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Uso de los recursos de internet en cooperativas

3. Apropiaci´ on de Internet 36

3.2. Uso de los recursos de internet en el tercer sector

3.2.2. Uso de los recursos de internet en cooperativas

individual*

S ilv ia T a tia n a M a u re r L a n e **

O indivíduo sujeito da história é constituído de suas relações sociais e é, ao m esm o tem po, passivo e ativo (determ inado e deter­ m inante). Ser mais ou menos atuante com o sujeito da história depende do grau de autonomia e de iniciativa que ele alcança. Assim ele é história na m edida em que se insere e se define no conjunto de suas relaçòes sociais, desem penhando atividades transformadoras destas relações; o que implica, necessariam ente, atividade prática e inteligência, tào inseparáveis quanto, no nível da sociedade, são inseparáveis a infra e a superestrutura, e cuja unidade é estabelecida por um p ro c e sso cujo agente exclusivo é a atividade hum ana em suas diferentes formas.

£ dentro deste contexto que devem os analisar com o a ideo­ logia, presente em atividades superestruturais da sociedade, se reproduz a nível individual, levando-o a se relacionar socialm ente de forma orgânica e reprodutora das condições de vida, e também

(*> Este capitulo foi publicado com o título “ Ideologia no Nfvel Individual" in EducaçSo e Sociedade, n? 14, abril da 1963, Sfio Paulo. (**) Participaram das discussões que deram origem ao texto os Professores Antonio da C. Ciampa, Bader B. Sawaia, Brigido V. Camargo, Carlos Peraro Filho, Dirceu Pinto Malheiro, Elíana Bertolucci, Maribele Vi eg as, Marilia Fozati, Mariae R. Vianna, Odalr Furtado, Suefy Ongaro, Wsnderfey Codo « Luiz A . ftahal, membros de um grupo de pesquisa do pós-GraduaçSo em Psicologia Social da PUC-SP.

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com o, no plano da ideologia, o indivíduo se tom a consciente dos conflitos existentes no plano da produção de sua vida material. O hom em com o ser ativo e inteligente se insere historicamente em um grupo tocial através da aquisição da linguagem , condição básica para a comunicação e o desenvolvim ento de suas relações sociais e, conseqüentem ente, de sua própria individualidade. A linguagem, enquanto produto histórico, traz represen­ tações, significados e valores existentes em um grupo social, e com o tal é veiculo da ideologia do grupo; enquanto para o indivíduo é tam bém condição necessária para o desenvolvim ento de seu pensa­ m ento.

Ê preciso ressaltar que nem todas as representações implicara necessariam ente reprodução ideológica; esta se m anifesta através de representações que o indivíduo elabora sobre o Hom em , a Socie­ dade, a Realidade, ou seja, sobre aqueles aspectos da sua vida a que, explícita ou implicitam ente, são atribuídos valores de certo- errado, de bom -m au, de verdadeiro-falso. N o plano superestrutural a ideologia é articulada pelas instituições que respondem pelas form as jurídicas, políticas, religiosas, artísticas e filosóficas; no plano individual, elas se reproduzem em função da história de vida e da inserção específica de cada indivíduo. D esta forma a análise da ideologia deve, necessariam ente, considerar tanto o discurso onde são articuladas as representações, com o as atividades desenvolvidas pelo indivíduo. A análise ideológica é fundam ental para o conhe­ cim ento psicossocial pelo fato de ela determ inar e ser determ inada pelos com portam entos sociais do indivíduo e pela rede de relações sociais que, por sua vez, constituem o próprio indivíduo.

N este sentido, podem os entender com o é que no plano ideológico, o indivíduo pode se tom ar consciente ao detectar as contradições entre as representações e suas atividades desem pe­ nhadas na produção de sua vida material.

Q uando falam os em consciência de si com o sendo neces­ sariam ente consciência social, a alienação definida pela psicologia em term os de doença mental, neuroses, etc., se aproxima da concepção sociológica de alienação.

Se no plano sociológico é feita a análise da relação de dom inação entre as classes sociais, definidas pelas relações de produção da vida material da sociedade, esta relação se reproduz através da mediação superestrutural, via instituições que prescre­ vem os papéis sociais e que determinam as relações sociais de cada indivíduo.

