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Upper-level forcing and potential vorticity (PV)

Vale aqui ressaltar que todas as etapas da pesquisa de campo deste trabalho foram realizadas por meio virtual, algo que até bem pouco tempo seria impensável. Isso somente foi possível devido ao avanço das tecnologias de informação e comunicação que a cada dia, num ritmo cada vez maior, vêm disponibilizando ferramentas capazes de aproximar as pessoas em termos de tempo e distância, reduzindo o custo dos relacionamentos, sejam pessoais ou de trabalho.

Por meio das comunidades virtuais foi possível contar com a ajuda de inúmeras pessoas espalhadas geograficamente pelo Brasil. Em algumas comunidades foram criados fóruns específicos para que o autor pudesse se comunicar com os participantes e postar o questionário da pesquisa. Em outras, os participantes repassaram as mensagens para pessoas de seu conhecimento, buscando ajudar o autor na tarefa da pesquisa de campo.

No entanto, embora este estudo tenha abrangido uma quantidade expressiva de respondentes dos mais diversos tipos de ambientes virtuais e os resultados dos testes de análise do grau de confiabilidade dos fatores tenham sido altos, destaca-se a necessidade de sua reaplicação. Essa medida objetiva verificar se a estrutura de identificação e descrição dos fatores constituintes de facilitadores à construção da confiança nas interações virtuais se confirma.

Neste sentido, espera-se que o presente estudo venha a contribuir para o entendimento do processo da construção da confiança nas interações virtuais, que devido ao grande avanço da tecnologia e a necessidade cada vez maior da globalização da economia e da sociedade em geral, tornou-se indispensável para a efetividade das relações interpessoais.

Adicionalmente às conclusões do estudo, o autor inferiu sobre tres tópicos que considerou de extrema relevância, muito embora estes não pudessem ter sido diretamente comprovados pelos resultados da pesquisa.

Inferência 1 - A maior importância que as características do “trustee” (bloco 1) obteve comparada às características do “trustor” (bloco 2) remete à um comportamento já esperado dos respondentes

Endossando a literatura já existente referente à construção da confiança nas relações interpessoais, a pesquisa demonstrou que os fatores relacionados às características do trustee foram os mais relevantes para a construção da confiança, mesmo em interações essencialmente virtuais. Aparentemente, este resultado pareceria coerente visto que fatores ligados à percepção da confiabilidade da outra parte, como a competência, a benevolência, a integridade e o reconhecimento, são tidos como componentes muito importantes para a construção da confiança nas interações das pessoas. No entanto, vale ressaltar uma outra visão para esta questão que conduz à formulação de uma pergunta: Por que as características relacionadas ao trustor - autoconfiança, propensão para confiar, comportamento prestativo, altruísmo e flexibilidade – não obtiveram uma relevância maior ou ao menos igual à aquelas relacionadas ao trustee? Muito embora haja a necessidade de um estudo mais específico para esclarecer tal questionamento, supõe-se que as pessoas sentem-se mais seguras e consequentemente com maior confiança nas interações virtuais as quais participam, quando colocam a responsabilidade pelas suas próprias ações na outra parte (trustee), na situação ou contexto, ou ainda nas peculiaridades da comunicação via computador (características da conectividade). Esquecem-se assim, da importância que os fatores ligados as suas próprias características (trustor) adquirem nas interações virtuais.

Segundo Kofman (2004, p. 232, 252), quando a pessoa não enxerga a sua responsabilidade se vê como vítima das circunstâncias. A desculpa para esse comportamento se baseia em culpar os outros (trustee) e o mundo (contexto) pelas ações erradas que ela produz. Por outro lado, assumir a responsabilidade significa aceitar que se é capaz de responder as circunstâncias segundo os próprios valores. Conduz a uma ação virtuosa, que mesmo não garantida de êxito, permite que a pessoa fique com a consciência tranqüila de que deu o melhor de si, ou ainda de que agiu com responsabilidade frente a aquela situação. Ser responsável é fazer-se dono de si mesmo (KOFMAN, 2004, p. 251).

Baseado em tais pressupostos, pode-se inferir que os fatores característicos do trustor deveriam ser os mais relevantes para a construção da confiança nas interações virtuais das partes. Suposição esta que não foi confirmada pela pesquisa.

Inferência 2 - O papel do trustor como o principal agente impulsionador da construção da confiança nas relações humanas

É fato que as constantes mudanças do mundo globalizado atual, induzem a uma crescente competição entre as organizações e entre as pessoas que as compõem. Por outro lado, a intensa demanda por conhecimento e inovação exige dessas organizações uma administração mais flexível, horizontal e baseada em redes de colaboração e cooperação entre os seus membros. Esta situação paradoxal que rege a grande maioria das organizações desta nova economia leva a uma necessidade ainda maior de construção de relações de confiança nestas. Neste sentido, formula-se a seguinte questão: Como construir relações de confiança entre esses membros se a competição interna entre estes se encontra cada vez mais acentuada? Como esperar que os fatores relacionados as características do trustee e as características do contexto realmente possam se tornar facilitadores nesta situação de competição extrema?

