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Baroclinic instability

1.4 Outline of this study

2.1.1 Baroclinic instability

Na tabela 51 abaixo observa-se os resultados obtidos da análise dos cinco grupos ou blocos característicos das relações de confiança nas interações virtuais. Para se obter tal resultado foi realizada uma média das variáveis (medidas) estatísticas dos fatores alocados em cada bloco respectivamente.

Tabela 51 - Resultados referentes a cada bloco onde os fatores foram agrupados.

Blocos N Média Mediana Desvio

Padrão Moda 1 - Características do Trustee 288 4,05 4,12 0,6 4,00 2 - Características do Trustor 288 3,69 3,80 0,6 4,00 3 - Características do Contexto 288 3,78 3,85 0,4 3,57 4 - Características da Conectividade 288 3,84 3,85 0,4 4,00 5 - Outros Fatores 288 3,38 3,50 0,8 4,00 N = número de respondentes Fonte: O autor

Partindo desta análise observou-se que todos os blocos foram validados como facilitadores à construção da confiança, já que todos obtiveram médias superiores a 3 em todas as métricas estatísticas aferidas. No entanto, segundo a percepção dos respondentes, os blocos variaram quanto a sua relevância para a construção da confiança nas interações virtuais conforme demonstrado na tabela 52 abaixo.

Tabela 52 - Resultados referentes a cada bloco onde os fatores foram agrupados por ordem de importância.

Blocos

ordenados Blocos N Média Mediana Desvio Padrão Moda 1 1 - Características do Trustee 288 4,05 4,12 0,6 4,00 2 4 - Características da Conectividade 288 3,84 3,85 0,4 4,00 3 3 - Características do Contexto 288 3,78 3,85 0,4 3,57 4 2 - Características do Trustor 288 3,69 3,80 0,6 4,00 5 5 - Outros Fatores 288 3,38 3,50 0,8 4,00 N = número de respondentes Fonte: O autor

Não causou surpresa o fato do bloco 1 – Características do trustee – ter sido apontado em primeiro lugar na ordem de importância quando comparado aos demais blocos. A literatura enfatiza que a percepção da confiabilidade do trustee é de extrema relevância para o

trustor e consequentemente para o estabelecimento da confiança nas interações. Segundo

pois trata-se da avaliação que o trustor faz da pessoa com a qual ele irá outorgar a sua confiança.

Por outro lado, existem vários autores (WALTHER; BUNZ; BAZAROVA, 2005; IACONO; WEISBAND, 1997; JARVENPAA; LEIDNER, 1999) que apontam para um outro aspecto ou componente predominante das relações de confiança nas interações virtuais. Eles sugerem que as características da conectividade, como a pró-atividade, o feedback, ou a tempestividade (bloco 4), seriam mais influentes do que as características do trustee (bloco 1) no que tange à construção da confiança nestas interações.

No entanto, apesar do bloco 4 – Características da conectividade – ter obtido um expressivo resultado com uma média de 3,85 e classificando-se em segundo lugar na percepção dos respondentes, ele não conseguiu superar o bloco 1 – Características do trustee – que obteve a maior média (4,05) entre os blocos.

Uma das justificativas para este ocorrido pode estar baseada na dificuldade que as pessoas encontram para iniciarem relacionamentos ou interações umas com as outras. Na seção 2.2.4 do Capítulo 2 da Revisão de Literatura explanou-se sobre os estágios do desenvolvimento da confiança. Neste sentido, a confiança partiria de um estagio inicial (calculável) para um segundo estagio, o do conhecimento e na seqüência atingiria o estágio mais desenvolvido: o da identificação.

A confiança calculável é provavelmente a forma mais encontrada nas novas relações, e é geralmente formada por parceiros ou membros de grupos que não tiveram nenhuma conexão social prévia. Já o estágio do conhecimento ocorre quando uma pessoa possui informação suficiente sobre a outra pessoa, e, portanto, pode entendê-la e prever o seu comportamento. Desenvolve-se por meio de informações sobre preferências, desejos e comportamentos da outra parte. Por fim, chegar-se-ia ao estágio da identificação, que nasce entre as pessoas que compartilham de uma identidade comum, ou seja, que possuem valores, moral e ética similares. Essa confiança se desenvolve através da empatia entre as partes, que efetivamente se entendem e se apreciam entre si, e esse perfeito entendimento pode chegar ao ponto que um efetivamente possa agir pelo outro (LEWICKI; TOMLINSON; GILLESPIE, 2006, p. 1010).

Uma outra justificativa para o resultado obtido estaria baseada na teoria de Fukuyama (1995) ao sugerir que em culturas onde prevalecem um baixo nível de confiança, como no Brasil, torna-se difícil a evolução de uma confiança calculável para a confiança de conhecimento e mais ainda para a de identificação. Por outro lado, em culturas onde há um alto nível de confiança esse estágio calculável perde a sua importância, já que as pessoas não necessitam tanto de testar umas as outras antes de iniciarem as suas interações.

Neste sentido, pode-se inferir que provavelmente em culturas com um alto grau de confiança, o bloco 1 – Características do trustee – perderia importância em comparação com o bloco 4 – Características da conectividade – o que poderia explicar os resultados encontrados nos estudos sobre a confiança nas interações virtuais dos autores citados acima: Walther, Bunz e Bazarova (2005); Iacono e Weisband (1997); Jarvenpaa e Leidner (1999).

Outro dado interessante quando da comparação entre os blocos foi o fato de o bloco 2 – Características do trustor – ter obtido apenas o quarto ou penúltimo lugar na classificação por nível de relevância entre estes. Uma explicação para tal fenômeno pode basear-se na tendência que as pessoas têm de responsabilizar os seus pares nas suas interações. Segundo Robins et al. (1996 apud WALTHER; BAZAROVA, 2007, p. 3), uma parte acredita que o seu próprio comportamento é moldado pela outra parte. “ Meu par fez com que eu agisse dessa forma”. Desvia-se assim o foco do contexto e de si próprio. Neste sentido, acusar o outro torna-se a justificativa preferida para o insucesso das interações virtuais entre as partes, e criam-se bodes expiatórios na tentativa de isentar-se das suas próprias responsabilidades (WALTHER; BAZAROVA, 2007, p. 4).

A constatação é que os fatores que compõem as principais características do trustor para a construção da confiança nas interações virtuais ficaram em segundo plano quando comparados com os fatores relacionados as características do trustee, do contexto e da conectividade. Tal situação pode criar uma grande barreira para a construção da confiança nestas interações. A autoconfiança, a propensão para confiar, o comportamento prestativo, o altruísmo, e a flexibilidade não foram na percepção dos respondentes os fatores mais relevantes à construção da confiança. Isto vai contra a posição de Keley (1967 apud WALTHER; BAZAROVA, 2007, p. 6), ao sugerir que o comportamento anômalo de uma pessoa deveria ser atribuído a esta própria e não a uma outra parte ou as circunstâncias envolvidas em uma interação.

A suposição é que as pessoas precisam se conscientizar da importância que os seus comportamentos têm para a construção de relações efetivas de confiança nas suas interações virtuais. Assim, quanto mais estas pessoas tomarem a responsabilidade dos seus atos para si, evitando responsabilizar o outro ou o contexto pelas suas falhas, maiores as chances de construções autenticas de confiança entre as partes. Desta forma, presume-se que o bloco 2 – Características do trustor – deveria ser o mais relevante para o estabelecimento da confiança, o que não foi confirmado pelo resultado da pesquisa.

4.14 Comparação entre os cinco blocos por ordem de importância e por tipo de