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A alienação se cara c te riz a , o n tologicam ente, p e la atrib u ição de “ n a tu ra lid a d e ” aos fatos sociais; esta inversão do h um ano, do social, do histórico, com o m a n ifestação d a n a tu re z a , faz com q u e todo conhecim ento seja avaliado em te rm o s d e v erdadeiro o u falso e de univ ersal; neste processo a “ consciência” ê reificada, negando-se com o processo, ou seja, m a n te n d o a alien aç ão em relação ao que ele é co m o pessoa e, co n seq ü en tem en te, ao q u e ele é socialm ente.

N este ponto se to m a necessário d istin g u ir, em term os d e níveis, consciência social de consciência de classe; esta ú ltim a é u m processo essencialm ente g ru p ai e se m a n ife sta q u a n d o indivíduos conscientes de si se perceb em sujeitos d as m esm as determ inações h istó ricas que os to m a ra m m em bros de u m m esm o g rupo, inseridos nas relações de p ro d u ção q ue caracterizam a sociedade n u m d ado m o m en to . N esta perspectiva, o p e rte n c e r a u m g ru p o cujas ações expressam um a consciência de classe p o d e s e r condição p a ra que um indivíduo desencadeie u m processo de conscientização de si e sociaL D e sta form a, consciência de classe é um a categ o ria b asicam ente sociológica, e n q u a n to consciência de-só-social é u m a categoria psicológica. P orém elas são intersociâveis n o p lan o da ação, ta n to ind iv id u al com o g ru p ai.

O individuo consciente de si, necessariam en te, tem cons­ ciência de sua p e rtin ên cia a u m a classe social; e n q u a n to individuo, e s ta consciência se pro cessa tra n sfo rm a n d o ta n to as suas ações a ele m esm o; p o iém , p a ra u m a a tu a ç ã o e n q u a n to classe, ele necessa­ ria m e n te deve e sta r inserido em u m g ru p o q u e age en q u a n to tal (p o r exem plo, u m a greve, u m a assem bléia, exigem g rupos organizados em to rn o de um a consciência com um d e su a condição social).

P erm anece em ab erto u m a questão: o que ocorre com u m in d iv íd u o consciente e m u m g ru p o alien ad o ? O u seja, as c o n tra ­ dições sociais estão c la ra s, m as ele é im p ed id o , a nível gru p ai, de q u a lq u e r ação tra n sfo rm a d o ra — não se ria esta u m a situ ação g e ra d o ra de doença m en tal, com o fuga d e u m a realid ad e in su s­ ten táv el? (É a h ipótese le v an tad a p o r A . A b ib A ndery.)

A questão d a alienação — consciência só p o d e rá ser a n a ­ lisa d a , n o plano indiv id u al, e n q u a n to processo que envolve, n eces­ sa ria m e n te , p e n sam e n to e ação, m ediados pela linguagem — p ro ­ d u to e p ro d u to ra d a h istó ria de u m a sociedade.

O hom em age p ro d u z in d o e tra n sfo rm a n d o o seu am b ien te e p a r a ta n to ele pen sa, p la n e ja su a ação e dep o is de executada, e la é p e n s a d a , avaliada, d e term in a n d o ações su b seq ü en tes, e este p en sar

A S CATEGORIAS FUNDAM ENTAIS DA PSICOLOGIA SOCIAL 43 se d á atra v és dos significados tra n sm itid o s p e la linguagem a p re n ­ d id a .

P o r o u tro lado, q u a lq u e r ação im plica, necessariam ente, u m a n ã o -aç ão , e elas só podem coexistir n o p en sam e n to ; en q u a n to ativ id ad e ou o indivíduo age ou não-age, to rn a n d o o p e n sa r u m a ativ id ad e fu n d a m e n ta l, prevendo co nseqüências e levando a u m a decisão q u e se tra n s fo rm a em ação o u não^ação. O pção feita, no v am en te ela é p e n sa d a em term os “ e se ... m a s ... p o rta n to ...” , o u seja, ^ co n tra d ição e n tre a a ç ã o /n ão -aç ão é p e n sa d a , agora, com o av aliação ou ju stificativ a p a ra a decisão to m a d a .

