho, o seu co m p o rtam en to a tu a l é d e te rm in a d o p ela relação q ue ele teve an terio rm e n te com seus p ais, o que n ão significa que seja s u b o rd in a d a à relação com os p ais. U m filho n ão re p ro d u z os pais, U m p ai, que te n h a sido um d en tista, n ão g e ra rá um filho dentista, P oderá, p o r exem plo, gerar u m filho que te n h a raiv a, h o rro r, que se afaste da profissão do pai e v en h a a ser u m sociólogo. O fa to de o filho te r h o rro r à profissão de d e n tista é d e te rm in a d o p ela profissão do p ai, p e la relação que o pai e filho tiveram d u ra n te su a história, m as não significa que a escolha da profissão esteja su b o rd in ad a literalm en te ao com po rtam en to do pai. O u a in d a , u m p a i idealista, desligado a b so lu ta m e n te das questões co n cre tas de sobrevivência, “ preo cu p ad o m ais com a a rte do que com o p ã o ” , pode gerar u m filho a b so lu ta m e n te m esquinho, p re o c u p a d o com c a d a tostão que p u d e r ser econom izado p a ra g a ra n tir o seu fu tu ro . M esm o q u e o filho se desenvolva n a m esm a
i2 ) A confusão entre determinação e subordinação é comum em uma abordagem mecanicista que queremos de infcio repudiar. Como os extremos se tocam, o mecanicismo materialista pode levar a uma postura metafísica, como já foi apontado por Merani, A. L. {Psicologia e A fien açã o).
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profissão do pai, c o n tin u a valendo o m esm o raciocínio, pois trata-se de u m novo sujeito em q u e poderem os e s tu d a r a d eterm inação do co m p o rtam en to do filho pelo p ai. sem re d u z ir o fenôm eno à su b o rd in açã o . Q u an d o falam os em determinação social estam os u sa n d o o m esm o significado* R econhecendo q u e o co m p o rtam en to do hom em está d e te rm in a d o p ela socied ad e o nde vive sem t no e n ta n to , se reduzir à q u e la sociedade.
Se o sislem a gera alienação, n ã o precisam os te r necessaria m e n te operários alien ad o s, p o rq u e ju n ta m e n te com alienação o sistem a gera revolta, a exploração de classe d e te rm in a o desen volvim ento de u m a nova consciência de classe e a lu ta p o r um novo sistem a social.
No início do texto colocam os a p e rg u n ta : o que e stu d a r em Psicologia? P artin d o do m eio am b ien te im e d ia to em q ue os seres h u m a n o s vivem hoje, das relações c u ltu ra is q u e se estabelecem en tre os h o m en s ou dos fatos q u e g aran tem a n o ssa sobrevivência, chega m os à m esm a conclusão: cu m pre e stu d a r o tra b a lh o h u m a n o , saber com o as relações de p ro d u ç ã o d e term in a m o co m p o rtam en to do ho m em .
M as, dizíam os, e sta reflexão foi fe ita com os livros de P sicologia fechados.
Ao ab rir os livros de Psicologia, ch eg a a im pressionar o d ista n ciam en to q u e a nossa ciência m a n té m destas questões.
A penas p a ra c ita r um exem plo, o fía n d b o o k o f Sociai P sych o lo g y (Lindzey & A ronson, 2? e d .), cin co grossos volum es que p e rco rrem quase to d as as áreas de e stu d o em Psicologia Social, d e d ic a ex atam en te dez p á g in a s p a ra d iscu tir o p ro b lem a d o tra b a lh o h u m a n o .
Vejam os o p ro b le m a m ais de p erto , convidam os o leitor a a b rir u m núm ero q u a lq u e r do P sychological A b s tr a c t, p o r exem plo o d e ja n e iro de 1980 (o ú ltim o n ú m e ro de q u e disponho, en q u a n to escrevo), p ublicação q u e resen h a todos os ú ltim o s tra b a lh o s de Psicologia.
P rocu rarem o s a p a la v ra w o rker (tra b a lh a d o r), e a revista nos rem ete à palav ra p e r s o n n e l„ que, em inglês, significa "‘pessoal*', “ g ru p o de em pregados” , m ais ou m enos com o utilizam os em p o rtu g u ê s, D ep arta m en to de P essoal, S eleção de Pessoal, etc.
O ra , eis a q u i u m a visão c la ra do significado d a palavra tra b a lh a d o r. A ju lg a r pelo P sychological A b s tr a c t, o tra b a lh a d o r in te re ssa à Psicologia e m fu nção do D e p a rta m e n to de Pessoal,
O INDIVÍDUO e a s INSTITUIÇÕES 143 C ontinuem os nossa pesquisa, e verem os que “ tra b a lh o " aparece, em Psicologia, com alguns significados b a sta n te precisos:
1) com o u m a variável interveniente, ou seja, um fa to r que pode in te rfe rir em "o u tro s” aspectos d a v ida do indivíduo. V eja-se o artig o de K . K ing (1978), que p e rg u n ta com o os adolescentes perceb em o relacionam ento en tre os fam iliares, q u an d o suas m ães tra b a lh a m ;
2) com o u m a instituição estran h a , in d e p en d en te do indivíduo que tra b a lh a . Com o, por exem plo, os tra b a lh o s de previsão de tu m -o v e r , o nde os objetivos do psicólogo são os de sab er q u al a p ro b a b ilid a d e , q u a n d o u m a em presa c o n tra ta r um indivíduo, de que ele se m a n te n h a no em prego. V er, p o r exem plo, o tra b a lh o de F . Suzene e t al. , que m ostra que q u a n d o a expectativa de salário é m u ito a lta o u q u a n d o resid e m u ito longe d a íà b ríc a , a m u lh er a b a n d o n a m ais freq ü en tem en te o em prego ou, a in d a , quais são os fatores que g a ra n te m a p erm an ên cia n o tra b a lh o (ver os artigos sobrejo b s a tis fa c ü o n ).
E m síntese, a Psicologia tom a o tra b a lh o a p a rtir das relações de p ro d u ç ã o cap italista. V ejam os q ual o sentido que o capitalism o engen d ro u ao tra b a lh o , ou ain d a qual a diferença en tre a “ fo rm u lação o rig in al" de tra b a lh o e o estágio de desenvolvim ento a tu a l das forças p rodutivas.