Desta forma, percebe-se que esperar por modificações comportamentais da outra parte (trustee), por ambientes menos competitivos e mais favoráveis à cooperação (contexto), ou ainda por algum milagre tecnológico (conectividade) soa como utopia e assim tornam-se extremamente difíceis de se realizar. Portanto, resta investir em um único agente: características do trustor.

Estas características que são de forte relevância para a construção de relações de confiança nem sempre são apreciadas com o cuidado que necessitariam. Isto vem ao encontro com a posição de alguns autores ao sugerir a tendência que as pessoas possuem de desculparem a si próprios, colocando a responsabilidade na outra parte, ou no contexto.

Dando continuidade a esta linha de raciocínio, pode-se supor que o grande foco para a construção da confiança nas interações humanas deveria estar baseado no comportamento do

trustor. Assim, mais que esperar por mudanças no comportamento do trustee, do contexto ou

da conectividade, as pessoas precisam primeiramente tomar consciência que toda essa transformação deve começar por elas próprias. Faz-se necessário uma mudança de atitude, chamando a responsabilidade para si e traçando o próprio rumo e não deixando ser levado pela correnteza.

Inferência 3 - Apesar de todo o avanço tecnológico com a WEB 2.0, a confiança ainda será o grande combustível para alimentar as interações virtuais na criação e no compartilhamento do conhecimento nas organizações

A suposição é que muito embora a confiança continue sendo um elemento importantíssimo para a efetividade das interações virtuais dos indivíduos, ela possa cada vez

mais encontrar o seu verdadeiro papel nestas interações. Acredita-se que a nova geração (Geração NET7) que está surgindo como a grande força da nova economia, esteja mais habituada em compartilhar as suas idéias. Neste sentido, esta geração estaria mais disposta a confiar do que a desconfiar.

Esta propensão à confiança, que foi considerado um dos fatores menos importantes nessa pesquisa, teria um peso totalmente diferente no que se refere as interações virtuais desta nova geração. Com isso o papel do trustor ganharia em relevância e a confiança funcionaria como um “pano de fundo”, onde ela só seria percebida quando houvesse uma quebra ou ruptura desta.

Desta forma, as novas interações virtuais das novas plataformas da Internet ou Web

2.08 como vem sendo chamada, ganhariam tanto em intensidade quanto em fluidez, conduzindo à uma maior efetividade na criação e no compartilhamento do conhecimento, e, consequentemente nas inovações das novas organizações.

No entanto, novas questões poderão surgir no que tange ao papel que a confiança desempenhará nestas novas interações e acredita-se que estas sejam bem diferentes das que foram levantadas nesta pesquisa. A justificativa para tal suposição está embasada na percepção de que a “velha” geração, que foi a grande massa dos respondentes da pesquisa (81%), ainda esteja amarrada a enormes paradigmas no que se refere a propriedade intelectual e preservação dos seus direitos autorais. Enfim, ainda sustente uma boa dose de desconfiança da outra parte.

Por outro lado, a nova geração (NET) que vem por aí sente-se livre para compartilhar as suas idéias no sentido de que teriam muito mais a ganhar do que a perder com tal atitude. Assim, supõe-se que o principal desafio das organizações será o de criar um novo modelo de colaboração (peering) 9 no qual os seus colaboradores possam compartilhar e se apropriar ao mesmo tempo (TAPSCOTT; WILLIAMS, 2006). Neste sentido, encontrar o ponto de equilíbrio entre a colaboração e a recompensa por tal atitude tornar-se-ia a chave do sucesso para estas organizações e a criação da confiança continuaria tendo um papel de destaque para tal desafio.

7 Segundo Tapscot e Williams (2006), essa geração é composta de jovens usuários de interações virtuais que

estão estabelecendo uma nova ética de abertura, participação e interação no trabalho, nas comunidades e no mercado.

8 Nova plataforma da internet onde o objetivo é a participação do usuário. Desenvolvida visando oferecer uma

maior interatividade.

9 “Uma nova maneira de produzir bens e serviços utilizando-se da forca da colaboração em massa” (TAPSCOT;

Por fim, supõe-se que novos fatores facilitadores à construção da confiança nas interações virtuais deverão surgir em um futuro próximo e, estes, merecerão ser continuamente estudados e investigados.