E s ta ju stificativa, m ed iad a p e la lin g u ag em , é um p ro d u to subjetivo q ue p o d erá e s ta r reproduzindo a ideologia com conteú d o s p ró p rio s às especificidades do indivíduo* A re p ro d u ç ã o d a ideologia (e n q u a n to p ro d u to su p erestru tu ra!) com o p ro d u to subjetivo de açã o -p en sa m en to tem» necessariam ente, su a s raízes históricas, n a m e d id a em que a linguagem p resen te n o p e n s a r é um p ro d u to d o g ru p o social ao q u a l o indivíduo p erte n ce, m e d ian d o as relações sociais e rep ro d u zin d o , n o conjunto de seus significados, a ideologia do g ru p o dom in an te e su as m anifestações específicas no grupo social ao q u a i o indivíduo pertence.

O p e n sa r u m a ação pode sim p lesm en te rep ro d u zir essa ideologia, n a m edida e m que se subm ete ou a rep ro d u z através de explicações do tipo “ é assim q ue deve ser, é assim que se faz*1.

P o rém , o p e n s a r u m a açào pode s e r um confronto d as possíveis conseqüências ta n to im ed iatas com o m ed iatas. E ste p e n sa r re c u p e ra experiências an terio res, q u a n d o ações tran sfo rm a ram o a m b ie n te e o u tras, o m itidas, m antiveram o s ta tu s q u o , ap esar de te r h av id o u m a necessidade que gero u a c o n tra d iç ã o en tre fa z e r/ n ã o fazer. R efletir sobre estas co n tradições e suas conseqüências fa rá com q u e a ação decorrente seja um avanço no processo de co nscientização. Se e s ta reflexão n ão o co rre, o p e n sa r a ação se c a ra c te riz a rá p o r u m a resposta p ro n ta , tid a com o “ v erd ad eira” , j á e la b o ra d a pelo g rupo, reproduzindo a ideologia e m a n ten d o o indivíduo alienado.

D esta form a o p e n sa r a çã o /n ã o -a ç ã o — a g ir/n a o -a g ir e re p e n sa r o f e ito /n â o - f e ito tra z em si co n trad içõ es que podem ser resolvidas através de u m a explicação, de u m a ju stificativa q u e e n c e rra o processo com um a elab o ração ideológica. P orém se a c o n tra d iç ã o é e n fre n ta d a , é an alisad a c ritic a m e n te e é q u estio n ad a no c o n fro n to com a realidade, o processo tem co n tin u id ad e, onde c a d a ação é renovada e rep en sad a, a m p lia n d o o âm b ito de análise e

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da própria ação, e tem com o conseqüência a conscientização do indivíduo.

Em contraposição, as respostas a ações habituais são exata­ m ente aquelas que se reproduzem sem que ocorra o pensar, tanto antes com o depois. N a medida em que estas ações implicam valores e relações sociais» elas estarão, obrigatoriam ente, reproduzindo a ideologia dominante, m antendo as condições sociais, ou seja, elas não transformam nem as relações sociais do indivíduo nem a ele m esm o — é a persistência da alienação. (N esse sentido pode-se entender como, não só o trabalho repetitivo e mecânico de um operário, mas também qualquer atividade rotineira contribui para a alienação do ser humano*)

Esta linha de análise nos perm ite precisar com o a ideologia dom inante enquanto produção superestrutural da sociedade, com o um a “lógica” que, ao nível individual, se traduz com especifícidades e peculiaridades decorrentes da história de vida do indivíduo dentro de seu grupo social, ou seja, do conjunto das relações sociais que constituem o indivíduo.

Concluindo, tem os como decorrência m etodológica desta aná­ lise, a necessidade de pesquisar as re p r e s e n ta ç õ e s (linguagem- pensam ento) juntam ente com as a ç õ es de um indivíduo, este defi­ nido pelo conjunto de suas relações sociais, para se chegar ao conhecim ento de seu nivel de consciência/alienação num dado m om ento.